Deus não é um aplicativo

Teologia Leiga por Milton Cesar

Abraço-Divino

O mundo é cada vez mais “moderno” ou “modernoso” (como eu acho que é na verdade) e por ai pipocam a cada dia mais e mais novidades nesta chamada era tecnológica. Não vou nem entrar no mérito da vida modernosa, mas apenas naquilo que é a conexão direta com o que existe de mais novo na tecnologia.

Smartphones que só faltam andar sozinhos (talvez antes de publicar este post já tenha algum), reconhecimento facial, digital, por voz e tudo o mais. Tudo o que se quer saber está em um só lugar: no Google (oráculo moderno que tudo sabe, ou deve saber), até as crianças não tiram dúvidas mais com os pais , perguntam diretamente para o Google (nem precisa mais do Ok, Google).

Existem aplicativos (app) para quase tudo. Então vivemos a era da internet.

Parece hipocrisia eu estar falando disso, justamente num blog que usa a internet, mas acredite, não sou contra as inovações, e acho uma ótima ferramenta. Com algumas ressalvas , é claro.

Uma dessas ressalvas é o fato do distanciamento das pessoas, que a cada dia mais estão trocando a experiência de se visitar um amigo, irmão, pais ou enfermos pelas mensagens de whatsapp, messenger e sei lá mais o que. Até os desejos de feliz aniversário ou feliz Natal, estão limitados a uma carinha sorridente com coraçãozinho nos olhos. E ao contrário do que dizem, não acho que os apps encurtam distâncias, acho que facilitam a comunicação, mas distanciam ainda mais as pessoas.

Outra ressalva é essa necessidade louca de se estar com um aparelho nas mãos olhando a todo instante se vai ou não vir uma mensagem, tem gente que é atropelada olhando para o celular.

 

Agora o maior ponto: Deus não é um aplicativo!

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As pessoas continuam morrendo das mesmas doenças e surgem outras novas a cada dia, mas muita gente culpa Deus por isso. Porque pediram e não foram atendidos em tempo “real” (mas será que para Deus esse tempo que nós contamos importa?).

Muitas pessoas querem que Deus seja como o Google, que se fale uma coisa e a resposta venha no ato e de preferência que esta resposta agrade a quem perguntou. Deus não age assim.

Se você quer paciência, Deus te dará oportunidade de ser paciente…

Se quer ter fé, Deus te dará oportunidade de ver e ter fé, de acreditar.

Se quer uma prova da existência de Deus, você terá uma oportunidade de ver e ser provado.

Mas tudo no tempo dele.

Deus ão é um aplicativo para você digitar algo e isso acontecer no ato… Não. Deus te atende conforme a sua necessidade real, e quem tem fé sabe disso.

Só no dicionário a palavra sucesso vem antes de trabalho, no dia a dia é preciso se trabalhar, lutar para se conseguir e só assim termos a graça da ajuda de Deus, e essa ajuda não é o fazer e sim te dar a oportunidade de conseguir se fazer.

Deus não é um aplicativo, porque os aplicativos falham, precisam ser atualizados e muitas vezes perdem a função. Deus não falha, não precisa ser atualizado e jamais vai perder a função.

Pense nisso:

Você tem um Smartphone de ultima geração, e pagou caríssimo por isso, ai você coloca toda a sua vida nele (fotos, contatos, agenda, lembretes de datas especiais), conversa com sua família por ele (seja no celular ou nos apps de mensagens), filma momentos especiais, guarda músicas e tudo o mais. Na verdade você passa a não conseguir mais viver sem ele e dedica quase 24 horas da sua vida  a estar com o aparelho nas mãos. Tudo o que você precisa está ali nas suas mãos. De repente este aparelho para de funcionar, dá um defeito de fabricação (acredite é comum um aparelho dar falhas mesmo depois de bastante tempo de uso por falha de fabricação, eu já trabalhei numa fábrica de celulares e sei que pode acontecer de uma placa estar semi-morta, mas isso não vem ao caso) ou em casos piores você é roubado. O que você vai fazer? Por a culpa no aparelho? Se arrepender de ter colocado tudo nele? Chorar? Mas sabe o que é mais interessante? A escolha foi sua em viver dependente de algo material e se esquecer de que a vida é muito mais que só isso. Mas o que você quer é uma solução imediata e nem que isso o leve a fazer uma dívida. Mas então porque não se preveniu? Fez um backup de tudo, ou até recorreu ao bom e velho caderno para guardar os números telefônicos e outras coisas mais?

É assim que as pessoas agem quando se veem numa situação adversa e se lembram de Deus, pensam que ao toque de um botão seus desejos serão atendidos e pronto e se não o são a culpa é de Deus.

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É a hipocrisia do imediatismo.

Esta mesma hipocrisia que tem feito tantas e tantas pessoas ficarem pulando de igreja em igreja em busca de serem atendidas imediatamente, em busca do DeusApp que não existe.

Se quiser ter uma verdadeira experiência com Deus é preciso acreditar e esperar as “demoras” dele, pois para Ele apenas o que importa é o que você realmente precisa, o resto é ilusão.

A Música diz:

Após de ti eu seguirei, junto a ti não temerei
Grandes vales e montanhas atravessarei
Derramarei as minhas lágrimas quantas vezes preciso for
Sofrerei as demoras de Deus aqui
O meu prêmio na terra é o Senhor

Nada mais certo.

Paz e bem em nome do Senhor Jesus.

Milton Cesar

 

28º Encontro (Catequese) – Devoção Mariana e o Santo Rosário

Série: Animo, uma nova Catequese (Encontro 28/40)

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Chegamos ao nosso 28º, a nossa vivência na fé pela catequese se aproxima da jornada final. Com certeza é sempre um bom momento para intensificar a preparação.
Para este encontro é importante providenciar algumas coisas:
  1. Terços (para serem dados aos catequizandos) existem pacotes com 12 unidades
  2. Folhetos Como rezar o Terço (Paulus) (existem a venda nas livrarias católicas em pacotes com 50 unidades)

Estes acessórios são importantes para que os catequizandos possam ter uma familiaridade com o rosário e possa fazer uma oração ainda melhor.

Como primeiro momento deve-se deixar um ambiente limpo, decorado com flores , Bíblia e vela. Além dos terços que serão dados de presente. Seria interessante se todos pudessem se acomodar no chão em círculo.

Na oração inicial podemos sugerir que se faça um Pai Nosso e uma Ave Maria

Depois canta-se Perfeito é quem te criou – Vida Reluz

No terceiro momento podemos entrar no assunto sobre a devoção a Maria. Como é e porque existe. Falar sobre a importância da mãe de Jesus para a igreja, (ver aprofundamento para o catequista).

Como uma dinâmica rápida pode-se pedir que os catequizandos citem nomes dados a Virgem Maria e tudo ser anotado em uma cartolina.

Explicar também sobre como rezar o Santo Rosário é um ótimo exercício de fé e poderoso amparo nas horas difíceis da vida. Então pode-se entregar o terço, explicar como se reza e fazer o terço onde todos fazem a oração. (veja Como Rezar o Santo Rosário (Terço))

Como canto final podemos fazer também a oração final ao cantar Mãe Fiel (Mostra-me o caminho)- Padre Zeca

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Sugestão de folha para o encontro

Aprofundamento para o catequista

Devoção Mariana

Nascido da Virgem Maria (cf. CIC 484-511 Parágrafo 2)

O que a fé católica crê, a respeito de Maria, funda-se no que crê a respeito de Cristo. Mas o que a mesma fé ensina sobre Maria esclarece, por sua vez, a sua fé em Cristo. (CIC 487)

A RELIGIOSIDADE POPULAR (CIC 1674-1676 )

1674. Fora da liturgia dos sacramentos e dos sacramentais, a catequese deve ter em consideração as formas de piedade dos fiéis e a religiosidade popular. O sentimento religioso do povo cristão desde sempre encontrou a sua expressão em variadas formas de piedade, que rodeiam a vida sacramental da Igreja, tais como a veneração das relíquias, as visitas aos santuários, as peregrinações, as procissões, a via-sacra, as danças religiosas, o rosário, as medalhas, etc…

1675. Estas manifestações são um prolongamento da vida litúrgica da Igreja, mas não a substituem. «Devem ser organizadas, tendo em conta os tempos litúrgicos e de modo a harmonizarem-se com a liturgia, a dimanarem dela de algum modo e a nela introduzirem o povo; porque, por sua natureza, a liturgia lhes é, de longe, superior».

1676. Para manter e apoiar a religiosidade popular, é necessário um discernimento pastoral. O mesmo se diga, se for caso disso, para purificar e corrigir o sentimento religioso subjacente a essas devoções e para fazer progredir no conhecimento do mistério de Cristo. A sua prática está submetida ao cuidado e às decisões dos bispos e às normas gerais da igreja

A igreja católica tem em Maria um forte sinal devocional, é como uma marca de quem comunga da fé católica,  seria quase impossível ser da igreja e não acreditar em Nossa Senhora.

Os padres da tradição oriental chamam a Virgem Maria de Pan-hagia (pronuncia-se “pan-haguía” ) e a celebram como imune de toda mancha de pecado, tendo sido plasmada pelo Espírito Santo é firmada como nova criatura. (CIC 493)

Jesus, o único Mediador, é o Caminho de nossa oração e Maria, sua mãe, é pura transparência dele, Maria “mostra o Caminho”(“Hodoghitria”) é seu sinal, conforme a iconografia tradicional no Oriente e no Ocidente. (Ver ícone Hodoghitria )

Em aramaico o nome é Maryam  que significa soberana. Já em hebraico é Míriam que significa  “amada por Javé”

Maria foi escolhida por Deus para ser a mãe do seu filho, e podemos imaginar como só este fato é extremamente relevante para que ela tenha toda esta importância. Deus não escolheria qualquer uma, ele escolheria alguém especial, e foi o que ele fez. De uma vila desprezada em toda a Palestina chamada Nazaré, Deus viu uma jovem, ainda adolescente que era perfeita para gerar o seu primogênito. Escolheu também um homem chamado José para assumir o papel de pai terreno de Jesus.

Mas o fato mais relevante é que está jovem temente a Deus aceitou a missão de ser mãe do filho de Deus, e passou por tantos perigos que sequer esperava passar e criou este filho, viu ele fazer milagres, morrer, ressuscitar, subir aos céus e depois levá-la. Mais importante ainda, está jovem permaneceu virgem mesmo após a concepção.

Maria sempre intercedeu pelos mais necessitados, começando nas Bodas de Caná e para todos os fiéis está intercessão continua até hoje.

A igreja tem como conta de que Nossa Senhora sempre dá seus sinais aparecendo em várias partes do mundo para interceder sobre algumas situações. Vide alguns exemplos:

  • Nossa Senhora Aparecida: apareceu no Vale do Paraíba justamente quando um importante Conde iria fazer um estadia na região e quando um dos pescadores pescou a cabeça da imagem e depois o corpo logo as redes se encheram de peixes. Mas o mais interessante foi o fato da imagem vir negra e justamente os escravos viviam dias cada vez mais difíceis, ela deu esperança pois mostrou que Maria também tinha o rosto dos oprimidos. Há duas fontes sobre o achado da imagem, que se encontram no Arquivo da Cúria Metropolitana de Aparecida (anterior a 1743) e no Arquivo da Companhia de Jesus, em Roma: a história registrada pelos padres José Alves Vilela, em 1743, e João de Morais e Aguiar, em 1757, cujos documentos se encontram no Primeiro Livro de Tombo da Paróquia de Santo Antônio de Guaratinguetá. Segundo os relatos, a aparição da imagem ocorreu na segunda quinzena de outubro de 1717, quando Pedro Miguel de Almeida Portugal e Vasconcelosconde de Assumar e governante da capitania de São Paulo e Minas de Ouro, estava de passagem pela cidade de Guaratinguetá, no vale do Paraíba, durante uma viagem até Vila RicaO povo de Guaratinguetá decidiu fazer uma festa em homenagem à presença de Dom Pedro de Almeida e, apesar de não ser temporada de pesca, os pescadores lançaram seus barcos no Rio Paraíba com a intenção de oferecerem peixes ao conde. Os pescadores Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso rezaram para a Virgem Maria e pediram a ajuda de Deus. Após várias tentativas infrutíferas, desceram o curso do rio até chegarem ao Porto Itaguaçu. Eles já estavam a desistir da pescaria quando João Alves jogou sua rede novamente,em vez de peixes, apanhou o corpo de uma imagem da Virgem Maria, sem a cabeça. Ao lançar a rede novamente, apanhou a cabeça da imagem, que foi envolvida em um lenço.Após terem recuperado as duas partes da imagem, a figura da Virgem Aparecida teria ficado tão pesada que eles não conseguiam mais movê-la.A partir daquele momento, os três pescadores apanharam tantos peixes que se viram forçados a retornar ao porto, uma vez que o volume da pesca ameaçava afundar as embarcações. Esta foi a primeira intercessão atribuída à santa. 
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    A imagem de Nossa Senhora encontrada na gruta onde ela apareceu

     

  • Nossa Senhora de LourdesAs aparições de Nossa Senhora de Lourdes começaram no dia 11 de fevereiro de 1858, quando Bernadette Soubirous, camponesa com 14 anos, foi questionada por sua mãe, pois afirmava ter visto uma “dama” na gruta de Massabielle, cerca de uma milha da cidade, enquanto ela estava recolhendo lenha com a irmã e uma amiga.[1] A “dama” também apareceu em outras ocasiões para Bernadette até os dezessete anos.Bernadette Soubirous foi canonizada como santa, por suas visões da Virgem Maria. A primeira aparição da “Senhora”, relatada por Bernadette foi em 11 de fevereiro. O Papa Pio IX autorizou o bispo local para permitir a veneração da Virgem Maria em Lourdes, em 1862.

Irmã Lúcia, uma das três crianças que avistaram Nossa Senhora.

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Nossa Senhora de Međugorje, Rainha da Paz

  • Nossa Senhora de MedjugorjeNo dia 24 de Junho de 1981, Mirjana Dragicevic e Ivanka Ivankovic relataram ter recebido uma aparição da Virgem Maria na vila de Međugorje. No dia seguinte, outras quatro crianças (Marija Pavlovic, Jakov Colo, Vicka Ivankovic e Ivan Dragicevic) também relataram ter observado a presença da Santíssima Virgem. Nos anos seguintes, os seis videntes continuaram sempre a relatar aparições da Virgem Maria diariamente, e isto à medida que Međugorje se tornava num famoso local de peregrinação cristã. De acordo com relatos, desde então Nossa Senhora de Međugorje (Medjugorje) vem aparecendo diariamente para três das seis crianças. Nossa Senhora de Medjugorje é também conhecida como Rainha da Paz, pois segundo as crianças é vestida assim que ela aparece. Como é um lugar onde geralmente as crianças estavam sofrendo com a guerra, foi este o titulo escolhido. É a única aparição que ainda está em curso.
  • Nossa Senhora de GuadalupePelos relatos, a “Senhora do Céu” apareceu a Juan Diego, identificou-se como a mãe do verdadeiro Deus, fez crescer flores numa colina semidesértica em pleno inverno, as quais Juan Diego devia levar ao bispo, que exigira alguma prova de que efetivamente a Virgem havia aparecido. Juan foi instruído por ela a dizer ao bispo que construísse um templo no lugar, e deixou sua própria imagem impressa milagrosamente em seu tilma (ela também teria aparecido ao seu tio Juan Bernardino), um tecido de pouca qualidade feito a partir do cacto, que deveria se deteriorar em 20 anos mas que não mostra sinais de deterioração até ao presente. Um estudo realizado no Instituto de Biologia da Universidade Nacional Autônoma do México, em 1946, comprovou que as fibras do tecido correspondem às fibras de agave, tais fibras não duram mais do que vinte anos. Em ampliações da face de Nossa Senhora, os seus olhos, na imagem gravada, parecem refletir o que estava à sua frente em 1531 – Juan Diego, e o bispo. Porém, alguns acreditam que isto pode ser explicado pelo fenômeno da pareidolia. O assunto tem sido objeto de inúmeras investigações científicas. É venerada na Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe e a sua festa é celebrada em 12 de dezembro.
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Imagem original milagrosa de Nossa Senhora de Guadalupe na tilma de Juan Diego Cuauhtlatoatzin

O Rosário

Origem. A oração do Santo Rosário surge aproximadamente no ano 800 à sombra dos mosteiros e conventos, como “Saltério” dos leigos. … Com o passar do tempo, se formaram outros três saltérios com 150 Ave-Marias, 150 louvores em honra a Jesus Cristo e 150 louvores em honra à Virgem Maria. Hoje são 200 Ave-Marias.

