Evangelho Segundo São João

Animo, uma nova Catequese (Encontro 14/40 – Jesus Cristo – Complemento 9)

 

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A Boa Nova segundo João

João é considerado o autor do que se tornou o quarto evangelho no cânon oficial da Bíblia. Esta posição no livro só se lhe foi dada porque ele descreve de forma diferente dos anteriores (Mateus, Marcos e Lucas) a missão de Jesus. Além de ter convivido diretamente com o filho de Deus, ele se autodenomina como “o discípulo mais amado”, João seria hoje um teólogo e seu texto reflete isso.

João também é o autor de mais 3 epístolas (cartas de João 1, 2 e 3) e do livro da Revelação ou Apocalipse (como ficou mais conhecido).

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Mateus (Mt 4,18-22, repetido por Marcos 1,16-20 e Lucas 5,1-11) narra que Jesus chamou primeiro Pedro e André e logo depois Tiago e João para segui-lo. Já no evangelho de João (Jo 1,35-51) esse chamado tem outra ordem e deixa claro que tanto André como o próprio João eram seguidores de João Batista e quando este indicou quem realmente seria o enviado de Deus (no caso Jesus) eles seguram-no imediatamente e teriam sido então os primeiros a seguidores do Messias. Esqueceu-se até de citar seu próprio irmão Tiago no restante da narrativa.

Mas em particular esta passagem traz algo até mais significativo: são as primeiras palavras ditas por Jesus neste evangelho. É ele as tem todo um significado especial (quase como um prelúdio do que viria): O que vocês estão procurando? (Jo 1,38). Esta é a pergunta feita até hoje a todos que pretendem seguir a Jesus. Nós queremos saber quem é Jesus, onde está, onde fica e ele nos pergunta sobre o que buscamos na nossa vida.

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Fragmento do Evangelho de João

Evangelista

O livro de João não é composto de breves histórias, como nos outros evangelhos, mas sim de grandes episódios, em que se misturam narrativa, diálogo e discurso, assumindo, muitas vezes forma de teatro. Segue um esquema geográfico e cronológico peculiar, mencionando diversas viagens de Jesus a Jerusalém e três páscoas, diferente dos outros 3 evangelhos que só narram uma. (Introdução a João – Bíblia Sagrada -CNBB)

No evangelho de João encontramos apenas 7 milagres, que ele chama de sinais e alguns discursos que se desenvolvem lentamente repetindo sempre os mesmos temas-chave. Seu evangelho é uma espécie de meditação, que procura aprofundar e mostrar o conteúdo da catequese existente em sua comunidade. Seu evangelho visa a despertar e a alimentar a fé em Jesus Cristo o filho de Deus, a fim de que os homens tenham a vida. (Jo 20,30-31). (Introdução ao Evangelho Segundo São João – Bíblia Sagrada – Paulus)

É o único dos evangelhos em que Jesus é Deus e homem ao mesmo tempo.

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Em Patmos escrevendo o Apocalipse

Existe também alguns fatos em que o texto de João chega a contradizer o texto dos demais evangelistas. Além de João citar a celebração de três páscoas, algo que condiz com a possibilidade de que Jesus fez sua pregação em três anos. Os evangelhos sinóticos dizem que a última ceia ocorreu numa quinta-feira, o de João antecipa a data em um dia e com isso faz com que a morte de Jesus coincida com a hora em que se sacrificavam o cordeiro como oferenda no Templo de Jerusalém durante a páscoa judaica. Apesar de morrer na Cruz o Salvador aparece como vitorioso.

O evangelho de João é por excelência o texto que nos fala da divindade de Jesus. É como ele teria o poder de nos salvar.

quadro cronológico do evangelho segundo joão

Quadro cronológico

Prólogo 1,1-8
I. O ministério público de Jesus 1,19-12,50

Preparação 1,19-51
As bodas em Caná 2,1-12
Ministério em Jerusalém 2,13-3,36
Jesus e a mulher de Samaria 4,1-42
A cura do filho de um oficial do rei 4,43-54
A cura de um paralítico em Betsaida 5,1-15
Honrando o Pai e o Filho 5,16-29
Testemunhas do Filho 5,30-47
Ministério na Galiléia 6,1-71
Conflito em Jerusalém 7,1-9,41
Jesus, o bom Pastor 10,1-42
Ministério em Betânia 11,1-12,11
Entrada triunfal em Jerusalém 12,12-19
Rejeição final: descrença 12,20-50

II. O ministério de Jesus aos discípulos 13,1-17,26

Servir— um modelo 13,1-20
Pronunciamento de traição e negação 13,21-38
Preparação para a partida de Jesus 14,1-31
Produtividade por submissão 15,1-17
Lidando com rejeição 15,18-16,4
Compreendendo a partida de Jesus 16,5-33
A oração de Jesus por seus discípulos 17,1-26

III. Paixão e ressurreição de Jesus 18,1-21,23

A prisão de Jesus 18,1-14
Julgamento perante o sumo sacerdote 18,15-27
Julgamento perante Pilatos 18,28-19,16
Crucificação e sepultamento 19,17-42
Ressurreição e aparições 20,1-21,23

Epílogo 21,24-25

 

Um homem chamado João

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João era um dos filhos de Zebedeu e Salomé, junto com seu irmão Tiago (Maior) eles eram pescadores. Ele era responsável pelo conserto das redes de pesca também. Morava em Betsaida com os pais João também gostava de ouvir a pregação de João Batista e provavelmente foi um dos muitos batizados pelo profeta. Tanto por terem a mesma profissão, como por viverem na mesma região João e seu irmão já conheciam Pedro e André e este último também fora um seguidor do Batista.

Na Bíblia não existe nenhuma citação sobre a constituição de uma família pelo apóstolo ou seja provavelmente ele nunca se casou.

Tanto João como Tiago ganharam o apelido de Filhos do Trovão ou irmãos Boanerges (literalmente irmãos do trovão) provavelmente por falarem alto e serem muito agitados. O temperamento de ambos seria mais esquentados e alguns episódios falam sobre isso (cf. Mc 9,38; 10,35-40 e Lc 9,51-56) e Jesus acaba dando alguns puxões de orelha neles. Isso depõe contra algumas descrições que dão relatos de que o apóstolo seria muito amoroso e tranquilo. Ele era bem explosivo inclusive na defesa da sua fé.

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A teoria de que João seria um dos discípulos mais jovens de Jesus vem de vários pontos mas se evidência principalmente no capítulo 20,1-10 quando a narrativa da descoberta por Maria Madalena (ele não cita outras mulheres acompanhando ela como nos evangelhos sinóticos) do túmulo vazio de Jesus. João narra que ele é Pedro saíram correndo quando Maria avisa que o sepulcro está vazio (note que ele fala de Pedro e o discípulo que Jesus mais amava, ou seja ele João, já que é a denominação assumida por ele), mas ele chega primeiro (o que demonstra que ele tinha mais fôlego, por ser mais jovem) só que ao chegar ele não entrou e esperou por Pedro e só depois deste ter entrado é que João entra. Isso não foi por medo e sim pelo respeito aos mais velhos (eles deveriam tomar a frente) e também respeito pela posição de liderança exercida por Pedro. Um discípulo mais velho, teria entrado ou não teria conseguido chegar antes. Por ele ser o mais jovem recebia grande atenção do Mestre pois tinha muitas perguntas a fazer.

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Com tudo isso João foi diversas vezes citado nos outros evangelhos, em especial no de Marcos que parece gostar mais ainda das ações dele. João esteve sempre presente em momentos importantes da vida de Jesus, um destes fatos é que somente ele, Tiago e Pedro puderam testemunhar a ressurreição da filha de Jairo (Mc 5,37) e depois serão apenas os 3 a presenciarem a transfiguração de Jesus. Também presenciam a agonia do Mestre no Monte das Oliveiras antes de ser preso. É João o único discípulo a se postar próximo da Cruz junto com a Virgem Maria e Maria Madalena e é a ele entregue a missão de cuidar da mãe do Cristo.

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Maria Madalena, Maria mãe de Jesus e João

 

Após a ressurreição e ascensão de Jesus, Lucas narra os passos de João junto de Pedro pregando por toda a Judéia. É de como o discípulo teve destaque de liderança e autoridade também. Paulo narra um encontro com João em sua terceira visita a Jerusalém (após ter sido convertido) na epístola aos Gálatas (que também é o último registro dos passos do apóstolo fora seus próprios escritos)

Estudiosos especulam que João permaneceu em Jerusalém durante a Guerra Judaica até a destruição do templo pelos romanos (70 d.C. durante a chamada Primeira Guerra judaico-Romana), depois teria se mudado para Éfeso e já com uma idade avançada teria sido preso pelo imperador Domiciano e exilado na Ilha de Patmos e lá teria escrito o livro do Apocalipse (está última parte é praticamente um consenso).

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O escritor cristão Tertuliano de Cartago (155 d.C. A 220 d,C,) escreve que o imperador romano Domiciano (51-96 d.C.) prendeu o apóstolo João na Ásia durante a sua perseguição aos nazarenos (futuramente chamados como cristãos) e levou-o a Roma onde ele foi jogado em óleo fervente mas saiu ileso.

Outros historiadores (na versão mais aceita) dizem que após a prisão e depois de um tempo em Roma o apóstolo foi isolado na Ilha de Patmos, na Grécia que servia também de prisão. Porém João teria sido deixado em uma gruta onde ele usava uma pedra como travesseiro e teria escrito o livro do Apocalipse. Segundo uma lenda todo o texto foi escrito seguindo as revelações de Deus dadas por uma fenda no teto da caverna. Muitos visitam todo ano o local e conseguem ver até a pedra usada como travesseiro e a fenda no teto. Esta fenda se divide em três e foi relacionada posteriormente à Santíssima Trindade.

Tudo indica que tenha morrido de morte natural com 94 anos em Éfeso.  Porém não existe uma explicação de como chegou até lá.

Uma das maiores controvérsias de todos os tempos

Pedro recebendo a missão de apascentar as ovelhas de Jesus percebe que o jovem João está presente e pergunta o que será dele e o Mestre deixa no ar que João não iria (ou irá) morrer até que Ele volte (Parusia seria o termo correto e tema de um futuro post). Trocando em miúdos Jesus anuncia que João não vai morrer. (Jo 21,18-25). Se for feita uma interligação com o que escreve Mateus no capítulo 16,28 onde Jesus anuncia que entre os que estavam ali (presentes no momento) existia os que não passariam pela morte até que vissem vir o Filho do Homem no seu reino. Fica extremamente intrigado com todas estas declarações. Por um lado a nossa racionalidade não consegue aceitar que alguém possa estar vivo a mais de 2000 anos, por outro lado como duvidar do poder de Deus em se tratando de fé? Acreditamos que Jesus fez milagres, curas, ressurreições e ele próprio ressuscitou e se elevou de corpo e alma para o céu, então seria um contrassenso não acreditarmos que Jesus possa ter dado a João a possibilidade de permanecer vivo até quando o Mestre retornar.

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Fato ainda mais controverso são os escritos de Policrates de Éfeso, um Bispo que viveu em 190 d.C. e também complementados por Eusébio de Cesaréia em História Eclesiástica 5,24 que falam sobre a morte de João, mas frisar que após o falecimento e sepultamento do apóstolo, alguns anos depois o imperador romano Constantino (convertido ao cristianismo) decidiu erigir uma igreja para João e ao abrir sua tumba para o translado do corpo está estava vazia. Detalhe os selos não haveriam sido removidos até aquele momento. Fica o mistério e a controvérsia.

 Curiosidade

 Jo 21, 20 fala da posição que João se sentou a mesa na última ceia e serviu de base para a pintura de Michelangelo  

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Detalhe de uma das muitas versões do quadro

Liturgia

  • João : Símbolo: Águia. Era o maior teólogo entre todos e seu evangelho fala sempre da Divindade e dos mistérios do altíssimo, do Filho de Deus que veio dos céus. Inicia dizendo que no princípio era o verbo e o verbo estava junto de Deus. Como a águia é o animal que voa mais alto ficou como símbolo dele. Jo 1,1-5
  • Evangelho de São João é reservado para as ocasiões especiais, principalmente as grandes Festas e Solenidades, para este evangelho não existe um ano litúrgico.
  • Festa 27 de Dezembro

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Leia Mais:

 

 

14º Encontro (Catequese) – Evangelho de João

Série: Animo, uma nova Catequese (Encontro 14/40)

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João retratado na Santa Ceia

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus.” (Jo 1)

Dentro dos evangelhos, João foi o único a não se basear no livro de Marcos e escreve o seu de maneira independente, apesar de contar a história do mesmo personagem. Por isso mesmo o Evangelho de Jesus Cristo segundo São João não faz parte dos chamados Evangelhos Sinóticos (ou semelhantes) como os de Mateus, Marcos e Lucas, e é um livro mais teológico, preocupado em mostrar a divindade do seu mestre. Junto com seu irmão Tiago (que ficaria conhecido como Tiago Maior) fez parte dos 4 primeiros discípulos a serem convidados por Jesus para segui-lo. Só a abertura do seu evangelho já mostra como João iria tratar a história de Jesus (veja na abertura da postagem). lembrando que ele também escreveu 3 cartas apostólicas e mais o Apocalipse.

