Feliz Ano Novo em Cristo

Formação: Ano Litúrgico

O admirabile commercium! Creator generis humani, anima corpus sumens, de Virgine nasci digna tus est; et procedens homo sine semine, largitus est nobis suam deitatem.

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O Ano Litúrgico de 2019 acabou e se inicia um novo ano no dia 1 de dezembro com o Primeiro Domingo do Advento. Será o Ano A (Mateus), ou seja a grande maioria das leituras do ano será tirada do Evangelho de Mateus.

Vale dizer que o ano B é o Evangelho de Marcos e o ano C é o Evangelho de Lucas. Já o Evangelho de São João é reservado para as ocasiões especiais, principalmente as grandes Festas e Solenidades. Para este Evangelho não existe um Ano Litúrgico.

Pela tradição este é o dia correto para se montar a sua árvore de Natal e decorar sua casa. Para quem é católico pelo menos. Infelizmente as pessoas seguem o que diz os shoppings e as propagandas e começam a decorar suas casas para o Natal ainda em novembro. É pecado? Não. Apenas demonstra que está faltando mais atenção nas missas e talvez você não tenha feito uma boa catequese. Na melhor das hipóteses você se esqueceu do que aprendeu (acho difícil).

Pois bem o Advento é a preparação para o nascimento de Jesus (a memória). São 4 domingos em que a igreja se prepara de maneira especial para a segunda grande celebração do ano litúrgico: o nascimento de Jesus. A primeira é a Imaculada Conceição de Nossa Senhora (8 de dezembro).

O Advento também marca o início do novo ano da igreja Católica. Em 2019 foi no dia 1º de dezembro, em 2020 será em 29 de novembro, sempre quatro domingos antes do dia 25 de dezembro.

O ano civil continua e só termina no dia 31 de dezembro, e as pessoas comemoram muitas vezes enlouquecidamente. Pior, a maioria são católicos que não percebem que o nosso novo ano já se iniciou.

A maioria das grandes religiões tem uma data especifica para marcar o início do ano. Os judeus comemoram o  , os indianos o , budistas , muçulmanos  .

Com o início do Advento também se inicia o Ano Litúrgico, que são ciclos dentro da igreja para se rezar e evangelizar através da Palavra de Deus. Sendo que estes ciclos são divididos entre: Tempo do Advento, Tempo do Natal, Primeira Parte do Tempo Comum, Tempo da Quaresma, Tempo Pascal e Segunda Parte do Tempo Comum. O ano litúrgico termina com a Festa de Cristo Rei.

Interessante se pensar que o ano litúrgico começa logo com Maria, mãe de Jesus. “Ao celebrar o ciclo anual dos mistérios de Cristo, a santa Igreja venera com particular amor a bem-aventurada mãe de Deus, Maria, que por um vínculo indissolúvel está unida à obra salvífica de seu Filho; em Maria a Igreja admira e exalta o mais excelente fruto da redenção e a contempla com alegria como puríssima imagem do que ela própria anseia e espera ser em sua totalidade. ” (CIC 1172)

A preparação para a vinda de Jesus atravessou séculos e foi preparada de tal maneira por Deus, que cada fato na história da fé está intimamente ligada ao ápice do nascimento de Jesus. (Vide CIC 522-524).

Até mesmo a cena do nascimento numa manjedoura e numa família pobre mostra muita coisa, abre e deixa claro que a salvação é para todos e mesmo os mais humildes e pobres serão agraciados. “Tornar-se criança” em relação a Deus é a condição para entrar no Reino; para isso é preciso humilhar-se, tornar-se pequeno; mais ainda: é preciso “nascer do alto” (Jo 3,7), “nascer de Deus” para tornar-nos filhos de Deus. O mistério do Natal realiza-se em nós quando Cristo “toma forma” em nós. (CIC 525-526).

Então não é um tempo sem sentido, e a preparação deve ser ainda mais intensa.

Geralmente são realizadas novenas natalinas nas casas e assim a igreja sai do seu ponto estático (o Templo) e leva esta palavra as casas dos fiéis. Penetra nas famílias levando o Advento também para os lares. Muito como um convite a vir visitar a casa de Jesus, ou melhor, visitar e esperar o nascimento do Senhor. Assim como a estrela guiou os reis pelo deserto, as novenas e principalmente os domingos do Advento são o brilho desta estrela que repousará sobre cada um e também sobre a manjedoura que acolhe o próprio Deus encarnado como homem.

Então Feliz Ano Novo cristão.

E descubra todo o significado do Advento participando das Missas e abrindo sua casa para as novenas de Natal. O que você chama de Espírito Natalino é nada mais, nada menos que a acolhida da Sagrada Família à espera da memória do nascimento de Jesus.

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Como é Calculado o Ano Litúrgico?

Muito simples, apenas somando os algarismos do ano. Para se determinar qual é o Ano A, B ou C, procede-se da maneira seguinte: Pela letra C, designa-se o ano cujo número for divisível por três, como se o ciclo começasse no primeiro ano da contagem cristã. Deste modo, o Ano 1 teria sido o Ano A, o Ano 2 o Ano B, o Ano 3 o Ano C, e os Anos 6, 9, 12… novamente o Ano C. O ano em que a soma dos algarismos for um número múltiplo de 3 é do ciclo C.

Seguindo este critério temos: 2017 = 2+0+1+7= 10 (9, múltiplo de 3, + 1), portanto, foi Ano A. O ano seguinte, 2018, logicamente, Ano B. E o ano litúrgico de 2019 será o ano C, por ser múltiplo de 3. Não existe erro! É fácil.

É evidente que cada ciclo se desenvolve conforme a estrutura do ano litúrgico, isto é, a partir da primeira semana do Advento, que ocorre no ano civil anterior.

“As leituras Bíblicas que ocorrem nas celebrações, caracterizam-se com o chamado Ano Litúrgico, criado para acompanharmos através das leituras dos textos bíblicos (Evangelho e outros livros), a vida de Jesus em ordem cronológica do nascimento até a ascensão aos céus. Assim, ouvimos nas celebrações textos que falam do anúncio do Messias, da encarnação, de seu ministério público com milagres, do chamado ao discipulado, discursos, parábolas até culminarmos com Sua morte e ressurreição nos preparando para a Parusia, ou seja, do Cristo Rei do Universo no final do ano litúrgico.

Ano Litúrgico passa por três ciclos, também chamado de anos A, B, C. Em cada ano tem uma sequência de leituras próprias, ou seja, leituras para o ano A, para o ano B e para o ano C. A ideia desta distribuição de textos bíblicos ao longo de três anos tem como objetivo se ter uma visão e leitura de toda a Bíblia.” (trecho de texto do site Rumo a Santidade)

Constituição Sacrosanctum Concilium determinou:

«Prepare se para os fiéis, com maior abundância, a mesa da Palavra de Deus: abram se mais largamente os tesouros da Bíblia, de modo que, dentro de um período de tempo estabelecido, sejam lidas ao povo as partes mais importantes da Sagrada Escritura»

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Tempo do Natal (Catecismo da Igreja Católica)

522 A vinda do Filho de Deus à terra é um acontecimento de tal imensidão que Deus quis prepará-lo durante séculos. Ritos e sacrifícios, figuras e símbolos da “Primeira Aliança”, tudo ele faz convergir para Cristo; anuncia-o pela boca dos profetas que se sucedem em Israel. Desperta, além disso, no coração dos pagãos a obscura expectativa desta vinda. (Parágrafos relacionados: 711,762)

523 São João Batista é o precursor imediato do Senhor, enviado para preparar-lhe o caminho.

“Profeta do Altíssimo” (Lc 1,76), ele supera todos os profetas, deles é o último, inaugura o Evangelho; saúda a vinda de Cristo desde o seio de sua mãe e encontra sua alegria em ser “o amigo do esposo” (Jo 3,29), que designa como “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). Precedendo a Jesus “com o espírito e o poder de Elias” (Lc 1,17), dá-lhe testemunho por sua pregação, seu batismo de conversão e, finalmente, seu martírio. (Parágrafos relacionados: 712,720)

524 Ao celebrar cada ano a liturgia do Advento, a Igreja atualiza esta espera do Messias: comungando com a longa preparação da primeira vinda do Salvador, os fiéis renovam o ardente desejo de sua Segunda Vinda. Pela celebração da natividade e do martírio do Precursor, a Igreja se une a seu desejo: “É preciso que Ele cresça e que eu diminua” (Jo 3,30). (Parágrafo relacionado: 1171)

O MISTÉRIO DO NATAL

525 Jesus nasceu na humildade de um estábulo, em uma família pobre; as primeiras testemunhas do evento são simples pastores. É nesta pobreza que se manifesta a glória do Céu. A Igreja não se cansa de cantar a glória dessa noite: Hoje a Virgem traz ao mundo o Eterno. (Parágrafos relacionados: 437,2443)

E a terra oferece uma gruta ao Inacessível.

Os anjos e os pastores o louvam

E os magos caminham com a estrela.

Pois Vós nascestes por nós, Menino, Deus eterno!

526 “Tornar-se criança” em relação a Deus é a condição para entrar no Reino; para isso é preciso humilhar-se, tornar-se pequeno; mais ainda: é preciso “nascer do alto” (Jo 3,7), “nascer de Deus” para tornar-nos filhos de Deus. O mistério do Natal realiza-se em nós quando Cristo “toma forma” em nós. O Natal é o mistério deste “admirável intercâmbio:

O admirabile commercium! Creator generis humani, anima corpus sumens, de Virgine nasci digna tus est; et procedens homo sine semine, largitus est nobis suam deitatem (Admirável intercâmbio! O Criador da humanidade, assumindo corpo e dignou-se nascer de uma Virgem; e, tomando-se homem intervenção do homem, nos doou sua própria divindade!)

O ANO LITÚRGICO

1168 Partindo do tríduo pascal, como de sua fonte de luz, o tempo novo da Ressurreição enche todo o ano litúrgico com sua claridade. Aproximando-se progressivamente de ambas as vertentes desta fonte, o ano é transfigurado pela liturgia. É realmente “ano de graça do Senhor”. A economia da salvação está em ação moldura do tempo, mas desde a sua realização na Páscoa de Jesus e a efusão do Espírito Santo o fim da história é antecipado, “em antegozo”, e o Reino de Deus penetra nosso tempo.

1169 Por isso, a páscoa não é simplesmente uma festa entre outras: é a “festa das festas”,

“solenidade das solenidades”, como a Eucaristia é o sacramento dos sacramentos (o grande sacramento). Santo Atanásio a denomina “o grande domingo como a semana santa é chamada no Oriente “a grande semana”. O mistério da ressurreição, no qual Cristo esmagou a morte, penetra nosso velho tempo com sua poderosa energia até que tudo lhe seja submetido.

1170 No Concílio de Nicéia (em 325), todas as Igrejas chegaram a um acordo acerca de que a páscoa cristã fosse celebrada no domingo que segue a lua cheia (14 Nisan) depois do equinócio de primavera. Por causa dos diversos métodos utilizados para calcular o dia 14 de mês de Nisan, o dia da Páscoa nem sempre ocorre simultaneamente nas Igrejas ocidentais e orientais. Por isso busca-se um acordo, a fim de se chegar novamente a celebrar em uma data comum o dia da Ressurreição do Senhor.