O rosário era utilizado durante as missas quando estas eram feitas em latim e nem todas as pessoas sabiam falar a língua, então os fiéis ficavam rezando o rosário e paravam no momento da consagração  (por isso existia o sininho que se tocava neste momento) e após a comunhão continuavam. O terço é a terça parte de um rosário ou seja 50 Ave-Marias e 5 Pai-nosso.

Maria no Catecismo da Igreja Católica

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437.  O anjo anunciou aos pastores o nascimento de Jesus como sendo o do Messias prometido a Israel: «nasceu-vos hoje, na cidade de David, um salvador que é Cristo, Senhor»(Lc 2, 11). Desde a origem, Ele é «Aquele que o Pai consagrou e enviou ao mundo» (Jo 10, 36), concebido como «santo» no seio virginal de Maria. José foi convidado por Deus a «levar para sua casa Maria, sua esposa», grávida d’«Aquele que nela foi gerado pelo poder do Espírito Santo» (Mt 1, 20), para que Jesus, «chamado Cristo», nascesse da esposa de José, na descendência messiânica de David (Mt 1, 16)

456. Com o Credo Niceno-Constantinopolitano, respondemos confessando: «Por nós, homens, e para nossa salvação, desceu dos céus; e encarnou pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria e Se fez homem»

484-486. A Anunciação a Maria inaugura a «plenitude dos tempos» (Gl 4, 4), isto é, o cumprimento das promessas e dos preparativos. Maria é convidada a conceber Aquele em quem habitará «corporalmente toda a plenitude da Divindade» (Cl 2, 9). A resposta divina ao seu «como será isto, se Eu não conheço homem?» (Lc 1, 34) é dada pelo poder do Espírito: «O Espírito Santo virá sobre ti» (Lc 1, 35).

485. A missão do Espírito Santo está sempre unida e ordenada à do Filho. O Espírito Santo, que é «o Senhor que dá a Vida», é enviado para santificar o seio da Virgem Maria e para a fecundar pelo poder divino, fazendo-a conceber o Filho eterno do Pai, numa humanidade originada da sua.

486. Tendo sido concebido como homem no seio da Virgem Maria, o Filho único do Pai é «Cristo», isto é, ungido pelo Espírito Santo, desde o princípio da sua existência humana, embora a sua manifestação só se venha a fazer progressivamente: aos pastores, aos magos, a João Batista , aos discípulos. Toda a vida de Jesus Cristo manifestará, portanto, «como Deus O ungiu com o Espírito Santo e o poder» (At 10, 38).

723-726. Em Maria, o Espírito Santo realiza o desígnio benevolente do Pai. É pelo Espírito Santo que a Virgem concebe e dá à luz o Filho de Deus. A sua virgindade torna-se fecundidade única, pelo poder do Espírito e da fé.

724. Em Maria, o Espírito Santo manifesta o Filho do Pai feito Filho da Virgem. Ela é a sarça ardente da teofania definitiva: cheia do Espírito Santo, mostra o Verbo na humildade da sua carne; e é aos pobres e às primícias das nações que Ela O dá a conhecer.

725. Finalmente, por Maria, o Espírito começa a pôr em comunhão com Cristo os homens que são «objecto do amor benevolente de Deus»; e os humildes são sempre os primeiros a recebe-Lo: os pastores, os magos, Simeão e Ana, os esposos de Caná e os primeiros discípulos.

726. No termo desta missão do Espírito, Maria torna-se a «Mulher», a nova Eva «mãe dos vivos», Mãe do «Cristo total» . É como tal que Ela está presente com os Doze, «num só coração, assíduos na oração» (At 1, 14), no alvorecer dos «últimos tempos», que o Espírito vai inaugurar na manhã do Pentecostes, com a manifestação da Igreja.

Oração a Maria CIC 2675-2679

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2675. Foi a partir desta singular cooperação de Maria com a ação do Espírito Santo que as Igrejas cultivaram a oração à santa Mãe de Deus, centrando-a na pessoa de Cristo manifestada nos seus mistérios. Nos inúmeros hinos e antífonas em que esta oração se exprime, alternam habitualmente dois movimentos: um «magnifica» o Senhor pelas «maravilhas» que fez pela sua humilde serva e, através d’Ela, por todos os seres humanos; o outro confia à Mãe de Jesus as súplicas e louvores dos filhos de Deus, pois Ela agora conhece a humanidade que n’Ela foi desposada pelo Filho de Deus.

2676. Este duplo movimento de oração a Maria encontrou uma expressão privilegiada na oração da «Ave-Maria»:

«Ave, Maria (alegrai-vos, Maria)». A saudação do anjo Gabriel abre esta oração. É o próprio Deus que, por intermédio do seu anjo, saúda Maria. A nossa oração ousa retomar a saudação a Maria com o olhar que Deus pôs na sua humilde serva, alegrando-nos com a alegria que Ele n’Ela encontra.

«Cheia de graça, o Senhor é convosco»As duas palavras da saudação do anjo esclarecem-se mutuamente. Maria é cheia de graça, porque o Senhor está com Ela. A graça de que Ela é cumulada é a presença d’Aquele que é a fonte de toda a graça. «Solta brados de alegria […] filha de Jerusalém […]; o Senhor teu Deus está no meio de ti» (Sf 3, 14. 17a). Maria, em quem o próprio Senhor vem habitar, é em pessoa a filha de Sião, a arca da aliança, o lugar onde reside a glória do Senhor: é «a morada de Deus com os homens» (Ap 21, 3). «Cheia de graça», Ela dá-se toda Aquele que n’Ela vem habitar e que Ela vai dar ao mundo.

«Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus»Depois da saudação do anjo, fazemos nossa a de Isabel. «Cheia […] do Espírito Santo» (Lc 1, 41), Isabel é a primeira, na longa sequência das gerações, a declarar Maria bem-aventurada: «Feliz d’Aquela que acreditou…» (Lc 1, 45); Maria é «bendita entre as mulheres», porque acreditou no cumprimento da Palavra do Senhor. Abraão, pela sua fé, tornou-se uma bênção «para todas as nações da terra» (Gn 12, 3). Pela sua fé, Maria tornou-se a mãe dos crentes, graças a quem todas as nações da terra recebem Aquele que é a própria bênção de Deus: Jesus, «fruto bendito do vosso ventre».

2677. «Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós…»Com Isabel, também nós ficamos maravilhados: «E de onde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?» (Lc 1, 43). Porque nos dá Jesus, seu Filho, Maria é Mãe de Deus e nossa Mãe; podemos confiar-lhe todas as nossas preocupações e pedidos: Ela ora por nós como orou por si própria: «Faça-se em Mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38). Confiando-nos à sua oração, abandonamo-nos com Ela à vontade de Deus: «Seja feita a vossa vontade».

«Rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte»Pedindo a Maria que rogue por nós, reconhecemo-nos pobres pecadores e recorremos à «Mãe de misericórdia», à «Santíssima». Confiamo-nos a Ela «agora», no hoje das nossas vidas. E a nossa confiança alarga-se para lhe confiar, desde agora, «a hora da nossa morte». Que Ela esteja então presente como na morte do seu Filho na cruz e que, na hora do nosso passamento, Ela nos acolha como nossa Mãe, para nos levar ao seu Filho Jesus, no Paraíso.

2678. A piedade medieval do Ocidente propagou a oração do rosário como substituto popular da Liturgia das Horas. No Oriente, a forma litânica do akáthistos e da paráclêsis ficou mais próxima do ofício coral nas Igrejas bizantinas, ao passo que as tradições arménia, copta e siríaca preferiram os hinos e cânticos populares à Mãe de Deus. Mas, na Ave-Maria, nas theotokía, nos hinos de Santo Efrém ou de São Gregório de Narek, a tradição da oração é fundamentalmente a mesma.

2679. Maria é a orante perfeita, figura da Igreja. Quando Lhe oramos, aderimos com Ela ao desígnio do Pai, que envia o seu Filho para salvar todos os homens. Como o discípulo amado, nós acolhemos em nossa casa a Mãe de Jesus que se tornou Mãe de todos os viventes. Podemos orar com Ela e orar-Lhe a Ela. A oração da Igreja é como que sustentada pela oração de Maria. Está-lhe unida na esperança.

Demais artigos do Catecismo que tratam de Maria:

CIC 1172, 1370 , 2043, 2177 , 2146, 971, 829, 773, 963-972, 501, 64, 144, 148-149, 494, 2617,2619, 2030, 964, 165, 273, 484,490, 493-495, 966, 437, 456, 484-486, 495, 723, 411, 969, 721-726 , 488-489,508, 496-498,502-507, 717, 2674, 493, 966, 722, 2676, 510, 491-492, 963-970, , 466, 495, 509, 494,511, 721, 499-501, 967,972

Quando começou a devoção mariana? A pergunta é legítima. E a resposta é imediata e segura: a devoção à Maria começou com o próprio cristianismo. Observemos os fatos. Entremos na pequena Casa de Nazaré, a casa das nossas origens e das nossas primeiras memórias. Eis o que encontramos: o Anjo Gabriel, mandado por Deus, aparece à Maria e lhe diz: “Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo!” (Lc 1, 28).

Com estas palavras que vêm do Céu começa a devoção mariana. Quem pode negar a evidência deste fato? E quando Maria, única guardiã do anúncio do Anjo, se apresenta à Isabel, depois da longa viagem da Galileia até a Judeia, acontece outro fato singular. Isabel ouve a saudação de Maria e percebe que o menino ‘salta’ de alegria no seio, enquanto o Espírito Santo a atravessa e lhe sugere palavras de rara beleza e de surpreendente compromisso: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. E que venha a mim a mãe do meu Senhor? Pois logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio. Feliz de ti que acreditaste, porque se vai cumprir tudo o que foi dito da parte do Senhor” (Lc 1, 42-45). É a segunda expressão de devoção mariana registrada no Evangelho.

Vamos até a narração do Natal. O Evangelho de Lucas refere: “Quando os anjos se afastaram deles em direção ao Céu, os pastores disseram uns aos outros: “Vamos a Belém ver o que aconteceu e o que o Senhor nos deu a conhecer”. Foram apressadamente e encontraram Maria, José e o menino deitado na manjedoura” (Lc 2, 15-16). Imaginemos que os pastores, após terem ajoelhado diante do Menino, tenham lançado a seguir um olhar à Mãe e tenham sussurrado alguma palavra. Não é legítimo pensar que os pastores tenham exclamado: “Feliz és tu, Mãe deste Menino?!” Era uma expressão de devoção mariana.

Passemos ao evangelista Mateus, que narra a chegada dos Magos em Belém e usa estas palavras textuais: “E a estrela que tinham visto no Oriente ia diante deles, até que, chegando ao lugar onde estava o menino, parou. Ao ver a estrela, sentiram imensa alegria; e, entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, adoraram-No” (Mt 2, 9-11).

Podemos, sem muito esforço, imaginar a grande emoção dos Magos, os quais, após uma longa e aventurosa viagem, tiveram a alegria de ver o Menino tão esperado e desejado! Porém, não nos afastamos da verdade dos fatos, se imaginarmos também que os Magos, depois da adoração do Menino, tenham olhado para Maria e lhe dirigido palavras de admiração: também esta é devoção mariana, percebida nas entrelinhas do Evangelho!

Nas bodas de Caná. Conhecemos toda a encantadora história da festa das bodas, na qual Maria intervém, ao mesmo tempo com delicadeza e decisão, para salvar a alegria dos noivos. Os servos, que conheciam o exato suceder-se dos fatos certamente aproximaram-se de Maria e disseram: “Jesus escutou-te! Fala-lhe de nós e pede uma bênção para as nossas famílias!”. Também estas eram autênticas flores de devoção mariana. E os noivos não retomariam com Maria o discurso das bodas e da água transformada em vinho? Certamente teriam dito a Maria: “Obrigado! A tua intervenção salvou a nossa festa. Continua a orar por nós!”

Assim começa a devoção mariana. E continua nos séculos sem interrupção. A verdade histórica é: Maria, a partir das palavras empenhadas pronunciadas pelo Anjo Gabriel, foi imediatamente olhada com admiração. E logo a sua intercessão foi invocada por motivo do seu particular vínculo com Cristo: o vínculo da maternidade! Portanto, quando recorrermos à Maria para a invocar com filial confiança, não nos encontraremos fora do Evangelho, mas totalmente dentro dele.

ARTIGO – DOM NELSON – Qual a origem da devoção mariana? Entenda melhor

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LISTA COM ALGUNS NOMES DA VIRGEM MARIA