Bem vindos ao nosso 14º encontro.

Espero que as sugestões destes encontros possa ajudar você ou o grupo no desenvolvimento desta proposta de vivência na fé que é a catequese. É bem difícil suavizar e modernizar a maneira de falar (escrever no meu caso) mas como eu tenho certeza de que cada catequista tem o seu jeito de falar fico até tranquilo quanto a isso.

Minha proposta é que no primeiro momento seja pedido que todos se cumprimentem com o abraço da paz, incluindo catequistas. Depois seria interessante que a oração inicial seja espontânea onde cada um possa estar falando pelo que está rezando neste momento (claro que sem forçar a barra e nem deixando este momento constrangedor).

Dependendo das condições de cada comunidade sugiro que seja deixado colado embaixo de cada cadeira um bombom (pode ser bala) ou que se ofereça bombons para eles diretamente na caixa (vale um toque: se for comprado bombons em pacotes ao invés de caixa, sai mais em conta e pode se ter a opção de todos os bombons serem iguais). Logo de cara proponho uma dinâmica, antes mesmo de entrarmos no tema.

Dinâmica Quem é Deus?

Consiste em se dar para cada catequizando uma tira de cartolina e um canetão (ou canetinha) onde cada um vai escrever a resposta em uma palavra da pergunta: Quem é Deus? Todos escrevem e colocam próximo a cruz ou a vela, ou o que tiver como ambientação no chão. Apenas próximo ao final do encontro será feito a plenária, onde cada um pega de volta a sua resposta e responde o porque escreveu esta definição.

No momento seguinte entramos no tema falando sobre João. Como se deu o seu chamado, porque ele se autodenominava “o discípulo que Jesus mais amava”, e também porque o evangelho dele é diferente dos demais.

Pedir que os catequisandos se dividam em grupos (dar o limite de pessoas para cada grupo) e dar leituras para eles lerem e dividirem entre eles como um jogral. Sugiro 5 grupos (mas dependendo do número de pessoas podem ser mais ou até menos grupos). Sugiro as leituras:

  1. Bodas de Cana: Jo 2,1-11;
  2. Cura do filho do funcionário real: Jo 4,46-54;
  3. Multiplicação dos pães: Jo 6,5-14;
  4. Cura do cego de nascença: Jo 9,1-16;
  5.  Ressurreição de Lázaro: Jo 11,1-44

Após este momento é hora de acertar as pendências como documentos para os sacramentos e sugiro que seja fechada uma data para um almoço ou jantar com os pais dos catequisandos, catequistas e o padre. A família é um eixo importante na vivência na fé. Também penso ser um bom momento para propor que eles façam a preparação de uma missa (ou celebração) onde eles serão leitores, comentaristas e farão parte das procissões que tiverem na missa (respeitando os costumes de cada comunidade e conversando com a equipe de liturgia) deste tipo de ação sempre aparecem cantores novos ou tocadores de algum instrumento, bons leitores também, além de pessoas que vão se integrar mais facilmente aos trabalhos da comunidade. Para quem é de fora parece que a Liturgia é algo muito distante da realidade e isso deve ser quebrado. Também é muito importante que os catequizandos se integrem cada vez mais com a missa, outro eixo fundamental da catequese.

Depois é o momento de fazermos a plenária da dinâmica, já como parte da oração. Cada um fala o porque definiu Deus com aquela palavra e fica em silêncio após isso. Sugiro que façamos a oração de São João Evangelista, junto com um Pai Nosso e cantemos o nosso canto final : Recado de Deus e depois podemos partir com a missão de transmitir a paz para que encontrarmos.

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Sugestão para folha de encontro

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João Batista aponta para João e André quem é o verdadeiro enviado de Deus

 

Aprofundamento para o catequista

O quarto evangelho, a princípio tem a mesma estrutura dos evangelhos sinóticos: inicialmente mostra o testemunho de João Batista sobre Jesus, depois apresenta várias passagens e acontecimentos da vida de Cristo, e termina com os relatos de sua paixão, morte e ressurreição. No entanto destaca milagres ou aspectos da pregação de Jesus que não são relatados pelos sinóticos: o início da vida pública de Jesus nas bodas de Cana; a ressurreição de Lázaro; o lava pés; a questão do paráclito; o longo discurso sobre o pão da vida que vem após a multiplicação dos pães; é o único a apresentar as três grandes festas judaicas; Jesus toma posse da fórmula “Eu sou”, que é própria de Deus. O evangelho segundo João é o evangelho mais puro, o mais radical, o mais teológico, com uma cristologia mais desenvolvida que se preocupa em apresentar a divindade de Cristo.

Para o povo judeu do AT a fé está na lei de Moisés, no culto centrado em Deus efetuado no templo, João vai colocar o eixo em Jesus. Jesus é a Lei, Jesus substitui o templo e a fé está na pessoa de Cristo.

O Autor

A tradição antiga da Igreja identificou a autoria deste evangelho como sendo de João o discípulo amado de Cristo. “Este é o discípulo que dá testemunho dessas coisas e foi quem as escreveu: e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro” (21,24).

Santo Ireneu de Lyon (+/- 125/140 d.C) é o autor mais antigo que afirma a autoria do quarto evangelho à João: “Em seguida, o discípulo do Senhor, o mesmo que repousou sobre o seu peito, publicou também o evangelho durante sua estada em Éfeso”. Provavelmente o livro foi escrito no final do primeiro século, entre os anos 90 e 100 d.C. na localidade de Éfeso. (Para nós abrasileiramos o nome do santo para Irineu de Lião)

Destinatário

Diferente dos evangelhos sinóticos que tem um destinatário concreto, Marcos escreve para Romanos, Mateus para Judeus e Lucas para Gregos, João tem um destino universal, pois escreve não para uma comunidade específica, mas para todas as comunidades cristãs.

Objetivo de João

O propósito de João é inspirar nos leitores a fé em Jesus e está claro nas conclusões finais do capítulo 20,30-31: Crer que Jesus é o Filho de Deus para se ter vida

“Eu Sou”

A fórmula “Eu Sou” como a vemos no livro do Êxodo quando Deus se apresenta à Moisés dizendo “Eu sou aquele é”, é própria do Criador, no entanto Jesus toma posse desta expressão para auto-definir-se:

  • 6,35 “Eu sou o pão da vida”
  • 9,5 “Eu sou a luz do mundo”
  • 10,7-9 “Eu sou a porta”
  • 10,11-14 “Eu sou o bom pastor”
  • 11,25 “Eu sou a ressurreição”
  • 14,6 “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”
  • 15,1 “Eu sou a videira”

O Paráclito

João não usa a palavra Espírito Santo mas a expressão Paráclito várias vezes nos discursos de despedidas dos discípulos, no entanto diferente do evangelho de Lucas que apresente Jesus como cheio do Espírito Santo para João é pelo Espírito Santo que se perpetua a presença de Jesus entre seus seguidores, é o Espírito que nos ilumina e nos dá a conhecer profundamente a pessoa de Jesus.(Espírito = Paráclito, Espírito da Verdade, Espírito Santo).

1- Espírito enviado pelo Pai: 14,15-17: “e rogai ao Pai e ele vos dará outro Paráclito, para que convosco permaneça para sempre”;

2- Espírito enviado por Cristo: 16,7: “se eu não for o Paráclito não virá a vós, mas se for envia-lo-ei à vós”;

3- Para recordar todas as coisas: 14,26: “mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que vos disse”;

4- Para revelar as coisas futuras e glorificar a Jesus: 16,13: “quando vier o Espírito da Verdade, ele vos guiará na verdade plena…e vos anunciará as coisas futuras”;

5- Para testemunhar a Cristo: 15,26: “quando vier o Paráclito…dará testemunho de mim”.

Conforme a tradução da Bíblia Ave Maria paráclito é uma palavra grega que significa advogado, intercessor.

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Os milagres de Jesus

João não utiliza a palavra milagres para falar das grandes realizações de Jesus mas utiliza-se da expressão grega “semeion” que significa sinais.

Sinais significam o indício revelador de alguma coisa, pode ser um milagre ou não. João apresenta seis sinais como forma de provar que Jesus é o enviado do Pai e que o que interessa realmente não é o sinal em si mas o autor deste:

Bodas de Cana: 2,1-11;

Cura do filho do funcionário real: 4,46-54;

Cura do enfermo na piscina de Betsaida: 5,2ss

Multiplicação dos pães: 6,5-14;

Cura do cego de nascença: 9,1-16;

Ressurreição de Lázaro: 11,1-44;

Sendo que o grande sinal, o de número sete, é sua própria Ressurreição (Jo 20), como forma de apresentar a perfeição dos tempos no Cristo ressuscitado.

Para o povo da Bíblia os números são muito significativos, o número 7 significa: perfeição. Por isso quando Pedro pergunta à Jesus: quantas vezes devemos perdoar, 7? Jesus responde não 7 mas, deveis perdoar 70 x 7.

Eucaristia

Para os sinóticos Jesus instituiu a Eucaristia na quinta-feira santa. João coloca na quarta-feira o relato do lava-pés, para dizer que a Eucaristia deve levar à um gesto concreto, mostra Jesus como aquele que serve, como escravo. (diakonia em grego = serviço).

Para João a Eucaristia se dá no capítulo 6,11 (multiplicação dos pães) onde o que importa e dar graças e distribuir.

Jesus é o templo

Os evangelhos sinóticos narram a expulsão dos vendilhões do Templo como acontecida na última Páscoa, no final do mistério de Jesus. Para João este fato está na primeira Páscoa (2,13ss), quando Jesus começa a pregar, pois para encontrar Deus o lugar não é mais o Templo, mas a própria figura de Jesus. A partir de agora se adora em Espírito e Verdade.

As três páscoas em João

O Evangelista João mostra que conhece profundamente a cultura judaica, apresentando no ministério de Jesus três Páscoas (três anos de vida pública), além das outras principais festas Judaicas, como o Pentecostes, Tendas e a Festa da Dedicação.

1ª Páscoa: Jo 2,13-22; acontece após o início de seu ministério com as bodas de Cana.

Festa de Pentecostes: Jo 5,1, embora o texto não revele que era pentecostes, subentende-se por que se dá logo após a descrição da primeira Páscoa. (Pentecostes em grego significa quinquagésimo, é a festa da colheita ou das primícias realizada pelos judeus cinqüenta dias após a Páscoa).

2ª Páscoa: Jo 6,4; é a Páscoa precedida da multiplicação dos pães.

Festa das Tendas ou Tabernáculos: Jo 7,2, recordava os quarenta anos de permanência do povo no deserto quando saíram do Egito.

Festa da Dedicação: Jo 10,22, dedicação ou purificação do Templo que havia sido profanado no ano 200 a.C.

3ª Páscoa: Jo 11,55; 12,1 e 13, 1, é a Páscoa da morte e Ressurreição de Jesus, esta é apresentada pelos quatro evangelistas.

Com este estilo teológico de escrever João quer mostrar que com a vinda de Jesus termina o culto antigo representado pelas festas e pelo Templo. O novo Templo agora é Jesus e a Ele se deve o culto, este é o sentido da vida de Cristo.

Jesus é o Logos

Para os sinóticos a divindade de Jesus vai se revelando aos poucos.

João apresenta Jesus desde o princípio como o messias o filho de Deus (1,1-2,14).

João ainda usa a palavra verbo para dar dinâmica a Jesus.

Títulos de Jesus

Mateus: Emanuel (1,2328,20);

Marcos: Filho de Deus (1,115,39);

Lucas: não há título específico mas Jesus é o possuído pelo Espírito Santo;

João apresenta Jesus como o cordeiro de Deus 1,2919,36.

O discípulo que Jesus amava

A expressão “o discípulo que Jesus amava” aparece em João cinco vezes, isto é um fato enigmático:

  1. No anúncio da traição (13,22): “Estava à mesa, ao lado de Jesus, um de seus discípulos, aquele que Jesus amava”;
  2. Aos pés da cruz (19,25-26): “Perto da cruz de Jesus permaneciam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria mulher de Cleofas, e Maria Madalena. Jesus, então, vendo sua mãe, e perto dela, o discípulo a quem amava”;
  3. No sepulcro (20,2): “Maria Madalena…corre, então e vai a Simão Pedro e ao outro discípulo, que Jesus amava”;
  4. Reconhece Jesus a beira do lago de Tiberíades (21,7): “Aquele discípulo que Jesus amava disse então a Pedro: É o Senhor”;
  5. Pedro vê o discípulo (21,20): “Pedro, voltando-se, viu que o seguia o discípulo que Jesus amava”.