1171 O ano litúrgico é o desdobramento dos diversos aspectos do único mistério pascal. Isto vale muito particularmente para o ciclo das festas em tomo do mistério da encarnação (Anunciação, Natal, Epifania) que comemoram o começo de nossa salvação e nos comunicam as primícias do Mistério da Páscoa.

O SANTORAL NO ANO LITÚRGICO

1172 “Ao celebrar o ciclo anual dos mistérios de Cristo, a santa Igreja venera com particular amor a bem-aventurada mãe de Deus, Maria, que por um vínculo indissolúvel está unida à obra salvífica de seu Filho; em Maria a Igreja admira e exalta o mais excelente fruto da redenção e a contempla com alegria como puríssima imagem do que ela própria anseia e espera ser em sua totalidade. ”

1193 O domingo, “dia do Senhor”, é o dia principal da celebração da Eucaristia por ser o dia da ressurreição. É o dia da assembleia litúrgica por excelência, o dia da família cristã, o dia da alegria e do descanso do trabalho. O domingo é “o fundamento e o núcleo do ano litúrgico”.

2698 A Tradição da Igreja propõe aos fiéis ritmos de oração destinados a nutrir a oração continua. Alguns são cotidianos: a oração da manhã e da tarde, antes e depois das refeições, a Liturgia das Horas. O domingo, centrado na Eucaristia, é santificado principalmente pela oração. O ciclo do ano litúrgico e suas grandes festas são os ritmos fundamentais da vida de oração dos Cristãos.

1438 Os tempos e os dias de penitência ao longo do ano litúrgico (o tempo da

Quaresma, cada sexta-feira em memória da morte do Senhor) são momentos fortes da prática penitencial da Igreja. Esses tempos são particularmente apropriados aos exercícios espirituais, às liturgias penitenciais, às peregrinações em sinal de penitência, às privações voluntárias como o jejum e a esmola, à partilha fraterna (obras de caridade e missionárias).

Ano Litúrgico 2020

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Jesus Cristo, qual o teu rosto?

Curiosidades

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Existe uma controvérsia enorme sobre qual seria o verdadeiro rosto de Jesus Cristo. Durante séculos os artistas tem retratado Jesus segundo suas interpretações, mas na maior parte dos casos, se baseiam nas pinturas europeias renascentistas que trazem Jesus branco e de longos cabelos lisos.

Muitas vezes a imagem traz um Jesus angelical. Mas se pensarmos um pico mais a fundo, e mesmo se repararmos no povo de hoje da Palestina (detalhe pouco se alterou desde a época de Cristo) dá para perceber que esse rosto branco de bochechas rosadas, com cabelos longos loiros (ou negros) lisos e barba, não representa verdadeiramente o rosto de Jesus Cristo. Isso porque o povo galileu, naquela época, há mais de 2 mil anos, estava muito longe de ter essa aparência europeia das imagens.

Intrigado com essa confusão que nos persegue há séculos e que acabou se tornando uma referência para os cristãos, o especialista em Antropologia Forense, Richard Neave, da Universidade de Manchester, na Inglaterra, resolveu desvendar o mistério por trás do verdadeiro rosto de Jesus Cristo. Usando de uma técnica chamada de Antropologia forense. Junto com um grupo de cientistas em 2001

Para isso, ele usou a mesma tecnologia usada para desvendar o rosto de assassinos e outros criminosos (não se espante e ache uma blasfêmia) e começou seu trabalho para remontar o rosto de Jesus Cristo. Para deixar tudo ainda mais real, Neave realizou uma pesquisa aprofundada a respeito das características físicas dos povos semitas da Galileia, no norte de Israel.

Crânios e mais crânios típicos dos judeus foram recebidos e estudados pela equipe do antropólogo forense e, no final, foram feitos raio-x das fatias dos crânios. Computadores, então, criaram os músculos e a pele do que seria o verdadeira rosto de Jesus Cristo quando vivia naquela época, ou melhor até hoje já que acreditamos que ele ascendeu aos céus de corpo e alma.

O rosto de Jesus Cristo

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O resultado? O rosto de Jesus Cristo, como deve ter sido na vida real, já mais de 2 mil anos, foi muito diferente do que imaginamos hoje em dia. De acordo com os estudos de Neave, Jesus era mesmo barbudo, mas tinha cabelos escuros, curtos e, muito provavelmente, cacheados, como o costume de seu povo naquela época

Ainda sobre o rosto de Jesus Cristo, de acordo com os antropólogos, estava longe de ser tão branco ou angelical como das ilustrações. Era, na verdade, um rosto comum, sem muitos atrativos, com pele escura e olhos também escuros, quase pretos. Lembrando do sol escaldante da região.

Jesus também não devia ser um homem muito alto, já que a estatura dos homens de semitas daquela época não era nada impressionante. Acredita-se que ele não tinha mais de 1,50 m de altura e era um homem mais forte que realmente é retratado, já que seu ofício de carpinteiro era um trabalho que exigia esforço físico.

O resultado foi revelado em um documentário produzido em parceria entre a BBC e o Discovery Channel. E para conduzir a reconstrução, os pesquisadores empregaram as tecnologias mais avançadas que tinham à mão na época, assim como o crânio de 2 mil anos de um homem judeu, documentos antigos e técnicas forenses.

E então, você esperava um rosto assim para Jesus?

Na verdade isso é um trabalho da ciência e não desmerece em nada a nossa imagem ideal de Jesus Cristo.Podemos até imaginá-lo parecido conosco já que todos somos imagem e semelhança de Deus.

1 – Primeiras imagens

Uma das representações mais antigas de Jesus de que se tem notícia é a que você poderá ver na imagem seguir. Datada do ano 235, a imagem foi descoberta entre os frescos que cobrem as paredes de uma sinagoga da cidade de Dura Europos, na Síria. Veja:

A figura, embora não seja muito nítida, retrata um dos milagres de Cristo, “A Cura do Paralítico”. Nela, podemos ver Jesus com os cabelos curtos e encaracolados e vestindo uma simples túnica e sandálias. O exemplo abaixo, descoberto na Espanha no ano passado, consiste em uma gravura sobre um prato de vidro do século 4 que também mostra o messias sem sua icônica barba.

2 – Os cabelos e a barba crescem

As primeiras representações de Jesus com os cabelos mais longos e com o rosto coberto de barba começaram a surgir ainda no século 4 — provavelmente inspiradas na forma como os deuses gregos e romanos eram retratados. Um dos exemplos mais antigos é a imagem a seguir, descoberta na Catacumba de Marcelino e Pedro, localizada em Roma.

3 – Menino Jesus

Imagens que retratavam Jesus ainda bebezinho começaram a surgir por volta do século 4, pelo menos, e um dos exemplos mais emblemáticos é o mosaico do século 6 que você pode conferir a seguir:

Localizada na Basílica de Santa Sofia — que fica em Istambul, na Turquia —, a obra mostra a Virgem Maria embalando Jesus em seus braços, enquanto os Imperadores Bizantinos presenteiam o Menino com a (então) cidade de Constantinopla.

4 – Cristo acompanhado

Uma das imagens mais antigas de Jesus acompanhado de seus apóstolos foi descoberta em 2010 nas Catacumbas de São Tecla, localizada em Roma. Os arqueólogos estimam que o fresco seja do final do século 4 ou início do século 5, e acreditam que a imagem — que traz todos os personagens barbados e São Paulo já ficando careca — serviu de base para muitas representações dos seguidores de Cristo que surgiram depois.

5 – Jesus beatificado

O mosaico que você pode ver a seguir foi encontrado no Mausoléu de Gala Placídia, situado em Ravena, na Itália, e data do século 5. Nele, Cristo é retratado usando as cores reais — roxo e amarelo — enquanto guarda o seu rebanho. Veja:

A obra — conhecida como “O Bom Pastor” — traz Jesus novamente sem barba, mas agora com vestimentas e aparência que remete aos antigos romanos. Além disso, ele aparece com um halo sobre sua cabeça.

6 – Crucificado

As primeiras imagens de Jesus crucificado começaram a surgir a partir do século 5, enquanto a representação mais antiga de Cristo — retratado na cruz ao lado dos ladrões — em um manuscrito apareceu em um livro do século 6 chamado “Evangelhos de Rabbula”. Veja:

7 – Morto e sepultado

Santo Sudário — fascinante relíquia religiosa , como você sabe, traz o que muitos cristãos acreditam ser a própria imagem de Cristo gravada em sua superfície.

Até hoje sua legitimidade é discutida por religiosos e cientistas de todo o mundo — afinal, o lenço de linho foi extensivamente analisado por equipes de cientistas que, primeiro, determinaram que algumas partes do tecido datam da Idade Média, sugerindo que ele seria uma elaborada farsa e, posteriormente, que o material foi produzido entre 280 a.C. e 220 d.C., ou seja, muito mais próximo da época de Cristo.

 

Fontes:

Estudo Bíblico: Epístola de Filêmon

Estudo Bíblico: Epístola de Filêmon

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“Filêmon, 1 1.Paulo, prisioneiro de Jesus Cristo, e seu irmão Timóteo, a Filêmon, nosso muito amado colaborador, 2.a Ápia, nossa irmã, a Arquipo, nosso companheiro de armas, e à igreja que se reúne em tua casa. 3.A vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da parte do Senhor Jesus Cristo! 4.Não cesso de dar graças a meu Deus e lembrar-me de ti nas minhas orações, 5.ao receber notícia da tua caridade e da fé que tens no Senhor Jesus e para com todos os santos, 6.para que esta tua fé, que compartilhas conosco, seja atuante e faça conhecer todo o bem que se realiza entre nós por causa de Cristo. 7.Tua caridade me trouxe grande alegria e conforto, porque os corações dos santos encontraram alívio por teu intermédio, irmão. 8.Por esse motivo, se bem que eu tenha plena autoridade em Cristo para prescrever-te o que é da tua obrigação, 9.prefiro fazer apenas um apelo à tua caridade. Eu, Paulo, idoso como estou, e agora preso por Jesus Cristo, 10.venho suplicar-te em favor deste filho meu, que gerei na prisão, Onésimo.* 11.Ele poderá ter sido de pouca serventia para ti, mas agora será muito útil tanto a ti como a mim.* 12.Torno a enviá-lo para junto de ti, e é como se fora o meu próprio coração. 13.Quisera conservá-lo comigo, para que em teu nome ele continuasse a assistir-me nesta minha prisão pelo Evangelho. 14.Mas, sem o teu consentimento, nada quis resolver, para que tenhas ocasião de praticar o bem (em meu favor), não por imposição, mas sim de livre vontade. 15.Se ele se apartou de ti por algum tempo, foi sem dúvida para que o pudesses reaver para sempre. 16.Agora, não já como escravo, mas bem mais do que escravo, como irmão caríssimo, meu e sobretudo teu, tanto por interesses temporais como no Senhor. 17.Portanto, se me tens por amigo, recebe-o como a mim. 18.Se ele te causou qualquer prejuízo ou está devendo alguma coisa, lança isso em minha conta. 19.Eu, Paulo, escrevo de próprio punho: Eu pagarei. Para não te dizer que tu mesmo te deves inteiramente a mim! 20.Sim, irmão, quisera eu receber de ti esta alegria no Senhor! Dá esta alegria ao meu coração, em Cristo! 21.Eu te escrevi, certo de que me atenderás e sabendo que farás ainda mais do que estou pedindo.* 22.Ao mesmo tempo, prepara-me pousada, porque espero, pelas vossas orações, ser-vos restituído em breve. 23.Enviam-te saudações Epa­fras, meu companheiro de prisão em Cristo Jesus, 24.assim como Marcos, Aristarco, Demas e Lucas, meus colaboradores. 25.A graça do Senhor Jesus Cristo esteja com o vosso espírito!” Filêmon, 1 – Bíblia Católica Online

“1,10. Meu filho que gerei: São Paulo, convertendo este escravo fugitivo, tornara-se seu pai espiritual, “gerando-o” para a vida da graça. Expressões figuradas frequentes em São Paulo (N. do Tr.). 1,11. Muito útil: jogo de palavras com o nome próprio Onésimo, que em grego significa útil. O escravo, que assim se chamava, tinha abandonado seu senhor Filêmon, sem dúvida levando consigo objetos de valor. Convertido por São Paulo, estava ele agora disposto a voltar a seu serviço na casa do seu antigo senhor. 1,21. Mais do que estou pedindo: libertando o escravo recuperado.”