Nome Origem
Nossa Senhora da Abadia Imagem encontrada perto da Abadia de Bouro, na Arquidiocese de BragaPortugal
Nossa Senhora da Ajuda Relembra Maria junto à cruz, também implorando a Deus pelo gênero humano.
Nossa Senhora do Amor Divino Relembra o amor especial que Deus dedicou a Maria, escolhendo-a por sua Mãe;
Nossa Senhora do Amparo Relembra Jesus crucificado, entregando Maria como Mãe de todos os homens;
Nossa Senhora das Angústias Relembra as angústias de Maria ao presenciar a paixão e morte de Jesus;
Nossa Senhora dos Anjos Relembra Maria, como rainha das cortes celestes e também faz alusão à cidade de AssisItália, local para onde havia sido levado um pedaço do túmulo da Virgem e se ouvia sempre o canto dos anjos;
Nossa Senhora da Anunciação Visita do arcanjo Gabriel a Maria
Nossa Senhora Aparecida, ou da Conceição Aparecida. Imagem encontrada no Vale do Paraíba (São Paulo)
Nossa Senhora da Apresentação Apresentação de Maria, no Templo de Jerusalém;
Nossa Senhora Aquiropita Imagem que não foi pintada por mão humana, de devoção em Rossano, na Calábria
Nossa Senhora da Assunção Relembra a elevação de Maria, de corpo e alma, aos céus;
Nossa Senhora Auxiliadora Relembra o auxílio de Maria ao Papa Pio VII, durante o domínio napoleônico;
Nossa Senhora do Belém Relembra a maternidade de Maria, na cidade de Belém;
Nossa Senhora da Boa Hora Relembra a proteção de Maria na hora dos partos e na hora da morte;
Nossa Senhora da Boa Morte Proteção aos agonizantes;
Nossa Senhora da Boa Nova Maria é que traz aos homens a Boa Nova (Evangelho) do nascimento de Jesus;
Nossa Senhora da Boa Viagem Relembra Maria como protetora dos portugueses que partiam nas viagens de descobrimento do Novo Mundo;
Npssa Senhora do Bom Conselho Relembra Maria como grande conselheira dos Apóstolos, cultuada desde o século V, na cidade italiana de Genazzano;
Nossa Senhora do Bom Despacho Celebra o prestígio de Maria perante Deus, pelo despacho da encarnação do Verbo;
Nossa Senhora do Bom Parto / do Parto Nascimento de Jesus, tendo Maria permanecida virgem antes, durante e depois do parto.
Nossa Senhora do Bom Socorro Relembra o socorro de Maria aos cristãos, celebrado, desde o século X, em Blosville, na Normandia;
Nossa Senhora do Bom Sucesso Relembra o auxílio da Mãe de Deus para os que almejam sucesso em seus tratamentos de saúde e nos seus empreendimentos materiais;
Nossa Senhora do Brasil Relembra as inúmeras graças concedidas, por seu intermédio, aos brasileiros;
Nossa Senhora das Brotas Relembra o fato de folhas brotarem numa altar de Nossa Senhora, no início do povoamento de Cuiabá, no estado de Mato Grosso, no século XVIII;
Nossa Senhora da Cabeça Imagem encontrada no Pico da Cabeça, Serra Morena, na Andaluzia, no século XIII ;
Nossa Senhora do Cabo da Boa Esperança Relembra a proteção de Maria, no século XV, quando protegeu os portugueses, na sua esperança de chegar às Índias, dobrando o Cabo das Tormentas;
Nossa Senhora das Candeias Relembra a purificação de Maria no Templo, comemorada com uma procissão luminosa;
Nossa Senhora da Candelária Relembra a purificação de Maria no Templo, comemorada com uma procissão luminosa;
Nossa Senhora de Caravaggio Aparição da Virgem, no século XV, em Caravaggio, cidade italiana próxima a Milão.;
Nossa Senhora do Carmo, do Monte Carmelo. Relembra o convento construído em honra à Virgem, nos primeiros séculos do cristianismo, no Monte Carmelo, na Samaria;
Nossa Senhora da Carpição Originária de cerimonial de carpição ou capina de um terreno onde foi ereta uma capela dedicada à Virgem Maria, em São José dos CamposSão Paulo, no século XIX;
Nossa Senhora de Ceuta ou do Bastão Relembra o auxílio da Virgem Ana conquista de Ceuta, por Dom João I; sua imagem traz um rico bordão na mão, donde vem o termo “do Bastão”;
Nossa Senhora da Conceição / da Imaculada Conceição Relembra que Santana concebeu Maria, pura sem pecado.
Nossa Senhora da Consolação Relembra a Virgem como “Consoladora dos aflitos”, devoção iniciada por Santa Mônica;
Nossa Senhora de Copacabana Imagem esculpida por um índio, Francisco Tito Iupanqui, no século XVI, na aldeia de Copacabana, às margens do Lago Titicaca;
Nossa Senhora da Correia Relembra a correia da cintura da Virgem Maria, símbolo de pureza, com que as mulheres judias eram cingidas desde a infância;
Nossa Senhora dos Desamparados Relembra a proteção de Maria a uma confraria criada , no século XV, em ValênciaEspanha, para acolher crianças desamparadas;
Nossa Senhora Desatadora de Nós Relembra que a Virgem Maria liberta os homens das aflições da vida, desata os nós que os escravizam;
Nossa Senhora do Desterro A fuga para o Egito
Nossa Senhora Divina Pastora Devoção a Virgem Maria como pastora de almas, surgida no século XVIII, em SevilhaEspanha;
Nossa Senhora da Divina Providência Relembra que a Virgem confiou plenamente na Divina Providência, entregando-se totalmente a Deus;
Nossa Senhora das Dores Refere-se às sete dores da Virgem Maria: a profecia de Simeão, a fuga para o Egito, a perda do menino Jesus, o encontro no caminho do Calvário, a morte de Jesus, o golpe da lança e a descida da cruz, e o sepultamento de Cristo.
Nossa Senhora da Encarnação Relembra a encarnação do Verbo no seio puríssimo da Virgem;
Nossa Senhora da Escada A Virgem é comparada à “Escada de Jacó”, que liga o céu e a terra. Também faz alusão aos trinta e um degraus que davam aceso a um santuário de Lisboa.;
Nossa Senhora da Esperança Relembra a Virgem na esperança e na iminência do parto divino;
Nossa Senhora da Estrela Imagem oculta por Dom Rodrigo, último rei dos visigodos, em 711, quando da invasão árabe; sendo descoberta, quando a Vila de Marvão, em Portugal, foi liberada do domínio muçulmano; Maria é chamada “Aurora da Salvação”
Nossa Senhora da Expectação Relembra a Virgem na esperança e na iminência do parto divino;
Nossa Senhora de Fátima, do Rosário de Fátima. Aparição em Fátima (Portugal)
Nossa Senhora da Fé Relembra que a vida da Virgem foi um contínuo “Ato de Fé, sendo esta devoção medieval originária da França e Bélgica;
Nossa Senhora da Glória Relembra coroação da Virgem como rainha;
Nossa Senhora da Graça Imagem encontrada por pescadores na praia de cascaisPortugal, em 1362 e que apareceu a Catarina Álvares, Paraguaçu, no século XVI;
Nossa Senhora das Graças ou da Medalha Milagrosa Relembra uma aparição feita a Catarina Labouré, em Paris;
Nossa Senhora de Guadalupe Aparição ao índio Juan Diego, em GuadalupeMéxico, em 1531
Nossa Senhora da Guia Relembra que a Virgem Maria guiou Jesus, na sua infância e juventude; é chamada pelos ortodoxos de Odegitria.
Nossa Senhora da Lampadosa Relembra a padroeira da ilha de Lampadosa, no Mar Mediterrâneo, entre a ilha de Malta e a Tunísia;
Nossa Senhora da Lapa Imagem escondida dos muçulmanos numa lapa, no século X, pelas monjas beneditinas de Aguiar da Beira, sendo encontrada em 1498, por uma menina, que muda de nascença, começou a falar;
Nossa Senhora do Leite ou da Lactação Relembra a Virgem nutrindo o Menino-Deus com seu leite materno;
Nossa Senhora do Líbano Relembra a milenar devoção dos libaneses á Virgem Maria, e também o santuário construído, entre 1904 e 1908, no cume Haruça, no Monte Líbano, para honrar a Imaculada Conceição de Maria;
Nossa Senhora do Livramento Relembra o livramento do fidalgo português Rodrigo Homem de Azevedo, preso pelo Duque de Alba, no século XVI.;
Nossa Senhora do Loreto Refere-se à “Casa de Nazaré”, onde viveu a Virgem Maria, transladada para um bosque de loureiros, próximo a Recanati, na Itália;
Nossa Senhora de Lourdes Aparição, no século XIX, na Gruta de Massabielle, em Lourdes(França)
Nossa Senhora de Lujan Refere-se a uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, mandada esculpir no Brasil, em 1630, por um português, residente na Argentina; que ao ser transportada, encalhou as margens do Rio Lujan;
Nossa Senhora da Luz Imagem encontrada por Pedro Martins, entre uma estranha luz, que lhe apareceu em CarnidePortugal; Maria é lembrada como aquela que apresenta seu Filho Jesus como “Luz das Nações”;
Nossa Senhora Madre de Deus Relembra a maternidade divina de Maria, cultuada desde os primeiros séculos e confirmada pelo Concílio de Éfeso ;
Nossa Senhora Mãe da Igreja Relembra a proclamação de Maria como “Mãe de todo o povo de Deus”, pelo Papa Paulo VI, em 1964, durante o Concílio Vaticano II;
Nossa Senhora Mãe dos Homens Devoção surgida no convento de São Francisco das Chagas, no bairro de Xabregas, em Lisboa, relembrando que Maria além de Mãe de Deus é Mãe de todos os homens;
Nossa Senhora das Maravilhas Relembra que a vida de Maria foi uma sucessão de maravilhas, das quais a maior foi a encarnação do Verbo. Isto atesta a própria Virgem, no canto do “Magnificat”;
Nossa Senhora dos Mares Desde os primeiros séculos do cristianismo, Maria é invocada como protetora das viagens marítimas;
Nossa Senhora dos Mártires Invocada em homenagem dos cristãos que tombaram no Cerco de Lisboa (1147)
Nossa Senhora Medianeira Relembra o papel de intermediária entre o fiel e Jesus, devoção que teve origem em Veneza, durante a grande epidemia de 1630;
Nossa Senhora de Medjugorje Aparição em Medjugorje na Bósnia-Herzegovina.
Nossa Senhora Menina Relembra a infância da Virgem, do nascimento aos três anos junto a seus pais, São Joaquim e Sant’Ana; e dos três aos doze anos, no Templo de Jerusalém;
Nossa Senhora das Mercês Relembra a aparição a São Pedro Nolasco, no início do século XII, solicitando a criação de uma Ordem destinada ao resgate de cristãos feito cativos pelos muçulmanos;
Nossa Senhora dos Milagres Relembra os grandes prodígios operados pela Mãe de Deus, Onipotência suplicante e canal de todas as graças, a quem nada Deus recusa;
Nossa Senhora da Misericórdia Por conseguir inúmeros benefícios de Deus para os homens, Maria é chamada “Mãe de Misericórdia”; o título também lembra a proteção da Virgem ás Santas Casas de Misericórdia, cuja primeira do gênero foi fundada em Lisboa, em 1498;
Nossa Senhora do Monte Relembra que a Virgem é um monte altíssimo, que vence a altura de todos os outros montes, em santidade e virtude;
Nossa Senhora de Monserrate Relembra a imagem da Virgem levada a BarcelonaEspanha, nos primeiros séculos do cristianismo, sendo que durante a invasão árabe, os cristãos esconderam a imagem na escarpada montanha de Monserrate. Mais tarde, esta imagem foi milagrosamente encontrada e no local foi construída uma grande abadia beneditina;
Nossa Senhora de Muquém Relembra o auxílio da Virgem Maria a um garimpeiro português, na vila de São Tomé de Muquém, no início da mineração em Goiás;
Nossa Senhora da Natividade Relembra o nascimento da virgem Maria, que, segundo a tradição, foi num sábado, 8 de setembro, do ano 20 a.C., na cidade de Jerusalém;
Nossa Senhora dos Navegantes Maria é invocada como protetora dos navegantes, devoção que teve seu auge durante as cruzadas e, depois, durante o período das grandes navegações;
Nossa Senhora de Nazaré Relembra a vida da Virgem Maria, em Nazaré, junto à sua sagrada família;
Nossa Senhora das Neves Refere-se a um milagre, anunciado pela Virgem Maria, de que em pleno verão, na noite de 4 para 5 de agosto, nevaria em Roma, o que realmente aconteceu no local onde hoje se ergue a basílica de Santa Maria Maior;
Nossa Senhora do Ó Alusão a Nossa Senhora nas proximidades de seu parto. Houve um sermão proferido pelo Padre Vieira, onde compara as virtudes de Maria à “perfeição da letra o“, símbolo da imortalidade e de Deus, de quem Maria é mãe. Referências as sete antífonas do Ó, nas proximidades do Natal.
Nossa Senhora da Oliveira Refere-se a uma imagem levada para GuimarãesPortugal, por São Tiago, que a colocou num templo, ao lado qual havia uma oliveira. Também, a Virgem Maria é comparada na passagem bíblica: “sua glória é igual ao fruto da Oliveira” (Os 14,6);
Nossa Senhora do Parto, do Bom Parto Recorda a proteção Virgem Maria às mães que estão para dar à luz;
Nossa Senhora do Patrocínio Relembra a intercessão da Virgem Maria junto a seu Filho, em favor dos homens, como nas Bodas de Caná;
Nossa Senhora da Paz ou Rainha da Paz Relembra a intervenção da Virgem Maria na devolução da catedral de ToledoEspanha, aos cristãos;
Nossa Senhora da Pena Relembra a Virgem como inspiradora e padroeira das letras e das artes;
Nossa Senhora da Penha Relembra o milagre realizado, no início do século XVII, por intercessão da Virgem Maria invocada por Baltazar de Abreu Cardoso, fazendeiro brasileiro, que encontrou uma serpente ao subir um penhasco (penha) que levava à sua fazenda no Rio de Janeiro;
Nossa Senhora da Penha de França Relembra a aparição da Virgem Maria a Simão Vela, monge francês, na serra chamada Penha de França, no norte da Espanha;
Nossa Senhora da Purificação Relembra a purificação de Maria no Templo, comemorada com uma procissão luminosa;
Nossa Senhora Peregrina Alusão à imagem de Nossa Senhora de Fátima
Nossa Senhora do Perpétuo Socorro Relembra a Virgem Maria como socorro dos cristãos, em suas horas de necessidade. Refere-se a um quadro milagroso da ilha de Creta, que após ser roubado, foi recuperado em Roma e posto, no século XIX, sob a guarda dos padres redentoristas;
Nossa Senhora da Piedade Relembra que Jesus, após o descimento da Cruz, foi entregue aos braços de sua Mãe Santíssima.
Nossa Senhora do Pilar Refere-se a uma aparição da Virgem Maria a São Tiago, que estava evangelizando em Zaragoza. A virgem lhe apareceu sentada num pilar, donde lhe vem o nome;
Nossa Senhora de Pompéia Relembra a aparição da Virgem a Bartolo Longo, em Pompéia, no sul da Itália;
Nossa Senhora da Ponte Refere-se à comparação de Maria à ponte donde passamos da terra para o céu;
Nossa Senhora Porta do Céu Refere-se à máxima que diz: “Ninguém chega ao Pai, a não ser por Jesus; e ninguém chega ao Filho, a não ser por Maria”. Esta é uma das invocações das “Ladainhas Loretanas”, considerando, pois que o culto da Mãe de Deus é a porta que leva os fiéis ao paraíso;
Nossa Senhora do Porto Refere-se a uma imagem bizantina colocada no célebre santuário, cuja construção foi iniciada no século VI, no bairro do Porto (Le Port), em Clermont-Ferrand, na França. Uma cópia deste ícone foi levada na batalha aos mulçumanos, para a retomada da cidade do Porto, em Portugal;
Nossa Senhora do Povo Relembra a construção, pelo povo de Roma, de uma igreja dedicada à Virgem Maria, no local onde se erguera o mausoléu dos Domícios, família a qual pertencia o imperador Nero;
Nossa Senhora dos Prazeres Relembra os sete principais prazeres da vida da Virgem Maria: a anunciação, a saudação de Santa Isabel, o nascimento de seu Filho, a visita dos Reis Magos, o encontro de Jesus no Templo, a primeira aparição de Jesus ressuscitado, a sua coroação no céu;
Nossa Senhora do Presépio Relembra a maternidade de Maria, na cena do presépio, conforme a tradição franciscana;
Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos Relembra que a Virgem Maria foi mãe, mestra e rainha dos apóstolos, que lhe devotavam especial veneração;
Nossa Senhora Rainha do Céu Relembra a coroação de Maria, após sua assunção aos céus;
Nossa Senhora Rainha dos Homens Relembra que Maria é rainha de todos os homens, portanto digna de todos os louvores, por parte de todos;
Nossa Senhora Rainha, Vencedora e Três vezes Admirável de Schoenstatt Imagem da Virgem Maria, padroeira do Movimento Apostólico de Schoenstatt, e relembra a aliança de amor que o padre Joseph Kentenich(1885 – 1968), selou pela primeira, 18 de Outubro de 1914, em SchoenstattAlemanha, com a Virgem Maria.;
Nossa Senhora dos Remédios Relembra a Virgem Maria como único remédio para todos os nossos trabalhos, angústias, necessidades e doenças;
Nossa Senhora do Rocio Imagem encontrada no mar, no final do século XVII, por um pescador que vivia em Rocio, próximo a Paranaguá;
Nossa Senhora do Rosário Relembra a aparição da Virgem Maria a São Domingos de Gusmão, no século XIII, pedindo-lhe a divulgação do seu rosário de orações. A consagração definitiva do Rosário de Nossa senhora deu-se a 7 de outubro de 1571, com a vitória dos cristãos na batalha de Lepanto;
Nossa Senhora do Sagrado Coração Relembra que de Maria foi formado o coração divinal de Jesus;
Nossa Senhora da Salete (em francês: de la Sallete) Relembra a aparição da Virgem Maria, a 19 de setembro de 1846, a dois pastorinhos, na montanha de SaleteIsére, nos Alpes franceses;
Nossa Senhora da Saudade Relembra a imensa saudade que a Virgem Maria teve de seu Filho, nos três dias incompletos que seu corpo esteve no sepulcro;
Nossa Senhora da Saúde Relembra que a Virgem Maria é fonte de vigor físico e moral para os homens;
Nossa Senhora Salvação do Povo Romano Relembra que a Virgem Maria sempre socorreu o povo de Roma, em todas as suas situações de necessidade.
Nossa Senhora do Sion, do Sião. Relembra a aparição da Virgem Maria, em 1842, em Roma, a Alfredo Ratisbona, ateu de origem judaica, que se converteu ao catolicismo;
Nossa Senhora da Soledade Relembra a solidão, a tristeza e saudade da Virgem Maria, por ocasião da paixão de seu Filho;
Nossa Senhora do Terço Similar à invocação de Nossa Senhora do Rosário, mas refere-se apenas a cinco mistérios da vida de Jesus;
Nossa Senhora da Visitação Relembra a visita da Virgem Maria a sua prima Santa Isabel;
Nossa Senhora da Vitória Relembra que a Virgem Maria, vitoriosa, pode levar os cristãos à vitória em suas vidas. Em Portugal, foi introduzida a devoção por Dom João I, para comemorar a vitória na Batalha de Aljubarrota;

 

Leia também:

 

Escute as músicas sugeridas:

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Perfeito é quem te criou – Vida Reluz

Mãe Fiel (Mostra-me o caminho)- Padre Zeca

 

23º Encontro (Catequese) – Crisma

Série: Animo, uma nova Catequese (Encontro 23/40)

Neste 23º encontro vamos falar sobre o Sacramento da Confirmação, o Crisma. A grosso modo o Crisma trata-se da confirmação do batismo e até uns anos atrás ele era feito após o batismo e mesmo que a pessoa fosse ainda criança. Com o tempo foi pensado e analisado que este sacramento deveria vir já com o que consideramos “idade adulta para a fé” (aos 15 anos ou mais). É também o sacramento do Espírito Santo e faz parte dos sacramentos da iniciação cristã. Com a mudança de ordem este sacramento passou a ser o 3º (ou o 4º se levarmos em consideração que para se receber o Crisma é preciso receber antes o sacramento da penitência). Vamos falar deste grande e importantíssimo sacramento.