Os que falavam com Jesus

Ao invés das parábolas João usa de vários diálogos com Jesus. Conta diversos encontros do mestre com outros personagens. Seus principais interlocutores são: Nicodemos, a Samaritana, a multidão, as irmãs de Lázaro….

Oração

Mateus e Lucas apresentam o Pai nosso.

Lucas mostra Jesus orante em muitos momentos decisivos.

João apresenta a Oração sacerdotal no capítulo 17: oração pelos 12

“Pai, é chegada a hora. Glorifica teu Filho, para que teu Filho glorifique a ti; 2.e para que, pelo poder que lhe conferiste sobre toda criatura, ele dê a vida eterna a todos aqueles que lhe entregaste. 3.Ora, a vida eterna consiste em que conheçam a ti, um só Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo que enviaste. 4.Eu te glorifiquei na terra. Terminei a obra que me deste para fazer. 5.Agora, pois, Pai, glorifica-me junto de ti, concedendo-me a glória que tive junto de ti, antes que o mundo fosse criado. 6.Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste. Eram teus e deste-mos e guardaram a tua palavra. 7.Agora eles reconheceram que todas as coisas que me deste procedem de ti. 8.Porque eu lhes transmiti as palavras que tu me confiaste e eles as receberam e reconheceram verdadeiramente que saí de ti, e creram que tu me enviaste. 9.Por eles é que eu rogo. Não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. 10.Tudo o que é meu é teu, e tudo o que é teu é meu. Neles sou glorificado. 11.Já não estou no mundo, mas eles estão ainda no mundo; eu, porém, vou para junto de ti. Pai santo, guarda-os em teu nome, que me encarregaste de fazer conhecer, a fim de que sejam um como nós. 12.Enquanto eu estava com eles, eu os guardava em teu nome, que me incumbiste de fazer conhecido. Conservei os que me deste, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura. 13.Mas, agora, vou para junto de ti. Dirijo-te esta oração enquanto estou no mundo para que eles tenham a plenitude da minha alegria. 14.Dei-lhes a tua palavra, mas o mundo os odeia, porque eles não são do mundo, como também eu não sou do mundo. 15.Não peço que os tires do mundo, mas sim que os preserves do mal. 16.Eles não são do mundo, como também eu não sou do mundo. 17.Santifica-os pela verdade. A tua palavra é a verdade. 18.Como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. 19.Santifico-me por eles para que também eles sejam santificados pela verdade. 20.Não rogo somente por eles, mas também por aqueles que por sua palavra hão de crer em mim. 21.Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste. 22.Dei-lhes a glória que me deste, para que sejam um, como nós somos um: 23.eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e o mundo reconheça que me enviaste e os amaste, como amaste a mim. 24.Pai, quero que, onde eu estou, estejam comigo aqueles que me deste, para que vejam a minha glória que me concedeste, porque me amaste antes da criação do mundo. 25.Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci, e estes sabem que tu me enviaste. 26.Manifestei-lhes o teu nome, e ainda hei de lho manifestar, para que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles.” São João, 17 

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Leia mais em:

 

13º Encontro (Catequese) – Evangelho de Lucas

Série: Animo, uma nova Catequese (Encontro 13/40)  

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Sugestão de folha de encontro

São Lucas, o Evangelista (do grego antigo Λουκᾶς, Loukás) é, segundo, a tradição, o autor do Evangelho de São Lucas e dos Atos dos Apóstolos – o terceiro e quinto livros do Novo Testamento. É o santo padroeiro dos pintores, médicos, genealogistas e curandeiros. É celebrado no dia 18 de Outubro. Chamado por Paulo de “O Médico Amado” (Colossenses 4,14), pode ter sido um dos cristãos do primeiro século que conviveu pessoalmente com os doze apóstolos. Lucas foi um médico grego que viveu na cidade grega de Antioquia, na Síria Antiga. A primeira referência a Lucas encontra-se na Epístola a Filemon de Paulo de Tarso, no versículo 24. É mencionado também na epístola aos Colossenses, 4,14 , bem como na segunda epístola a Timóteo 4,11. De todos os evangelhos é justamente o de Lucas que mais fala das mulheres que acompanhavam Jesus, sua mãe Maria e todas as outras.

Neste nosso encontro a sugestão é dinamizar um pouco mais a forma de passarmos o tema e também a integração pela dinâmica. Em tempo também é hora de começar a organizar os catecúmenos que passarão pelo Batismo, já que o tempo urge.

Sugiro sempre o inicio de uma maneira mais alegre, por isso após os cumprimentos vamos cantar  e hoje a canção também faz parte da oração. A sugestão é a bela música Cordeiro Imolado Comunidade Doce Mãe de Deus e assim que cantarmos já entramos na oração inicial que pode ser Pai Nosso, Ave Maria e o Vinde Espírito Santo.

Falar um pouco sobre as documentações e preparação para o Batismo dos que precisarão receber este sacramento. Se possível já ter a data dos cursos de pais e padrinhos e a data do recebimento do sacramento, por se tratar de adultos (jovens e adultos) é importante que seja em uma missa separada do batismo das crianças. Lembrar que isso depende da agenda que a Pastoral tiver fechado com a igreja e o padre. Então a minha sugestão é para que não seja deixado para última hora prejudicando o trabalho a ser desenvolvido. Alerto que pela minha experiência o melhor a fazer é sempre deixar tudo acertado antes porque se algum catequizando acaba sendo prejudicado por perder um sacramento isto reflete em como ele(a) verá a própria comunidade e isto também afeta a família. É importante levarmos em conta os sentimentos gerados por uma frustração desse tipo. Estamos fazendo uma vivência na fé e só será possível à partir da organização séria, primeiro da Pastoral da Catequese e depois da própria comunidade (Paróquia) onde o grupo está inserido. Não sejamos levianos ou inocentes de achar que a preparação para os sacramentos é algo que pode ser feito de forma amadora (tem que ter seriedade e muita, afinal se trata de fiéis e irmãos da nossa igreja), tudo tem que ser organizado.

Como quarto momento vamos direto ao tema. Quem foi Lucas? Acho importante frisar que na sociedade machista da época as mulheres não tinham voz, e quando iam no templo ficavam em uma edicula (espaço reservado) separado dos homens que iam prestar o culto. Falar sobre como foi Lucas quem dos evangelistas mais citou a participação das mulheres na missão de Jesus.

Citar como exemplo todo o texto de Lucas 1. Frisando Lc 1, 26-38 (Anunciação) e Lc 1, 57-66 (Zacarias acolhe a vontade de Isabel). O ideal é ler o texto todo e depois relermos estes dois pontos. Primeiro que se trata do anúncio da vinda de Jesus e depois do nascimento do último profeta antes da vinda do salvador com o detalhe de que não era comum uma mulher poder escolher o nome do filho e geralmente o nome do primogênito seguia o nome do pai e mais incomum ainda era o homem acolher a sugestão da mulher ainda mais em se tratando de um alto sacerdote do templo, caso de Zacarias. Isso já mostra como Lucas trataria a história de Jesus. Também sugiro que seja lido Lucas 24. Frisando Lc 24, 1-11 (As mulheres são as primeiras a saberem da ressurreição), depois de ler o texto releia o trecho e perceba que bem no final do seu evangelho Lucas ainda fala das mulheres e nomeia as que estavam acompanhando a missão de Jesus e descobriram que o mestre havia ressuscitado, detalhe importante “”Então elas se lembraram das palavras de Jesus” (Lc 24, 8) o que deixa claro que além dos 12 escolhidos e outros seguidores estas mulheres aprenderam diretamente com Jesus, preste atenção que Maria Madalena é citada sempre.

Mas e as mulheres tem a igualdade nos tempos de hoje?

Sugiro que seja feito esta discussão logo após falarmos de Lucas e de seu evangelho. Citar a desigualdade salarial, a violência sofrida pelas mulheres, a exploração sexual (tanto das que vão para a prostituição como das exploradas todos os dias), a exploração visual onde a mulher é vista como objeto e exposta na televisão e internet apenas como algo sexy. Qual é a opinião dos jovens e adultos que estão nesta vivência na fé. É importante uma preparação para abordagem do tema porque existe também a questão das mulheres não serem ordenadas presbíteras (padres) na nossa igreja e isso ser um dogma que precisa ainda de muita oração e compreensão, difícil. Então é um tema interessante para ser discutido pois teoricamente são estes catequizandos que estarão futuramente a frente da igreja

Dinâmica do Corpo Humano

O principal objetivo é a interação e trabalho em grupo de todos a fim de atingir a meta final.

Material: folha sulfite , cartolina de varias cores ,lápis de cor, fita crepe, tesoura sem ponta, canetinhas,  lápis de cera.

Procedimento: Para essa atividade os candidatos deverá se agrupar em 3 equipes.  Dependendo do numero de pessoas  faça  mais  ou  menos  grupos. Sempre  aplicar  com  mais de 9 pessoas, de  no  mínimo 3 pessoas por  grupo para  um melhor  resultado.

As equipes deverão desenhar em  15 minutos uma das partes do  corpo humano indicadas a seguir:

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1º grupo: cabeça e pescoço; tronco;

2º grupo : braço direito; perna direita;

3º grupo: braço esquerdo; perna esquerda.

Se o grupo for muito numeroso faça mais equipes. É muito divertido. Você deve adaptar as partes do corpo de acordo com o número de grupos, use a  criatividade.

Finalizada a tarefa, um representante de cada grupo deverá se levantar e colar com fita crepe num painel ou  parede  ou  até  mesmo  no  chão as partes desenhadas compondo o corpo humano num todo, como  um  quebra  cabeça.

Em debate coletivo argumentem sobre o resultado do trabalho que as equipes elaboraram individualmente. Pensem em estratégias que facilitem o trabalho coletivo. Faça  vários  questionamentos,  como:

  • Porque as  partes  estão  diferente se uma  parte  é  complemento  da  outra.
  • Por  que uma  equipe não   se  interagiu  com  a  outra   para um  melhor  resultado? Não foi dito que não poderiam conversar.
  • Por que agiram como se fosse uma competição?
  • Porque quem terminou primeiro não ofereceu ajuda aos outros?
  • Como  esta  dinâmica pode  te ajudar  na sua vida?

A questão é que em tudo na vida pode ser encarado como uma competição. Na verdade a ideia de ser da comunidade é justamente agirmos como irmãos, onde um auxilia o outro no objetivo maior que é seguir a Jesus. Foi o próprio Jesus quem disse que devemos amar uns aos outros como a nós mesmos. Fica a dica: ás vezes é melhor se unir a outras pessoas do que simplesmente tentar algo sozinho. Deus quer a união acima de tudo.

Depois da dinâmica podemos fazer o nosso canto final, como oração também. Primeiro rezemos a oração de São Lucas (veja no destaque) e depois vamos escutar de olhos fechados a música Restauração Padre Zeca e refletir interiormente no silêncio como poderemos ser pessoas novas. Depois podemos partir na paz.

Oração a São Lucas Evangelista


Ó São Lucas, glorioso apóstolo e evangelista, eu vos saúdo pelo Coração de Jesus; e pela alegria e doçura que o vosso coração sentiu ao ensinar, do Divino Mestre, o Pai Nosso aos apóstolos.

Alcançai-me a graça de seguir com fidelidade a Jesus, pelo seu caminho, com a sua verdade em favor da vida.

Ó meu bom São Lucas, médico, que com vossas santas mãos, invocando o nome de Deus, curastes tantos enfermos de tão graves enfermidades, rogai ao bom Jesus que me livre das enfermidades do corpo e do espírito, se for do agrado de Deus. E para maior glória por toda a eternidade.

Amém

Aprofundamento para o Catequista

São Lucas

O terceiro evangelho no cânon oficial da Bíblia é conferido a São Lucas e faz parte também dos chamados Evangelhos Sinóticos (junto com os livros de Mateus e Marcos).