 

Epístola a Filemon, geralmente referida apenas como Filemon (ou Filémon), é o décimo-oitavo livro do Novo Testamento da Bíblia. Faz parte do chamado corpus paulinum, o grupo de cartas escritas pelo (ou associadas ao) apóstolo Paulo.

A Carta a Filemon, ou Epístola a Filemon é uma das 13 cartas escritas por Paulo, a mais breve e pessoal é uma carta escrita de seu próprio punho, envolvendo Onésimo um escravo fugitivo e dirigida a Filemon, seu patrão. (Fm 1, 2, 19) A época mais provável da escrita desta carta é por volta de 60-61 d.C., o apóstolo Paulo tinha a esperança de ser “posto em liberdade” (v. 22) da prisão.

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Papiro 87 (nos numerais de GregoryAland), designado por {\displaystyle {\mathfrak {P}}}87, é um antigo papiro do Novo Testamento. Ele é o mais antigo manuscrito conhecido da Epístola a Filemon. Os textos que sobreviveram de Filemon são os versos 13-15, 24-25.

 

 

A carta inicia-se com uma apresentação (Fl 1,1-3). Logo após, há os agradecimentos a Filemon por seu amor e por sua  (Fl 1,4-7). A parte central da carta é o pedido feito a Filemon a respeito do escravo Onésimo. Este havia fugido e, neste ínterim, se convertido ao cristianismo. Paulo, então, pede a Filemon que perdoe Onésimo e o acolha como um irmão em Cristo (vv. 8-22) (1,8-22). Por fim, há as saudações finais (Fl 1,23) e uma bênção (Fl 1,25).

Logo nos dois primeiros versículos da carta já fica claro a quem ela foi endereçada. O destinatário principal é Filêmon, sendo também citada na Epístola a sua família (Ápia e Arquipo), além da “igreja que está em sua casa”. A forma plural “vós” presente no versículo 3 demonstra que além do destinatário principal, outras pessoas deveriam tomar conhecimento do conteúdo da carta. Talvez o Apóstolo Paulo tivesse a intenção de fazer com que a igreja soubesse do assunto tratado na carta, na esperança de que eles considerassem Filêmon responsável por atender ao pedido que ele estava fazendo.

Dois temas são explorados no conteúdo desta carta: 1. a necessidade do perdão. 2. A aplicação dos valores cristãos à realidade social (especificamente, ao problema da escravidão).

  1. O perdão é também essência dos que comungam da mesma fé. Faz parte dos ensinamentos de Cristo e como Filêmon fazia parte dos convertidos e era, sem dúvida, membro abastado da igreja que se formava, Paulo lembra e cobra sutilmente a postura do perdão que todo cristão deve ter. A expressão da espiritualidade cristã precisava ser traduzida no perdão: esta é a essência do apelo de Paulo a Filêmon. Empregando um trocadilho, o apóstolo escreve acerca de Onésimo, cujo nome significa “útil”, que Ele, antes, te foi inútil; atualmente, porém, é útil, a ti e a mim (Filêmon 1,11), ou seja, as relações mudaram: a utilidade de Onésimo para a Igreja era, agora, maior que para o próprio Filêmon. Perdoar seu escravo fugitivo era prestar um serviço à Igreja.
  2. É estranho ver Paulo falando da escravidão com tanta naturalidade. Mas devemos lembrar que ainda se tratavam de judeus e outros povos recém convertidos ao cristianismo, e a escravidão ainda era comum entre eles. Muitas vezes uma pessoa contraia uma dívida muito alta e trocava a prisão ou a morte por ser escravo (isso também causava um prejuízo grande ao ser que se sujeitava e era até comum este ser vitima de violência e humilhação). Paulo não propõe uma subversão desta instituição característica do período. O cristianismo, ao que parece, não deveria alterar os modelos sociais vigentes. Uma mudança interior de atitude era o que se requeria. Esta mudança interior em Filêmon seria mais importante do que qualquer mudança na própria instituição da escravidão. Por mais estranho e absurdo que pareça.

Há uma conexão grande entre as cartas a Filêmon e aos Colossenses. Além do estilo semelhante, as mesmas pessoas mencionadas em Filêmon (como o próprio Onésimo, Arquipo e Lucas, por exemplo) aparecem também em Colossenses. Isto leva a crer que as duas cartas foram escritas na mesma época, provavelmente entre os anos 59 e 61, período em que Paulo estava preso em Roma. Também dá margem a se imaginar que Filêmon fizesse parte da comunidade de Colossos.

Filemon é uma epístola dirigida a um indivíduo específico. Um escravo seu, chamado Onésimo, havia fugido aparentemente depois de um roubo (cf. Filêmon 1,18). Em situação desconhecida, Onésimo conheceu Paulo e, pelo testemunho deste, acabou por se converter Fl 1,10).

Paulo solicita, então, por meio da carta, que Filemon receba seu escravo fugitivo de volta não como um servo, mas como um irmão. Dois elementos são notáveis aí: Paulo não usa de sua autoridade apostólica (Fl 1, 8-14); e Paulo não pede a libertação de Onésimo. Ele apela à consciência de Filêmon para que o perdoe, ainda que o mantivesse como seu servo, porém indica que Onésimo deva ser tratado como irmão.

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Este é um Estudo Bíblico sobre o Epístola de Filêmon  A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Epístola de Filêmon  (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja mas é ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia, apenas como incentivo. 

Lembrando que tudo isso é sugestão e a preparação de quem vai coordenar este círculo é importante.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

 

José de Arimatéia

Personagens da Via Crucis: José de Arimatéia

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Era oriundo de Arimateia (Armathahim, em hebreu), um povoado de Judá — a atual Rentis — situado a 10 km a nordeste de Lida, que por sua vez é o provável lugar de nascimento de Samuel (1Sam. 1,1). Homem rico (Mt. 25,57) e membro ilustre do Sinédrio (Mc. 15,43; Lc. 23,50), José tinha em Jerusalém um sepulcro novo, cavado na rocha, próximo do Gólgota. Era discípulo de Jesus, mas mantinha isso em segredo, tal como Nicodemos, por temor às autoridades judaicas (João 15,38).

Lucas afirma que ele esperava o Reino de Deus e que não tinha concordado com o Sinédrio na condenação de Jesus (Lc. 23,51). Nos momentos cruéis da crucificação não teme expor-se e pede a Pilatos o corpo de Jesus (o apócrifo “Evangelho de Pedro”, do século II, diz que esse pedido foi feito antes da crucificação. [2,1; 6,23-24]). Uma vez concedida a permissão pelo governador, José desprega o crucificado, envolve-o num lençol limpo e, com a ajuda de Nicodemos, deposita Jesus no sepulcro de sua propriedade, que ninguém antes havia utilizado. Depois de fechá-lo com uma grande pedra (Mt. 27,57-60, Mc. 15,42-46, Lc. 23,50-53 e João 19,38-42), foram embora. Até aqui, os dados históricos.

A partir do século IV começaram a surgir tradições lendárias de caráter fantasioso envolvendo a figura de José. Num apócrifo do século IV — as “Atas de Pilatos”, também chamadas de “Evangelho de Nicodemos” — narra‑se que os judeus reprovaram o comportamento de José e de Nicodemos em favor de Jesus, e que por isso José foi mandado para a prisão. Libertado milagrosamente, aparece primeiro em Arimatéia e de lá se dirige a Jerusalém, onde conta como foi libertado por Jesus. Mais fantasiosa ainda é a obra “Vindicta Salvatoris” (“A vingança do Salvador”, também provavelmente do século IV), que teve grande difusão na Inglaterra e na Aquitânia. O livro narra a marcha de Tito à frente das suas legiões para vingar a morte de Cristo. Ao conquistar Jerusalém encontra José preso numa torre, onde fora posto para morrer de fome, mas que sobrevivera graças a um alimento celestial.

Na França e nas Ilhas Britânicas, a lenda sobre José de Arimatéia foi ganhando novos coloridos e detalhes ao longo dos séculos XI a XIII, inserindo-se no ciclo do Santo Graal e do Rei Arthur. Segundo uma dessas lendas, José lavou o corpo de Cristo, recolheu a água e o sangue num recipiente e depois dividiu o conteúdo com Nicodemos. Outras lendas dizem que José, levando consigo esse relicário, evangelizou a França (segundo alguns relatos, desembarcou em Marselha junto com Marta, Maria e Lázaro), a Espanha (onde teria sido sagrado bispo por São Tiago), a Inglaterra e Portugal. Na Inglaterra, a figura de José tornou-se muito popular: a lenda atribui a ele a fundação da primeira Igreja em solo britânico, em Glastonbury Tor. Nesse lugar, o báculo de José teria lançado raízes e florescido enquanto ele dormia. A Abadia de Glastonbury converteu‑se num importante lugar de peregrinação até a sua dissolução pela Reforma em 1539. Na França, uma lenda do século IX refere que, nos tempos de Carlos Magno, o Patriarca de Jerusalém Fortunato fugiu para o Ocidente, levando os ossos de José de Arimatéia, e ingressou no mosteiro de Moyenmoutier, do qual chegou a ser abade.

Todas essas lendas, sem nenhum fundamento histórico, mostram a importância que se dava aos primeiros discípulos de Cristo. Em algumas dessas regiões, como a França e a Inglaterra, certas polêmicas anti-romanas circunstanciais podem ter motivado o desenvolvimento desses relatos no sentido de mostrar que foram evangelizadas por discípulos de Cristo e não por missionários enviados de Roma. De qualquer forma, trata-se de relatos que nada têm a ver com a verdade histórica.