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Sugestão de Folha de encontro

Para iniciar proponho uma música  reflexiva, Eu navegarei e cada um deve fechar os olhos e escutar a música em silêncio orando apenas no coração. Depois podemos rezar o Vinde Espírito Santo

Para entrar no tema seria interessante fazer a leitura do Pentecostes At 2, 1-21

Falar sobre o que é o sacramento do Crisma, importância, celebração pelo Bispo e de como cada um Batizado e comungando da Eucaristia deve se preparar para receber este sacramento (vide aprofundamento para o catequista)

Sugiro que realizemos uma dinâmica:

Dinâmica das 3 velas

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Material: 3 velas maiores e 1 vela para cada catequizando – Participantes: 3 catequizandos para desenvolvimento. Entrega-se uma vela para cada catequizando, menos os 3 escolhidos que ficarão com as velas diferenciadas.
Desenvolvimento: Primeiro apenas os 3 escolhidos acendem suas velas na vela principal que deve fazer parte do cenário. Um esconde a vela num canto da sala, outro segura a vela e protege a chama perto dele e o terceiro acende a vela dos demais

Reflexão: O que devemos fazer quando recebemos a luz do Espírito Santo? (abrir para que todos respondam). Como fechamento podemos dizer que quando a pessoa não entende ou não sabe o que fazer com a luz deixa num canto esquecida, largada. Outro quer a luz apenas para ele não divide. E quem faz o certo é aquele que leva a luz a todos.

Depois podemos fazer o nosso canto Espírito Santo da Comunidade Doce Mãe de Deus e finalizar com o Vinde Espírito Santo novamente

Aprofundamento para o catequista

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Sacramentos: Confirmação

Continuamos falando dos sacramentos  (sinais do amor de Deus) e desta vez o tema é o sacramento da Confirmação do Batismo ou Crisma como nós estamos mais acostumados a falar.

O Crisma é também o sacramento do Espírito Santo e o último da iniciação cristã.

Com o recebimento do sacramento e desta feita a confirmação do Sacramento do Batismo se recebe também os Dons do Espírito Santo:

  1. Sabedoria: é o dom de perceber o certo e o errado, o que favorece e o que prejudica o projeto de Deus, quem acredita na libertação e quem está interessado na opressão. A sabedoria é dada especialmente aos pobres (Mt 11, 25) e àqueles que são solidários a eles. Não tem nada a ver com cultura. A pessoa ou a comunidade dotadas de sabedoria sabem deixar o Espírito falar nelas e por elas.
  2. Inteligência (Entendimento): é o dom de entender os sinais da presença de Deus nas situações humanas, nos conflitos sociais, nas lutas políticas. Nada tem a ver com a capacidade intelectual ou nível de QI. A pessoa ou comunidade dotadas de inteligência captam, sem dificuldade, a íntima relação entre vida e Palavra de Deus. É o Dom Divino que nos ilumina para aceitar as verdades reveladas por Deus
  3. Conselho: é o dom de saber discernir caminhos e opções, de saber orientar e escutar, de animar a fé e a esperança da comunidade. Só assim orientamos bem a nossa vida e a de quem pede um conselho.
  4. Fortaleza: é o dom de resistir às seduções da sociedade capitalista, de ser coerente com o Evangelho, de enfrentar riscos na luta por justiça, de não temer o martírio. A pessoa ou comunidade dotadas desse dom não se amedrontam diante de ameaças e perseguições, pois confiam incondicionalmente no Pai. É esse o Dom que faltou para o Apóstolo São Pedro quando negou o Mestre, e que lhe foi dado depois pelo Espírito Santo no dia de Pentecostes. São Paulo confiava no Dom da Fortaleza. Ele disse: ‘Se Deus está conosco, quem será contra nós?’ (Rm 8,31).
  5. Ciência: é o dom de saber interpretar a Palavra de Deus, de explicar o Evangelho e a doutrina da Igreja, de fazer avançar a teologia, de traduzir em palavras o que se vive na prática. Por este Dom o Espírito Santo nos revela interiormente o pensamento de Deus sobre nós, pois ‘os mistérios de Deus ninguém os conhece, a não ser o Espírito Santo’ (1 Cor 2,10-15). Nada tem a ver com a ciência aprendida nas escolas e nos livros.
  6. Piedade: é o dom de estar sempre aberto à vontade de Deus, procurando agir como Jesus agiria e identificando no próximo o rosto do Cristo. Nada tem a ver com aquele sentido piegas de piedade, de quem fica o dia todo na igreja batendo no peito e acendendo velas. Piedosa é aquela pessoa ou comunidade que traz nas entranhas a vontade irrefreável de realizar na sociedade o projeto de justiça de Deus. É o Dom pelo qual o Espírito Santo nos dá o gosto de amar e servir a Deus com alegria
  7. Temor de Deus: é o dom da prudência e da humildade, de saber reconhecer os próprios limites, de não pedir ou esperar de Deus que Ele faça a nossa vontade. A pessoa ou comunidade dotadas desse dom sabem que são amadas pelo Pai e temem qualquer risco de infidelidade ou traição a esse amor

Além disso o sacramento do Crisma também traz os Frutos da Caridade ou como também são conhecidos os Frutos do Espírito Santo: alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança.

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Já no Antigo Testamento os profetas anunciaram que o Espírito Santo do Senhor repousaria sobre o Messias esperado. João Batista dizia que batizava com água e viria aquele que batizaria com o fogo do Espírito Santo. Quando Jesus foi batizado os relatos dos evangelistas dão conta de que uma pomba (símbolo do Espírito Santo) pousou sobre ele. E no dia de Pentecostes foi o fogo do Espírito Santo quem tomou conta de todos. Então o Espírito Santo é também o fogo que incendeia alma e o prepara para enfrentar qualquer desafio. Assim que Cristo fez a sua ascensão a comunidade percebeu as línguas de fogo que repousava sobre todos, foi a confirmação do que previa João Batista e o Batismo no espírito.(At 2,11)

O Santo Crisma (Mýron =perfume líquido) é o óleo abençoado e perfumado abençoado pelo Bispo na quinta-feira Santa durante a missa do crisma e que usado na unção, é sinal do selo do Espírito Santo, já no Batismo ele é usado para ungir a fronte dos catecúmenos.

São Paulo na sua Carta aos Gálatas fala sobre a diferença entre os frutos da carne (que quase sempre levam ao pecado) e os Frutos do Espírito Santo (ou frutos da caridade):

“16.Digo, pois: deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis os apetites da carne. 17.Porque os desejos da carne se opõem aos do Espírito, e estes aos da carne; pois são contrários uns aos outros. É por isso que não fazeis o que quereríeis. 18.Se, porém, vos deixais guiar pelo Espírito, não estais sob a lei. 19.Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem, 20.idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, 21.invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes. Dessas coisas vos previno, como já vos preveni: os que as praticarem não herdarão o Reino de Deus! 22.Ao contrário, o fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, 23.brandura, temperança. Contra estas coisas não há lei. 24.Pois os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as paixões e concupiscências. 25.Se vivemos pelo Espírito, andemos também de acordo com o Espírito. 26.Não sejamos ávidos da vanglória. Nada de provocações, nada de invejas entre nós.”  Gálatas 5, 16-26

Algo importante dentro do sacramento são os padrinhos. Até certo tempo atrás a divisão de padrinhos era por sexo, ou seja, homens deveriam ter padrinhos, e mulheres apenas madrinhas, mas hoje isso não é mais exigido podendo ser escolhido madrinha para homens (ou padrinhos se for da vontade do crismando) e padrinhos para mulheres (ou madrinhas se for da vontade do crismando). A questão é que é escolhido apenas um, diferente do batismo que é um casal. Uma das recomendações é que deveria ser o mesmo padrinho ou madrinha do batismo, mas isso é raro já que a maioria das pessoas é batizada ainda criança e por vezes quando der a época do Crisma pode ter perdido contato com os padrinhos ou nem ter afinidade. Eu tive a honra de batizar e crismar uma jovem chamada Elaine (minha afilhada querida que mantenho contato sempre) cuja a honra de ser seu catequista também me coube. Mas são poucos os casos assim e isso não é uma regra, apenas uma recomendação. Uma regra é que o padrinho ou madrinha não seja namorado(a) ou esposo(a) e que também tenha os sacramentos e que seja maior de idade. Outro pedido é que o próprio crismando escolha quem será seu padrinho ou madrinha pois está recebendo o sacramento dos adultos e a interferência dos pais (em casos de menores de idade) deve ser mínima se não nula. porém não é o que vemos na maioria das vezes. geralmente os pais “prometeram” o filho(a) para devida pessoa crismar e quando chega a hora eles querem impor esta “promessa”, isso foge do senso de responsabilidade que o crismando deverá ter à partir do momento em que decide receber o sacramento. Cabe então a Pastoral da Crisma ou da Catequese fazer esta orientação para a família, por isso é tão importante ter contato com a família em reuniões trimestrais para esclarecer e orientar estes pontos, porém a vontade da família sobretudo dos pais não pode ser imposta nem pela pastoral nem por eles próprios, um consenso é sempre o mais indicado, desde que se consiga o diálogo é claro. Mas também não existe uma regra.

Uma curiosidade é que a cor por excelência do Crisma é a vermelha, representando o fogo abrasador do Espírito Santo, então quando os crismandos vão receber o sacramento eles podem estar vestidos com a cor vermelha ou branca. Tem sido adotado nos últimos tempos a opção de se escolher uma camiseta com algum tipo de desenho ou até foto para que todo o grupo use, muito dessa estratégia foi adotada porque na época do recebimento do sacramento muitos pais gastavam muito dinheiro para comprarem roupas especiais (principalmente quando se tratava das mulheres que compravam vestidos caros) e alguns por não terem estas condições financeiras acabavam se sentindo diminuídos em relação aos demais, com a adoção de uma camiseta personalizada fica mais barato e além do mais se cria uma igualdade deixando o que importa, que é o sacramento, em evidência e não a vestimenta. Isso não quer dizer que não se possa optar por deixar que cada um venha vestido como quiser, mas evita que tenhamos pessoas vestidas inadequadamente já que a tradição pede branco ou vermelho para a ocasião. Abaixo alguns exemplos retirados da internet de vestimenta para a Crisma

Um pouco da história

Na Igreja Oriental, até hoje, Batismo, Crisma e Eucaristia constituem uma unidade inseparável. A separação na Igreja Latina se deu por razões de ordem prática, não de ordem teológica. O cristianismo propagou-se principalmente nas cidades. Cada comunidade urbana era presidida pelo bispo, auxiliado por seu presbitério e pelos diáconos. No Batismo-Crisma, os presbíteros, diáconos e diaconisas batizavam, enquanto o bispo realizava a unção pós-batismal.

A celebração se realizava na Vigília da Páscoa. À medida que o cristianismo se expandia pelas regiões rurais, tomava-se impossível a presença do bispo nas celebrações da Vigília Pascal nas paróquias. Havia duas possibilidades de solucionar o impasse: delegar toda a celebração ao presbítero ou deixar a unção por parte do bispo para outra oportunidade, quando a pessoa viesse à cidade ou o bispo visitasse as comunidades. A Igreja do Oriente preferiu a primeira alternativa e a Igreja Latina, a Segunda solução.

Com a separação perdeu-se, na Igreja Latina, ao passar dos séculos, a consciência da unidade dos três sacramentos. Quando, no século XII, se inicia a reflexão explícita sobre os sete sacramentos, a teologia busca o sentido para a Crisma, sem levar em conta a sua unidade com o Batismo e a Eucaristia. Aparecem duas perspectivas: a primeira (Séc.V) afirma que a graça específica da Crisma consiste em tornar-se soldado de Cristo. A Crisma será, então, a investidura do cavaleiro de Cristo (daí o conhecido “tapa” que o bispo  dava (e alguns ainda dão, mas de forma menos violenta) no rosto do crismado depois de ungi-lo). A outra(Séc.IX) vê o específico da Crisma na capacitação para a profissão de fé pública e para o testemunho.

Há ainda outra modalidade, também tradicional, de explicar a Crisma. Há fases etárias e circunstâncias na vida humana que são experimentadas como decisivas ou perigosas. Todas as religiões as ritualizam. Tais o nascimento, a puberdade, a idade adulta, o casamento, a morte… Muitos talvez considerem mais fácil explicar a Crisma a partir da fase de idade em que hoje é administrada. Encontram apoio em São Tomás de Aquino.

Na pastoral da Igreja Latina, a separação entre Batismo e Crisma, introduzida por razões práticas, acentuou-se com a generalização do Batismo de crianças e tomou-se ainda maior pela prática da Primeira Comunhão de crianças, introduzida por Pio X, em 1910. Por motivos pastorais, em vez da ordem dos sacramentos da iniciação (Batismo-Crisma-Eucaristia), dá-se normalmente uma ordem diferente (Batismo – Penitência – Eucaristia – Crisma). No Batismo de adultos, segue-se, normalmente, a ordem original: Batismo – Crisma – Eucaristia.

(CNBB. Orientações para a Catequese da Crisma. Estudos da CNBB nº 61, São Paulo, Paulinas, 1989)

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CIC 1285 – O sacramento da Confirmação

(Transcrição direta do Catecismo da Igreja Católica)

O SACRAMENTO DA CONFIRMAÇÃO

1285. Com o Batismo e a Eucaristia, o sacramento da Confirmação constitui o conjunto dos «sacramentos da iniciação cristã», cuja unidade deve ser salvaguardada. Por isso, é preciso explicar aos fiéis que a recepção deste sacramento é necessária para a plenitude da graça baptismal. Com efeito, os baptizados «pelo sacramento da Confirmação, são mais perfeitamente vinculados à Igreja, enriquecidos com uma força especial do Espírito Santo e deste modo ficam mais estritamente obrigados a difundir e a defender a fé por palavras e obras, como verdadeiras testemunhas de Cristo» .

I. A Confirmação na economia da salvação

1286. No Antigo Testamento, os profetas anunciaram que o Espírito do Senhor repousaria sobre o Messias esperado, em vista da sua missão salvífica . A descida do Espírito Santo sobre Jesus, aquando do seu batismo por João, foi o sinal de que era Ele o que havia de vir, de que era o Messias, o Filho de Deus. Concebido pelo poder do Espírito Santo, toda a sua vida e toda a sua missão se realizam numa comunhão total com o mesmo Espírito Santo, que o Pai Lhe dá «sem medida» (Jo 3, 34).

1287. Ora, esta plenitude do Espírito não devia permanecer unicamente no Messias: devia ser comunicada a todo o povo messiânico. Repetidas vezes, Cristo prometeu esta efusão do Espírito promessa que cumpriu, primeiro no dia de Páscoa e depois, de modo mais esplêndido, no dia de Pentecostes. Cheios do Espírito Santo, os Apóstolos começaram a proclamar «as maravilhas de Deus» (At 2, 11) e Pedro declarou que esta efusão do Espírito era o sinal dos tempos messiânicos. Aqueles que então acreditaram na pregação apostólica, e se fizeram baptizar, receberam, por seu turno, o dom do Espírito Santo.

1288. «A partir de então, os Apóstolos, para cumprirem a vontade de Cristo, comunicaram aos neófitos, pela imposição das mãos, o dom do Espírito para completar a graça do Batismo. É por isso que, na Epístola aos Hebreus, se menciona, entre os elementos da primeira instrução cristã, a doutrina sobre os Batismos e também sobre a imposição das mãos. A imposição das mãos é justificadamente reconhecida, pela Tradição católica, como a origem do sacramento da Confirmação que, de certo modo, perpetua na Igreja a graça do Pentecostes».

1289. Bem cedo, para melhor significar o dom do Espírito Santo, se acrescentou à imposição das mãos uma unção com óleo perfumado (crisma). Esta unção ilustra o nome de «cristão», que significa «ungido»,e que vai buscar a sua origem ao próprio nome de Cristo, aquele que «Deus ungiu com o Espírito Santo» (At 10, 38). E este rito da unção mantém-se até aos nossos dias, tanto no Oriente como no Ocidente. É por isso que, no Oriente, este sacramento se chama crismação (= unção do crisma), ou myron, que significa «crisma». No Ocidente, o nome de Confirmação sugere que este sacramento confirma o Batismo e, ao mesmo tempo, consolida a graça batismal

cristianismo.