Lucas foi o companheiro de Paulo, e segundo a quase unânime crença da antiga igreja, escreveu o evangelho que é designado pelo seu nome, e também os Atos dos Apóstolos.
Ele é mencionado somente três vezes pelo seu nome no Novo Testamento (Cl 4,14 – 2 Tm 4,11 – Fm 24). Pouco se sabe a respeito da sua vida. Têm alguns estudos que dão conta de que ele fez parte dos setenta discípulos, mandados por Jesus a evangelizar (Lc 10,1) – outros pensam que foi um daqueles gregos que desejavam vê-lo (Jo 12,20) – e também considerando que Lucas é uma abreviação de Lucanos, já têm alguns querendo identificá-lo com Lúcio de Cirene (At 13,1).
Dois dos Pais da igreja dizem que era sírio, natural de Antioquia. Na verdade não parece ter sido de nascimento judaico (Cl 4,11).
Era médico (Cl 4,14). Ele não foi testemunha ocular dos acontecimentos que narra no Evangelho (Lc 1,2), embora isso não exclua a possibilidade de ter estado com os que seguiam a Jesus Cristo.
Todavia, muito se pode inferir do emprego do pronome da primeira pessoa na linguagem dos Atos. Parece que Lucas se juntou a Paulo em Trôade (At 16,10), e foi com ele até à Macedônia – depois viajou com o mesmo Apóstolo até Filipos, onde tinha relações, ficando provavelmente ali por certo tempo (At 17,1).
Uns sete anos mais tarde, quando Paulo, dirigindo-se a Jerusalém, visitou Filipos, Lucas juntou-se novamente com ele (At 20,5). Se Lucas era aquele ‘irmão’, de que se fala em 2 Cor 8,18, o intervalo devia ter sido preenchido com o ativo ministério. Lucas acompanhou Paulo a Jerusalém (At 21,18) e com ele fez viagem para Roma (At 21,1). E nesta cidade esteve com o Apóstolo durante a sua primeira prisão (Cl 4,14 – Fm 24) – e achava-se aí também durante o segundo encarceramento, precisamente pouco antes da morte de Paulo (2 Tm 4,11). Uma tradição cristã apresenta como pregando o Evangelho no sul da Europa, encontrando na Grécia a morte de um mártir.

Jesus chama Maria apenas de mulher e não de mãe. Por quê?

A dura pedagogia de Jesus com sua Mãe na Sua infância, na Sua vida pública, e na Paixão do Senhor, provém da sabedoria divina, que não é compreendida por todos os homens (cf. Mt 11, 25). “Maria é a obra-prima por excelência do Altíssimo, cujo conhecimento e domínio ele reservou para si. Maria é a Mãe admirável do Filho, a quem aprouve humilhá-la e ocultá-la durante a vida para lhe favorecer a humildade, tratando-a de “Mulher” (Jo 2, 4; 19, 26), como a uma estrangeira, conquanto em seu Coração a estimasse e amasse mais que todos os anjos e homens”

Assim, Santo Agostinho e São Luís Maria Grignion de Montfort nos ajudam a compreender porque Jesus por vezes parece ser duro e desprezar sua Mãe. Agostinho nos ajuda a entender que longe de ser mal educado com a Virgem Maria, o Mestre queria chamar a nossa atenção para o fato de que Ele é Deus e pode realizar o impossível, ainda que não seja o tempo. Por sua vez, São Luís Maria nos ensina que tratando sua Mãe por “mulher”, Jesus favorecia a humildade de Nossa Senhora. Como verdadeiro pai espiritual, Jesus Cristo ensinou e continua a nos ensinar que Ele é Deus e que favoreceu a humildade da Virgem Maria em vista da sua maternidade espiritual sobre os filhos de Deus.

Monsenhor Jonas Abib fundador da Canção Nova nos traz que:

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“Quando Jesus chama Maria de mulher, está dizendo que ela é a mulher do Gênesis, a prometida que esmagaria a cabeça da serpente. Isso me facilitou, abriu o caminho para que entendesse as vezes que Jesus a chama assim. Houve outra situação em que Jesus a chamou de mulher, quando Ele estava na cruz e Ele a entregou a João: “Mulher, eis aí teu filho”. Com isso ele está dizendo: “Mulher, assim você está esmagando a cabeça da serpente”. Depois, fui verificar que, no livro do Apocalipse, Maria também é chamada de “mulher”. Esse foi o triunfo da mulher do Gênesis, aquela que tem  a vitória junto a Jesus. Maria é a mulher do Gênesis, do Apocalipse, das Bodas de Caná e dos pés da cruz. Nós também podemos chamá-la de ‘mulher’ como Jesus a chamou.

Se você já teve seu encontro com o Senhor, sabe do que eu estou falando; mas se ainda não teve essa graça, peça-a a Virgem de Nazaré. Foi necessário que eu saísse do seminário para ter um encontro com Cristo. Peçamos que a Mulher do Gênesis ao Apocalipse interceda por seu encontro pessoal com Jesus. Se você já o teve, que ela interceda pela renovação e manutenção desse encontro.”

Avaliando (isso por mim) é importante lembrar que a própria sociedade no tempo de Jesus relegava as mulheres um papel secundário e até submisso, e ele era um judeu comum apesar de toda a sua divindade, seguia a tradição como parte humana de Deus. Mas os estudos que os teólogos fazem e falam da possibilidade de que Jesus só tratava sua mãe assim para esconder sua importância é realmente interessante

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Alguns estudiosos também dizem que Lucas era um excelente pintor

 

 

Fontes:

Evangelho Segundo São Marcos

Animo, uma nova Catequese (Encontro 12/40 – Jesus Cristo – Complemento 7)

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O Evangelho de Jesus Cristo segundo São Marcos é o mais antigo dos 4 evangelhos aceitos pela igreja como oficiais. Foi escrito provavelmente em Roma por volta de 65 d.C. época em que Pedro foi preso e depois martirizado. Esta data de composição é confirmada pelas alusões a Guerra Judaica e à destruição de Jerusalém (66-73 d.C) que podem se reconhecer no capitulo 13 de seu evangelho (onde Jesus faz a profecia da destruição do templo e Marcos usou de uma forma de parábola para comparar o que acontecia com as pregações do mestre). Se levarmos em conta a probabilidade de Marcos ser um jovem adolescente quando Jesus foi elevado aos céus e a época em que escreve seu evangelho, ele poderia ter cerca de 35 a 40 anos de idade.

Marcos decidiu registrar a história e os ensinamentos do mestre porque nestes anos, as testemunhas e os discípulos diretos de Jesus, pregadores do evangelho oral, estavam desaparecendo (muitos presos, outros já mortos). Marcos então registra os ensinamentos deles por escrito, criando o gênero literário do evangelho escrito. Respondeu assim às dúvidas que rodeavam a comunidade e forneceu ao mesmo tempo um “manual” para o novo impulso missionário e a expansão da comunidade. As explicações de usos judaicos (Mc 7) mostram que entre seus leitores havia pessoas que não eram de origem judaica também.

“A melhor maneira de sustentar a fé da comunidade é esclarecê-la. Para tanto é preciso voltar sempre àquilo que Jesus disse e fez. Repetindo o primeiro anúncio. Marcos “reevangeliza” a comunidade em crise. Mostra que Jesus não é um messias de sucesso fácil (o “Messias esperado”), mas um messias diferente (o “Messias inesperado”). Nem mesmo seus discípulos o compreenderam, até que ele levasse a termo sua obra. Jesus é o Filho do Homem, o Filho de Deus fiel até a morte por amor e exaltado por Deus na ressurreição, para conduzir novamente o seu rebanho, na “Galiléia” do mundo. [Cf. Mc 16,7].” (introdução ao Evangelho Segundo Marcos – Bíblia da CNBB). Apenas este texto já daria uma grande reflexão, e vou postar futuramente algo sobre isso.

Conteúdo Geral

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Quadro Cronológico do Evangelho de Marcos

Índice do Evangelho (assunto de cada capitulo)

Capitulo 1: Jesus e João Batista

Capitulo 2: A cura de um paralítico e as respostas de Jesus aos discípulos de João e aos fariseus.

Capitulo 3: Jesus cura multidões, chama seus discípulos e ensina sobre o pecado imperdoável

Capitulo 4: As parábolas de Jesus

Capitulo 5: Vários milagres

Capitulo 6: A missão dos doze discípulos, João Batista é morto. Outros milagres de Jesus

Capitulo 7: Jesus, os escribas e fariseus

Capitulo 8: Outros milagres e a confissão de Pedro

Capitulo 9: A transfiguração e diversos ensinos

Capitulo 10: O divórcio, as crianças, as riquezas, o poder e outros ensinos

Capitulo 11: Jesus em Jerusalém

Capitulo 12: Os impostos, a ressurreição, o maior mandamento e outros ensinos

Capitulo 13: O ensino de Jesus sobre o fim dos tempos

Capitulo 14: A ceia do Senhor, Jesus é preso e Pedro nega a Jesus

Capitulo 15: Jesus, Pilatos, Barrabás, a coroa de espinhos, a crucificação, morte e sepultamento de Jesus.

Capitulo 16: A ressurreição de Jesus e sua subida ao céu.

 

Parábolas 

O Sermão da Montanha

O Ministério na Galileia

Primeiro período

Discurso das Parábolas

(As parábolas a seguir são conhecidas como Discurso das Parábolas)

No Caminho de Jerusalém

O Ministério na Judeia

O Ministério final em Jerusalém

Milagres no Evangelho de marcos quadro

Vida e morte de Marcos

san marcusNos livros do Novo Testamento , Marcos é lembrado dez vezes, com o nome hebraico de João, com o nome romano de Marcos ou com o duplo nome de João Marcos (At 12, 12; 13,5; 15, 36-39Cl 4,10; Fm 1, 24; 2Tm 4, 11; 1Pd 5,13). Ele era filho daquela Maria em cuja casa reuniam-se os primeiros cristãos de Jerusalém e onde foi se refugiar o próprio Pedro após a libertação prodigiosa do cárcere (At 12, 1-25).

Marcos era hebreu de origem, nasceu provavelmente fora da Palestina, em uma família abastada. Pedro que o chama de “meu filho”, o teve certamente consigo em suas viagens a Roma, onde Marcos teria escrito seu evangelho. A antiguidade cristã, a começar por Pápias (130 d.C.), chama-o de “intérprete de Pedro”, pois ele escreve exatamente tudo aquilo de que se lembrava. Escreveu porém, o que o Senhor disse ou fez, não segundo uma ordem. Marcos não escutou diretamente o Senhor, nem o acompanhou, mas ele ouviu de Pedro tudo que dispunha de seus ensinamentos conforme as necessidades. Porém existe uma forte corrente de estudiosos que teorizam a probabilidade de a última ceia, e alguns encontros anteriores de Jesus e seus discípulos terem sido realizados na casa de Marcos, então uma criança. Se levarmos em consideração que apenas pessoas de altas posses teriam casas grandes o suficiente para abrigar 13 homens, mais algumas mulheres e alguns seguidores e ainda servir refeição a todos e em alguns casos até abrigo, também considerarmos que a família era amiga de Pedro e tudo indica ser uma família que logo seguiu os ensinamentos de Jesus e era rica, as evidências destas possibilidades se tornam muito mais palpáveis. Então na verdade Marcos teria sim tido uma convivência, mesmo que não tão intensa, com Jesus. Não podemos desconsiderar que Jesus gostava de ensinar também as crianças.saint-mark-1621

Além da familiaridade com São Pedro, o evangelista Marcos poderia orgulhar-se de uma longa convivência com o apóstolo Paulo, com quem se encontrou pela primeira vez em
44, quando Paulo e Barnabé levaram para Jerusalém a generosa coleta da comunidade de Antioquia. De volta Barnabé levou consigo seu sobrinho, o jovem Marcos. Após a evangelização em Chipre, quando Paulo planejou uma viagem mais trabalhosa e arriscada ao coração da Ásia Menor, entre as populações pagãs de Tauro, Marcos – conforme lemos no At –  se separou de Paulo e Barnabé e voltou a Jerusalém. Depois Marcos voltou ao lado de Paulo quando este estava prisioneiro em Roma.

images (1) Em 66 São Paulo nos dá a última informação sobre marcos, escrevendo da prisão romana a Timóteo: “”Só Lucas está comigo. Toma contigo Marcos e traze-o, porque me é bem útil para o ministério” (2Tm 4, 11). Os dados cronológicos da vida de São Marcos permanecem duvidosos. Ele morreu provavelmente em 68 de morte natural, segunda uma tradição, mas conforme outra tradição, foi mártir em Alexandria do Egito , onde teria sido arrastado pelas ruas até a morte.

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Os Atos de Marcos (alguns chamam de Evangelho Secreto de Marcos), um escrito do século IV, referem que Marcos, no dia 24 de abril, foi arrastado pelos pagãos pelas ruas de Alexandria, amarrado com cordas ao pescoço. Jogado ao cárcere, no dia seguinte, sofreu o mesmo tormento atroz e sucumbiu. A venda de seu corpo por parte de dois comerciantes e mercadores de Veneza não passa de uma lenda surgida em 828 d.C. Porém é justamente graças a esta lenda que, de 976 a 1071 foi construída a estupenda basílica veneziana dedicada a São Marcos.

 

Cada evangelista tem um simbolo

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Marcos: Símbolo : Leão . Seu evangelho começa falando do deserto. Geralmente as savanas possuem leões, além do símbolo de Roma ser um leão do Império ter adotado o cristianismo como religião. Mc 1,2-3

Na Liturgia

Na liturgia da Igreja Católica cada ano é dedicado a um dos evangelhos, mais o evangelho de João em épocas especificas. Marcos é o evangelho do ano B, seguindo o cânon da Bíblia, sendo Mateus ano A e Lucas ano C

O dia de São Marcos é 25 de Abril

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São Marcos(detalhe da Catedral Metropolitana de Campinas)

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Imagem de São Marcos na Paróquia São Marcos, O Evangelista

A Paróquia São Marcos, O Evangelista fica em Campinas, SP, e é a única paróquia dedicada a São Marcos em toda a Arquidiocese de Campinas e uma das poucas no Brasil

É também a Paróquia em que cresci na fé, primeiro com uma breve passagem pela Comunidade São Francisco de Assis (Jardim Campineiro), depois exercendo ministério e várias funções na Comunidade Nossa Senhora Aparecida (Jardim São Marcos) e por último sendo coordenador e depois catequista da Comunidade Santo Antonio de Santana Galvão (CDHU San Martins) todas essas comunidades além das Comunidades São José da Esperança (Vila Esperança), Divino Espírito Santo – Matriz (Jardim São Marcos) e Santa Clara de Assis (Vila Olímpia) e Capela da Mãe da Misericórdia (Recanto Fortuna) fazem parte da Paróquia São Marcos e estão situadas na região norte de Campinas. Faço parte desta paróquia.

 

 

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Paróquia São Marcos, O Evangelista (Campinas) ainda em fase de obras

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Paróquia São Marcos, O Evangelista

Rua Adelino de Abreu, 166
Jardim São Marcos – CampinasSP
CEP: 13082-230

Fontes:

  • Bíblia Sagrada  – Edição da CNBB
  • Catecismo da Igreja Católica
  • Livro: Um Santo Para Cada Dia – Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini – Edições Paulinas
  • Links da Bíblia Católica Online
  • Imagens da Internet e fotos pessoais

Evangelho Segundo São Mateus

Animo, uma nova Catequese (Encontro 11/40 – Jesus Cristo – Complemento 6)

sao-mateus O Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus é o primeiro a aparecer no Novo Testamento, não porque foi o primeiro a ser escrito, mas sim por ser considerado o mais completo (tem 28 capítulos). “Composto conforme um plano bem claro, presta-se muito bem para a catequese. Imbuído de uma preocupação constante com a comunidade de fé, é o evangelho eclesial por excelência. A forma do evangelho que atualmente conhecemos, parece ter sido concebida para fortalecer na fé os cristãos de origem judaica, os quais estavam sendo pressionados para integrar o judaísmo que estava reorganizando-se depois da destruição do templo (70 d.C.). Mateus conscientiza os cristãos de que eles é que constituem o verdadeiro Israel, pois em Jesus a herança de Israel se tornou universal.” (Introdução ao Evangelho Segundo Mateus – Bíblia Sagrada – tradução da CNBB)

É importante frisar que Mateus foi um dos 12 apóstolos e juntamente com João foram os únicos dos evangelistas a realmente beberem da fonte da sabedoria de Jesus e a conviver com ele naqueles anos, praticamente desde o início da sua missão.

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Quadro cronológico do Evangelho de Mt

Uma das principais características deste evangelho são os 5 sermões que logo depois da narração da infância (ou parte dela) de Jesus (capítulos 1 e 2) permeiam a narração da vida, morte e ressurreição (capítulos 3 a 28). Uma curiosidade é que já existem estudos que falam sobre uma alusão destes sermões com os cinco rolos da Lei de Moisés já que praticamente todo o evangelho tenta mostrar que ser discípulo de Jesus  é a verdadeira maneira de realizar o objetivo da Lei: viver segundo a vontade de Deus. Jesus ensina a compreensão plena da Lei. (Mt 5, 17-20)

“Mateus usou como fonte o Evangelho de Marcos, composto por volta do ano 70. O autor relê e reescreve Marcos, abreviando ou acrescentando outros escritos (cf. Mc 6,30-44; Mt 14,13-21).

Em Mt 21,41 e 22,7, o autor alude a pormenores concretos da destruição de Jerusalém, a cidade santa, pelo exército romano em torno do ano 70.

No decorrer dos anos, com base na experiência e na vivência da comunidade, o Evangelho de Mateus considera, desenvolve e interpreta o desastre nacional como castigo de Deus, causado pelo pecado das elites religiosas ao rejeitar Jesus como Filho de Deus (Mt 24,1-31).

O capítulo 23 do Evangelho de Mateus evidencia o forte conflito dessas comunidades com os judeus fariseus (Mt 5,11-12; 10,17-23; 24,9-14). Mas o evangelho não chega a mencionar a expulsão dos judeu-cristãos da sinagoga, o que pode ter ocorrido por volta do ano 90 (cf. Lc 6,22; Jo 9,22; 16,2).

No fim do século I, as autoridades judaicas começaram a intensificar sua perseguição contra os grupos de judeus de tendências e tradições diferentes, especialmente contra os grupos cristãos da diáspora. As comunidades destinatárias do Evangelho de Mateus provavelmente viviam na Síria, em Antioquia. Eis alguns elementos que confirmam essa posição:

a) Em Mt 4,24, o autor relê Mc 1,28.39 e corrige “por toda a Síria”, ao invés de “por toda a Galileia”.

b) Inácio, bispo de Antioquia, martirizado por volta do ano 107 d.C., cita os textos de Mateus em suas cartas (cf. a Carta a Policarpo 2,2 e Mt 10,16b).

c) Até o momento atual, não há provas da existência de sinagogas na Galileia no primeiro século, nem antes desse período. As sinagogas surgiram fora da Palestina, na diáspora.

d) O Evangelho de Mateus atribui um papel importante a Pedro (Mt 14,28-31; 15,15; 16,22-23; 17,24-27; 18,21; 19,27), que atuou na igreja de Antioquia (cf. Gl 2,11-14).

2. Quem escreveu e para quem?

O Evangelho de Mateus é o primeiro livro do Novo Testamento, mas não foi o primeiro a ser escrito. Ele anuncia que Jesus é a realização das promessas do Antigo Testamento. Esse texto, provavelmente, constituiu a base de um conjunto de comunidades cristãs que chegaram até o fim do século II. E, por ter sido posto em primeiro lugar no cânon do Novo Testamento, deve ter sido um evangelho importante para aquele setor do cristianismo que se tornou religião oficial do império romano.

No grupo de Jesus, havia um discípulo que se chamava Mateus, nome que, em hebraico, significa “presente de Deus” e, em grego, é semelhante a mathetés, cujo sentido literal é “aprendiz”. Segundo a tradição da Igreja, o autor do evangelho seria esse Mateus. Pápias, bispo de Hierápolis, cidade da Ásia Menor, por volta do ano 130, atribui ao apóstolo Mateus a composição das palavras de Jesus. A discussão, porém, ainda continua em aberto.

A questão do nome do autor não é tão importante, pois, antes de sua redação final, os evangelhos foram ensinamentos catequéticos, orais ou escritos, sobre as palavras e os atos de Jesus. A forma como o evangelho chegou até nós é obra de um redator que organizou os documentos já existentes e elaborados comunitariamente. No caso de Mateus, o grupo de redatores seriam alguns escribas que no texto recebem destaque e são apresentados como discípulos de Jesus (Mt 8,19; 23,34).

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Estrutura do evangelho

A estruturação mais comum do Evangelho de Mateus é em cinco livros, com uma introdução sobre as origens de Jesus, os capítulos 1 e 2, e uma conclusão, com a narrativa da sua morte e ressurreição, nos capítulos 26 a 28. Cada um dos cinco livros contém uma parte narrativa e um discurso. Ao todo são dez partes. É uma forma de Mateus relembrar às suas comunidades o Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio) e as dez palavras do Sinai ou os dez mandamentos, apresentando Jesus como o novo Moisés.

Visualizando a estrutura:

– Introdução (1-2)

– Jesus dentro da história do povo de Deus (1,1-17).

– Jesus: um novo começo dentro de um novo Êxodo (1,18-2,23).

Primeira parte: A justiça do Reino de Deus (37)

Narração: Jesus traz o Reino de Deus (3-4).

Discurso: O sermão da montanha (5-7) – condições para entrar no Reino.

Segunda parte: Uma justiça que liberta os pobres (810)

Narração: os milagres, sinais do Reino (8-9).

Discurso: A missão (10) – como anunciar o Reino.

Terceira parte: Uma justiça que provoca conflitos (11,1-13,52)

Narração: as reações diante da prática de Jesus (1112).

Discurso: As parábolas do Reino (13,1-52) – o mistério do Reino.

Quarta parte: O novo povo de Deus (13,53-18,35)

Narração: o seguimento de Jesus (13,53-17,27).

Discurso: A comunidade dos seguidores (18,1-35) – sinal do Reino.

Quinta parte: A vinda definitiva do Reino (19-25)

Narração: o Reino é para todos os que se converterem (19-23).

Discurso: a vigilância (24-25) – o futuro do Reino.

Conclusão: A páscoa da libertação (2628).

6. Principais mensagens do Evangelho de Mateus

No Evangelho de Mateus, Jesus é o Emanuel (Mt 1,23) e se faz presente na comunidade reunida em oração: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles” (Mt 18,20). Ele garante a sua presença constante na vida das pessoas: “E eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28,20). Jesus é o Mestre que nos convida a viver a justiça e a misericórdia! Com base em alguns textos exclusivos do Evangelho de Mateus, é possível entender o projeto das comunidades que receberam esse evangelho e alguns dos principais ensinamentos de Jesus transmitidos por elas e dirigidos também às nossas comunidades hoje.” (Extraído do site Vida Pastoral)

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É neste evangelho que encontramos a lista mais bem elaborada do chamado dos discípulos.

  • Sermão da Montanha (Mt 5-7)
  • Sermão da Missão (Mt 10)
  • Sermão das Parábolas (Mt 13)
  • Sermão da Comunidade (Mt 18)
  • Sermão Escatológico (Mt 24-25)

Na liturgia o Evangelho de Mateus é o lido no ano A do tempo comum.

Parábolas:

Mateus traz várias parábolas, sendo apenas 11 exclusivas (sem registro nos evangelhos sinóticos de Lucas e Marcos)

  1. As bodas (Mt 22,1-14);
  2. A lâmpada embaixo da mesa (Mt 4, 21-23)
  3. A casa vazia (Mt 12,43-45);
  4. Coisas novas e velhas (Mt 13, 51-52);
  5. O credor incompassivo (Mt 18,23-35);
  6. As dez virgens (Mt 25,1-13);
  7. Os dois alicerces (Mt 7.24- 27)
  8. Os dois filhos (Mt 21,28-32);
  9. O fermento (Mt 13,33);
  10. A figueira (Mt 24,32-33);
  11. O joio (Mt 13,24-30,36-43);
  12. Os lavradores maus (Mt 21,33-46);
  13. Os meninos na praça (Mt 11,16-19);
  14. O pai vigilante (Mt 24,42-44);
  15. A pedra rejeitada (Mt 21,42-44);
  16. A pérola de grande valor (Mt 13,45-46);
  17. A rede (Mt 13,47-50);
  18. O semeador (Mt 13,3-9,18-23);
  19. A semente de mostarda (Mt 13,31-32)
  20. A ovelha perdida (Mt 18, 12-14)
  21. O servo fiel (Mt 24,45-51);
  22. Os talentos (Mt 25,14-30);
  23. O tesouro escondido (Mt 13,44);
  24. Os trabalhadores da vinha (Mt 20,1-16);
  25. As ovelhas e as cabras (Mt 25,31-36)
  26. Um cego que guia outro cego (Mt 15,14)
  27. Remendo novo, vinho novo (Mt 9, 16-17)

A palavra portuguesa parábola deriva-se do termo grego parabolh, ; parabolé, ou seja, “pôr ao lado de”, “comparar”. A palavra hebraica é lv’m’ ; mashal, tem sua raiz etimológica derivada de um verbo hebraico que quer dizer “ser como”, denotando uma símile ou analogia; tudo indica que no Antigo Testamento a palavra poderia ser também aplicada para “historias curtas”, mas também possui outros significados.

Vários ícones medievais sobre Mateus

Curas e Milagres

Encontramos também no Evangelho de Mateus uma grande exposição de ensinos sobre curas e milagres. Alguns dos grandes milagres operados por Jesus e relatados nesse Evangelho são:

Cura do leproso 8,1-4
Cura do servo do centurião 8,5-13
Cura da sogra de Pedro 8,14-17
Exorcismo ao anoitecer 8,16-17
Acalmando a tempestade 8,23-27
Endemoniado gadareno 8,28-34
Paralítico em Cafarnaum 9,1-8
Filha de Jairo 9,18-26
Mulher com sangramento 9,20-22
Dois cegos da Galileia 9,27-31
Exorcismo do mudo 9,32-34
Homem com a mão mirrada 12,9-13
Exorcismo de homem cego e mudo 12,22-28
Alimentando 5000 pessoas 14,13-21
Caminhando sobre as águas 14,22-33
Cura em Genesaré 14,34-36
Filha da mulher canaanita 15,21-28
Alimentando os 4000 seguidores 15,32-39

Transfiguração de Jesus 17,1-13
Menino possuído pelo Demônio 17,14-21
Moeda na boca do peixe 17,24-27
Cego próximo a Jericó 20,29-34
Amaldiçoando a figueira 21,18-22

Cada um dos evangelistas é identificado por um simbolo. Estes quatro símbolos se encontram na visão que o profeta Ezequiel teve  (Ez 1, 5 – 12). O profeta vislumbra a Glória de Deus sobre um carro (em hebraico: merkabah). E o carro tinha quatro rodas imensas que iam da terra ao céu. E em cada roda havia uma figura: a de um anjo, a de um leão, a de um boi, e a de uma águia.

 

O texto esta Assim descrito:

Distinguia-se no centro a imagem de quatro seres que aparentavam possuir forma humana. Cada um tinha quatro faces e quatro asas. Suas pernas eram direitas e as plantas de seus pés se assemelhavam às do touro, e cintilavam como bronze polido. De seus quatro lados mãos humanas saíam por debaixo de suas asas. Todos os quatro possuíam rostos, e asas. Suas asas tocavam uma na outra. Quando se locomoviam, não se voltavam: cada um andava para a frente. Quanto ao aspecto de seus rostos tinham todos eles figura humana, todos os quatro uma face de leão pela direita, todos os quatro uma face de touro pela esquerda, e todos os quatro uma face de águia. Eis o que havia no tocante as suas faces. Suas asas estendiam-se para o alto; cada qual tinha duas asas que tocavam às dos outros, e duas que lhe cobriam o corpo. Cada qual caminhava para a frente: iam para o lado aonde os impelia o espírito; não se voltavam quando iam andando.

Com o passar do tempo a tradição cristã conferiu aos evangelistas o simbolismo desses quatro animais. São Jerônimo, tradutor da Bíblia do Hebraico para o Latim viu neste simbolismo com clareza, o indicativo dos quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João).

Interessante que na Catedral Metropolitana de Campinas, uma das igrejas mais antigas do estado de São Paulo e uma das poucas que restam feitas sobre taipa de pilão os quatro evangelistas estão representados no alto da igreja, junto com seus respectivos símbolos. (Veja a foto da fachada e o detalhe de Mateus).

Quem foi Mateus

O Evangelho segundo Marcos conta assim a chamada de Mateus: E tornou a sair para a beira-mar, e toda a multidão ia até ele; e ele os ensinava. Ao passar, viu Levi, o filho de Alfeu, sentado na coletoria, e disse-lhe: “segue-me”. Ele se levantou e o seguiu (Marcos 2,13-14). O seu nome aparece nas 3 listas dos apóstolos que temos (Mateus 10,3; Marcos 3,18 e Lucas 6,15). Além disso, ele também é mencionado em Atos 1,13 como membro da comunidade que continuou perseverante após a morte de Cristo.
Mateus era um cobrador de impostos. O império romano tinha pessoas espalhadas pelo reino encarregadas de recolher as taxas que o povo devia ao imperador. Essas pessoas, obviamente, não eram bem-vistas pelos próprios conterrâneos. Muitas vezes eram exploradores e cometiam injustiças. Além disso, os sacerdotes, por respeito ao primeiro mandamento, proibiam aos judeus de tocarem as moedas do império, pois traziam a imagem do imperador. Por conseqüência, os cobradores de impostos, que as tocavam com freqüência, eram considerados pecadores.

Da atividade de Mateus após o Pentecostes, logo depois da ascensão de Jesus ao céu, conhecemos muito pouco. Existe algumas correntes que dizem que o discipulo ficou na região da Judéia por mais 15 anos pregando e depois foi para a Etiópia. Recorrendo a uma tradição antiga que relata Mateus como chefe missionário. Ele não teria comparecido diante dos juízes para dar testemunho. Outras fontes, ao invés, menos verídicas, difundem-se na narração dos sofrimentos e do martírio de Mateus, dando conta de que ele foi apedrejado, queimado e decapitado na Etiópia, de onde as relíquias teriam sido transportadas, primeiro para Paetum, no Golfo de Salerno e no século X para Salerno, onde até hoje são honradas

O dia oficial de São Mateus é 21 de Setembro

São Mateus, Mateus Evangelista ou Mateus Apóstolo (מתי/מתתיהו, “Dom de Javé ou “Presente de Deus”, hebraico padrão e vocalização de Tibérias: Mattay ou Mattiyahu; grego da Septuaginta Ματθαιος, Matthaios; grego moderno: Ματθαίος, Matthaíos) é, pelo relato dos Padres da Igreja, o autor do Evangelho de Mateus e um dos Doze Apóstolo

Fontes pesquisadas:

  • Vida Pastoral
  • Bíblia Sagrada – CNBB
  • Wikipedia
  • Livro: Como Ler os evangelhos – Félix Moracho – Paulus Editora
  • Livro: Como Ler o Evangelho de Mateus – Ivo Storniolo – Paulus Editora
  • Catecismo da Igreja Católica
  • Bíblia.org
  • Livro: Um Santo Para Cada Dia – Mario Sgarbosa e Luigi Giovannini – Edições Paulinas

11º Encontro (Catequese) – Evangelho de Mateus

Série: Animo, uma nova Catequese (Encontro 11/40)

Folha modelo base - Copy (4)

Sugestão de folha de encontro

 

Neste encontro vamos falar sobre o primeiro evangelho no cânon oficial da Bíblia católica, o Evangelho de Jesus Cristo Segundo Mateus. O nome pomposo seria esse mesmo, mas nos referimos sempre com O evangelho de São Mateus.

São Mateus porque foi canonizado como Santo pela Igreja Católica.

É uma boa oportunidade para promover o encontro dos catequisandos com a Palavra de Deus, lembrando sempre que a Bíblia deve ser nosso porto seguro nesta vivência de fé que será nossa caminhada até os sacramentos.

Dito isso podemos iniciar com a oração do Pai Nosso, Ave Maria e o Vinde Espírito Santo e logo depois fazermos o nosso canto que eu sugiro Se Compreendesses o Dom de Deus da Adriana.

No terceiro momento poderia ser explicado o que são os evangelhos e sobre quem foi Mateus e uma breve explanação sobre seu Evangelho

Num quarto momento seria muito interessante que se separasse em duplas ou trios e cada um recebesse uma leitura do livro de Mateus (tem muitas passagens sobre milagres e sermões, fica a critério da equipe a escolha) só não use o Sermão da Montanha porque será usado na reflexão.

Depois que cada dupla (ou trio) ler, é feito uma pequena apresentação para os demais catequizandos, pode ser uma leitura do texto ou eles contarem sobre o fato, o importante é ser apresentado e melhor ainda se tiverem perguntas. Para isso os catequistas devem ter lido previamente tudo e depois refletirem com o grupo.

O quinto momento é a reflexão  do Sermão da Montanha (Mt 5-7). Coloca-se uma música de fundo, bem baixinha, todos sentados em silêncio para a oração  (reflexão). Cada catequista lê um trecho do texto, de pé, circulando por trás da roda. Deve ser uma leitura calma e clara. Ao final da leitura um dos catequistas faz uma breve reflexão, em forma de perguntas (exemplos : Quem nunca julgou as ações de outras pessoas sem saber ao certo o porquê? Quantas vezes você critica o outro e não admite seus defeitos?, etc…). São perguntas para que todos reflitam mas não é preciso esperar por respostas naquele momento.

Depois é dados os avisos da comunidade, cobrado novamente os documentos dos que serão batizados (como expliquei no último encontro).

Ai vem o canto final e a minha sugestão é Eis que Faço Novas Todas as Coisas

De oração final A Oração de São Mateus ( se possível em cartões para eles levarem embora depois)

Oração de São Mateus

São Mateus que deixastes a riqueza para seguir com entusiasmo o chamado do Mestre, fazendo da pobreza um hino de louvor a Jesus, intercedei por mim, que me encontro em aflição. Vós que ouvistes do Mestre as palavras: “Não ajunteis para vós os tesouros da terra, a onde a traça e o caruncho os destroem, e onde os ladrões arrombam e roubam, mas ajuntai para vós os tesouros dos céus!” Ensinai-me ó São Mateus o verdadeiro valor das coisas terrenas e não permiti que a ganância e a soberba dirijam meus atos. Protegei o que é meu e de minha família da ganância e do alcance alheio, para que as minhas posses não lhes causem cobiça nem ensejem atos ilícitos desvairados. Ensinai-me por fim, a ajuntar tesouros no céu e a servir a Deus e não ao dinheiro. Amém!

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Pintura de Mateus e o anjo

Aprofundamento para o Catequista

Evangelho numa tradução direta significa Boa Nova, então trata-se da “ Boa notícia “ trazida” da missão do Filho de Deus na terra.

Na lista dos evangelhos Os 3 primeiros são chamados de sinóticos, literalmente iguais. É consenso que Marcos foi o primeiro a escrever um evangelho e que tanto Lucas como Mateus usaram desta Fonte para escrever as suas versões do evangelho. Então Mateus é o mais completo e foi colocado no início.  Já o evangelho segundo João é totalmente diferente dos primeiros três e fala mais da divindade de Jesus, do mistério  É da sua vida pastoral. Se fôssemos levar me conta, apenas Mateus e João podem ser realmente considerados por terem sido apenas os dois discípulos diretos de Jesus, mas não se pode negar que tanto Lucas como Marcos tiveram boas fontes para escreverem seus textos.

Os evangelhos foram escritos por homens que estiveram entre os primeiros a ter fé e que queriam compartilhá-la com outros. Depois de terem conhecido na fé quem foi Jesus, puderam ver os traços de seu mistério em toda a sua vida terrestre. Desde os paninhos de sua atividade até o vinagre de sua Paixão e o sudário de sua Ressurreição,  tudo na vida de Jesus é sinal de seu Mistério. Por meio de seus gestos, de seus milagres, de suas palavras, foi revelado que “ nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade “(Cl 2,9). Sua humanidade aparece, a assim,como o “ sacramento”, isto é, o sinal e o instrumento de sua divindade e da salvação que ele traz: o que havia de visível em sua vida terrestre apontava para o mistério invisível de sua filiação divina e de sua missão redentora. CIC 515

Mateus foi um dos primeiros discípulos chamados por Jesus. Ele era um publicano que recebia os impostos. Detalhe quase sempre deixado de lado é que ele recebia os impostos e não cobrava, ou seja ele tinha uma cadeira com uma tenda próxima ao templo. Outro detalhe, era que Mateus cobrava impostos para o templo e este repassada para Roma. Como as moedas tinha a efígie do imperador romano Cesar os doutores da lei não gostavam de ter contato com o dinheiro romano e Mateus tinha este emprego e por isso mesmo era discriminado e tratado como impuro. Simplificando : Mateus era também um trabalhador que exercia um serviço mal visto.

Porém nesta função ele também tinha a possibilidade de desviar somas de dinheiro para ele mesmo, e algumas tradições falam que ele se tornará um homem rico por isso.

Jesus ao passar perto de Mateus (em algumas passagens chamado de Levi)  o chama dizendo simplesmente : Vem e me segue. É ele abandonou tudo e o seguiu. Pouco se fala sobre ele na Bíblia , mas a sua importância não pode ser negada já que um dos Evangelhos é de sua autoria. Tudo indica que Mateus teve acesso ao evangelho de Marcos, pois grande parte do seu texto tem equivalente no de Marcos, mas como discípulo Mateus decidiu escrever o seu evangelho cobrindo as lacunas deixadas por Marcos que não tinha sido realmente discípulo. Então de todos os evangelhos chamados sinóticos o de Mateus é o mais completo e por isso figura como o primeiro na lista.

Na liturgia da Igreja Católica cada ano é dedicado a um dos evangelhos sinóticos e a João em tempos específicos. Mateus é do ano A e ao final de cada 3 anos o ciclo recomeça.

Na simbologia que vem desde as igrejas orientais e também por estudos de Santo Irineu (por volta de 203 d.C.) e depois por Santo Agostinho  (por volta de 439 d.C.) cada evangelista tem um símbolo e Mateus é simbolizado por um anjo, o que remete a uma profecia de Ezequiel (Ex 1,1-4;10,14) e também em Ap 4,6-7.

Também seu evangelho após toda a narração da descendência de Jesus já inicia falando do anjo que veio confirmar com José que Maria estava grávida pelo poder do Espírito Santo (cf. MT 1, 20-25)

Para um aprofundamento ainda maior leia Evangelho Segundo São Mateus (clique na palavra)

Fiquem com Deus

Sermão da Montanha – Completo

Evangelho segundo São Mateus – Capítulo 5

  1. Jesus, pois, vendo as multidões, subiu ao monte; e, tendo se assentado, aproximaram-se os seus discípulos,
  2. e ele se pôs a ensiná-los, dizendo:
  3. Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.
  4. Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.
  5. Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra.
  6. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça porque eles serão fartos.
  7. Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.
  8. Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus.
  9. Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.
  10. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.
  11. Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa.
  12. Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram aos profetas que foram antes de vós.
  13. Vós sois o sal da terra; mas se o sal se tornar insípido, com que se há de restaurar-lhe o sabor? Para nada mais presta, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos homens.
  14. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte;
  15. nem os que acendem uma candeia a colocam debaixo do alqueire, mas no velador, e assim ilumina a todos que estão na casa.
  16. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.
  17. Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir.
  18. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei um só jota ou um só til, até que tudo seja cumprido.
  19. Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus.
  20. Pois eu vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.
  21. Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e, Quem matar será réu de juízo.
  22. Eu, porém, vos digo que todo aquele que se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e quem disser a seu irmão: Raca, será réu diante do sinédrio; e quem lhe disser: Tolo, será réu do fogo do inferno.
  23. Portanto, se estiveres apresentando a tua oferta no altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti,
  24. deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai conciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem apresentar a tua oferta.
  25. Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele; para que não aconteça que o adversário te entregue ao guarda, e sejas lançado na prisão.
  26. Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último centavo.
  27. Ouvistes que foi dito: Não adulterarás.
  28. Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela.
  29. Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno.
  30. E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que vá todo o teu corpo para o inferno.
  31. Também foi dito: Quem repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio.
  32. Eu, porém, vos digo que todo aquele que repudia sua mulher, a não ser por causa de infidelidade, a faz adúltera; e quem casar com a repudiada, comete adultério.
  33. Outrossim, ouvistes que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás para com o Senhor os teus juramentos.
  34. Eu, porém, vos digo que de maneira nenhuma jureis; nem pelo céu, porque é o trono de Deus;
  35. nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei;
  36. nem jures pela tua cabeça, porque não podes tornar um só cabelo branco ou preto.
  37. Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não; pois o que passa daí, vem do Maligno.
  38. Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente.
  39. Eu, porém, vos digo que não resistais ao homem mau; mas a qualquer que te bater na face direita, oferece-lhe também a outra;
  40. e ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa;
  41. e, se qualquer te obrigar a caminhar mil passos, vai com ele dois mil.
  42. Dá a quem te pedir, e não voltes as costas ao que quiser que lhe emprestes.
  43. Ouvistes que foi dito: Amarás ao teu próximo, e odiarás ao teu inimigo.
  44. Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem;
  45. para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos.
  46. Pois, se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo?
  47. E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis demais? Não fazem os gentios também o mesmo?
  48. Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial.

Evangelho segundo São Mateus – Capítulo 6

  1. Guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles; de outra sorte não tereis recompensa junto de vosso Pai, que está nos céus.
  2. Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa.
  3. Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita;
  4. para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.
  5. E, quando orardes, não sejais como os hipócritas; pois gostam de orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa.
  6. Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.
  7. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque pensam que pelo seu muito falar serão ouvidos.
  8. Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes.
  9. Portanto, orai vós deste modo: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome;
  10. venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu;
  11. o pão nosso de cada dia nos dá hoje;
  12. e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também temos perdoado aos nossos devedores;
  13. e não nos deixes entrar em tentação; mas livra-nos do mal. [Porque teu é o reino e o poder, e a glória, para sempre, Amém.]
  14. Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós;
  15. se, porém, não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai perdoará vossas ofensas.
  16. Quando jejuardes, não vos mostreis tristes como os hipócritas; porque eles desfiguram os seus rostos, para que os homens vejam que estão jejuando. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa.
  17. Tu, porém, quando jejuares, unge a tua cabeça, e lava o teu rosto,
  18. para não mostrar aos homens que estás jejuando, mas a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.
  19. Não ajunteis para vós tesouros na terra; onde a traça e a ferrugem os consomem, e onde os ladrões minam e roubam;
  20. mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem os consumem, e onde os ladrões não minam nem roubam.
  21. Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.
  22. A luz do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo teu corpo terá luz;
  23. se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes são tais trevas!
  24. Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.
  25. Por isso vos digo: Não estejais ansiosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer, ou pelo que haveis de beber; nem, quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestuário?
  26. Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não valeis vós muito mais do que elas?
  27. Qual de vós, por mais que se esforce, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida?
  28. E pelo que haveis de vestir, por que andais ansiosos? Olhai para os lírios do campo, como crescem; não trabalham nem fiam;
  29. contudo vos digo que nem mesmo Salomão em toda a sua glória se vestiu como um deles.
  30. Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé?
  31. Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que havemos de comer? ou: Que havemos de beber? ou: Com que nos havemos de vestir?
  32. (Pois a todas estas coisas os gentios procuram.) Porque vosso Pai celestial sabe que precisais de tudo isso.
  33. Buscai, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas de acréscimo.
  34. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. A cada dia basta o seu cuidado.

      Evangelho segundo São Mateus – Capítulo 7

  1. Não julgueis, para que não sejais julgados.
  2. Porque com o juízo com que julgais, sereis julgados; e com a medida com que medis vos medirão a vós.
  3. E por que vês o argueiro no olho do teu irmão, e não reparas na trave que está no teu olho?
  4. Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu?
  5. Hipócrita! tira primeiro a trave do teu olho; e então verás bem para tirar o argueiro do olho do teu irmão.
  6. Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas, para não acontecer que as calquem aos pés e, voltando-se, vos despedacem.
  7. Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á.
  8. Pois todo o que pede, recebe; e quem busca, acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á.
  9. Ou qual dentre vós é o homem que, se seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra?
  10. Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará uma serpente?
  11. Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhas pedirem?
  12. Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-o também vós a eles; porque esta é a lei e os profetas.
  13. Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela;
  14. e porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos são os que a encontram.
  15. Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores.
  16. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?
  17. Assim, toda árvore boa produz bons frutos; porém a árvore má produz frutos maus.
  18. Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má dar frutos bons.
  19. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo.
  20. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.
  21. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.
  22. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres?
  23. Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.
  24. Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, será comparado a um homem prudente, que edificou a casa sobre a rocha.
  25. E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa; contudo não caiu, porque estava fundada sobre a rocha.
  26. Mas todo aquele que ouve estas minhas palavras, e não as põe em prática, será comparado a um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia.
  27. E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa, e ela caiu; e grande foi a sua queda.
  28. Ao concluir Jesus este discurso, as multidões se maravilhavam da sua doutrina;
  29. porque as ensinava como tendo autoridade, e não como os escribas.

Bíblia – Sagrada Escritura (CIC 101 – 141)

Série : Animo, uma nova catequese (Bíblia– Complemento 2) Transcrição do Catecismo da Igreja Católica 

Os números contidos no inicio de cada citação são os números do próprio Catecismo e servem para se localizar as citações e fazer referências.

“Omnis Scriptura divina unus liber est, et hic unus liber est Christus, “quia omnis Scriptura divina de Christo loquitur, et omn is Scriptura divina in Christo impletur”     ( Toda a Escritura divina é um único livro, e este
livro único é Cristo, já que toda Escritura divina fala de Cristo, e toda Escritura divina se cumpre em Cristo.)img_solar_2005_claudiopastro_catalogo_004_g

ARTIGO 3 – A SAGRADA ESCRITURA
I. CRISTO – PALAVRA ÚNICA DA SAGRADA ESCRITURA
101 Na condescendência de sua bondade, Deus, para revelar-se aos homens, fala-lhes em palavras
humanas: Com efeito, as palavras de Deus, expressas por línguas humanas, fizeram-se semelhantes à
linguagem humana, tal como outrora o Verbo do Pai Eterno, havendo assumido a carne da fraqueza
humana, se fez semelhante aos homens”.
102 Por meio de todas as palavras da Sagrada Escritura, Deus pronuncia uma só Palavra, seu
Verbo único, no qual se expressa por inteiro:
“Lembrai-vos que é uma mesma a Palavra de Deus que está presente em todas as Escrituras, que é
um mesmo Verbo que ressoa na boca de todos os escritores sagrados; ele que, sendo no início Deus junto de
Deus, não tem necessidade de sílabas, por não estar submetido ao tempo.”
103 Por este motivo, a Igreja sempre venerou as divinas Escrituras, como venera também o Corpo do
Senhor. Ela não cessa de apresentar aos fiéis o Pão da vida tomado da Mesa da Palavra de Deus e do
Corpo de Cristo.
104 Na Sagrada Escritura, a Igreja encontra incessantemente seu alimento e sua força[fca8] , pois
nela não acolhe somente uma palavra humana, mas o que ela é realmente: a Palavra de Deus “Com efeito,
nos Livros Sagrados o Pai que está nos céus vem carinhosamente ao encontro de seus filhos e com eles fala”.

II. INSPIRAÇÃO E VERDADE DA SAGRADA ESCRITURA
105 Deus é o autor da Sagrada Escritura. “As coisas divinamente reveladas, que se encerram por
escrito e se manifestam na Sagrada Escritura, foram consignadas sob inspiração do Espírito Santo”
“A santa Mãe Igreja, segundo a fé apostólica, tem como sagrados e canônicos os livros completos
tanto do Antigo como do Novo Testamento, com todas as suas partes, porque, escritos sob a inspiração do
Espírito Santo, eles têm Deus como autor e nesta sua qualidade foram confiados à própria Igreja.”
106 Deus inspirou os autores humanos dos livros sagrados.. “Na redação dos livros sagrados, Deus
escolheu homens, dos quais se serviu fazendo-os usar suas próprias faculdades e capacidades, a fim de que,
agindo ele próprio neles e por meio deles, escrevessem, como verdadeiros autores, tudo e só aquilo que ele
próprio queria.”
107 Os livros inspirados ensinam a verdade. “Portanto, já que tudo o que os autores inspirados (ou
hagiógrafos) afirmam deve ser tido como afirmado pelo Espírito Santo, deve-se professar que os livros da
Escritura ensinam com certeza, fielmente e sem erro a verdade que Deus em vista de nossa salvação quis
fosse consignada nas Sagradas Escrituras.”
108 Todavia, a fé cristã não é uma “religião do Livro”. O Cristianismo é a religião da “Palavra” de
Deus, “não de uma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivo”. Para que as Escrituras não
permaneçam letra morta, é preciso que Cristo, Palavra eterna de Deus vivo, pelo Espírito Santo nos “abra o
espírito à compreensão das Escrituras”.

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III. O ESPÍRITO SANTO, INTÉRPRETE DA ESCRITURA
109 Na Sagrada Escritura, Deus fala ao homem à maneira dos homens. Para bem interpretar a
Escritura é preciso, portanto, estar atento àquilo que os autores humanos quiseram realmente afirmar e
àquilo que Deus quis manifestar-nos pelas palavras deles.
110 Para descobrir a intenção dos autores sagrados, há que levar em conta as condições da época
e da cultura deles, os “gêneros literários” em uso naquele tempo, os modos, então correntes, de sentir, falar e
narrar. “Pois a verdade é apresentada e expressa de maneiras diferentes nos textos que são de vários
modos históricos ou proféticos ou poéticos, ou nos demais gêneros de expressão.”
111 Mas, já que a Sagrada Escritura é inspirada, há outro princípio da interpretação correta, não
menos importante que o anterior, e sem o qual a Escritura permaneceria letra morta: “A Sagrada Escritura
deve também ser lida e interpretada com a ajuda daquele mesmo Espírito em que foi escrita”. O Concílio
Vaticano II indica três critérios para uma interpretação da Escritura conforme o Espírito que a inspirou
112 1. Prestar muita atenção “ao conteúdo e à unidade da Escritura inteira”. Pois, por mais diferentes
que sejam os livros que a compõem, a Escritura é una em razão da unidade do projeto de Deus, do qual
Cristo Jesus é o centro e o coração, aberto depois de sua Páscoa.
O coração de Cristo designa a Sagrada Escritura, que dá a conhecer o coração de Cristo. O coração
estava fechado antes da Paixão, pois a Escritura era obscura. Mas a Escritura foi aberta após a Paixão,
pois os que a partir daí têm a compreensão dela consideram e discernem de que maneira as profecias
devem ser interpretadas.
113 2. Ler a Escritura dentro “da Tradição viva da Igreja inteira”. Consoante um adágio dos Padres,
“Sacra Scriptura principalius est in corde Ecclesiae quam in materialibus instrumentis scripta a sagrada
Escritura está escrita mais no coração da Igreja do que nos instrumentos materiais. Com efeito, a Igreja leva
em sua Tradição a memória viva da Palavra de Deus, e é o Espírito Santo que lhe dá a interpretação
espiritual da Escritura (“…segundo o sentido espiritual que o Espírito dá à Igreja.
114 3. Estar atento “a anagogia da fé ” Por “anagogia da fé” entendemos a coesão das verdades
da fé entre si e no projeto total da Revelação.

Os SENTIDOS DA ESCRITURA
115 Segundo uma antiga tradição, podemos distinguir dois sentidos da Escritura: o sentido literal e o
sentido espiritual, sendo este último subdividido em sentido alegórico, moral e analógico. A concordância
profunda entre os quatro sentidos garante toda a sua riqueza à leitura viva da Escritura na Igreja.
116 O sentido literal. É o sentido significado pelas palavras da Escritura e descoberto pela exegese
que segue as regras da correta interpretação. “Omnes sensus fundantur super litteralem – Todos os sentidos
(da Sagrada Escritura) devem estar fundados no literal”.
117 O sentido espiritual. Graças à unidade do projeto de Deus, não somente o texto da Escritura,
mas também as realidades e os acontecimentos de que ele fala, podem ser sinais.
1. O sentido alegórico. Podemos adquirir uma compreensão mais profunda dos acontecimentos
reconhecendo a significação deles em Cristo; assim, a travessia do Mar Vermelho é um sinal da vitória de
Cristo, e também do Batismo.
2. O sentido moral. Os acontecimentos relatados na Escritura devem conduzir-nos a um justo agir. Eles
foram escritos “para nossa instrução” (1Cor 10,11)
3. O sentido anagógico. Podemos ver realidades e acontecimentos em sua significação eterna,
conduzindo-nos (em grego: “anagogé”; pronuncie “anagogué”) à nossa Pátria. Assim, a Igreja na terra é sinal
da Jerusalém celeste.
118 Um dístico medieval resume a significação dos quatro sentidos:
Littera gesta docei, quid credas allegoria, moralis quid agas, quo tendas anagogia.
A letra ensina o que aconteceu; a alegoria, o que deves crer; a moral, o que deves fazer; a
anagogia, para onde deves caminhar.
119 “É dever dos exegetas esforçar-se, dentro dessas diretrizes, por entender e expor com maior
aprofundamento o sentido da Sagrada Escritura, a fim de que, por seu trabalho como que preparatório,
amadureça o julgamento da Igreja. Pois todas estas coisas que concernem à maneira de interpretar a
Escritura estão sujeitas, em última instância, ao juízo da Igreja, que exerce o divino ministério e mandato do
guardar e interpretar a Palavra de Deus”
Ego vero Evangelio non crederem, nisi me catholicae Ecclesiae commoveret auctoritas.
Eu não creria no Evangelho, se a isto não me levasse a autoridade da Igreja católica”

IV O CÂNON DAS ESCRITURAS
120 Foi a Tradição apostólica que fez a Igreja discernir que escritos deviam ser enumerados lista
dos Livros Sagrados”. Esta lista completa é denominada “Cânon” das Escrituras. Ela comporta 46 (45, se
contarmos Jr e Lm juntos) escritos para o Antigo Testamento e 27 para o Novo Testamento.
Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juizes, Rute, os dois livros de Samuel, os dois
livros dos Reis, os dois livros das Crônicas, Esdras e Neemias, Tobias, Judite, Ester, os dois livros dos
Macabeus, Jó, os Salmos, os Provérbios, o Eclesiastes (ou Coélet), o Cântico dos Cânticos, a Sabedoria, o
Eclesiástico (ou Sirácida), Isaías, Jeremias, as Lamentações, Baruc, Ezequie l, Daniel, Oséias, Joel, Amós,
Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias, para o Antigo Testamento; os
Evangelhos de Mateus, de Marcos, de Lucas e de João, os Atos dos Apóstolos, as Epístolas de São Paulo aos
Romanos, a primeira e a segunda aos Corintios, aos Gálatas, aos Efésios, aos Filipenses, aos Colossenses, a
primeira e a segunda aos Tessalonicenses, a primeira e a segunda a Timóteo, a Tito, a Filêmon, a Epístola
aos Hebreus, a Epístola de Tiago, a primeira e a segunda de Pedro, as três Epístolas de João, a Epístola de
Judas e o Apocalipse, para o Novo Testamento.

livros da bíblia

 

O ANTIGO TESTAMENTO
121 Antigo Testamento é uma parte indispensável da Sagrada Escritura. Seus livros são divinamente
inspirados e conservam um valor permanente, pois a Antiga Aliança nunca foi revogada.
122 Com efeito, “a Economia do Antigo Testamento estava ordenada principalmente para preparar
a vinda de Cristo, redentor de todos”. “Embora contenham também coisas imperfeitas e transitórias”, os livros
do Antigo Testamento dão testemunho de toda a divina pedagogia do amor salvífico de Deus: “Neles
encontram-se sublimes ensinamentos acerca de Deus e uma salutar sabedoria concernente à vida do homem,
bem como admiráveis tesouros de preces; nestes livros, enfim está latente o mistério de nossa salvação”
123 Os cristãos veneram o Antigo Testamento como verdadeira Palavra de Deus. A Igreja sempre
rechaçou vigorosamente a idéia de rejeitar o Antigo Testamento sob o pretexto de que o Novo o teria feito
caducar (marcionismo).

O NOVO TESTAMENTO
124 “A Palavra de Deus, que é força de Deus para a salvação de todo crente, é apresentada e
manifesta seu vigor de modo eminente nos escritos do Novo Testamento.” Estes escritos fornecem-nos a
verdade definitiva da Revelação divina. Seu objeto central é Jesus Cristo, o Filho de Deus encarnado, seus
atos, ensinamentos, paixão e glorificação, assim como os inícios de sua Igreja sob a ação do Espírito Santo.
125 Os Evangelhos são o coração de todas as Escrituras, “uma vez que constituem o principal
testemunho da vida e da doutrina do Verbo encarnado, nosso Salvador”.
126 Na formação dos Evangelhos podemos distinguir três etapas:
1. A vida e o ensinamento de Jesus. A Igreja defende firmemente que os quatro Evangelhos, “cuja
historicidade afirma sem hesitação, transmitem fielmente aquilo que Jesus, Filho de Deus, ao viver entre os
homens, realmente fez e ensinou para a eterna salvação deles, até o dia em que foi elevado”.
2. A tradição oral. “O que o Senhor dissera e fizera, os apóstolos, após a ascensão do Senhor,
transmitiram aos ouvintes, com aquela compreensão mais plena de que gozavam, instruídos que foram pelos
gloriosos acontecimentos de Cristo e esclarecidos pela luz do Espírito de verdade.”
3. Os Evangelhos escritos. “Os autores sagrados escreveram os quatro Evangelhos, escolhendo certas
coisas das muitas transmitidas ou oralmente ou já por escrito, fazendo síntese de outras ou explanando-as
com vistas à situação das igrejas, conservando, enfim, a forma de pregação, sempre de maneira a transmitirnos,
a respeito de Jesus, coisas verdadeiras e sincera. ”
127 O Evangelho quadriforme ocupa a Igreja um lugar único, como atestam a veneração que lhe
tributa a liturgia e o atrativo incomparável que desde sempre tem exercido sobre os santos: Não existe
nenhuma doutrina que seja melhor, mais preciosa e mais esplêndida que o texto do Evangelho. Vede e
retende o que nosso Senhor e Mestre, Cristo, ensinou com suas palavras e realizou com seus atos. É acima de
tudo o Evangelho que me ocupa durante as minhas orações; nele encontro tudo o que é necessário para
minha pobre alma. Descubro nele sempre novas luzes, sentidos escondidos e misteriosos.

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A UNIDADE ENTRE O ANTIGO E O NOVO TESTAMENTO
128 A Igreja, já nos tempos apostólicos, e depois constantemente em sua Tradição, iluminou a
unidade do plano divino nos dois Testamentos graças à tipologia. Esta discerne, nas obras de Deus contidas
na Antiga Aliança, prefigurações daquilo que Deus realizou na plenitude dos tempos, na pessoa de seu Filho
encarnado.
129 Por isso os cristãos lêem o Antigo Testamento à luz de Cristo morto e ressuscitado. Esta leitura
tipológica manifesta o conteúdo inesgotável do Antigo Testamento. Ela não deve levar a esquecer que este
conserva seu valor próprio de Revelação, que o próprio Nosso Senhor reafirmou. De resto também o Novo
Testamento exige ser lido à luz do Antigo. A catequese cristã primitiva recorre constantemente a ele.
Segundo um adágio antigo, o Novo Testamento está escondido no Antigo, ao passo que o Antigo é
desvendado no Novo “Novum in Vetere latet et in Novo Vetus patet”.
130 A tipologia exprime o dinamismo em direção ao cumprimento do plano divino, quando “Deus
será tudo em todos” (1 Cor 15,28), Também a vocação dos patriarcas e o Êxodo do Egito, por exemplo, não
perdem seu valor próprio no plano de Deus, pelo fato de serem ao mesmo tempo etapas intermediárias
deste plano.

V. A SAGRADA ESCRITURA NA VIDA DA IGREJA
131 “É tão grande o poder e a eficácia encerrados na Palavra de Deus, que ela constitui sustentáculo
e vigor para a Igreja, e, para seus filhos, firmeza da fé, alimento da alma, pura e perene fonte da vida
espiritual.” “É preciso que o acesso à Sagrada Escritura seja amplamente aberto aos fiéis.”
132 “Que o estudo das Sagradas Páginas seja, portanto, como que a alma da Sagrada Teologia.
Da mesma palavra da Sagrada Escritura também se nutre salutarmente e santamente floresce o ministério
da palavra, a saber, a pregação pastoral, a catequese e toda a instrução cristã, na qual deve ocupar lugar
de destaque a homilia litúrgica.”
133 A Igreja “exorta com veemência e de modo peculiar todos os fiéis cristãos… a que, pela
freqüente leitura das divinas Escrituras, aprendam ‘a eminente ciência de Jesus Cristo”(Fl 3,8). “Com efeito,
ignorar as Escrituras é ignorar Cristo”.

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RESUMINDO
134 Omnis Scriptura divina unus liber est, et hic unus liber est Christus, “quia omnis Scriptura divina de
Christo loquitur, et omn is Scriptura divina in Christo impletur” – Toda a Escritura divina é um único livro, e este
livro único é Cristo, já que toda Escritura divina fala de Cristo, e toda Escritura divina se cumpre em Cristo.
135 “As Sagradas Escrituras contêm a Palavra de Deus e, por serem inspiradas, são
verdadeiramente Palavra de Deus. “
136 Deus e o autor da Sagrada Escritura inspirar seus autores humanos; age neles e por meio dele.
Fornece assim a garantia de que seus escritos ensinem sem erro a verdade salvífica.
137 A interpretação das Escrituras inspiradas deve antes de tudo estar atenta àquilo que Deus quer
revelar por intermédio dos autores sagrados para nossa salvação. O que vem do Espírito só é plenamente
entendido pela ação do Espírito.
138 A Igreja recebe e venera como inspirados os 46 livros do Antigo e os 27 livros do Novo
Testamento.
139 Os quatro Evangelhos ocupam um lugar central, já que Cristo Jesus é o centro deles.
140 A unidade dos dois Testamentos decorre da unidade do projeto de Deus e de sua Revelação. O
Antigo Testamento prepara o Novo, ao passo que este último cumpre o Antigo; os dois se iluminam
reciprocamente; os dois são verdadeira Palavra de Deus.
141 “A Igreja sempre venerou as divinas Escrituras da mesma forma como o próprio Corpo do
Senhor”: ambos alimentam e dirigem toda a vida cristã. “Tua Palavra é a lâmpada para meus pés, e luz
para meu caminho” (Sl 119,105)(120).

 

9788515021529

Texto copilado na integra do Catecismo da Igreja Católica

 

Online: Vatican.va (Archive Cathechism) Oficial