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A história mais conhecida diz que José de Arimatéia era um rico proprietário de minas de zinco e chamado “o conselheiro” por Lucas (23,50). Foi ele que após a crucificação solicitou a Podécio Pilatos o corpo de Jesus para um enterro adequado e este consentiu.
Ele teria enrolado o corpo de Jesus em linho e ervas e colocando num túmulo
numa rocha do lado de uma colina, túmulo este que ele José teria mandado fazer
para si próprio. Diz ainda a lenda que ele ficou com o Cálice usado na ultima
ceia e que é conhecido com o Sagrado Gral, e com alguns espinhos que ele tirou
da testa de Jesus ao retira-lo da cruz e ainda que teriam caído em José sangue
e suor de Jesus ao retira-lo da cruz. Parte deste sangue teria caído também no
cajado que ele usava para andar (muito comum na época), hoje chamado de báculo
de um bispo e bordão de um peregrino. Diz a tradição que ao chegar na Inglaterra José fincou seu bordão na terra em Gastonbury e o mesmo se enraizou e tornou-se uma arvore de espinhos e dava flores no dia de Natal. Esta arvore estaria viva até os dias de hoje e pode ser visto pelos turistas em Gastonbury. José foi uma figura imensamente popular na cristandade e no novo testamento ele foi chamado de ” homem virtuoso e direito”(Lc 23,50) e o homem “que estava esperando o reino de Deus” (Mc 15,43) e descrito ainda como sendo “secretamente um discípulo de Jesus “. De acordo com o Evangelho apócrifo de Nicodemus, ele ajudou a estabelecer a
comunidade de Lídia. Ele também era uma figura proeminente nas lendas que rodearam o Sagrado Gral e apareceu no romance do 13? século de Robert Barron como José de Arimathea, e no décimo segundo século na lenda contada por Willian de Malmesbury da chegada de José na Inglaterra com o Sagrado Gral e a construção da primeira igreja na ilha em Gastonbury. O Sagrado Gral foi escondido e tem um importante papel no folclore inglês e no épico nacional do Rei Arthur e os cavaleiros da Távola Redonda, que o procuraram sem sucesso. Outra versão diz que ele seria parente distante de Jesus, que teria obtido fortuna com as minas de zinco em Cornwall e que eram amigos desde a infância e que quando eram adolescentes teria levado Jesus para conhecer as minas. Este fato é o pano de fundo do poema “Jerusalém “de Willian Blake (1757-1827). Ele é o padroeiro dos mineiros, coveiros e diretores de funerais. Na arte litúrgica da igreja ele é apresentado com um velho carregando um pote de óleo (na época usava-se passar óleo e ervas no corpo dos mortos antes de enrolá-los em linho para serem enterrados) ou com um cajado florido.

A sua festa
é celebrada no dia 17 de março.

Fonte:

  1. Opus Dei.com

  2. Cleófas.com

 

Disponível em e-Book e livro comum

Longinus, o soldado que feriu Jesus na cruz

Personagens da Via Crucis: São Longuinho

Há uma tradição popular de recorrer a São Longuinho (ou Longinus) quando se perde alguma coisa, dizendo: “São Longuinho, São Longuinho, se eu achar tal coisa, dou três pulinhos”.

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No Brasil e na Espanha, a antiga festa de São Longuinho acontece no dia 15 de março. Mas quem foi esse santo que o povo diz que nos ajuda a encontrar coisas perdidas?

Uma certa tradição da “Legenda Aurea” (do Beato Tiago de Voragine) nos ensina que Longuinho – cujo nome deriva da expressão grega “longus” (“lança”) – teria sido o centurião romano que estava aos pés da cruz de Jesus com outros soldados. Teria sido Longuinho que atravessou o peito de Jesus com uma lança, em vez de quebrar as pernas dele, como acontecia com outros crucificados. A passagem está narrada no Evangelho de São João:

“Como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água” (Jo 19,33-34).

São João fala de um soldado, enquanto São Marcos fala de um centurião (Mc 15,29). Pode ser a mesma pessoa ou não. Na Biblioteca Laurenciana de Florença há um manuscrito siríaco, escrito em 586, por um monge de nome Rábulo, contendo uma miniatura da Crucificação de Jesus, e que traz o nome de Longino como o soldado que perfurou o coração de Jesus.

Há também uma tradição que diz que ele tinha sérios problemas de visão e estava ficando cego. Entretanto, após perfurar o Senhor, uma gota de sangue teria caído nos seus olhos e ele passou a enxergar perfeitamente. Essa e outras manifestações da natureza que aconteceram depois da crucificação o fizeram reconhecer:

“Verdadeiramente, este Homem era Filho de Deus.”

A tradição diz que ele se converteu, abandonou o exército romano e refugiou-se na Capadócia, onde se tornou monge. Ali, ele teria sido perseguido como cristão, mas como não quis abandonar sua fé, foi torturado até a morte, tendo a língua e os olhos arrancados. Ele teria destruído as imagens dos deuses pagãos, dos quais saíram muitos demônios. Quando Longuinho perguntou aos demônios por que eles foram habitar nos ídolos, estes teriam respondido: “Onde não se escuta o nome de Cristo nem se faz o sinal da Cruz aí está a nossa habitação”.

Não há nenhuma prova documental desses fatos no primeiro século. No entanto, em frente ao grande altar mor da Basílica de São Pedro, em Roma, há uma gigantesca imagem de São Longuinho. Há uma notícia de que mil anos depois, em 999, Longuinho foi canonizado pelo Papa Silvestre II (999-1003), no tempo em que o processo de canonização não era tão rigoroso como hoje, o que só começou no século XI. Conta-se, no entanto, que houve um processo de canonização, e que, quando este estava bastante avançado, os documentos ficaram perdidos por muitos anos. Então, o Papa Silvestre, teria pedido a intercessão de Longuinho para ajudá-lo a encontrar esses papéis. Pouco tempo depois, os documentos foram achados e aconteceu a canonização.

De onde vem a tradição dos três pulinhos em agradecimento por se encontrar algo perdido, invocando o santo?

Outra tradição diz que ele era um homem baixinho e que, servindo na corte de Roma, vivia nas festas. Por sua pequena estatura, conseguia ver o que se passava por baixo das mesas, e sempre encontrava pertences de pessoas, e os objetos achados eram devolvidos aos seus donos. Assim, teria surgido o costume de pedir-lhe ajuda para encontrar o que se perdeu. Em agradecimento, segundo a tradição, são oferecidos três pulinhos e uma oração. Diz-se também que essa forma de agradecimento seria pelo fato de o soldado ser manco. Outra explicação afirma que os pulinhos remetem à Santíssima Trindade.

O que sabemos de certo é que o centurião que chefiava a Crucificação de Jesus ficou convencido de que Jesus era o Filho de Deus, e poderia sim, com a sua conversão, tornar-se, de fato, até um mártir. Por isso, o antigo Martirológio Romano trazia sua festa no dia 15 de março. A tradição popular dos três pulinhos não é ensinada pela Igreja, embora a devoção ao santo seja de livre uso da fé.

Prof. Felipe Aquino

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ORAÇÃO A SÃO LONGUINHO

Glorioso São Longuinho, a ti suplicamos, cheios de confiança em sua intercessão. Sentimo-nos atraídos a ti por uma especial devoção, e sabemos que nossas súplicas serão ouvidas por Deus Nosso Senhor, se tu, tão amado por ele, nos fizer representar.

Sua caridade, reflexo admirável, inclina-te a socorrer toda miséria, a consolar todo sofrimento, suprir toda necessidade em proveito de nossas almas, e assegurar cada vez mais nossa eterna salvação, com a prática de boas obras e imitação de suas virtudes! Amém 

Blog Canção Nova

 

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Simão de Cirene

Personagens da Via Crucis: Simão de Cirene

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Simão de Cirene regressa do trabalho, vai a caminho de casa quando se cruza com aquele triste cortejo de condenados – para ele talvez fosse um espetáculo habitual. Os soldados valem-se do seu direito de coação e colocam a cruz às costas dele, robusto homem do campo. Que aborrecimento não deverá ter sentido ao ver-se inesperadamente envolvido no destino daqueles condenados! Faz o que deve fazer, mas certamente com grande relutância. E todavia o evangelista Marcos nomeia, juntamente com ele, também os seus filhos, que evidentemente eram conhecidos como cristãos, como membros daquela comunidade (Mc 15, 21). Do encontro involuntário, brotou a fé. Acompanhando Jesus e compartilhando o peso da cruz, o Cireneu compreendeu que era uma graça poder caminhar juntamente com este Crucificado e assisti-Lo. O mistério de Jesus que sofre calado tocou-lhe o coração. Jesus, cujo amor divino era o único que podia, e pode, redimir a humanidade inteira, quer que compartilhemos a sua cruz para completar o que ainda falta aos seus sofrimentos (Col 1, 24). Sempre que, bondosamente, vamos ao encontro de alguém que sofre, alguém que é perseguido e inerme, partilhando o seu sofrimento ajudamos a levar a própria cruz de Jesus. E assim obtemos salvação, e nós mesmos podemos contribuir para a salvação do mundo.

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De acordo com os evangelistas Marcos e Lucas, Simão era oriundo de Cirene, nome de uma região do Norte de África que hoje se situa na Líbia; um erro comum de quem relata sobre esse personagem é pensar que se tratava de um nome, pois não era sobrenome do mesmo, mas o local de sua origem. Estes dois evangelistas afirmam que Simão “passava, vindo do campo” (Marcos 15,21; Lucas 23,26), o que pode significar que ele vinha naquele instante diretamente de Cirene para a celebração da Páscoa judaica (em Cirene existia uma importante comunidade judaica) ou talvez vinha da área rural de Jerusalém (Atos 2,10).

O Evangelho de Marcos refere que Simão era pai de Alexandre e Rufo, o que pode indicar que era o progenitor de dois convertidos ao cristianismo conhecidos pelos leitores na altura em que este evangelho foi escrito. Segundo a Bíblia, em Romanos 16,13, o Apóstolo Paulocita um certo Rufo e sua mãe. Na interpretação do Evangelho de João não se refere ao episódio de Simão, contrariando a ideia de que Jesus teria carregado sozinho a cruz até ao Gólgota. É precisamente esta a visão islâmica sobre a vida de Jesus (Isa): este não morreu na cruz, tendo sido levado para o céu por Deus; Simão de Cirene (ou Judas Iscariotes) morreu no seu lugar. O constrangimento de carregar a cruz imposto pelos soldados romanos faz surgir um paralelo entre esse Simão de Cirene e Simão Pedro, que teria se vangloriado que seguiria Jesus até a prisão e até a morte (Lucas 22,33) quando na verdade o negou, enquanto um anônimo Simão, de origem desconhecida, nada tendo dito em favor de Jesus, tocou em algo “impuro” para os judeus – o sangue de Jesus – durante o período de uma festa religiosa. Segundo a tradição, após ajudar Jesus a carregar a cruz, Simão volta pra Cirene e conta o acontecido para sua família. Rufo, que foi um jovem rejeitado pelo Sinédrio da época, após seu pai contar todo o ocorrido, como este conhecia um pouco a Torá dos judeus, ele identifica que o homem que seu pai ajudou a carregar a cruz, era o Messias; sendo assim uma das primeiras famílias gentias evangelizadas após a crucificação. Por vezes Simão de Cirene é representado como um negro, devido à identificação deste com ” Simão que tinha por sobrenome Niger” (em latim: Niger – “negro”) de Atos 13,1.

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Via Crucis – As 15 estações?