DUAS TRADIÇÕES: O ORIENTE E O OCIDENTE

1290. Nos primeiros séculos, a Confirmação constitui geralmente uma única celebração com o Batismo, formando com ele, segundo a expressão de São Cipriano, um «sacramento duplo». Entre outras razões, a multiplicação dos batismos de crianças, e isto em qualquer tempo do ano, e a multiplicação das paróquias (rurais), ampliando as dioceses, deixaram de permitir a presença do bispo em todas as celebrações baptismais. No Ocidente, porque se desejava reservar ao bispo o completar do Batismo, instaurou-se a separação, no tempo, dos dois sacramentos. O Oriente conservou unidos os dois sacramentos, de tal modo que a Confirmação é dada pelo sacerdote que baptiza. Este, no entanto, só o pode fazer com o «myron» consagrado por um bispo.

1291. Um costume da Igreja de Roma facilitou a expansão da prática ocidental, graças a uma dupla unção com o santo crisma, depois do batismo: a unção já feita pelo sacerdote ao neófito ao sair do banho baptismal é completada por uma segunda unção, feita pelo bispo na fronte de cada um dos novos baptizados. A primeira unção com o santo crisma, feita pelo sacerdote, ficou ligada ao rito baptismal e significa a participação do baptizado nas funções profética, sacerdotal e real de Cristo. Se o Batismo é conferido a um adulto, há apenas uma unção pós-baptismal: a da Confirmação.

1292. A prática das Igrejas do Oriente sublinha mais a unidade da iniciação cristã. A da Igreja latina exprime, com maior nitidez, a comunhão do novo cristão com o seu bispo, garante e servidor da unidade da sua Igreja, da sua catolicidade e da sua apostolicidade; e assim, a ligação com as origens apostólicas da Igreja de Cristo.

II. Os sinais e o rito da Confirmação

1293. No rito deste sacramento, convém considerar o sinal da unção e o que essa unção designa e imprime: o selo espiritual.

A unção, na simbologia bíblica e antiga, é rica de numerosas significações: o óleo é sinal de abundância e de alegria, purifica (unção antes e depois do banho) e torna ágil (unção dos atletas e lutadores): é sinal de cura, pois suaviza as contusões e as feridas e torna radiante de beleza, saúde e força.

1294. Todos estes significados da unção com óleo se reencontram na vida sacramental. A unção antes do Batismo, com o óleo dos catecúmenos, significa purificação e fortalecimento; a unção dos enfermos exprime cura e conforto. A unção com o santo crisma depois do Batismo, na Confirmação e na Ordenação, é sinal duma consagração. Pela Confirmação, os cristãos, quer dizer, os que são ungidos, participam mais na missão de Jesus Cristo e na plenitude do Espírito Santo de que Ele está repleto, a fim de que toda a sua vida espalhe «o bom odor de Cristo»

1295. Por esta unção, o confirmando recebe «a marca», o selo do Espírito Santo. O selo é o símbolo da pessoa, sinal da sua autoridade, da sua propriedade sobre um objecto. Era assim que se marcavam os soldados com o selo do seu chefe e também os escravos com o do seu dono. O selo autentica um ato jurídico ou um documento e, eventualmente, torna-o secreto.

1296. O próprio Cristo se declara marcado com o selo do Pai. O cristão também está marcado com um selo: «Foi Deus que nos concedeu a unção, nos marcou também com o seu selo e depôs as arras do Espírito em nossos corações» (Cor 1, 21-22). Este selo do Espírito Santo marca a pertença total a Cristo, a entrega para sempre ao seu serviço, mas também a promessa da proteção divina na grande prova escatológica.

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A CELEBRAÇÃO DA CONFIRMAÇÃO

1297. Um momento importante que precede a celebração da Confirmação, mas que, de certo modo, faz parte dela, é a consagração do santo crisma. É o bispo que, em Quinta-Feira Santa, no decorrer da missa crismal, consagra o santo crisma para toda a sua diocese. Nas Igrejas do Oriente, esta consagração é mesmo reservada ao Patriarca:

A liturgia de Antioquia exprime assim a epiclese da consagração do santo crisma (myron, em grego): «[Pai (…), envia o Teu Espírito Santo] sobre nós e sobre este óleo que está diante de nós e consagra-o, para que seja para todos os que com ele forem ungidos e marcados, myron santo, myron sacerdotal, myron real, unção de alegria, a veste da luz, o manto da salvação, o dom espiritual, a santificação das almas e dos corpos, a felicidade imperecível, o selo indelével, o escudo da fé, o capacete invencível contra todas as obras do Adversário».

1298. Quando a Confirmação é celebrada separadamente do Batismo, como acontece no rito romano, a Liturgia do sacramento começa pela renovação das promessas do Batismo e pela profissão de fé dos confirmandos. Assim se evidencia claramente que a Confirmação se situa na continuação do Batismo. No caso do Batismo de um adulto, este recebe imediatamente a Confirmação e participa na Eucaristia. (Nota: vale um adendo pessoal neste ponto, a orientação utilizada pela CNBB no Brasil considera que o adulto (aquele à partir dos 15 anos em diante) pode ser batizado, fazer a primeira comunhão e só depois receber o sacramento do crisma, ou seja são 3 momentos dentro da preparação para aqueles que não fizeram nenhum ou apenas parte da iniciação cristã, podendo sim o padre ou bispo fazer como está no CIC, mas não é mais usual, por se tratar de uma preparação mais aprofundada que geralmente leva de 1 ano a 2 anos de vivência na fé dentro da catequese)

1299. No rito romano, o bispo estende as mãos sobre o grupo dos confirmandos, gesto que, desde o tempo dos Apóstolos, é sinal do dom do Espírito. E o bispo invoca assim a efusão do Espírito:

«Deus todo-poderoso, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, pela água e pelo Espírito Santo, destes uma vida nova a estes vossos servos e os libertastes do pecado, enviai sobre eles o Espírito Santo Paráclito; dai-lhes, Senhor, o espírito de sabedoria e de inteligência, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de ciência e de piedade, e enchei-os do espírito do vosso temor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo».

1300. Segue-se o rito essencial do sacramento. No rito latino, «o sacramento da Confirmação é conferido pela unção do santo crisma sobre a fronte, feita com a imposição da mão, e por estas palavras: «Accipe signaculum doni Spiritus Sancti – Recebe por este sinal o Espírito Santo, o Dom de Deus». Nas Igrejas orientais de rito bizantino, a unção do myron faz-se depois duma oração de epiclese, sobre as partes mais significativas do corpo: a fronte, os olhos, o nariz, os ouvidos, os lábios, o peito, as costas, as mãos e os pés, sendo cada unção acompanhada da fórmula: «Σφραγίζ δωραζ Πυεύματζ Άγίoυ» Signaculum doni Spiritus Sancti – Selo do dom que é o Espírito Santo» ).

1301. O ósculo da paz, com que termina o rito do sacramento, significa e manifesta a comunhão eclesial com o bispo e com todos os fiéis.

III. Os efeitos da Confirmação

1302. Ressalta desta celebração que o efeito do sacramento da Confirmação é uma efusão especial do Espírito Santo, tal como outrora foi concedida aos Apóstolos, no dia de Pentecostes.

1303. Por esse fato, a Confirmação proporciona crescimento e aprofundamento da graça baptismal:

– enraíza-nos mais profundamente na filiação divina, que nos leva a dizer « Abba! Pai!» (Rm 8, 15);
–  une-nos mais firmemente a Cristo;
– aumenta em nós os dons do Espírito Santo;
– torna mais perfeito o laço que nos une à Igreja;
– dá-nos uma força especial do Espírito Santo para propagarmos e defendermos a fé, pela palavra e pela ação, como verdadeiras testemunhas de Cristo, para confessarmos com valentia o nome de Cristo, e para nunca nos envergonharmos da cruz:

«Lembra-te, pois, de que recebeste o sinal espiritual, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de ciência e de piedade, o espírito do santo temor, e guarda o que recebeste. Deus Pai marcou-te com o seu sinal, o Senhor Jesus Cristo confirmou-te e pôs no teu coração o penhor do Espírito».

1304. Tal como o Batismo, de que é a consumação, a Confirmação é dada uma só vez. Com efeito, a Confirmação imprime na alma uma marca espiritual indelével, o «carácter», que é sinal de que Jesus Cristo marcou um cristão com o selo do seu Espírito, revestindo-o da fortaleza do Alto, para que seja sua testemunha.

1305. O «carácter» aperfeiçoa o sacerdócio comum dos fiéis, recebido no Batismo, e «o confirmado recebe a força de confessar a fé de Cristo publicamente e como em virtude dum encargo oficial (quasi ex officio)».

IV. Quem pode receber este sacramento?

1306. Todo o baptizado ainda não confirmado pode e deve receber o sacramento da Confirmação. Uma vez que Batismo, Confirmação e Eucaristia formam uma unidade, segue-se que «os fiéis têm obrigação de receber este sacramento no tempo devido», porque, sem a Confirmação e a Eucaristia, o sacramento do Batismo é, sem dúvida, válido e eficaz, mas a iniciação cristã fica incompleta.

1307. O costume latino, desde há séculos, aponta «a idade da discrição» como ponta de referência para se receber a Confirmação. Em perigo de morte, porém, devem confirmar-se as crianças, mesmo que ainda não tenham atingido a idade da discrição.

1308. Se por vezes se fala da Confirmação como «sacramento da maturidade cristã», não deve, no entanto, confundir-se a idade adulta da fé com a idade adulta do crescimento natural, nem esquecer-se que a graça batismal é uma graça de eleição gratuita e imerecida, que não precisa duma «ratificação» para se tornar efetiva. São Tomás recorda isso mesmo:

«A idade do corpo não constitui um prejuízo para a alma. Por isso, mesmo na infância, o homem pode receber a perfeição da idade espiritual de que fala a Sabedoria 4, 8: «A velhice honrada não é a que dão os longos dias, nem se avalia pelo número dos anos». E foi assim que muitas crianças, graças à fortaleza do Espírito Santo que tinham recebido, lutaram corajosamente e até ao sangue por Cristo».

1309preparação para a Confirmação deve ter por fim conduzir o cristão a uma união mais íntima com Cristo e a uma familiaridade mais viva com o Espírito Santo, com a sua ação, os seus dons e os seus apelos, para melhor assumir as responsabilidades apostólicas da vida cristã. Desse modo, a catequese da Confirmação deve esforçar-se por despertar o sentido de pertença à Igreja de Jesus Cristo, tanto à Igreja universal como à comunidade paroquial. Esta última tem uma responsabilidade particular na preparação dos confirmandos.

1310. Para receber a Confirmação é preciso estar em estado de graça. Convém recorrer ao sacramento da Penitência para ser purificado, em vista do dom do Espírito Santo. E uma oração mais intensa deve preparar para receber com docilidade e disponibilidade a força e as graças do Espírito Santo.

1311. Tanto para a Confirmação, como para o Batismo, convém que os candidatos procurem a ajuda espiritual dum padrinho ou de uma madrinha. É conveniente que seja o mesmo do Batismo, para marcar bem a unidade dos dois sacramentos.

V. O ministro da Confirmação

1312. O ministro originário da Confirmação é o bispo.

No Oriente, é ordinariamente o sacerdote que baptiza quem imediatamente confere a Confirmação, numa só e mesma celebração. Fá-lo, no entanto, com o santo crisma consagrado pelo patriarca ou pelo bispo, o que exprime a unidade apostólica da Igreja, cujos laços são reforçados pelo sacramento da Confirmação. Na Igreja latina aplica-se a mesma disciplina nos batismos de adultos ou quando é admitido à plena comunhão com a Igreja um baptizado de outra comunidade cristã, que não tenha recebido validamente o sacramento da Confirmação.

1313.No rito latino, o ministro ordinário da Confirmação é o bispo. Mesmo que o bispo possa, em caso de necessidade, conceder a presbíteros a faculdade de administrar a Confirmação, é conveniente que seja ele mesmo a conferi-la, não se esquecendo de que foi por esse motivo que a celebração da Confirmação foi separada, no tempo, da do Batismo. Os bispos são os sucessores dos Apóstolos e receberam a plenitude do sacramento da Ordem. A administração deste sacramento feita por eles, realça que ele tem como efeito unir mais estreitamente aqueles que o recebem à Igreja, às suas origens apostólicas e à sua missão de dar testemunho de Cristo.

1314. Se um cristão estiver em perigo de morte, qualquer sacerdote pode conferir-lhe a Confirmação. De facto, é vontade da Igreja que nenhum dos seus filhos, mesmo pequenino, parta deste mundo sem ter sido levado à perfeição pelo Espírito Santo com o dom da plenitude de Cristo.

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Resumindo:

1315.«Quando os Apóstolos que estavam em Jerusalém ouviram dizer que a Samaria recebera a Palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João. Quando chegaram lá, rezaram pelos samaritanos para que recebessem o Espírito Santo, que ainda não tinha descido sobre eles. Apenas tinham sido baptizados em nome do Senhor Jesus. Então impunham-lhes as mãos e eles recebiam o Espírito Santo» (At 8, 14-17).

1316. A Confirmação completa a graça baptismal; ela é o sacramento que dá o Espírito Santo, para nos enraizar mais profundamente na filiação divina, incorporar-nos mais solidamente em Cristo, tornar mais firme o laço que nos prende à Igreja, associar-nos mais à sua missão e ajudar-nos a dar testemunho da fé cristã pela palavra, acompanhada de obras.

1317.A Confirmação, tal como o Baptismo, imprime na alma do cristão um sinal espiritual ou carácter indelével; é por isso que só se pode receber este sacramento uma vez na vida.

1318. No Oriente, este sacramento é administrado imediatamente a seguir ao Baptismo e é seguido da participação na Eucaristia; esta tradição põe em relevo a unidade dos três sacramentos da iniciação cristã. Na Igreja latina, este sacramento é administrado quando se atinge a idade da razão e ordinariamente a sua celebração é reservada ao bispo, significando assim que este sacramento vem robustecer o vínculo eclesial.

1319.O candidato à Confirmação, que atingiu a idade da razão, deve professar a fé, estar em estado de graça, ter a intenção de receber o sacramento e estar preparado para assumir o seu papel de discípulo e testemunha de Cristo, na comunidade eclesial e nos assuntos temporais.

1320.O rito essencial da Confirmação é a unção com o santo crisma na fronte do baptizado (no Oriente também em outros órgãos dos sentidos), com a imposição da mão do ministro e as palavras: «Accipe signaculum doni Spiritus Sancti – Recebe por este sinal o Espírito Santo, o Dom de Deus» (no rito Romano) ou: «Signaculum doni Spiritus Sancti – Selo do dom que é o Espírito Santo» (no rito Bizantino).

1321.Quando a Confirmação é celebrada separadamente do Batismo, a sua ligação com este sacramento é expressa, entre outras coisas, pela renovação dos compromissos baptismais. A celebração da Confirmação no decorrer da Eucaristia contribui para sublinhar a unidade dos sacramentos da iniciação cristã.

Leia mais:

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15º Encontro (Catequese) – Atos dos Apóstolos

Série: Animo, uma nova Catequese (Encontro 15/40)

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Sugestão para Folha de Encontro

Décimo quinto encontro e chegamos num ponto muito interessante, pois trataremos de parte da base do Crisma, que é o sacramento do Espírito Santo, nada melhor que o próprio livro do Espírito Santo para começar a ilustrar isso.

Para abrir o encontro além dos cumprimentos tradicionais, a sugestão é iniciarmos cantando a bela música Vinde Espírito Santo – Vida Reluz, uma boa canção para também refletirmos sobre a importância do espírito santo na comunidade. Logo em seguida oremos a Invocação ao Espírito Santo (Vinde Espírito Santo)

Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso Amor. Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra.
Oremos: Ó Deus que instruíste os corações dos vossos fiéis, com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos da sua consolação.Por Cristo Senhor Nosso. Amém

Depois poderemos entrar diretamente no tema, contando a história dos Atos dos Apóstolos apontando sempre os principais pontos. depois poderemos dedicar uma à parte para contar a história de São Paulo. (Veja o Aprofundamento ao Catequista)

Uma sugestão neste momento é fazer uma grande oração reflexiva. Com a música O Céu se Abre – Adoração e Vida, bom para que todos fechem os olhos e com a música tocando de fundo, os catequistas (ou um apenas) reflete sobre todos os pedidos que poderiam ser feitos para Deus,pedindo sempre que o Espírito Santo possa repousar sobre cada um. Reserve no minimo 10 minutos para este momento e depois com todos já de olhos abertos cantem a música e no final todos de mãos dadas podem estar rezando o Pai Nosso e uma Ave Maria.