Via Sacra

Via Crúcis (do latim Via Crucis que significa “Caminho da Cruz“) corresponde ao trajeto que foi percorrido por Jesus carregando a cruz desde Pretório até ao Calvário.

pretório (em latim: prætorium) era, originalmente, o nome da tenda ou residência do comandante nas fortificações da Roma Antiga, poderia ser uma fortificação, fortaleza ou até um castelo. Foi bem depois que o pretório passou a ser a residência dos procuradores romanos (governadores ou prefeitos) de uma província romana (região conquistada e administrada por Roma), transformando-se na sede administrativa e jurídica daquela localidade. O termo também podia designar o quartel-general do imperador romano quando em campanha. A palavra “pretor” quer dizer líder e era usada para designar o oficial civil de patente mais alta na República Romana, mas depois estes pretores ficaram abaixo dos que detinham o título de “cônsul” e “pró-cônsul”. A guarda pessoal de um general romano era conhecida como coorte pretorial (cohors prætoriæ), de onde se originou a guarda pretoriana, a guarda pessoal do imperador, que era uma guarda de elite.

Já o Calvário (ou Gólgota) é a colina na qual Jesus foi crucificado e que, na época de Cristo, ficava fora da cidade de Jerusalém. O termo significa “caveira”, referindo-se a uma colina ou platô que contém uma pilha de crânios ou a um acidente geográfico que se assemelha a um crânio. O Novo Testamento descreve o Calvário como “perto de Jerusalém” (João 19:20), e fora das muralhas da cidade (Hebreus 13:12). Isso está de acordo com a tradição judia, em que Jesus foi também enterrado perto do lugar de sua execução. O imperador bizantino Constantino construiu a Igreja do Santo Sepulcro sobre o que se pensava ser o sepulcro de Jesus entre 326 e 335, perto do lugar do Calvário. De acordo com a tradição cristã, o Sepulcro de Jesus e a Verdadeira Cruz foram descobertos pela imperatriz Helena de Constantinopla, mãe de Constantino, em 325. A igreja está hoje dentro das muralhas da Cidade Antiga de Jerusalém, após a expansão feita pelo Rei  Herodes Agripa em 41-44 d.C, mas o Santo Sepulcro estava provavelmente além das muralhas, na época dos eventos relacionados com a vida de Cristo.

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O exercício da Via Sacra, como também é chamada, consiste na prática devocional religiosa na qual os fiéis percorrem, mentalmente e por via de orações próprias, o percurso de Jesus a carregar a Cruz desde o Pretório de Pôncio Pilatos até ao Monte Calvário, meditando simultaneamente na Paixão de Cristo. Tal exercício, muito usual no tempo da Quaresma, teve origem na época das Cruzadas (do século XI ao século XIII): os fiéis que, então, percorriam, na Terra Santa, os lugares sagrados da Paixão de Cristo, quiseram reproduzir, no Ocidente, a peregrinação feita ao longo da Via Dolorosa em Jerusalém. O número de estações, passos ou etapas dessa caminhada foi sendo definido paulatinamente, chegando à forma atual, de catorze estações, no século XVI. O exercício da via-sacra tem sido muito recomendado pelos Sumos Pontífices da Igreja Católica, pois proporciona uma frutuosa meditação da paixão e morte de Jesus Cristo.

Originalmente a Via Sacra tem 14 estações apenas. Foi o Papa João Paulo II quem sugeriu que fosse criada uma décima-quinta estação na Via Sacra para recordar a ressurreição de Jesus, embora esta seja opcional e não entre na estrutura tradicional da Via-Sacra (assim como acontece com os Mistérios Luminosos no Santo Rosário).

As meditações da Via Sacra são baseadas nas tradicionais quatorze estações ou etapas em que se apresentam as cenas da Paixão de Cristo a serem meditadas pelos Seus seguidores e devotos:

1ª Estação: Jesus é condenado à morte

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Do evangelho segundo São Mateus 27, 22-23.26

Retorquiu-lhes Pilatos: “E que hei-de fazer de Jesus que é chamado Messias” Replicaram todos: “Seja crucificado!” Pilatos insistiu: “Então, que mal fez Ele” Mas eles gritavam mais ainda: “Seja crucificado!” (…) Soltou-lhes então Barrabás. E a Jesus, depois de O ter mandado açoitar, entregou-O para ser crucificado.

MEDITAÇÃO

O Juiz do mundo, que um dia voltará para nos julgar a todos, está ali, aniquilado, insultado e inerme diante do juiz terreno. Pilatos não é um monstro de malvadez. Sabe que este condenado é inocente; procura um modo de O libertar. Mas o seu coração está dividido. E, no fim, faz prevalecer a sua posição, a si mesmo, sobre o direito. Também os homens que gritam e pedem a morte de Jesus não são monstros de malvadez. Muitos deles, no dia de Pentecostes, sentir-se-ão «emocionados até ao fundo do coração» (At 2, 37), quando Pedro lhes disser: A «Jesus de Nazaré, Homem acreditado por Deus junto de vós, (…), matastes, cravando-O na cruz pela mão de gente perversa» (At 2, 22.23). Mas naquele momento sofrem a influência da multidão. Gritam porque os outros gritam e como gritam os outros. E, assim, a justiça é espezinhada pela cobardia, pela pusilanimidade, pelo medo do diktat da mentalidade predominante. A voz subtil da consciência fica sufocada pelos gritos da multidão. A indecisão, o respeito humano dão força ao mal.

ORAÇÃO

Senhor, fostes condenado à morte porque o medo do olhar alheio sufocou a voz da consciência. E, assim, acontece que, sempre ao longo de toda a história, inocentes sejam maltratados, condenados e mortos. Quantas vezes também nós preferimos o sucesso à verdade, a nossa reputação à justiça. Dai força, na nossa vida, à voz subtil da consciência, à vossa voz. Olhai-me como olhastes para Pedro depois de Vos ter negado. Fazei com que o vosso olhar penetre nas nossas almas e indique a direção à nossa vida. Àqueles que na Sexta-feira Santa gritaram contra Vós, no dia de Pentecostes destes a contrição do coração e a conversão. E assim destes esperança a todos nós. Não cesseis de dar também a nós a graça da conversão.

2ª Estação: Jesus carrega a cruz

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Do evangelho segundo São Mateus 27, 27-31

Então, os soldados do governador levaram Jesus consigo para o Pretório e reuniram junto d’Ele toda a companhia. Depois de O terem despido, envolveram-n’O em um manto encarnado. Teceram uma coroa de espinhos, que Lhe puseram na cabeça, e, na mão direita, colocaram-Lhe uma cana. Ajoelharam-se diante d’Ele e escarneceram-n’O dizendo: “Salve, ó rei dos Judeus!” Depois, cuspiram n’Ele e pegaram na cana e puseram-se a bater-Lhe com ela na cabeça. No fim de O terem escarnecido, despiram-Lhe o manto, vestiram-Lhe as suas roupas e levaram-n’O para O crucificarem.

MEDITAÇÃO

Jesus, condenado como pretenso rei, é escarnecido, mas precisamente na troça aparece cruelmente a verdade. Quantas vezes as insígnias do poder trazidas pelos poderosos deste mundo são um insulto à verdade, à justiça e à dignidade do homem! Quantas vezes os seus rituais e as suas grandes palavras, verdadeiramente, não passam de pomposas mentiras, uma caricatura do dever que lhes incumbe por força do seu cargo, ou seja, colocar-se ao serviço do bem. Por isso mesmo, Jesus, Aquele que é escarnecido e que traz a coroa do sofrimento, é o verdadeiro rei. O seu cetro é justiça (cf. Sal 45/44, 7). O preço da justiça é sofrimento neste mundo: Ele, o verdadeiro rei, não reina por meio da violência, mas através do amor com que sofre por nós e connosco. Ele carrega a cruz, a nossa cruz, o peso de sermos homens, o peso do mundo. É assim que Ele nos precede e mostra como encontrar o caminho para a vida verdadeira.

ORAÇÃO

Senhor, deixastes que Vos escarnecessem e ultrajassem. Ajudai-nos a não fazer coro com aqueles que escarnecem quem sofre e quem é frágil. Ajudai-nos a reconhecer o vosso rosto em quem é humilhado e marginalizado. Ajudai-nos a não desanimar perante as zombarias do mundo quando a obediência à vossa vontade é metida a ridículo. Carregastes a cruz e convidastes-nos a seguir-Vos por este caminho (Mt 10, 38). Ajudai-nos a aceitar a cruz, a não fugir dela, a não lamentarmo-nos nem deixar que os nossos corações se abatam com as provas da vida. Ajudai-nos a percorrer o caminho do amor e, obedecendo às suas exigências, a alcançar a verdadeira alegria.

3ª Estação: Jesus cai pela primeira vez

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Do livro do profeta Isaías 53, 4-6

Eram os nossos males que Ele suportava, e as nossas dores que tinha sobre Si. Mas nós víamos n’Ele um homem castigado, ferido por Deus e sujeito à humilhação. Ele foi trespassado por causa das nossas culpas, e esmagado devido às nossas faltas. O castigo que nos salva, caiu sobre Ele, e por causa das suas chagas é que fomos curados. Todos nós, como ovelhas, andávamos errantes, seguindo cada qual o seu caminho. E o Senhor fez cair sobre Ele as faltas de todos nós.

MEDITAÇÃO

O homem caiu e continua a cair: quantas vezes ele se torna a caricatura de si mesmo, já não é a imagem de Deus, mas algo que mete a ridículo o Criador. Aquele que, ao descer de Jerusalém para Jericó, embateu nos ladrões que o despojaram deixando-o meio morto, sangrando na beira da estrada, não é porventura a imagem por excelência do homem? A queda de Jesus sob a cruz não é apenas a queda do homem Jesus já extenuado pela flagelação. Aqui aparece algo de mais profundo, como diz Paulo na carta aos Filipenses: «Ele que era de condição divina não reivindicou o direito de ser equiparado a Deus. Mas despojou-Se a Si mesmo tomando a condição de servo, tornando-Se semelhante aos homens (…) humilhou-Se a Si mesmo, feito obediente até à morte e morte de cruz» (Fl 2, 6-8). Na queda de Jesus sob o peso da cruz, é visível todo este seu itinerário: a sua voluntária humilhação para nos levantar do nosso orgulho. E ao mesmo tempo aparece a natureza do nosso orgulho: a soberba pela qual desejamos emancipar-nos de Deus sendo apenas nós mesmos, pela qual cremos que não temos necessidade do amor eterno, mas queremos organizar a nossa vida sozinhos. Nesta revolta contra a verdade, nesta tentativa de nos tornarmos deus, de sermos criadores e juízes de nós mesmos, caímos e acabamos por autodestruir-nos. A humilhação de Jesus é a superação da nossa soberba: com a sua humilhação, Ele faz-nos levantar. Deixemos que nos levante. Despojemos-nos da nossa auto-suficiência, da nossa errada cisma de autonomia e aprendamos o contrário d’Ele, d’Aquele que Se humilhou, ou seja, aprendamos a encontrar a nossa verdadeira grandeza, humilhando-nos e voltando-nos para Deus e para os irmãos espezinhados.

ORAÇÃO

Senhor Jesus, o peso da cruz fez-Vos cair por terra. O peso do nosso pecado, o peso da nossa soberba deita-Vos ao chão. Mas, a vossa queda não é sinal de um destino adverso, nem é a pura e simples fraqueza de quem é espezinhado. Quisestes vir até junto de nós que, pela nossa soberba, jazemos por terra. A soberba de pensar que somos capazes de produzir o homem fez com que os homens se tenham tornado um espécie de mercadoria para comprar e vender, como que uma reserva de material para as nossas experiências, pelas quais esperamos de, por nós mesmos, superar a morte, quando, na verdade, conseguimos apenas humilhar cada vez mais profundamente a dignidade do homem. Senhor, vinde em nossa ajuda, porque caímos. Ajudai-nos a abandonar a nossa soberba devastadora e, aprendendo da vossa humildade, a pormo-nos novamente de pé.