 

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Aprofundamento para o catequista

Os Atos dos Apóstolos [At](Actos dos Apóstolos) (em grego: Πράξεις των Αποστόλων; transl.: ton praxeis apostolon; em latim: Acta Apostolorum) é o quinto livro do Novo Testamento. Geralmente conhecida apenas como Atos, ele descreve a história da Era Apostólica. O autor é tradicionalmente identificado como Lucas, o Evangelista. O Evangelho de Lucas e o livro de Atos formavam apenas dois volumes de uma mesma obra. O objetivo desse livro é mostrar a ação do Espírito Santo na primeira comunidade cristã e, por ela, no mundo em redor. O conteúdo do livro não corresponde ao seu título, porque não se fala de todos os apóstolos, mas somente de Pedro e de Paulo. João e Filipe aparecem apenas como figurantes. Entretanto, não são os atos desses apóstolos que achamos no livro, mas antes a história da difusão do Evangelho, de Jerusalém até Roma, pela ação do Espírito Santo. Um dos pontos importantes é o Pentecostes onde todos os seguidores foram banhados pelo fogo do Espírito Santo após a ascensão de Jesus. Outro ponto é a conversão de Saulo, um dos maiores perseguidores dos cristãos, que se tornaria Paulo e este por sua vez levaria a palavra de Deus para todos do mundo. Os detalhes do inicio da comunidade de fé, com suas dificuldades e tudo o mais também são muito interessantes e provam o quanto a fé deve ser perseverante.

Lucas e o seu conhecimento sobre Jesus é tirado sobretudo do contato com Paulo, de quem foi discípulo. O apóstolo Paulo o cita em várias passagens de suas cartas:

  • Fm 1, 24 – É um dos companheiros de trabalho
  • Cl 4, 14 – O chama de “caro médico”
  • 2Tm 4, 11 – Paulo escreve a Timóteo dizendo que todos o abandonaram, exceto um: “somente Lucas está comigo”, era um momento em que o apóstolo estava preso.

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A obra de Lucas

No complexo, as obras de Lucas se complementam e ao mesmo tempo se distinguem. O Evangelho coloca o seu foco em Jerusalém, que é o ponto de chegada de Cristo, onde ele viverá a paixão, a sua morte e ressurreição. Por outro lado os Atos dos Apóstolos mostram como a mensagem de Cristo, chegada a Jerusalém, se difunde, a partir de Jerusalém, da Pentecostes, a toda  a terra, entre os gentios, chegando no centro do mundo de então, isto é, Roma.

 

 

Objetivo dos Atos dos Apóstolos

No primeiro capítulo da obra, contando a ascensão de Cristo aos céus, Lucas (Atos 1,8) coloca na boca de Jesus as seguintes palavras, dirigidas aos seus discípulos:

“Recebereis uma foraça,  a do Espírito Santo que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e a Samaria, e até os confins da terra”.

O plano dos Atos dos Apóstolos é mostrar como essa missão dada por Jesus aos apóstolos se realiza:

  • A fé se implanta em Jerusalém (capítulos 15)
  • Depois do martírio de Estêvão começa a expansão do cristianismo, graças aos gentios, pagãos convertidos (6,18,3)
  • O Evangelho chega a Samaria (8,4-25)
  • Também em Cesareia, onde os pagãos (gentios) entram pela primeira vez na Igreja (8,2611,18)
  • A mensagem de Cristo chega à Antioquia (11,19 seguintes)
  • Primeira viagem de Paulo leva o Evangelho a Chipre e Ásia Menor (13 14)
  • Na segunda e terceira viagens de Paulo, a Palavra de Jesus chega à Macedônia e Grécia (15,3618,22) e a Éfeso (18,2321,17)
  • Finalmente a mensagem cristã chega em Roma (27 28), que, vista desde Jerusalém, significa “os confins da terra” e Lucas pode encerrar assim o seu livro.

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De Saulo a Paulo?

“Então Saulo, chamado também Paulo, cheio do Espírito Santo, cravou nele os olhos e disse-lhe…” (At 13 ) 

Saulo nunca mudou de nome

Lucas usa pela primeira vez o nome romano Paulo, e a partir deste ponto do texto em todos os seus escritos usa sempre Paulo. Lucas neste momento faz a transferência de Paulo para o primeiro plano na evangelização dos gentios; quer dizer ele não é mais um simples auxiliar de Barnabé, mas é o verdadeiro chefe da missão. É verdadeiramente Paulo seguidor de Cristo. Um judeu convertido ao cristianismo que se chamava Saulo, Batizados por Ananias em Damasco, e que deste momento em diante é o chefe da missão. (a Bíblia.org)

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Significado do nome Saulo:

 A origem do nome Saulo é hebraico, vem de Saul que passa a ser Saulo na literatura grega. O significado do nome Saulo é: “Aquele que foi conseguido por meio de orações”.

Saulo era de Tarso.

Ele não mudou de nome na verdade.

Muitos supõem equivocadamente que Deus mudou o nome de Saulo para Paulo após Saulo se converter do judaísmo para o Cristianismo, o que aconteceu durante seu encontro com Cristo no caminho para Damasco (At 9, 1-9).  Ao contrario da mudança que Jesus fez do nome de “Simão” para “Pedro”, significando o papel especial que ele teria na Igreja (Mt 16,18), no caso de Paulo não houve nenhuma mudança.

Paulo de Tarso nasceu judeu, “circuncidado no oitavo dia, da raça de Israel, da tribo de Benjamim, um hebreu parente dos hebreus, em observância da lei dos fariseus” (Fl 3,5)

O nome hebreu dado de seus pais a ele era Saulo, mas, como seu pai era um cidadão romano (e, no entanto, Saulo herdou a cidadania romana), Saulo também tinha o nome latino “Paulo” (At 16,37), o costume de dois nomes começou a se tornar comum nessa época.

Como ele nasceu em um ambiente fariseu rigoroso, o nome Saulo era o nome mais adequado para usar. Mas depois de sua conversão, Saulo decidiu mudar seu nome para anunciar o Evangelho aos gentios, então ele “limpou” o seu nome romano e se tornou conhecido como Paulo, nome que era conhecido entre os gentios.

Usando o nome romano Paulo ele tinha acesso a alguns lugares em que os judeus sem a cidadania romana não tinham e poderia assim fazer as viagens que fez. Vale salientar que a cidadania romana só era dada a quem não houvesse nascido romano a quem fizesse parte do seu exército, se casasse com um concidadão romano, tivesse alguma influência politica forte ou simplesmente comprasse. No último caso comprar a cidadania romana era muito caro o que mostra que Paulo vinha de uma família de posses.

Não podemos deixar de acreditar de que no meio dos nazarenos (como eram chamados então) Paulo era chamado de Saulo, mas a posterioridade acabou ficando com o primeiro nome, afinal qual foi uma das nações mais poderosas do mundo? Roma. Mas Paulo fez um trabalho muito importante, ele estendeu a pregação das palavras de Jesus para além da Palestina e entendeu que o amor de Cristo deveria e poderia ser compartilhado com todo o mundo.

Leia Mais:

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Evangelho Segundo São João

Animo, uma nova Catequese (Encontro 14/40 – Jesus Cristo – Complemento 9)

 

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A Boa Nova segundo João

João é considerado o autor do que se tornou o quarto evangelho no cânon oficial da Bíblia. Esta posição no livro só se lhe foi dada porque ele descreve de forma diferente dos anteriores (Mateus, Marcos e Lucas) a missão de Jesus. Além de ter convivido diretamente com o filho de Deus, ele se autodenomina como “o discípulo mais amado”, João seria hoje um teólogo e seu texto reflete isso.

João também é o autor de mais 3 epístolas (cartas de João 1, 2 e 3) e do livro da Revelação ou Apocalipse (como ficou mais conhecido).

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Mateus (Mt 4,18-22, repetido por Marcos 1,16-20 e Lucas 5,1-11) narra que Jesus chamou primeiro Pedro e André e logo depois Tiago e João para segui-lo. Já no evangelho de João (Jo 1,35-51) esse chamado tem outra ordem e deixa claro que tanto André como o próprio João eram seguidores de João Batista e quando este indicou quem realmente seria o enviado de Deus (no caso Jesus) eles seguram-no imediatamente e teriam sido então os primeiros a seguidores do Messias. Esqueceu-se até de citar seu próprio irmão Tiago no restante da narrativa.

Mas em particular esta passagem traz algo até mais significativo: são as primeiras palavras ditas por Jesus neste evangelho. É ele as tem todo um significado especial (quase como um prelúdio do que viria): O que vocês estão procurando? (Jo 1,38). Esta é a pergunta feita até hoje a todos que pretendem seguir a Jesus. Nós queremos saber quem é Jesus, onde está, onde fica e ele nos pergunta sobre o que buscamos na nossa vida.

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Fragmento do Evangelho de João

Evangelista

O livro de João não é composto de breves histórias, como nos outros evangelhos, mas sim de grandes episódios, em que se misturam narrativa, diálogo e discurso, assumindo, muitas vezes forma de teatro. Segue um esquema geográfico e cronológico peculiar, mencionando diversas viagens de Jesus a Jerusalém e três páscoas, diferente dos outros 3 evangelhos que só narram uma. (Introdução a João – Bíblia Sagrada -CNBB)

No evangelho de João encontramos apenas 7 milagres, que ele chama de sinais e alguns discursos que se desenvolvem lentamente repetindo sempre os mesmos temas-chave. Seu evangelho é uma espécie de meditação, que procura aprofundar e mostrar o conteúdo da catequese existente em sua comunidade. Seu evangelho visa a despertar e a alimentar a fé em Jesus Cristo o filho de Deus, a fim de que os homens tenham a vida. (Jo 20,30-31). (Introdução ao Evangelho Segundo São João – Bíblia Sagrada – Paulus)

É o único dos evangelhos em que Jesus é Deus e homem ao mesmo tempo.

São João Apóstolo e Evangelista (3)

Em Patmos escrevendo o Apocalipse

Existe também alguns fatos em que o texto de João chega a contradizer o texto dos demais evangelistas. Além de João citar a celebração de três páscoas, algo que condiz com a possibilidade de que Jesus fez sua pregação em três anos. Os evangelhos sinóticos dizem que a última ceia ocorreu numa quinta-feira, o de João antecipa a data em um dia e com isso faz com que a morte de Jesus coincida com a hora em que se sacrificavam o cordeiro como oferenda no Templo de Jerusalém durante a páscoa judaica. Apesar de morrer na Cruz o Salvador aparece como vitorioso.

O evangelho de João é por excelência o texto que nos fala da divindade de Jesus. É como ele teria o poder de nos salvar.

quadro cronológico do evangelho segundo joão

Quadro cronológico

Prólogo 1,1-8
I. O ministério público de Jesus 1,19-12,50

Preparação 1,19-51
As bodas em Caná 2,1-12
Ministério em Jerusalém 2,13-3,36
Jesus e a mulher de Samaria 4,1-42
A cura do filho de um oficial do rei 4,43-54
A cura de um paralítico em Betsaida 5,1-15
Honrando o Pai e o Filho 5,16-29
Testemunhas do Filho 5,30-47
Ministério na Galiléia 6,1-71
Conflito em Jerusalém 7,1-9,41
Jesus, o bom Pastor 10,1-42
Ministério em Betânia 11,1-12,11
Entrada triunfal em Jerusalém 12,12-19
Rejeição final: descrença 12,20-50

II. O ministério de Jesus aos discípulos 13,1-17,26

Servir— um modelo 13,1-20
Pronunciamento de traição e negação 13,21-38
Preparação para a partida de Jesus 14,1-31
Produtividade por submissão 15,1-17
Lidando com rejeição 15,18-16,4
Compreendendo a partida de Jesus 16,5-33
A oração de Jesus por seus discípulos 17,1-26

III. Paixão e ressurreição de Jesus 18,1-21,23

A prisão de Jesus 18,1-14
Julgamento perante o sumo sacerdote 18,15-27
Julgamento perante Pilatos 18,28-19,16
Crucificação e sepultamento 19,17-42
Ressurreição e aparições 20,1-21,23

Epílogo 21,24-25

 

Um homem chamado João

fraterno-amor

João era um dos filhos de Zebedeu e Salomé, junto com seu irmão Tiago (Maior) eles eram pescadores. Ele era responsável pelo conserto das redes de pesca também. Morava em Betsaida com os pais João também gostava de ouvir a pregação de João Batista e provavelmente foi um dos muitos batizados pelo profeta. Tanto por terem a mesma profissão, como por viverem na mesma região João e seu irmão já conheciam Pedro e André e este último também fora um seguidor do Batista.

Na Bíblia não existe nenhuma citação sobre a constituição de uma família pelo apóstolo ou seja provavelmente ele nunca se casou.

Tanto João como Tiago ganharam o apelido de Filhos do Trovão ou irmãos Boanerges (literalmente irmãos do trovão) provavelmente por falarem alto e serem muito agitados. O temperamento de ambos seria mais esquentados e alguns episódios falam sobre isso (cf. Mc 9,38; 10,35-40 e Lc 9,51-56) e Jesus acaba dando alguns puxões de orelha neles. Isso depõe contra algumas descrições que dão relatos de que o apóstolo seria muito amoroso e tranquilo. Ele era bem explosivo inclusive na defesa da sua fé.

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A teoria de que João seria um dos discípulos mais jovens de Jesus vem de vários pontos mas se evidência principalmente no capítulo 20,1-10 quando a narrativa da descoberta por Maria Madalena (ele não cita outras mulheres acompanhando ela como nos evangelhos sinóticos) do túmulo vazio de Jesus. João narra que ele é Pedro saíram correndo quando Maria avisa que o sepulcro está vazio (note que ele fala de Pedro e o discípulo que Jesus mais amava, ou seja ele João, já que é a denominação assumida por ele), mas ele chega primeiro (o que demonstra que ele tinha mais fôlego, por ser mais jovem) só que ao chegar ele não entrou e esperou por Pedro e só depois deste ter entrado é que João entra. Isso não foi por medo e sim pelo respeito aos mais velhos (eles deveriam tomar a frente) e também respeito pela posição de liderança exercida por Pedro. Um discípulo mais velho, teria entrado ou não teria conseguido chegar antes. Por ele ser o mais jovem recebia grande atenção do Mestre pois tinha muitas perguntas a fazer.

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Com tudo isso João foi diversas vezes citado nos outros evangelhos, em especial no de Marcos que parece gostar mais ainda das ações dele. João esteve sempre presente em momentos importantes da vida de Jesus, um destes fatos é que somente ele, Tiago e Pedro puderam testemunhar a ressurreição da filha de Jairo (Mc 5,37) e depois serão apenas os 3 a presenciarem a transfiguração de Jesus. Também presenciam a agonia do Mestre no Monte das Oliveiras antes de ser preso. É João o único discípulo a se postar próximo da Cruz junto com a Virgem Maria e Maria Madalena e é a ele entregue a missão de cuidar da mãe do Cristo.

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Maria Madalena, Maria mãe de Jesus e João

 

Após a ressurreição e ascensão de Jesus, Lucas narra os passos de João junto de Pedro pregando por toda a Judéia. É de como o discípulo teve destaque de liderança e autoridade também. Paulo narra um encontro com João em sua terceira visita a Jerusalém (após ter sido convertido) na epístola aos Gálatas (que também é o último registro dos passos do apóstolo fora seus próprios escritos)

Estudiosos especulam que João permaneceu em Jerusalém durante a Guerra Judaica até a destruição do templo pelos romanos (70 d.C. durante a chamada Primeira Guerra judaico-Romana), depois teria se mudado para Éfeso e já com uma idade avançada teria sido preso pelo imperador Domiciano e exilado na Ilha de Patmos e lá teria escrito o livro do Apocalipse (está última parte é praticamente um consenso).

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O escritor cristão Tertuliano de Cartago (155 d.C. A 220 d,C,) escreve que o imperador romano Domiciano (51-96 d.C.) prendeu o apóstolo João na Ásia durante a sua perseguição aos nazarenos (futuramente chamados como cristãos) e levou-o a Roma onde ele foi jogado em óleo fervente mas saiu ileso.

Outros historiadores (na versão mais aceita) dizem que após a prisão e depois de um tempo em Roma o apóstolo foi isolado na Ilha de Patmos, na Grécia que servia também de prisão. Porém João teria sido deixado em uma gruta onde ele usava uma pedra como travesseiro e teria escrito o livro do Apocalipse. Segundo uma lenda todo o texto foi escrito seguindo as revelações de Deus dadas por uma fenda no teto da caverna. Muitos visitam todo ano o local e conseguem ver até a pedra usada como travesseiro e a fenda no teto. Esta fenda se divide em três e foi relacionada posteriormente à Santíssima Trindade.

Tudo indica que tenha morrido de morte natural com 94 anos em Éfeso.  Porém não existe uma explicação de como chegou até lá.

Uma das maiores controvérsias de todos os tempos

Pedro recebendo a missão de apascentar as ovelhas de Jesus percebe que o jovem João está presente e pergunta o que será dele e o Mestre deixa no ar que João não iria (ou irá) morrer até que Ele volte (Parusia seria o termo correto e tema de um futuro post). Trocando em miúdos Jesus anuncia que João não vai morrer. (Jo 21,18-25). Se for feita uma interligação com o que escreve Mateus no capítulo 16,28 onde Jesus anuncia que entre os que estavam ali (presentes no momento) existia os que não passariam pela morte até que vissem vir o Filho do Homem no seu reino. Fica extremamente intrigado com todas estas declarações. Por um lado a nossa racionalidade não consegue aceitar que alguém possa estar vivo a mais de 2000 anos, por outro lado como duvidar do poder de Deus em se tratando de fé? Acreditamos que Jesus fez milagres, curas, ressurreições e ele próprio ressuscitou e se elevou de corpo e alma para o céu, então seria um contrassenso não acreditarmos que Jesus possa ter dado a João a possibilidade de permanecer vivo até quando o Mestre retornar.

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Fato ainda mais controverso são os escritos de Policrates de Éfeso, um Bispo que viveu em 190 d.C. e também complementados por Eusébio de Cesaréia em História Eclesiástica 5,24 que falam sobre a morte de João, mas frisar que após o falecimento e sepultamento do apóstolo, alguns anos depois o imperador romano Constantino (convertido ao cristianismo) decidiu erigir uma igreja para João e ao abrir sua tumba para o translado do corpo está estava vazia. Detalhe os selos não haveriam sido removidos até aquele momento. Fica o mistério e a controvérsia.

 Curiosidade

 Jo 21, 20 fala da posição que João se sentou a mesa na última ceia e serviu de base para a pintura de Michelangelo  

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Detalhe de uma das muitas versões do quadro

Liturgia

  • João : Símbolo: Águia. Era o maior teólogo entre todos e seu evangelho fala sempre da Divindade e dos mistérios do altíssimo, do Filho de Deus que veio dos céus. Inicia dizendo que no princípio era o verbo e o verbo estava junto de Deus. Como a águia é o animal que voa mais alto ficou como símbolo dele. Jo 1,1-5
  • Evangelho de São João é reservado para as ocasiões especiais, principalmente as grandes Festas e Solenidades, para este evangelho não existe um ano litúrgico.
  • Festa 27 de Dezembro

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Leia Mais:

 

 

14º Encontro (Catequese) – Evangelho de João

Série: Animo, uma nova Catequese (Encontro 14/40)

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João retratado na Santa Ceia

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus.” (Jo 1)

Dentro dos evangelhos, João foi o único a não se basear no livro de Marcos e escreve o seu de maneira independente, apesar de contar a história do mesmo personagem. Por isso mesmo o Evangelho de Jesus Cristo segundo São João não faz parte dos chamados Evangelhos Sinóticos (ou semelhantes) como os de Mateus, Marcos e Lucas, e é um livro mais teológico, preocupado em mostrar a divindade do seu mestre. Junto com seu irmão Tiago (que ficaria conhecido como Tiago Maior) fez parte dos 4 primeiros discípulos a serem convidados por Jesus para segui-lo. Só a abertura do seu evangelho já mostra como João iria tratar a história de Jesus (veja na abertura da postagem). lembrando que ele também escreveu 3 cartas apostólicas e mais o Apocalipse.

Bem vindos ao nosso 14º encontro.

Espero que as sugestões destes encontros possa ajudar você ou o grupo no desenvolvimento desta proposta de vivência na fé que é a catequese. É bem difícil suavizar e modernizar a maneira de falar (escrever no meu caso) mas como eu tenho certeza de que cada catequista tem o seu jeito de falar fico até tranquilo quanto a isso.

Minha proposta é que no primeiro momento seja pedido que todos se cumprimentem com o abraço da paz, incluindo catequistas. Depois seria interessante que a oração inicial seja espontânea onde cada um possa estar falando pelo que está rezando neste momento (claro que sem forçar a barra e nem deixando este momento constrangedor).

Dependendo das condições de cada comunidade sugiro que seja deixado colado embaixo de cada cadeira um bombom (pode ser bala) ou que se ofereça bombons para eles diretamente na caixa (vale um toque: se for comprado bombons em pacotes ao invés de caixa, sai mais em conta e pode se ter a opção de todos os bombons serem iguais). Logo de cara proponho uma dinâmica, antes mesmo de entrarmos no tema.

Dinâmica Quem é Deus?

Consiste em se dar para cada catequizando uma tira de cartolina e um canetão (ou canetinha) onde cada um vai escrever a resposta em uma palavra da pergunta: Quem é Deus? Todos escrevem e colocam próximo a cruz ou a vela, ou o que tiver como ambientação no chão. Apenas próximo ao final do encontro será feito a plenária, onde cada um pega de volta a sua resposta e responde o porque escreveu esta definição.

No momento seguinte entramos no tema falando sobre João. Como se deu o seu chamado, porque ele se autodenominava “o discípulo que Jesus mais amava”, e também porque o evangelho dele é diferente dos demais.

Pedir que os catequisandos se dividam em grupos (dar o limite de pessoas para cada grupo) e dar leituras para eles lerem e dividirem entre eles como um jogral. Sugiro 5 grupos (mas dependendo do número de pessoas podem ser mais ou até menos grupos). Sugiro as leituras:

  1. Bodas de Cana: Jo 2,1-11;
  2. Cura do filho do funcionário real: Jo 4,46-54;
  3. Multiplicação dos pães: Jo 6,5-14;
  4. Cura do cego de nascença: Jo 9,1-16;
  5.  Ressurreição de Lázaro: Jo 11,1-44

Após este momento é hora de acertar as pendências como documentos para os sacramentos e sugiro que seja fechada uma data para um almoço ou jantar com os pais dos catequisandos, catequistas e o padre. A família é um eixo importante na vivência na fé. Também penso ser um bom momento para propor que eles façam a preparação de uma missa (ou celebração) onde eles serão leitores, comentaristas e farão parte das procissões que tiverem na missa (respeitando os costumes de cada comunidade e conversando com a equipe de liturgia) deste tipo de ação sempre aparecem cantores novos ou tocadores de algum instrumento, bons leitores também, além de pessoas que vão se integrar mais facilmente aos trabalhos da comunidade. Para quem é de fora parece que a Liturgia é algo muito distante da realidade e isso deve ser quebrado. Também é muito importante que os catequizandos se integrem cada vez mais com a missa, outro eixo fundamental da catequese.

Depois é o momento de fazermos a plenária da dinâmica, já como parte da oração. Cada um fala o porque definiu Deus com aquela palavra e fica em silêncio após isso. Sugiro que façamos a oração de São João Evangelista, junto com um Pai Nosso e cantemos o nosso canto final : Recado de Deus e depois podemos partir com a missão de transmitir a paz para que encontrarmos.

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Sugestão para folha de encontro

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João Batista aponta para João e André quem é o verdadeiro enviado de Deus

 

Aprofundamento para o catequista

O quarto evangelho, a princípio tem a mesma estrutura dos evangelhos sinóticos: inicialmente mostra o testemunho de João Batista sobre Jesus, depois apresenta várias passagens e acontecimentos da vida de Cristo, e termina com os relatos de sua paixão, morte e ressurreição. No entanto destaca milagres ou aspectos da pregação de Jesus que não são relatados pelos sinóticos: o início da vida pública de Jesus nas bodas de Cana; a ressurreição de Lázaro; o lava pés; a questão do paráclito; o longo discurso sobre o pão da vida que vem após a multiplicação dos pães; é o único a apresentar as três grandes festas judaicas; Jesus toma posse da fórmula “Eu sou”, que é própria de Deus. O evangelho segundo João é o evangelho mais puro, o mais radical, o mais teológico, com uma cristologia mais desenvolvida que se preocupa em apresentar a divindade de Cristo.

Para o povo judeu do AT a fé está na lei de Moisés, no culto centrado em Deus efetuado no templo, João vai colocar o eixo em Jesus. Jesus é a Lei, Jesus substitui o templo e a fé está na pessoa de Cristo.

O Autor

A tradição antiga da Igreja identificou a autoria deste evangelho como sendo de João o discípulo amado de Cristo. “Este é o discípulo que dá testemunho dessas coisas e foi quem as escreveu: e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro” (21,24).

Santo Ireneu de Lyon (+/- 125/140 d.C) é o autor mais antigo que afirma a autoria do quarto evangelho à João: “Em seguida, o discípulo do Senhor, o mesmo que repousou sobre o seu peito, publicou também o evangelho durante sua estada em Éfeso”. Provavelmente o livro foi escrito no final do primeiro século, entre os anos 90 e 100 d.C. na localidade de Éfeso. (Para nós abrasileiramos o nome do santo para Irineu de Lião)

Destinatário

Diferente dos evangelhos sinóticos que tem um destinatário concreto, Marcos escreve para Romanos, Mateus para Judeus e Lucas para Gregos, João tem um destino universal, pois escreve não para uma comunidade específica, mas para todas as comunidades cristãs.

Objetivo de João

O propósito de João é inspirar nos leitores a fé em Jesus e está claro nas conclusões finais do capítulo 20,30-31: Crer que Jesus é o Filho de Deus para se ter vida

“Eu Sou”

A fórmula “Eu Sou” como a vemos no livro do Êxodo quando Deus se apresenta à Moisés dizendo “Eu sou aquele é”, é própria do Criador, no entanto Jesus toma posse desta expressão para auto-definir-se:

  • 6,35 “Eu sou o pão da vida”
  • 9,5 “Eu sou a luz do mundo”
  • 10,7-9 “Eu sou a porta”
  • 10,11-14 “Eu sou o bom pastor”
  • 11,25 “Eu sou a ressurreição”
  • 14,6 “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”
  • 15,1 “Eu sou a videira”

O Paráclito

João não usa a palavra Espírito Santo mas a expressão Paráclito várias vezes nos discursos de despedidas dos discípulos, no entanto diferente do evangelho de Lucas que apresente Jesus como cheio do Espírito Santo para João é pelo Espírito Santo que se perpetua a presença de Jesus entre seus seguidores, é o Espírito que nos ilumina e nos dá a conhecer profundamente a pessoa de Jesus.(Espírito = Paráclito, Espírito da Verdade, Espírito Santo).

1- Espírito enviado pelo Pai: 14,15-17: “e rogai ao Pai e ele vos dará outro Paráclito, para que convosco permaneça para sempre”;

2- Espírito enviado por Cristo: 16,7: “se eu não for o Paráclito não virá a vós, mas se for envia-lo-ei à vós”;

3- Para recordar todas as coisas: 14,26: “mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que vos disse”;

4- Para revelar as coisas futuras e glorificar a Jesus: 16,13: “quando vier o Espírito da Verdade, ele vos guiará na verdade plena…e vos anunciará as coisas futuras”;

5- Para testemunhar a Cristo: 15,26: “quando vier o Paráclito…dará testemunho de mim”.

Conforme a tradução da Bíblia Ave Maria paráclito é uma palavra grega que significa advogado, intercessor.

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Os milagres de Jesus

João não utiliza a palavra milagres para falar das grandes realizações de Jesus mas utiliza-se da expressão grega “semeion” que significa sinais.

Sinais significam o indício revelador de alguma coisa, pode ser um milagre ou não. João apresenta seis sinais como forma de provar que Jesus é o enviado do Pai e que o que interessa realmente não é o sinal em si mas o autor deste:

Bodas de Cana: 2,1-11;

Cura do filho do funcionário real: 4,46-54;

Cura do enfermo na piscina de Betsaida: 5,2ss

Multiplicação dos pães: 6,5-14;

Cura do cego de nascença: 9,1-16;

Ressurreição de Lázaro: 11,1-44;

Sendo que o grande sinal, o de número sete, é sua própria Ressurreição (Jo 20), como forma de apresentar a perfeição dos tempos no Cristo ressuscitado.

Para o povo da Bíblia os números são muito significativos, o número 7 significa: perfeição. Por isso quando Pedro pergunta à Jesus: quantas vezes devemos perdoar, 7? Jesus responde não 7 mas, deveis perdoar 70 x 7.

Eucaristia

Para os sinóticos Jesus instituiu a Eucaristia na quinta-feira santa. João coloca na quarta-feira o relato do lava-pés, para dizer que a Eucaristia deve levar à um gesto concreto, mostra Jesus como aquele que serve, como escravo. (diakonia em grego = serviço).

Para João a Eucaristia se dá no capítulo 6,11 (multiplicação dos pães) onde o que importa e dar graças e distribuir.

Jesus é o templo

Os evangelhos sinóticos narram a expulsão dos vendilhões do Templo como acontecida na última Páscoa, no final do mistério de Jesus. Para João este fato está na primeira Páscoa (2,13ss), quando Jesus começa a pregar, pois para encontrar Deus o lugar não é mais o Templo, mas a própria figura de Jesus. A partir de agora se adora em Espírito e Verdade.

As três páscoas em João

O Evangelista João mostra que conhece profundamente a cultura judaica, apresentando no ministério de Jesus três Páscoas (três anos de vida pública), além das outras principais festas Judaicas, como o Pentecostes, Tendas e a Festa da Dedicação.

1ª Páscoa: Jo 2,13-22; acontece após o início de seu ministério com as bodas de Cana.

Festa de Pentecostes: Jo 5,1, embora o texto não revele que era pentecostes, subentende-se por que se dá logo após a descrição da primeira Páscoa. (Pentecostes em grego significa quinquagésimo, é a festa da colheita ou das primícias realizada pelos judeus cinqüenta dias após a Páscoa).

2ª Páscoa: Jo 6,4; é a Páscoa precedida da multiplicação dos pães.

Festa das Tendas ou Tabernáculos: Jo 7,2, recordava os quarenta anos de permanência do povo no deserto quando saíram do Egito.

Festa da Dedicação: Jo 10,22, dedicação ou purificação do Templo que havia sido profanado no ano 200 a.C.

3ª Páscoa: Jo 11,55; 12,1 e 13, 1, é a Páscoa da morte e Ressurreição de Jesus, esta é apresentada pelos quatro evangelistas.

Com este estilo teológico de escrever João quer mostrar que com a vinda de Jesus termina o culto antigo representado pelas festas e pelo Templo. O novo Templo agora é Jesus e a Ele se deve o culto, este é o sentido da vida de Cristo.

Jesus é o Logos

Para os sinóticos a divindade de Jesus vai se revelando aos poucos.

João apresenta Jesus desde o princípio como o messias o filho de Deus (1,1-2,14).

João ainda usa a palavra verbo para dar dinâmica a Jesus.

Títulos de Jesus

Mateus: Emanuel (1,2328,20);

Marcos: Filho de Deus (1,115,39);

Lucas: não há título específico mas Jesus é o possuído pelo Espírito Santo;

João apresenta Jesus como o cordeiro de Deus 1,2919,36.

O discípulo que Jesus amava

A expressão “o discípulo que Jesus amava” aparece em João cinco vezes, isto é um fato enigmático:

  1. No anúncio da traição (13,22): “Estava à mesa, ao lado de Jesus, um de seus discípulos, aquele que Jesus amava”;
  2. Aos pés da cruz (19,25-26): “Perto da cruz de Jesus permaneciam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria mulher de Cleofas, e Maria Madalena. Jesus, então, vendo sua mãe, e perto dela, o discípulo a quem amava”;
  3. No sepulcro (20,2): “Maria Madalena…corre, então e vai a Simão Pedro e ao outro discípulo, que Jesus amava”;
  4. Reconhece Jesus a beira do lago de Tiberíades (21,7): “Aquele discípulo que Jesus amava disse então a Pedro: É o Senhor”;
  5. Pedro vê o discípulo (21,20): “Pedro, voltando-se, viu que o seguia o discípulo que Jesus amava”.

Os que falavam com Jesus

Ao invés das parábolas João usa de vários diálogos com Jesus. Conta diversos encontros do mestre com outros personagens. Seus principais interlocutores são: Nicodemos, a Samaritana, a multidão, as irmãs de Lázaro….

Oração

Mateus e Lucas apresentam o Pai nosso.

Lucas mostra Jesus orante em muitos momentos decisivos.