4ª Estação: Jesus encontra a Sua Mãe

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Do evangelho segundo São Lucas 2, 34-35.51

Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: “Ele foi estabelecido para a queda e o ressurgir de muitos em Israel, e para ser sinal de contradição; e uma espada Te há-de traspassar a alma. Assim se deverão revelar os intentos de muitos corações” (…) Sua mãe guardava no coração todas estas recordações.

MEDITAÇÃO

Na Via-Sacra de Jesus, aparece também Maria, sua Mãe. Durante a sua vida pública, teve de ficar de lado para dar lugar ao nascimento da nova família de Jesus, a família dos seus discípulos. Teve também de ouvir estas palavras: «Quem é a minha Mãe e quem são os meus irmãos? (…) Todo aquele que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe» (Mt 12, 48.50). Pode-se agora constatar que Ela é a Mãe de Jesus não só no corpo, mas também no coração. Ainda antes de O ter concebido no corpo, pela sua obediência concebera-O no coração. Fora-Lhe dito: «Hás-de conceber no teu seio e dar à luz um filho (…) Será grande (…) O Senhor Deus dar-Lhe-á o trono de seu pai David» (Lc 1, 31-32). Mas algum tempo depois ouvira da boca do velho Simeão uma palavra diferente: «Uma espada Te há-de trespassar a alma» (Lc 2, 35). Deste modo ter-Se-á lembrado de certas palavras pronunciadas pelos profetas, tais como: «Foi maltratado e resignou-se, não abriu a boca, como cordeiro levado ao matadouro» (Is 53, 7). Agora tudo isto se torna realidade. No coração, tinha sempre conservado as palavras que o anjo Lhe dissera quando tudo começou: «Não tenhas receio, Maria» (Lc 1, 30). Os discípulos fugiram; Ela não foge. Ela está ali, com a coragem de mãe, com a fidelidade de mãe, com a bondade de mãe, e com a sua fé, que resiste na escuridão: «Feliz daquela que acreditou» (Lc 1, 45). «Mas, quando o Filho do Homem voltar, encontrará fé sobre a terra?» (Lc 18, 8). Sim, agora Ele sabe-o: encontrará fé. E esta é, naquela hora, a sua grande consolação.


ORAÇÃO

Santa Maria, Mãe do Senhor, permanecestes fiel quando os discípulos fugiram. Tal como acreditastes quando o anjo Vos anunciou o que era incrível – que haverias de ser Mãe do Altíssimo – assim também acreditastes na hora da sua maior humilhação. E foi assim que, na hora da cruz, na hora da noite mais escura do mundo, Vos tornastes Mãe dos crentes, Mãe da Igreja. Nós Vos pedimos: ensinai-nos a acreditar e ajudai-nos para que a fé se torne coragem de servir e gesto de um amor que socorre e sabe partilhar o sofrimento.

5ª Estação: Simão de Cirene ajuda Jesus

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Do evangelho segundo São Mateus 27, 32; 16, 24

Ao saírem, encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, e requisitaram-no, para levar a cruz de Jesus. Jesus disse aos seus discípulos: “Se alguém quiser seguir-Me, renegue-se a si mesmo, pegue na sua cruz e siga-Me”.

MEDITAÇÃO

Simão de Cirene regressa do trabalho, vai a caminho de casa quando se cruza com aquele triste cortejo de condenados – para ele talvez fosse um espetáculo habitual. Os soldados valem-se do seu direito de coação e colocam a cruz às costas dele, robusto homem do campo. Que aborrecimento não deverá ter sentido ao ver-se inesperadamente envolvido no destino daqueles condenados! Faz o que deve fazer, mas certamente com grande relutância. E todavia o evangelista Marcos nomeia, juntamente com ele, também os seus filhos, que evidentemente eram conhecidos como cristãos, como membros daquela comunidade (Mc 15, 21). Do encontro involuntário, brotou a fé. Acompanhando Jesus e compartilhando o peso da cruz, o Cireneu compreendeu que era uma graça poder caminhar juntamente com este Crucificado e assisti-Lo. O mistério de Jesus que sofre calado tocou-lhe o coração. Jesus, cujo amor divino era o único que podia, e pode, redimir a humanidade inteira, quer que compartilhemos a sua cruz para completar o que ainda falta aos seus sofrimentos (Col 1, 24). Sempre que, bondosamente, vamos ao encontro de alguém que sofre, alguém que é perseguido e inerme, partilhando o seu sofrimento ajudamos a levar a própria cruz de Jesus. E assim obtemos salvação, e nós mesmos podemos contribuir para a salvação do mundo.

ORAÇÃO

Senhor, abristes a Simão de Cirene os olhos e o coração, dando-lhe, na partilha da cruz, a graça da fé. Ajudai-nos a assistir o nosso próximo que sofre, ainda que este chamamento resultasse em contradição com os nossos projetos e as nossas simpatias. Concedei-nos reconhecer que é uma graça poder partilhar a cruz dos outros e experimentar que dessa forma estamos a caminhar convosco. Fazei-nos reconhecer com alegria que é precisamente pela partilha do vosso sofrimento e dos sofrimentos deste mundo que nos tornamos ministros da salvação, podendo assim ajudar a construir o vosso corpo, a Igreja.

6ª Estação: Verônica limpa a face de Jesus

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Do livro do profeta Isaías 53, 2-3

O meu Servo cresceu (…) sem distinção nem beleza que atraia o nosso olhar, nem aspecto agradável que possa cativar-nos. Desprezado e repelido pelos homens, homem de dores, afeito ao sofrimento, é como aquele a quem se volta a cara, pessoa desprezível, da qual se não faz caso.

Do livro dos Salmos 27/26, 8-9

Segredou-me o coração: “Procura a sua face!” É, Senhor, o vosso rosto que eu persigo. Não escondais de mim o vosso rosto, nem rejeiteis com ira o vosso servo. Vós sois a minha ajuda, o Deus da minha salvação.


MEDITAÇÃO

«É, Senhor, o vosso rosto que eu persigo. Não escondais de mim o vosso rosto» (Sal 27/26, 8). Verônica – Berenice, segundo a tradição grega – encarna este anseio que irmana todos os homens piedosos do Antigo Testamento, o anseio que provam todos os homens crentes de verem o rosto de Deus. Em todo o caso, na Via-Sacra de Jesus, inicialmente ela limitara-se a prestar um serviço de gentileza feminina: oferecer um lenço a Jesus. Não se deixa contagiar pela brutalidade dos soldados, nem imobilizar pelo medo dos discípulos. É a imagem da mulher bondosa que, perante o turbamento e escuridão dos corações, mantém a coragem da bondade, não permite ao seu coração de entenebrecer-se: «Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus» – dissera o Senhor no Discurso da Montanha (Mt 5, 8). Ao princípio, Verônica via apenas um rosto maltratado e marcado pela dor. Mas, o ato de amor imprime no seu coração a verdadeira imagem de Jesus: no Rosto humano, coberto de sangue e de feridas, ela vê o Rosto de Deus e da sua bondade que nos acompanha mesmo na dor mais profunda. Somente com o coração podemos ver Jesus. Apenas o amor nos torna capazes de ver e nos torna puros. Só o amor nos faz reconhecer Deus, que é o próprio amor.

ORAÇÃO

Senhor, dai-nos a inquietação do coração que procura o vosso rosto. Protegei-nos do obscurecimento do coração que vê apenas a superfície das coisas. Concedei-nos aquela generosidade e pureza de coração que nos tornam capazes de ver a vossa presença no mundo. Quando não formos capazes de realizar grandes coisas, dai-nos a coragem de uma bondade humilde. Imprimi o vosso rosto nos nossos corações, para Vos podermos encontrar e mostrar ao mundo a vossa imagem.

7ª Estação: Jesus cai pela segunda vez

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Do livro das Lamentações 3, 1-2.9.16

Eu sou o homem que conheceu a miséria sob a vara do seu furor. Ele me guiou e me fez andar nas trevas e não na luz. (…) Embarrou meus caminhos com blocos de pedra, obstruiu minhas veredas. (…) Ele quebrou meus dentes com cascalho, mergulhou-me na cinza.


MEDITAÇÃO

A tradição da tríplice queda de Jesus sob o peso da cruz recorda a queda de Adão – o ser humano caído que somos nós – e o mistério da associação de Jesus à nossa queda. Na história, a queda do homem assume sempre novas formas. Na sua primeira carta, S. João fala duma tríplice queda do homem: a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida. Assim interpreta ele a queda do homem e da humanidade, no horizonte dos vícios do seu tempo com todos os seus excessos e depravações. Mas, olhando a história mais recente, podemos também pensar como a cristandade, cansada da fé, abandonou o Senhor: as grandes ideologias, com a banalização do homem que já não crê em nada e se deixa simplesmente ir à deriva, construíram um novo paganismo, um paganismo pior que o antigo, o qual, desejoso de marginalizar definitivamente Deus, acabou por perder o homem. Eis o homem que jaz no pó. O Senhor carrega este peso e cai… cai, para poder chegar até nós; Ele olha-nos para que em nós volte a palpitar o coração; cai para nos levantar.

ORAÇÃO

Senhor Jesus Cristo, carregastes o nosso peso e continuais a carregar-nos. É o nosso peso que Vos faz cair. Mas sois Vós a levantar-nos, porque, sozinhos, não conseguimos levantar-nos do pó. Livrai-nos do poder da concupiscência. Em vez do coração de pedra, dai-nos novamente um coração de carne, um coração capaz de ver. Destruí o poder das ideologias, para os homens poderem reconhecer que estão permeadas de mentiras. Não permitais que o muro do materialismo se torne intransponível. Fazei que Vos ouçamos de novo. Tornai-nos sóbrios e vigilantes para podermos resistir às forças do mal, e ajudai-nos a reconhecer as necessidades interiores e exteriores dos outros, e a socorrê-las. Erguei-nos, para podermos levantar os outros. Concedei-nos esperança no meio de toda esta escuridão, para podermos ser portadores de esperança no mundo.

8ª Estação: Jesus encontra as mulheres de Jerusalém

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Do evangelho segundo São Lucas 23, 28-31

Jesus voltou-Se para elas e disse-lhes: “Mulheres de Jerusalém, não choreis por Mim; chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos. Pois dias virão em que se dirá: “Felizes as estéreis, as entranhas que não tiveram filhos e os peitos que não amamentaram”. Nessa altura, começarão a dizer aos montes: “Caí sobre nós”, e às colinas: “Encobri-nos”. Porque se fazem assim no madeiro verde, que será no madeiro seco?”


MEDITAÇÃO

As palavras com que Jesus adverte as mulheres de Jerusalém que O seguem e choram por Ele, fazem-nos refletir. Como entendê-las? Não se trata porventura de uma advertência contra uma piedade puramente sentimental, que não se torna conversão e fé vivida? De nada serve lamentar, por palavras e sentimentalmente, os sofrimentos deste mundo, se a nossa vida continua sempre igual. Por isso, o Senhor nos adverte do perigo em que nós próprios nos encontramos. Mostra-nos a seriedade do pecado e a seriedade do juízo. Apesar de todas as nossas palavras de horror à vista do mal e dos sofrimentos dos inocentes, não somos nós porventura demasiado inclinados a banalizar o mistério do mal? Da imagem de Deus e de Jesus, no fim de contas, admitimos apenas o aspecto terno e amável, enquanto tranquilamente cancelamos o aspecto do juízo? Como poderia Deus fazer-Se um drama com a nossa fragilidade – pensamos cá connosco –, não passamos de simples homens?! Mas, fixando os sofrimentos do Filho, vemos toda a seriedade do pecado, vemos como tem de ser expiado até ao fim para poder ser superado. Não se pode continuar a banalizar o mal, quando vemos a imagem do Senhor que sofre. Também a nós, diz Ele: Não choreis por Mim, chorai por vós próprios… porque se tratam assim o madeiro verde, que será do madeiro seco?

ORAÇÃO

Senhor, às mulheres que choravam, falastes de penitência, do dia do Juízo, quando nos encontrarmos diante da vossa face, a face do Juiz do mundo. Chamais-nos a sair da banalização do mal que nos deixa tranquilos para podermos continuar a nossa vida de sempre. Mostrai-nos a seriedade da nossa responsabilidade, o perigo de sermos encontrados, no Juízo, culpados e estéreis. Fazei com que não nos limitemos a caminhar ao vosso lado, oferecendo apenas palavras de compaixão. Convertei-nos e dai-nos uma vida nova; não permitais que acabemos por ficar como um madeiro seco, mas fazei que nos tornemos ramos vivos em Vós, a videira verdadeira, e produzamos fruto para a vida eterna (cf. Jo 15, 1-10).

9ª Estação: Jesus cai pela terceira vez

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Do livro das Lamentações 3, 27-32

É bom para o homem suportar o jugo desde a sua juventude. Que esteja solitário e silencioso, quando o Senhor o impuser sobre ele; que ponha sua boca no pó: talvez haja esperança! Que dê sua face a quem o fere e se sacie de opróbrios. Pois o Senhor não rejeita para sempre: se Ele aflige, Ele se compadece segundo a sua grande bondade.

MEDITAÇÃO

E que dizer da terceira queda de Jesus sob o peso da cruz? Pode talvez fazer-nos pensar na queda do homem em geral, no afastamento de muitos de Cristo, caminhando à deriva para um secularismo sem Deus. Mas não deveríamos pensar também em tudo quanto Cristo tem sofrido na sua própria Igreja? Quantas vezes se abusa do Santíssimo Sacramento da sua presença, frequentemente como está vazio e ruim o coração onde Ele entra! Tantas vezes celebramos apenas nós próprios, sem nos darmos conta sequer d’Ele! Quantas vezes se contorce e abusa da sua Palavra! Quão pouca fé existe em tantas teorias, quantas palavras vazias! Quanta sujeira há na Igreja, e precisamente entre aqueles que, no sacerdócio, deveriam pertencer completamente a Ele! Quanta soberba, quanta auto-suficiência! Respeitamos tão pouco o sacramento da reconciliação, onde Ele está à nossa espera para nos levantar das nossas quedas! Tudo isto está presente na sua paixão. A traição dos discípulos, a recepção indigna do seu Corpo e do seu Sangue é certamente o maior sofrimento do Redentor, o que Lhe trespassa o coração. Nada mais podemos fazer que dirigir-Lhe, do mais fundo da alma, este grito: Kyrie, eleison – Senhor, salvai-nos (cf. Mt 8, 25).

ORAÇÃO

Senhor, muitas vezes a vossa Igreja parece-nos uma barca que está para afundar, uma barca que mete água por todos os lados. E mesmo no vosso campo de trigo, vemos mais cizânia que trigo. O vestido e o rosto tão sujos da vossa Igreja horrorizam-nos. Mas somos nós mesmos que os sujamos! Somos nós mesmos que Vos traímos sempre, depois de todas as nossas grandes palavras, os nossos grandes gestos. Tende piedade da vossa Igreja: também dentro dela, Adão continua a cair. Com a nossa queda, deitamo-Vos ao chão, e Satanás a rir-se porque espera que não mais conseguireis levantar-Vos daquela queda; espera que Vós, tendo sido arrastado na queda da vossa Igreja, ficareis por terra derrotado. Mas, Vós erguer-Vos-eis. Vós levantastes-Vos, ressuscitastes e podeis levantar-nos também a nós. Salvai e santificai a vossa Igreja. Salvai e santificai a todos nós.

10ª Estação: Jesus é despojado de Suas vestes

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Do evangelho segundo São Mateus 27, 33-36

Chegados a um lugar chamado Gólgota, quer dizer «Lugar do Crânio», deram-Lhe a beber vinho misturado com fel. Mas Jesus, quando o provou, não quis beber. Depois de O terem crucificado, repartiram entre si as suas vestes, tirando-as à sorte, e ficaram ali sentados a guardá-Lo.

MEDITAÇÃO

Jesus é despojado das suas vestes. A roupa confere ao homem a sua posição social; dá-lhe o seu lugar na sociedade, fá-lo sentir alguém. Ser despojado em público significa que Jesus já não é ninguém, nada mais é que um marginalizado, desprezado por todos. O momento do despojamento recorda-nos também a expulsão do paraíso: ficou sem o esplendor de Deus o homem, que agora está, ali, nu e exposto, desnudado e envergonha-se. Deste modo, Jesus assume mais uma vez a situação do homem caído. Jesus despojado recorda-nos o facto de que todos nós perdemos a «primeira veste», isto é, o esplendor de Deus. Junto da cruz, os soldados lançam sortes para repartirem entre si os seus míseros haveres, as suas vestes. Os evangelistas narram isto com palavras tiradas do Salmo 22, 19 e assim afirmam-nos o mesmo que Jesus há-de dizer aos discípulos de Emaús: tudo aconteceu «conforme as Escrituras». Não se trata aqui de pura coincidência, tudo o que acontece está contido na Palavra de Deus e assente no seu desígnio divino. O Senhor experimenta todos os estádios e degraus da perdição dos homens, e cada um destes degraus é, com toda a sua amargura, um passo da redenção: é precisamente assim que Ele traz de volta para casa a ovelha perdida. Recordemos ainda que, segundo diz S. João, o objecto do sorteio era a túnica de Jesus, a qual, «toda tecida de alto a baixo, não tinha costura» (Jo 19, 23). Podemos considerar isto como uma alusão à veste do sumo sacerdote, que era «tecida como um todo», sem costura (Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, III, 161). Ele, o Crucificado, é realmente o verdadeiro sumo sacerdote.

ORAÇÃO

Senhor Jesus, fostes despojado das vossas vestes, exposto à desonra, expulso da sociedade. Assumistes sobre Vós a desonra de Adão, sanando-a. Assumistes os sofrimentos e as necessidades dos pobres, daqueles que são expulsos do mundo. Deste modo é que realizais a palavra dos profetas. É precisamente assim que dais significado àquilo que não tem significado. Assim mesmo nos dais a conhecer que nas mãos do vosso Pai estais Vós, nós e o mundo.  Concedei-nos um respeito profundo pelo homem em todas as fases da sua existência e em todas as situações onde o encontrarmos. Dai-nos a veste luminosa da vossa graça.

11ª Estação: Jesus é pregado na cruz

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Do evangelho segundo São Mateus 27, 37-42

Puseram por cima da cabeça d’Ele um letreiro escrito com a causa da condenação: “Este é Jesus, o Rei dos Judeus”. Foram então crucificados com Ele dois salteadores, um à direita e outro à esquerda. Os que passavam dirigiam-Lhe insultos, abanavam a cabeça e diziam: “Tu que demolias o Templo e o reedificavas em três dias, salva-Te a Ti mesmo, se és Filho de Deus, e desce da cruz!” De igual modo, também os sumos sacerdotes troçavam, juntamente com os escribas e os anciãos, e diziam: “Salvou os outros e a Si mesmo não pode salvar-Se! É Rei de Israel! Desça agora da cruz, e acreditaremos n’Ele”.

MEDITAÇÃO

Jesus é pregado na cruz. O sudário de Turim permite formar uma ideia da crueldade incrível deste processo. Jesus não toma a bebida anestesiante que Lhe fora oferecida: conscientemente assume todo o sofrimento da crucifixão. Todo o seu corpo é martirizado; cumpriram-se as palavras do Salmo: «Eu, porém, sou um verme e não um homem, o opróbrio dos homens e a abjecção da plebe» (Sal 22/21, 7). «Como um homem (…) diante do qual se tapa o rosto, menosprezado e desestimado. Na verdade Ele tomou sobre Si as nossas doenças, carregou as nossas dores» (Is 53, 3-4). Detenhamos-nos diante desta imagem de sofrimento, diante do Filho de Deus sofredor. Olhemos para Ele nos momentos de presunção e de prazer, para aprendermos a respeitar os limites e a ver a superficialidade de todos os bens puramente materiais. Olhemos para Ele nos momentos de calamidade e de angústia, para reconhecermos que precisamente assim estamos perto de Deus. Procuremos reconhecer o seu rosto naqueles que tendemos a desprezar. Diante do Senhor condenado, que não quer usar o seu poder para descer da cruz, mas antes suportou o sofrimentos da cruz até ao fim, pode assomar ainda outro pensamento. Inácio de Antioquia, ele mesmo preso com cadeias pela sua fé no Senhor, elogiou os cristãos de Esmirna pela sua fé inabalável: afirma que estavam, por assim dizer, pregados com a carne e o sangue à cruz do Senhor Jesus Cristo (1, 1). Deixemo-nos pregar a Ele, sem ceder a qualquer tentação de nos separarmos nem ceder às zombarias que pretendem levar-nos a fazê-lo.

ORAÇÃO

Senhor Jesus Cristo, fizestes-Vos pregar na cruz, aceitando a crueldade terrível deste tormento, a destruição do vosso corpo e da vossa dignidade. Fizestes-Vos pregar, sofrestes sem evasões nem descontos. Ajudai-nos a não fugir perante o que somos chamados a realizar. Ajudai-nos a fazermos-nos ligar estreitamente a Vós. Ajudai-nos a desmascarar a falsa liberdade que nos quer afastar de Vós. Ajudai-nos a aceitar a vossa liberdade «ligada» e a encontrar nesta estreita ligação convosco a verdadeira liberdade.

12ª Estação: Jesus morre na cruz

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Do evangelho segundo São Mateus 27, 45-50.54

A partir do meio-dia, houve trevas em toda a região, até às três horas da tarde. E, pelas três horas da tarde, Jesus bradou com voz forte: “Eli, Eli, lemá sabachthani”, quer dizer, “Meu Deus, Meu Deus, porque Me abandonaste?” Alguns dos presentes ouviram e disseram: «Está a chamar por Elias». E logo um deles correu a pegar numa esponja, ensopou-a em vinagre, pô-la numa cana e deu-Lhe a beber. Mas os outros disseram: «Deixa lá! Vejamos se Elias vem salvá-Lo». E Jesus, dando novamente um forte brado, expirou.

Entretanto, o centurião e os que estavam com ele de guarda a Jesus, ao verem o tremor de terra e o que estava a suceder, ficaram aterrados e disseram: «Ele era, na verdade, Filho de Deus».

MEDITAÇÃO

No cimo da cruz de Jesus – nas duas línguas do mundo de então, o grego e o latim, e na língua do povo eleito, o hebraico – está escrito quem é: o Rei dos Judeus, o Filho prometido a David. Pilatos, o juiz injusto, tornou-se profeta sem querer. Perante a opinião pública mundial é proclamada a realeza de Jesus. O próprio Jesus não tinha aceite o título de Messias, enquanto poderia induzir a uma ideia errada, humana, de poder e de salvação. Mas, agora, o título pode estar escrito ali publicamente sobre o Crucificado. Ele, assim, é verdadeiramente o rei do mundo. Agora foi verdadeiramente «elevado». Na sua descida, Ele subiu. Agora cumpriu radicalmente o mandamento do amor, cumpriu a oferta de Si próprio, e precisamente deste modo Ele é agora a manifestação do verdadeiro Deus, daquele Deus que é amor. Agora sabemos quem é Deus. Agora sabemos como é a verdadeira realeza. Jesus reza o Salmo 22, que começa por estas palavras: «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?» (Sal 22/21, 2). Assume em Si mesmo todo o Israel, a humanidade inteira, que sofre o drama da escuridão de Deus, e faz com que Deus Se manifeste precisamente onde parece estar definitivamente derrotado e ausente. A cruz de Cristo é um acontecimento cósmico. O mundo fica na escuridão, quando o Filho de Deus sofre a morte. A terra treme. E junto da cruz tem início a Igreja dos pagãos. O centurião romano reconhece, compreende que Jesus é o Filho de Deus. Da cruz, Ele triunfa sem cessar.

ORAÇÃO

Senhor Jesus Cristo, na hora da vossa morte, o sol escureceu. Sois pregado na cruz sem cessar. Precisamente nesta hora da história, vivemos na escuridão de Deus. Pelo sofrimento sem medida e pela maldade dos homens o rosto de Deus, o vosso rosto, aparece obscurecido, irreconhecível. Mas foi precisamente na cruz que Vos fizestes reconhecer. Precisamente enquanto sois Aquele que sofre e que ama, sois aquele que é elevado. Foi precisamente lá que triunfastes. Ajudai-nos a reconhecer, nesta hora de escuridão e confusão, o vosso rosto. Ajudai-nos a crer em Vós e a seguir-Vos precisamente na hora da escuridão e da privação. Mostrai-Vos novamente ao mundo nesta hora. Fazei com que a vossa salvação se manifeste.

13ª Estação: Jesus é descido da cruz

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Do evangelho segundo São Mateus 27, 54-55

O centurião e os que estavam com ele de guarda a Jesus, ao verem o tremor de terra e o que estava a suceder, ficaram aterrados e disseram: «Ele era, na verdade, Filho de Deus». Estavam ali, a observar de longe, muitas mulheres, que tinham seguido Jesus desde a Galileia, para O servirem.

MEDITAÇÃO

Jesus morreu, o seu coração é trespassado pela lança do soldado romano e dele brotam sangue e água: misteriosa imagem do rio dos sacramentos, do Batismo e da Eucaristia, dos quais, em virtude do coração trespassado do Senhor, renasce incessantemente a Igreja. E não Lhe são quebradas as pernas, como aos outros dois crucificados; deste modo Ele aparece como o verdadeiro cordeiro pascal, ao qual nenhum osso deve ser quebrado (cf. Ex 12, 46). E agora que tudo suportou, vemos que Ele, apesar de toda a confusão dos corações, apesar do poder do ódio e da cobardia, não ficou sozinho. Os fiéis existem. Junto da cruz, estavam Maria, sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, Maria de Magdala e o discípulo que Ele amava. Agora chega também um homem rico, José de Arimateia: o rico encontra modo de passar pela buraco de uma agulha, porque Deus lhe dá a graça. Sepulta Jesus no seu túmulo ainda intacto, num jardim: o cemitério onde fica sepultado Jesus transforma-se em jardim, no jardim donde fora expulso Adão quando se separara da plenitude da vida, do seu Criador. O túmulo no jardim faz-nos saber que o domínio da morte está para terminar. E chega também um membro do Sinédrio, Nicodemos, a quem Jesus tinha anunciado o mistério do renascimento pela água e pelo Espírito. Até no Sinédrio, que tinha decidido a sua morte, há alguém que acredita, que conhece e reconhece Jesus após a sua morte. Sobre a hora do grande luto, da grande escuridão e do desespero, aparece misteriosamente a luz da esperança. O Deus escondido permanece em todo o caso o Deus vivo e próximo. O Senhor morto permanece em todo o caso o Senhor e nosso Salvador, mesmo na noite da morte. A Igreja de Jesus Cristo, a sua nova família, começa a formar-se.

ORAÇÃO

Senhor, descestes à escuridão da morte. Mas o vosso corpo é recolhido por mãos bondosas e envolvido num cândido lençol (Mt 27, 59). A fé não está completamente morta, não se pôs totalmente o sol. Quantas vezes parece que Vós estais a dormir. Como é fácil a nós, homens, afastar-nos dizendo para nós mesmos:  Deus morreu. Fazei com que, na hora da escuridão, reconheçamos que em todo o caso Vós estais lá. Não nos deixeis sozinhos quando tendemos a desanimar. Ajudai-nos a não deixar-Vos sozinho. Dai-nos uma fidelidade que resista no desânimo e um amor que Vos acolha no momento mais extremo da vossa necessidade, como a vossa Mãe, que Vos abraçou de novo no seu regaço. Ajudai-nos, ajudai os pobres e os ricos, os simples e os sábios, a ver através dos seus medos e preconceitos e a oferecer-Vos a nossa capacidade, o nosso coração, o nosso tempo, preparando assim o jardim no qual possa dar-se a ressurreição.

14ª Estação: Jesus é sepultado

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Do evangelho segundo São Mateus 27, 59-61

José pegou no corpo de Jesus, envolveu-o num lençol limpo e depositou-o no seu túmulo novo, que tinha mandado escavar na rocha. Depois, rolou uma grande pedra para a porta do túmulo e retirou-se. Entretanto, estavam ali Maria de Magdala e a outra Maria, sentadas em frente do sepulcro.

MEDITAÇÃO

Jesus, desonrado e ultrajado, é deposto com todas as honras num túmulo novo. Nicodemos traz uma mistura de mirra e aloés de cem libras destinada a emanar um perfume precioso. Agora na oferta do Filho revela-se, como sucedera já na unção de Betânia, um excesso que nos recorda o amor generoso de Deus, a «superabundância» do seu amor. Deus faz generosamente oferta de Si próprio. Se a medida de Deus é superabundante, também para nós nada deveria ser demasiado para Deus. Foi o que o próprio Jesus nos ensinou no discurso da Montanha (Mt 5, 20). Mas é preciso lembrar também as palavras de S. Paulo a propósito de Deus, que «por nosso meio faz sentir em todos os lugares o odor do seu conhecimento. Somos, para Deus, o bom odor de Cristo» (2 Cor 2, 14-15). Na putrefacção das ideologias, a nossa fé deveria ser de novo o perfume que reconduz às pegadas da vida. No momento da deposição, começa a realizar-se a palavra de Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto» (Jo 12, 24). Jesus é o grão de trigo que morre. Do grão de trigo morto começa a grande multiplicação do pão que dura até ao fim do mundo: Ele é o pão de vida capaz de saciar em medida superabundante a humanidade inteira e dar-lhe o alimento vital: o Verbo eterno de Deus, que Se fez carne e também pão, para nós, através da cruz e da ressurreição. Sobre a sepultura de Jesus resplandece o mistério da Eucaristia.

ORAÇÃO

Senhor Jesus Cristo, na sepultura fizestes vossa a morte do grão de trigo, tornastes-Vos o grão de trigo morto que produz fruto ao longo de todos os tempos até à eternidade. Do sepulcro brilha em cada tempo a promessa do grão de trigo, do qual provém o verdadeiro maná, o pão de vida em que Vós mesmo Vos ofereceis a nós. A Palavra eterna, através da encarnação e da morte, tornou-Se a Palavra próxima: Colocais-Vos nas nossas mãos e nos nossos corações para que a vossa Palavra cresça em nós e produza fruto. Dais-Vos a Vós próprio através da morte do grão de trigo, para que nós tenhamos a coragem de perder a nossa vida para encontrá-la; para que também nós nos fiemos da promessa do grão de trigo. Ajudai-nos a amar cada vez mais o vosso mistério eucarístico e a venerá-lo – a viver verdadeiramente de Vós, Pão do Céu. Ajudai-nos a tornarmo-nos o vosso «odor», a tornar palpáveis os vestígios da vossa vida neste mundo. Do mesmo modo que o grão de trigo se eleva da terra como caule e espiga, assim também Vós não podeis ficar no sepulcro: o sepulcro está vazio porque Ele – o Pai – não Vos «abandonou na habitação dos mortos nem permitiu que a vossa carne conhecesse a decomposição» (cf. At 2, 31; Sal 16, 10 LXX). Não, Vós não experimentastes a corrupção. Ressuscitastes e destes espaço à carne transformada no coração de Deus. Fazei com que possamos alegrar-nos com esta esperança e possamos levá-la jubilosamente pelo mundo; fazei que nos tornemos testemunhas da vossa ressurreição.

15ª Estação: Jesus ressuscita ao terceiro dia

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Do evangelho segundo São Mateus 18, 18-20

“Toda autoridade sobre o Céu e sobre a Terra ME foi entregue. Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do PAI, do FILHO e do ESPÍRITO SANTO e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei. E eis que EU estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos!

MEDITAÇÃO

Houve um forte tremor de terra, que fez rolar a pedra que fechava o túmulo do SENHOR, ao mesmo tempo em que uma luz brilhante veio de dentro e projetou no chão os soldados, como se estivessem mortos, paralisados contra o solo, enquanto JESUS ressuscitava gloriosamente envolvido numa esplendorosa luz.

No domingo bem cedo as mulheres foram ao túmulo, mas JESUS não estava lá. Próximo ao sepulcro elas viram dois homens com vestes claras e brilhantes, e eles lhes perguntaram:

“Por que procurais entre os mortos AQUELE que está vivo?” “ELE não está aqui, mas ressuscitou”.(Lc 24, 5-6) E a notícia da Ressurreição se espalhou rapidamente entre os discípulos. E foi no meio dos Discípulos que o SENHOR manifestou a sua presença.  Antes de subir para junto do PAI, JESUS disse aos seus Discípulos:

“Toda autoridade sobre o Céu e sobre a Terra ME foi entregue. Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do PAI, do FILHO e do ESPÍRITO SANTO e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei. E eis que EU estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos!” (Mt 28, 18-20)

Hoje o Cristo ressuscitado manifesta a sua presença através de todas as pessoas que vivem a fé e se comprometem na luta pela construção de um mundo novo, onde o amor, a justiça e a fraternidade são os sinais de que nós estamos com ELE, e ELE permanece conosco.

ORAÇÃO

SENHOR, que a nossa família seja a Vossa família. Que a nossa casa seja a Vossa casa. E que a nossa vida seja uma continuação da Vossa presença no mundo. Vivemos na luz da sua ressurreição.

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