João apresenta a Oração sacerdotal no capítulo 17: oração pelos 12

“Pai, é chegada a hora. Glorifica teu Filho, para que teu Filho glorifique a ti; 2.e para que, pelo poder que lhe conferiste sobre toda criatura, ele dê a vida eterna a todos aqueles que lhe entregaste. 3.Ora, a vida eterna consiste em que conheçam a ti, um só Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo que enviaste. 4.Eu te glorifiquei na terra. Terminei a obra que me deste para fazer. 5.Agora, pois, Pai, glorifica-me junto de ti, concedendo-me a glória que tive junto de ti, antes que o mundo fosse criado. 6.Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste. Eram teus e deste-mos e guardaram a tua palavra. 7.Agora eles reconheceram que todas as coisas que me deste procedem de ti. 8.Porque eu lhes transmiti as palavras que tu me confiaste e eles as receberam e reconheceram verdadeiramente que saí de ti, e creram que tu me enviaste. 9.Por eles é que eu rogo. Não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. 10.Tudo o que é meu é teu, e tudo o que é teu é meu. Neles sou glorificado. 11.Já não estou no mundo, mas eles estão ainda no mundo; eu, porém, vou para junto de ti. Pai santo, guarda-os em teu nome, que me encarregaste de fazer conhecer, a fim de que sejam um como nós. 12.Enquanto eu estava com eles, eu os guardava em teu nome, que me incumbiste de fazer conhecido. Conservei os que me deste, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura. 13.Mas, agora, vou para junto de ti. Dirijo-te esta oração enquanto estou no mundo para que eles tenham a plenitude da minha alegria. 14.Dei-lhes a tua palavra, mas o mundo os odeia, porque eles não são do mundo, como também eu não sou do mundo. 15.Não peço que os tires do mundo, mas sim que os preserves do mal. 16.Eles não são do mundo, como também eu não sou do mundo. 17.Santifica-os pela verdade. A tua palavra é a verdade. 18.Como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. 19.Santifico-me por eles para que também eles sejam santificados pela verdade. 20.Não rogo somente por eles, mas também por aqueles que por sua palavra hão de crer em mim. 21.Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste. 22.Dei-lhes a glória que me deste, para que sejam um, como nós somos um: 23.eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e o mundo reconheça que me enviaste e os amaste, como amaste a mim. 24.Pai, quero que, onde eu estou, estejam comigo aqueles que me deste, para que vejam a minha glória que me concedeste, porque me amaste antes da criação do mundo. 25.Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci, e estes sabem que tu me enviaste. 26.Manifestei-lhes o teu nome, e ainda hei de lho manifestar, para que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles.” São João, 17 

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Leia mais em:

 

13º Encontro (Catequese) – Evangelho de Lucas

Série: Animo, uma nova Catequese (Encontro 13/40)  

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Sugestão de folha de encontro

São Lucas, o Evangelista (do grego antigo Λουκᾶς, Loukás) é, segundo, a tradição, o autor do Evangelho de São Lucas e dos Atos dos Apóstolos – o terceiro e quinto livros do Novo Testamento. É o santo padroeiro dos pintores, médicos, genealogistas e curandeiros. É celebrado no dia 18 de Outubro. Chamado por Paulo de “O Médico Amado” (Colossenses 4,14), pode ter sido um dos cristãos do primeiro século que conviveu pessoalmente com os doze apóstolos. Lucas foi um médico grego que viveu na cidade grega de Antioquia, na Síria Antiga. A primeira referência a Lucas encontra-se na Epístola a Filemon de Paulo de Tarso, no versículo 24. É mencionado também na epístola aos Colossenses, 4,14 , bem como na segunda epístola a Timóteo 4,11. De todos os evangelhos é justamente o de Lucas que mais fala das mulheres que acompanhavam Jesus, sua mãe Maria e todas as outras.

Neste nosso encontro a sugestão é dinamizar um pouco mais a forma de passarmos o tema e também a integração pela dinâmica. Em tempo também é hora de começar a organizar os catecúmenos que passarão pelo Batismo, já que o tempo urge.

Sugiro sempre o inicio de uma maneira mais alegre, por isso após os cumprimentos vamos cantar  e hoje a canção também faz parte da oração. A sugestão é a bela música Cordeiro Imolado Comunidade Doce Mãe de Deus e assim que cantarmos já entramos na oração inicial que pode ser Pai Nosso, Ave Maria e o Vinde Espírito Santo.

Falar um pouco sobre as documentações e preparação para o Batismo dos que precisarão receber este sacramento. Se possível já ter a data dos cursos de pais e padrinhos e a data do recebimento do sacramento, por se tratar de adultos (jovens e adultos) é importante que seja em uma missa separada do batismo das crianças. Lembrar que isso depende da agenda que a Pastoral tiver fechado com a igreja e o padre. Então a minha sugestão é para que não seja deixado para última hora prejudicando o trabalho a ser desenvolvido. Alerto que pela minha experiência o melhor a fazer é sempre deixar tudo acertado antes porque se algum catequizando acaba sendo prejudicado por perder um sacramento isto reflete em como ele(a) verá a própria comunidade e isto também afeta a família. É importante levarmos em conta os sentimentos gerados por uma frustração desse tipo. Estamos fazendo uma vivência na fé e só será possível à partir da organização séria, primeiro da Pastoral da Catequese e depois da própria comunidade (Paróquia) onde o grupo está inserido. Não sejamos levianos ou inocentes de achar que a preparação para os sacramentos é algo que pode ser feito de forma amadora (tem que ter seriedade e muita, afinal se trata de fiéis e irmãos da nossa igreja), tudo tem que ser organizado.

Como quarto momento vamos direto ao tema. Quem foi Lucas? Acho importante frisar que na sociedade machista da época as mulheres não tinham voz, e quando iam no templo ficavam em uma edicula (espaço reservado) separado dos homens que iam prestar o culto. Falar sobre como foi Lucas quem dos evangelistas mais citou a participação das mulheres na missão de Jesus.

Citar como exemplo todo o texto de Lucas 1. Frisando Lc 1, 26-38 (Anunciação) e Lc 1, 57-66 (Zacarias acolhe a vontade de Isabel). O ideal é ler o texto todo e depois relermos estes dois pontos. Primeiro que se trata do anúncio da vinda de Jesus e depois do nascimento do último profeta antes da vinda do salvador com o detalhe de que não era comum uma mulher poder escolher o nome do filho e geralmente o nome do primogênito seguia o nome do pai e mais incomum ainda era o homem acolher a sugestão da mulher ainda mais em se tratando de um alto sacerdote do templo, caso de Zacarias. Isso já mostra como Lucas trataria a história de Jesus. Também sugiro que seja lido Lucas 24. Frisando Lc 24, 1-11 (As mulheres são as primeiras a saberem da ressurreição), depois de ler o texto releia o trecho e perceba que bem no final do seu evangelho Lucas ainda fala das mulheres e nomeia as que estavam acompanhando a missão de Jesus e descobriram que o mestre havia ressuscitado, detalhe importante “”Então elas se lembraram das palavras de Jesus” (Lc 24, 8) o que deixa claro que além dos 12 escolhidos e outros seguidores estas mulheres aprenderam diretamente com Jesus, preste atenção que Maria Madalena é citada sempre.

Mas e as mulheres tem a igualdade nos tempos de hoje?

Sugiro que seja feito esta discussão logo após falarmos de Lucas e de seu evangelho. Citar a desigualdade salarial, a violência sofrida pelas mulheres, a exploração sexual (tanto das que vão para a prostituição como das exploradas todos os dias), a exploração visual onde a mulher é vista como objeto e exposta na televisão e internet apenas como algo sexy. Qual é a opinião dos jovens e adultos que estão nesta vivência na fé. É importante uma preparação para abordagem do tema porque existe também a questão das mulheres não serem ordenadas presbíteras (padres) na nossa igreja e isso ser um dogma que precisa ainda de muita oração e compreensão, difícil. Então é um tema interessante para ser discutido pois teoricamente são estes catequizandos que estarão futuramente a frente da igreja

Dinâmica do Corpo Humano

O principal objetivo é a interação e trabalho em grupo de todos a fim de atingir a meta final.

Material: folha sulfite , cartolina de varias cores ,lápis de cor, fita crepe, tesoura sem ponta, canetinhas,  lápis de cera.

Procedimento: Para essa atividade os candidatos deverá se agrupar em 3 equipes.  Dependendo do numero de pessoas  faça  mais  ou  menos  grupos. Sempre  aplicar  com  mais de 9 pessoas, de  no  mínimo 3 pessoas por  grupo para  um melhor  resultado.

As equipes deverão desenhar em  15 minutos uma das partes do  corpo humano indicadas a seguir:

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1º grupo: cabeça e pescoço; tronco;

2º grupo : braço direito; perna direita;

3º grupo: braço esquerdo; perna esquerda.

Se o grupo for muito numeroso faça mais equipes. É muito divertido. Você deve adaptar as partes do corpo de acordo com o número de grupos, use a  criatividade.

Finalizada a tarefa, um representante de cada grupo deverá se levantar e colar com fita crepe num painel ou  parede  ou  até  mesmo  no  chão as partes desenhadas compondo o corpo humano num todo, como  um  quebra  cabeça.

Em debate coletivo argumentem sobre o resultado do trabalho que as equipes elaboraram individualmente. Pensem em estratégias que facilitem o trabalho coletivo. Faça  vários  questionamentos,  como:

  • Porque as  partes  estão  diferente se uma  parte  é  complemento  da  outra.
  • Por  que uma  equipe não   se  interagiu  com  a  outra   para um  melhor  resultado? Não foi dito que não poderiam conversar.
  • Por que agiram como se fosse uma competição?
  • Porque quem terminou primeiro não ofereceu ajuda aos outros?
  • Como  esta  dinâmica pode  te ajudar  na sua vida?

A questão é que em tudo na vida pode ser encarado como uma competição. Na verdade a ideia de ser da comunidade é justamente agirmos como irmãos, onde um auxilia o outro no objetivo maior que é seguir a Jesus. Foi o próprio Jesus quem disse que devemos amar uns aos outros como a nós mesmos. Fica a dica: ás vezes é melhor se unir a outras pessoas do que simplesmente tentar algo sozinho. Deus quer a união acima de tudo.

Depois da dinâmica podemos fazer o nosso canto final, como oração também. Primeiro rezemos a oração de São Lucas (veja no destaque) e depois vamos escutar de olhos fechados a música Restauração Padre Zeca e refletir interiormente no silêncio como poderemos ser pessoas novas. Depois podemos partir na paz.

Oração a São Lucas Evangelista


Ó São Lucas, glorioso apóstolo e evangelista, eu vos saúdo pelo Coração de Jesus; e pela alegria e doçura que o vosso coração sentiu ao ensinar, do Divino Mestre, o Pai Nosso aos apóstolos.

Alcançai-me a graça de seguir com fidelidade a Jesus, pelo seu caminho, com a sua verdade em favor da vida.

Ó meu bom São Lucas, médico, que com vossas santas mãos, invocando o nome de Deus, curastes tantos enfermos de tão graves enfermidades, rogai ao bom Jesus que me livre das enfermidades do corpo e do espírito, se for do agrado de Deus. E para maior glória por toda a eternidade.

Amém

Aprofundamento para o Catequista

São Lucas

O terceiro evangelho no cânon oficial da Bíblia é conferido a São Lucas e faz parte também dos chamados Evangelhos Sinóticos (junto com os livros de Mateus e Marcos).

Lucas foi o companheiro de Paulo, e segundo a quase unânime crença da antiga igreja, escreveu o evangelho que é designado pelo seu nome, e também os Atos dos Apóstolos.
Ele é mencionado somente três vezes pelo seu nome no Novo Testamento (Cl 4,14 – 2 Tm 4,11 – Fm 24). Pouco se sabe a respeito da sua vida. Têm alguns estudos que dão conta de que ele fez parte dos setenta discípulos, mandados por Jesus a evangelizar (Lc 10,1) – outros pensam que foi um daqueles gregos que desejavam vê-lo (Jo 12,20) – e também considerando que Lucas é uma abreviação de Lucanos, já têm alguns querendo identificá-lo com Lúcio de Cirene (At 13,1).
Dois dos Pais da igreja dizem que era sírio, natural de Antioquia. Na verdade não parece ter sido de nascimento judaico (Cl 4,11).
Era médico (Cl 4,14). Ele não foi testemunha ocular dos acontecimentos que narra no Evangelho (Lc 1,2), embora isso não exclua a possibilidade de ter estado com os que seguiam a Jesus Cristo.
Todavia, muito se pode inferir do emprego do pronome da primeira pessoa na linguagem dos Atos. Parece que Lucas se juntou a Paulo em Trôade (At 16,10), e foi com ele até à Macedônia – depois viajou com o mesmo Apóstolo até Filipos, onde tinha relações, ficando provavelmente ali por certo tempo (At 17,1).
Uns sete anos mais tarde, quando Paulo, dirigindo-se a Jerusalém, visitou Filipos, Lucas juntou-se novamente com ele (At 20,5). Se Lucas era aquele ‘irmão’, de que se fala em 2 Cor 8,18, o intervalo devia ter sido preenchido com o ativo ministério. Lucas acompanhou Paulo a Jerusalém (At 21,18) e com ele fez viagem para Roma (At 21,1). E nesta cidade esteve com o Apóstolo durante a sua primeira prisão (Cl 4,14 – Fm 24) – e achava-se aí também durante o segundo encarceramento, precisamente pouco antes da morte de Paulo (2 Tm 4,11). Uma tradição cristã apresenta como pregando o Evangelho no sul da Europa, encontrando na Grécia a morte de um mártir.

Jesus chama Maria apenas de mulher e não de mãe. Por quê?

A dura pedagogia de Jesus com sua Mãe na Sua infância, na Sua vida pública, e na Paixão do Senhor, provém da sabedoria divina, que não é compreendida por todos os homens (cf. Mt 11, 25). “Maria é a obra-prima por excelência do Altíssimo, cujo conhecimento e domínio ele reservou para si. Maria é a Mãe admirável do Filho, a quem aprouve humilhá-la e ocultá-la durante a vida para lhe favorecer a humildade, tratando-a de “Mulher” (Jo 2, 4; 19, 26), como a uma estrangeira, conquanto em seu Coração a estimasse e amasse mais que todos os anjos e homens”

Assim, Santo Agostinho e São Luís Maria Grignion de Montfort nos ajudam a compreender porque Jesus por vezes parece ser duro e desprezar sua Mãe. Agostinho nos ajuda a entender que longe de ser mal educado com a Virgem Maria, o Mestre queria chamar a nossa atenção para o fato de que Ele é Deus e pode realizar o impossível, ainda que não seja o tempo. Por sua vez, São Luís Maria nos ensina que tratando sua Mãe por “mulher”, Jesus favorecia a humildade de Nossa Senhora. Como verdadeiro pai espiritual, Jesus Cristo ensinou e continua a nos ensinar que Ele é Deus e que favoreceu a humildade da Virgem Maria em vista da sua maternidade espiritual sobre os filhos de Deus.

Monsenhor Jonas Abib fundador da Canção Nova nos traz que:

padrejonas

“Quando Jesus chama Maria de mulher, está dizendo que ela é a mulher do Gênesis, a prometida que esmagaria a cabeça da serpente. Isso me facilitou, abriu o caminho para que entendesse as vezes que Jesus a chama assim. Houve outra situação em que Jesus a chamou de mulher, quando Ele estava na cruz e Ele a entregou a João: “Mulher, eis aí teu filho”. Com isso ele está dizendo: “Mulher, assim você está esmagando a cabeça da serpente”. Depois, fui verificar que, no livro do Apocalipse, Maria também é chamada de “mulher”. Esse foi o triunfo da mulher do Gênesis, aquela que tem  a vitória junto a Jesus. Maria é a mulher do Gênesis, do Apocalipse, das Bodas de Caná e dos pés da cruz. Nós também podemos chamá-la de ‘mulher’ como Jesus a chamou.

Se você já teve seu encontro com o Senhor, sabe do que eu estou falando; mas se ainda não teve essa graça, peça-a a Virgem de Nazaré. Foi necessário que eu saísse do seminário para ter um encontro com Cristo. Peçamos que a Mulher do Gênesis ao Apocalipse interceda por seu encontro pessoal com Jesus. Se você já o teve, que ela interceda pela renovação e manutenção desse encontro.”

Avaliando (isso por mim) é importante lembrar que a própria sociedade no tempo de Jesus relegava as mulheres um papel secundário e até submisso, e ele era um judeu comum apesar de toda a sua divindade, seguia a tradição como parte humana de Deus. Mas os estudos que os teólogos fazem e falam da possibilidade de que Jesus só tratava sua mãe assim para esconder sua importância é realmente interessante

SÃO LUCAS EVANGELISTA3

Alguns estudiosos também dizem que Lucas era um excelente pintor

 

 

Fontes: