O Diabo faz parte da sua fé?

Artigo por Milton Cesar

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Uma das figuras mais temidas em praticamente todas as pessoas de fé é justamente o Diabo (na verdade seria Satanás ou Lúcifer), por tudo que ele costuma significar. Seja por medo, desconhecimento ou até fraqueza.
E se eu disser que o Diabo faz parte da sua fé?
Seria ofensivo? Blasfêmia? Ou só seria polêmico?
Pois bem, esta é uma reflexão que me proponho a fazer.
Partindo do princípio de que se existe o bem, podemos colocar como Jesus, a contrapartida, ou seja o mal, também existe, e esta é com certeza o Diabo.
Parte das pessoas de fé só é assim por causa do medo de ir para o inferno, ou parar nas “garras” do Diabo. Muitas pessoas de fé acabam acreditando mais no Diabo do que em Deus.
Existem igrejas que expulsam o “demônio” todos os dias do seu meio. Como pode ser isso? Não seria solo sagrado? Que poder é este que adentra um local que deveria ser apenas de Deus e domina as pessoas?
Ai alguns dizem que o Diabo age no mundo, porque ele também tem livre arbítrio para ir onde quiser.
Então realmente muitas pessoas vivem a sua fé em decorrência do medo do Diabo. Ou seja, ele faz também parte da sua fé já que você acredita em Deus e tem medo do Diabo, mas para ter medo é preciso acreditar no poder dele.
Isso não quer dizer que você seja um “servo” do Diabo, mas também não quer dizer que você não acredita.
Muitas vezes todo este temor pode ser apenas uma fraqueza na fé, mas também pode ser falta de explicação do significado do Diabo dentro da história da fé.
Recentemente o ator Christian Bale agradeceu a Satanás ao receber um prêmio de melhor ator, isso chocou muita gente mesmo após ele explicar que se baseou na história do Diabo para criar um personagem.
Na história existem muitos relatos de pessoas que fazem pactos com o Diabo, muitos artistas, cantores, escritores, etc… Porém sempre existe uma aura de mistério nisso. Dizem que foi feito um pacto a meia-noite em uma encruzilhada ou em um cemitério. Esses relatos ajudaram na discriminação de muitas das religiões afros que cultuam divindades e fazem alguns trabalhos sempre junto a natureza.
Porém se formos pensar friamente, para que todo este trabalho para se fazer um pacto? Se pensarmos friamente o Diabo age me qualquer momento e não tem hora marcada para se “vender a alma” (como dizem). Portanto todo este mistério serve para atiçar nossa curiosidade e também para amedrontar as pessoas.
Tenho certeza de que quem ler este texto ou vai parar antes de terminar, ou vai ficar com raiva, ou simplesmente vai refletir.
Existe a Bíblia do Diabo, Igrejas dedicadas ao Diabo e seguidores por vários lugares. Isso quer dizer que existem milhares de pessoas que acreditam no seu poder.
Mas isso é real?
Pois bem. Quem deseja o mal terá o mal. Mas de fato este é o objetivo destas pessoas? Talvez sim, talvez não.
Muitas pessoas recorrem a este lado, digamos assim, obscuro, para alcançar algo mais imediatista e materialista. Dinheiro, poder, fama, sucesso…
Porque acham que Deus não vai conceder nada disso por julgarem ser algo muito egoísta. Mas quem disse que seus desejos são egoístas? Que Deus não concederia?
Todos nós nascemos com a marca do pecado original e acredito que do mesmo jeito que temos uma inclinação para o bem, temos sempre uma inclinação para o mal. Isso independe do Diabo. É a sua natureza. Se você consegue odiar, consegue ser mal, com ou sem o Diabo ao seu lado.
Quem não gostaria de fazer um pedido e tê-lo atendido imediatamente?
Pois é. Aí entra a questão de como e para quem este pedido será feito.
Quem garante que se você trabalhar, estudar e lutar não vai conseguir alcançar o seu objetivo? Mas terá ajuda de Deus neste processo?
Se você tiver fé, vai ter! Porém muitas pessoas acabam tentando muito e muito (nem sempre da maneira certa) e num dado momento perdem a fé em Deus e começam a crer que apenas o Diabo poderá conceder este pedido. E aí?
Tudo o que fazemos tem sim uma consequência, que isso fique claro. O que você busca?
Santa Terezinha do Menino Jesus dizia não entender este medo do Diabo pois a simples pronuncia do nome de Jesus já fazia estremecer o inferno.
Mas este mundo de hoje o que temos visto é uma verdadeira ascensão do lado mal das pessoas. Seria um aumento do poder do Diabo? Não sei.
Se levarmos em conta que ele pode agir no mundo livremente pode ser.
Mesmo que cada pessoa de fé em Jesus não acredite que o Diabo possa agir na sua vida, nenhuma destas pessoas deixa de acreditar que ele vai tentar sempre, e mais que ele tem um grande poder.
Eu acredito nisso. Existe sempre uma batalha entre o que seria a luz (Deus) e o que seriam as trevas (o Diabo), mas é uma luta que nós alimentamos. Eu não duvidaria do “mal”, mesmo acreditando em Deus.
Também existem as pessoas que acreditam e dizem que o mal está nas pessoas e o inferno é aqui. Talvez seja.
Outros creem que o mal só aparecerá na forma de um Anticristo. Sinto dizer que já existem muitas pessoas contra Cristo hoje em dia.
O fato é que acreditamos na figura do Diabo e por isso mesmo vamos para uma religião, seguimos uma fé. Primeiro por crer em Deus e por temer o Diabo.
Todas as religiões acreditam de uma forma ou outra na figura do Diabo, apesar de que cada uma tem o seu jeito de enxerga-lo.

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Zoroastrismo

No zoroastrismo, a entidade Angro Mainyu (Ahriman em persa), inimigo de Ahura Mazda (Aúra-Masda), é um possível precursor das ideias que dariam forma ao diabo cristão. O zoroastrismo foi o primeiro monoteísmo ortodoxo amplamente aceito, pois foi a primeira grande doutrina monoteísta a ser adotada oficialmente por um grande império: o Império Persa. Os Zoroastristas acreditavam que não existia deus se não Aúra-Masda. Quando o Império Persa dominou a atual região de Israel, o judaísmo acabou sendo fortemente influenciado pelo zoroastrismo. As concepções judaicas de Satanás foram impactadas por Angra Mainyu, o espírito destrutivo do mal, da escuridão e da ignorância zoroastrista. A ideia de Satanás como adversário de Deus e uma figura puramente maligna parece ter raízes em livros apócrifos judaicos (como o Livro de Enoque) durante Período do Segundo Templo, época em que Israel estava sob domínio persa. Indiferentemente da origem, exatamente da mesma forma que o satã cristão, Angro Mainyu representa o lado negro da alma de todos os homens, o ego que os guia a prazeres fúteis e os afasta de tudo o que é bom.

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Como muitos imaginam o inferno

Na Bíblia:
Satanás aparece 59 vezes (23 no AT e 36 no NT) e demônio 37 vezes (no Novo Testamento).
O Diabo é chamado por muitos nomes, e assim fica até difícil saber se tratasse de 1 individuo ou muitos. Porém o primeiro relato diz que Lúcifer era um anjo que foi expulso do céu por querer se comparar a Deus. E este caiu na Terra. Interessante que a figura de Lúcifer é quase sempre interpretada como um ser das trevas, porém o próprio nome Lúcifer (do latim lux + fero = que traz luz, que dá claridade, luminoso) seria Arcanjo de Luz (ou numa tradução livre Portador da Luz), e não de trevas ou escuridão. Uma contradição com o que ele se tornou popularmente. A tradição judaica e a islâmica, além dos apócrifos cristãos, colocam que o ainda arcanjo Lúcifer era um ser de muita luz e era um dos preferidos de Deus, porém quando Deus criou a Terra e depois criou Adão, todos os anjos se curvaram a criação mas Lúcifer não aceitou se curvar pois se achava melhor que algo vindo do barro, então Deus o expulsou do céu e com ele vieram toda a sua milícia de 1 terço dos anjos convencidos por Lúcifer a se rebelarem contra Deus, mas derrotados pelas forças de um arcanjo mais poderoso, o Arcanjo Miguel.
Talvez seja esta luz que atraia tanta atenção dos que creem ou temem o Diabo. Esta talvez seja a sedução.

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Principais citações sobre Satanás na Bíblia:
1. Tentando Eva no Paraíso (Gn 3, 1-15)
2. Apostando com Deus a fidelidade de Jó (Jó 1, 1-22)
3. Tentando Jesus no deserto (Mt 4, 1-11)
4. Possuindo Judas Iscariotes (Lc 22,3)
5. No apocalipse. (Ap 20)

Pois bem, acredite sem medo o Diabo acaba fazendo parte da sua fé, mesmo no seu inconsciente. Isso não quer dizer que você não tenha fé em Deus. Apenas quer dizer que você acredita tanto no bem como no mal, mas com certeza se esforça para seguir apenas um destes caminhos.
E quem poderá julgar os caminhos que cada pessoa decide seguir. Cada caminho que as pessoas decidem se declarar.
Assim como existem as pessoas que seguem os ensinamentos de Jesus, existem os que acreditam apenas em Deus, em Alá (que é Deus), em Buda, nas Divindades Hindus, no dinheiro, Ateus e não acreditam em nada ou até os que creem apenas no Diabo. Essa é a humanidade nascida (para os que acreditam em Deus) do pecado original e que ganhou a liberdade para escolher o que quer seguir.
Porém sempre vão haver consequências.
Espero não ter chocado ninguém.

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O arcanjo Lúcifer caído

A palavra “satanás” é de origem hebraica, enquanto que “diabolos” (diabo/demônio) é grega. Esse segundo termo foi usado pelos tradutores gregos da Bíblia (LXX) para traduzir nessa língua a palavra hebraica “Satanás”.
’Satanás’ significa ‘adversário’, ‘acusador’ e indica um tipo de ministério público que no livro de Jó é descrito como presente na corte celeste e tem a função de denunciar os pecados das pessoas. ‘Diabo’, invés, significa, em grego, ‘aquele que divide’ e o termo tem somente um sentido negativo: é aquele que tenta, que procura com todos os meios de separar o homem de Deus. Este aspecto predominará na concepção bíblica e Satanás se torna a presença obscura na história, que tenta fazer com que a balança da liberdade humana pese mais na direção do mal, em oposição à graça divina que faz com que ela pese para o lado do bem.

“Satanás é uma figura muito controvertida na Bíblia. A palavra “Satã” significa em hebraico “acusador”, “opositor”. Aparece, pela primeira vez no livro de Jó, sendo como um promotor celestial. A sua intimidade com Deus e o direito de entrar no “Céu”, de ir e vir livremente e dialogar com Ele, torna-o uma figura de muito destaque. Veja o livro de Jó 1:6 “Um dia em que os filhos de Deus se apresentaram diante do Senhor, veio também Satanás entre eles”.
O livro de Jó foi escrito depois do Exílio Babilônico. Sabemos que o povo judeu, tendo retornado a Israel com a permissão de Ciro, rei persa, no ano 538 a.C, assimilou muitos costumes dos persas. Isto ocorreu devido à simpatia e apoio que receberam do rei, que inclusive permitiu a construção do Segundo Templo judaico e ainda devolveu muitos de seus tesouros, que haviam sido roubados. A religião dos persas, o Zoroastrismo, influenciou sobremaneira o judaísmo. No Zoroastrismo, existe o Deus supremo Ahura-Mazda, que sofre a oposição de uma outra força poderosa, conhecida como Angra Mainyu, ou Ahriman, “o espírito mau”. Desde o começo da existência, esses dois espíritos antagônicos têm-se combatido mutuamente.
O Zoroastrismo foi uma das mais antigas religiões a ensinar o triunfo final do bem sobre o mal. No fim, haverá punição para os maus, e recompensa para os bons. E foi do Zoroastrismo que os judeus aprenderam a crença em um Ahriman, um diabo pessoal, que, em hebraico, eles chamaram de SATAN — Por isso, o seu aparecimento na Bíblia só ocorre no livro de Jó e nos outros livros escritos após o exílio Babilônico, do ano 538 a.C. para cá. Nestes livros já aparece a influência do Zoroastrismo persa. Observe ainda que a tentação de Adão e Eva é feita pela serpente e não por Satanás, demonstrando assim que o escritor do Gênesis não conhecia Satanás. Os sábios judaicos, interpretando o Eclesiastes 10:11, afirmam (Pirkei de Rabi Eliezer 13) que, na verdade, a cobra que seduziu Adão e Eva era o Anjo Samael, que apareceu na terra sob a forma de serpente. Ele, que é conhecido como o “dono da língua”, usou sua língua para seduzir Adão e Eva ao pecado. O poder do mal está em sua língua, e este poder pode ser usado somente para dominar o sábio. Ele não pode prevalecer sobre um ignorante.
Uma outra observação interessante é que o livro de Samuel foi escrito antes da influência persa no ano de 622 a.C. e, no II livro de Samuel em seu capítulo 24:1, você lê com relação ao recenseamento de Israel o seguinte: “A cólera de IAHVÉH se inflamou novamente contra Israel e excitou David contra eles, dizendo-lhe: Vai recensear Israel e Judá”.
Agora veja esta mesma passagem no I livro das Crônicas, que foi escrito no começo do ano 300 a.C, portanto, já sob a influência do Zoroastrismo persa, com o já conhecimento de Ahriman/Satanás. No capítulo 21:1 desse livro está escrito: “e levantou-se Satã contra Israel, e excitou David a fazer o recenseamento de Israel”. Portanto, o que era IAHVÉH no livro de Samuel aparece agora no livro das Crônicas como SATANÁS (Confira em sua Bíblia).
Assim, está evidenciado que Satanás não é um conceito original da Bíblia, e sim, introduzido nela, a partir do Zoroastrismo Persa.
Passa a existir a partir daí “uma lenda” entre o povo judeu de que Satanás é considerado como o rei dos demônios, que se rebelara contra Deus sendo expulso do céu. Ao exilar-se do céu, levou consigo uma hoste de anjos caídos, e tornou-se seu líder. A rebelião começou quando ele, Satanás, o maior dos anjos, com o dobro de asas, recusou prestar homenagem a Adão. Afirmam ainda que esteve por trás do pecado de Adão e Eva, no Jardim do Éden, mantendo relação sexual com Eva, sendo, portanto, pai de Caim. Ajudou Noé a embriagar-se com vinho e tentou persuadir Abraão a não obedecer a Deus no episódio do sacrifício do seu filho Isaac.
Muitas pessoas acreditam muito no poder de Satanás e até o enaltecem em suas igrejas, razão pela qual achamos que seriam fechadas muitas igrejas se os seus dirigentes deixassem de acreditar em Satanás.
Para seu maior esclarecimento, Kardec faz uma observação sobre Satanás que descrevemos a seguir: “com relação a Satanás, é evidentemente a personificação do mal sob uma forma alegórica, pois não se poderia admitir um ser mau a lutar, de potência a potência, com a Divindade e cuja única preocupação seria a de contrariar os seus desígnios. Precisando o homem de figuras e de imagens para impressionar a sua imaginação, ele pintou os seres incorpóreos sob uma forma material, com atributos lembrando suas qualidades e seus defeitos”. E conclui: “Modernamente, os anjos ou Espíritos puros são representados por uma figura radiosa, com asas brancas, símbolo da pureza; Satanás com dois chifres, garras e os atributos da animalidade, emblema das paixões inferiores. O vulgo, que toma as coisas pela letra, viu nesses emblemas um indivíduo real, como outrora vira Saturno na alegoria do Tempo”.
O Versículo 12 do capítulo 14 de Isaías deu origem à palavra Lúcifer quando da tradução da Vulgata. Alguns teólogos citam ainda Ezequiel 37,2–11 como referentes a ele. No entanto, nos textos da Bíblia hebraica e grega, esta palavra (Lúcifer) não aparece. Vejamos uma tradução apurada do original hebraico:
“Como caíste dos céus, estrela filha da manhã. Foste atirada na terra como vencedora das nações”
O texto grego, em Isaías 14,12, que originou as palavras no latim foi “ró eosfóros” (a luz matutina, astro brilhante) e “ró proi anatelon” (nascida da manhã). Veja agora o versículo no latim, onde São Jerônimo coloca a palavra Lúcifer: “quomodo cecidisti de caelo LUCIFER (astro brilhante, ou luz matutina) qui mane oriebaris corruisti in terram qui vulnerabas gentes”. Que significa “Como caíste do céu, ó estrela d’alva, filha da aurora! Como foste atirada à terra, vencedora das nações”.
Assim, fica constatado que o termo é latino, e lançado por São Jerônimo, quando da tradução da Vulgata, no século III da era Cristã. Alguns tentam ligar esta passagem ao Apocalipse 8,10 como sendo aí a queda de Lúcifer, mas a história de que seria o chefe dos anjos caídos, citados na II epístola de Pedro 2, 4 e Judas 6, não tem fundamento comprovado no Antigo Testamento, como podemos observar.
O capítulo 14 de Isaías do versículo 3 ao 22 refere-se a queda e destruição do rei Nabucodonosor da Babilônia. Foram os padres e teólogos da igreja católica que lançaram o versículo 14,12 como sendo referente a queda do príncipe dos demônios Lúcifer. Uma vez mais nos deparamos com a questão das traduções, dos folclores e das crenças pessoais! (Parte do texto de Marcelo Deldebbio)

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O Brasão de Arkhangelsk(Rússia) apresenta Miguel Arcanjo lutando contra o Diabo

Quem é quem no Inferno

A imaginação criativa na Idade Média não se limitou a conceber uma figura horripilante para Satanás. O inferno, espaço de trevas e sofrimento a que o adversário do Criador foi relegado, teve suas regiões geográficas e departamentos minuciosamente retratados pela demonologia e pelas artes cristãs.
No início o reino infernal era habitado, segundo os doutores da Igreja, por exatos 133 306 668 anjos corrompidos. Isso corresponderia à terça parte do contingente de quase 400 milhões de anjos criados por Deus, originalmente distribuídos em nove ordens, cada uma delas composta por 6 666 legiões que, por sua vez, são grupos formados por 6 666 indivíduos. Para administrar tantos demônios em seu trabalho de espalhar o mal, o Diabo delegou poderes a auxiliares, às vezes confundidos com o próprio chefe. A seguir, alguns nomes influentes no organograma do inferno:

ORGANOGRAMA DO INFERNO

Segundo algumas lendas, Lilith foi a primeira mulher de Adão, criada antes de Eva. A lenda conta que Deus criou Adão e Lilith, ambos do pó. Mas ela não aceitou a condição de ser submissa a Adão. Tendo sido criados ambos da mesma matéria, Lilith questionou a Deus porque devia obediência a Adão. Este lhe respondeu que era assim que havia feito as coisas e assim continuaria. Ela então se rebelou e decidiu abandonar o Jardim do Éden.

Adão solitário reclamou a Deus sobre a fuga da mulher, este enviou três anjos para que trouxessem Lilith de volta. Os anjos voltaram, declarando que ela se recusou a voltar para Adão. Foi então que Deus decidiu fazer outra mulher para Adão, Eva. Submissa, feita da costela de Adão, não do barro.

Lilith fugiu para as margens do Mar Vermelho, lugar onde habitavam demônios e espíritos malignos, segundo a tradição hebraica. Esse seria um lugar maldito, o que provaria que ela realmente se tornou um demônio. Segundo essa tradição, o caráter demoníaco de Lilith levaria uma mulher à desobediência sobre o marido.

Não há nenhuma referência bíblica citando Lilith. A religião hebraica passou a falar sobre ela muito depois dos escritos bíblicos. Para os cristãos, ela não existiu. Há teses que dizem que Lilith era a serpente que induziu Eva a comer o fruto proibido, mas os cristãos não corroboram essa ideia. Há teses que afirmam que no Concílio de Nicéia, cujo objetivo foi definir temas fundamentais do Cristianismo, foram retirados evangelhos da Bíblia que contavam a história de Lilith. O Concílio retirou da bíblia evangelhos considerados “apócrifos”, que segundo eles foram escritos sem “inspiração divina”, por irem contra os dogmas estabelecidos pelos bispos daquela época. Entre os evangelhos banidos estariam o de Tomé, Maria Madalena, Judas, Jesus e Gênesis II.

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Quem matou mais: Deus ou o Diabo?

O blogueiro americano Steve Wells pesquisou na Bíblia para chegar ao resultado

Por Rafael Tonon

Publicado em 31 maio 2008 – Revista Superinteressante (Editora Abril)

Na Bíblia, dá Deus, de goleada. De acordo com os relatos do livro, o Todo-Poderoso é responsável por exatas 2 270 365 mortes, enquanto o coisa-ruim ostenta em seu currículo de maldades apenas 10 eliminados. Esse surpreendente levantamento foi feito pelo blogueiro americano Steve Wells, editor do site Skeptic’s Annotated Bible (“A Bíblia Anotada do Cético”), skepticsannotatedbible.com, que reproduz a Bíblia em versão online e comentada. Depois de vasculhar todas as mortes narradas no livro, Steve publicou os dados na internet.

Segundo ele, mais de 99% das mortes em nome do Senhor estão no Velho Testamento – a maior matança foi quando Deus destruiu todas as cidades nos arredores de Gerara, na Palestina, tirando a vida de 1 milhão de pessoas. No Novo Testamento, só 3 pessoas foram mandadas desta para a melhor pelas mãos do Criador: o rei Herodes, Ananias e sua esposa, Safira. Já o Diabo é responsável pela morte dos 10 filhos de Jó. Steve diz ainda que a lista de vidas tiradas tanto por Deus quanto pelo Diabo pode ser muito maior. “Só no dilúvio, quando Ele pediu a Noé para construir a arca, cerca de 30 milhões de pessoas teriam sido varridas do mundo. Mas, como é um total difícil de estimar, só somei as mortes cujos números são especificamente citados na Bíblia”, diz ele.

Para quem acha que Steve é um ateu incendiário, uma surpresa: ele é mórmon e diz que não quis causar polêmicas com o levantamento. “Sou um cara religioso e temo a Deus. Principalmente agora.”

https://super.abril.com.br/historia/quem-matou-mais-deus-ou-o-diabo/

Leia:

Círculo Bíblico: Livro de Jó (10/10)

Círculo Bíblico: Livro de Jó

Este é o último de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o Livro de Jó A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Livro de Jó (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja mas é ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia, apenas como incentivo. 

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

 

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Jó 40

“1.O Senhor, dirigindo-se a Jó, lhe disse:* 2.“Aquele que disputa com o Todo-poderoso apresente suas críticas! Aquele que discute com Deus responda!”. 3.Jó respondeu ao Senhor nestes termos: 4.“Leviano como sou, que posso responder-te? Ponho a minha mão sobre a boca. 5.Falei uma vez e não repetirei, duas vezes, e nada acrescentarei”. 6.Então, do meio da tempestade, o Senhor deu a Jó esta resposta: 7.“Cinge os teus rins como um valente; vou interrogar-te e tu me responderás.* 8.Queres reduzir a nada a minha justiça e condenar-me antes de ter razão?* 9.Acaso tens um braço semelhante ao de Deus e uma voz troante como a dele? 10.Orna-te então de grandeza e majestade, reveste-te de esplendor e de glória! 11.Espalha as ondas de tua cólera. Com um simples olhar, abate o arrogante. 12.Com um olhar, humilha o soberbo e esmaga os ímpios no mesmo lugar em que eles estão. 13.Enterra-os todos juntos debaixo da terra e amarra-lhes os rostos num lugar escondido. 14.Então, eu também te louvarei por triunfares pela força de tua mão direita. 15.Vê Beemot, que criei contigo, que nutre-se de erva como o boi.* 16.Sua força reside nos rins e seu vigor nos músculos do ventre. 17.Levanta sua cauda como um cedro. Os nervos de suas coxas são entrelaçados. 18.Seus ossos são como tubos de bronze e sua carcaça como barras de ferro. 19.É obra-prima de Deus, foi criado como o soberano de seus companheiros. 20.As montanhas fornecem-lhe a pastagem e todos os animais dos campos divertem-se em volta dele. 21.Deita-se sob os lótus, no esconderijo dos caniços e dos brejos. 22.Os lótus cobrem-no com sua sombra e os salgueiros da margem o cercam. 23.Quando o rio transborda, ele não se assusta; mesmo que o Jordão levantasse até a sua boca, ele ficaria tranquilo. 24.Quem o seguraria pela frente e lhe furaria as ventas para nelas passar cordas? 25.Poderás tu fisgar Leviatã com um anzol e amarrar-lhe a língua com uma corda?* 26.Serás capaz de passar-lhe um junco em suas ventas e de furar-lhe a mandíbula com um gancho? 27.Ele te fará muitas súplicas e te dirigirá palavras ternas? 28.Concluirá ele uma aliança contigo, a fim de que faças dele sempre teu escravo? 29.Brincarás com ele como se fosse um pássaro, ou o prenderás com a coleira, para divertir teus filhos? 30.Será ele vendido por uma sociedade de pescadores e dividido entre os negociantes? 31.Poderás crivar-lhe a pele com dardos, ou a cabeça com arpões de pesca? 32.Tenta pôr a mão sobre ele, sempre te lembrarás disso e não recomeçarás. 33.Tua esperança será lograda: bastaria a sua vista para te arrasar.”

Jó 41

“1.Ninguém é bastante ousado para provocá-lo. Quem lhe resistiria face a face? 2.Quem pôde afrontá-lo e sair com vida? Quem, debaixo de toda a extensão do céu?* 3.Não quero calar a glória de seus membros e falarei de seu vigor incomparável. 4.Quem levantou a dianteira de sua couraça? Quem penetrou na dupla linha de sua dentadura? 5.Quem lhe abriu os dois batentes da goela? Em torno dos seus dentes, só terror! 6.Sua costa é um aglomerado de escudos, cujas juntas são estreitamente ligadas: 7.uma encaixa na outra, nem sequer o ar passa por entre elas; 8.uma adere tão bem à outra, que são encaixadas sem se poderem desunir. 9.Seu espirro faz jorrar a luz e seus olhos são como as pálpebras da aurora. 10.De sua goela saem chamas e escapam centelhas ardentes. 11.De suas ventas sai fumaça como de uma panela que ferve entre chamas. 12.Seu hálito queima como brasa e a chama jorra de sua goela. 13.Em seu pescoço reside sua força, diante dele salta o espanto. 14.As dobras de seus músculos são aderentes, esticadas sobre ele, elas são inabaláveis. 15.Firme como a pedra é seu coração, firme como a mó fixa de um moinho. 16.Quando se levanta, estremecem as ondas e os vagalhões do mar se afastam. 17.Se uma espada o atinge, ela não resiste, nem a lança, nem a flecha, nem o dardo. 18.O ferro para ele é como palha e o bronze, como madeira podre. 19.A flecha não o afugenta, as pedras de funda são palhinhas para ele. 20.O martelo lhe parece um fiapo de palha e ri-se do assobio da espada. 21.Sob seu ventre há cacos pontiagudos, como uma grade de ferro que se arrasta sobre o lodo. 22.Faz ferver o abismo como uma caldeira e transforma o mar num queimador de perfumes. 23.Deixa atrás de si um sulco luminoso, como se o abismo tivesse cabeleira branca. 24.Não há nada igual a ele na terra, pois foi feito para não ter medo de nada. 25.Ele afronta tudo o que é elevado. Ele é o rei dos mais orgulhosos animais”.”

Jó 42

“1.Jó respondeu ao Senhor nestes termos: 2.“Sei que podes tudo e que nada te é impossível. 3.‘Quem é esse que obscurece assim a Providência com discursos ininteligíveis?’ É por isso que falei, sem compreendê-las, maravilhas que me superam e que não conheço. 4.‘Escuta-me, deixa-me falar, vou interrogar-te e tu me responderás.’ 5.Meus ouvidos ouviram falar de ti, mas agora meus próprios olhos te viram. 6.É por isso que me retrato e me arrependo, no pó e na cinza”. 7.Depois que o Senhor acabou de dirigir essas palavras a Jó, disse a Elifaz de Temã: “Estou irado contra ti e contra teus dois amigos, porque não falastes corretamente de mim, como Jó, meu servo. 8.Tomai, pois, sete touros e sete carneiros e vinde ter com meu servo Jó. Oferecei-os por vós em holocausto e meu servo Jó intercederá por vós. É em consideração a ele que não vos infligirei ignomínias por não terdes falado bem de mim, como Jó, meu servo”. 9.Elifaz de Temã, Baldad de Suás e Sofar de Naamat foram-se então para fazer como o Senhor lhes tinha ordenado, e o Senhor tomou em consideração as orações de Jó. 10.Enquanto Jó rezava por seus amigos, o Senhor o restabeleceu de novo em seu primeiro estado e lhe tornou em dobro tudo quanto tinha possuído. 11.Todos os seus irmãos, todas as suas irmãs, todos os seus amigos de antes vieram visitá-lo e sentaram-se com ele à mesa em sua casa. Tiveram muito dó dele e deram-lhe condolências a respeito de todas as infelicidades que o Senhor lhe enviara. E cada um deles ofereceu-lhe uma moeda de prata e um anel de ouro. 12.O Senhor abençoou os últimos tempos de Jó mais do que os primeiros. Teve Jó catorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de bois e mil jumentas. 13.Teve ainda sete filhos e três filhas: 14.chamou a primeira Pombinha, a segunda Cássia e a terceira Azeviche. 15.Em toda aquela terra não poderiam ser encontradas mulheres mais belas do que as filhas de Jó. E seu pai lhes destinou uma parte da herança entre seus irmãos. 16.Depois disso, Jó viveu ainda cento e quarenta anos e conheceu até a quarta geração dos filhos de seus filhos. 17.Depois, velho e cheio de dias, morreu.”

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Jó e um novo recomeço

 

Jó escuta as palavras e questionamentos de Deus, e reconhece que errou ao questionar suas provações. Deus fala para os amigos de Jó que estes nunca conseguiram falar da maneira correta sobre ele. Depois perdoa Jó que ao final realmente acabou tendo paciência.

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“40,1. Os vv. 31-35, que no texto hebreu são o começo do cap. 40, parecem ter sido colocados fora de lugar. Encontram seu lugar natural no fim do cap. 41. 40,6. Reprodução textual de 38,1.3. Essa repetição provém de arranjos posteriores do texto do discurso de Deus. A sequência lógica das ideias exigiria que o texto a partir de 40,10 fosse diretamente unido a 39,30. 40,8. E condenar-me: outra tradução – e condenar-me para assegurar o teu direito? (N. do T.) 40,15. Beemot: o hipopótamo. 40,25. Leviatã: o crocodilo recebe aqui o nome do monstro mitológico, ao qual se referiu a nota do cap. 3,8. Ver também 26,13.”

“41,2. A primeira parte deste versículo está citada em Rm 11,35, porém de maneira bem diferente.”

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Círculo Bíblico: Livro de Jó (9/10)

Círculo Bíblico: Livro de Jó

Este é o nono de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o Livro de Jó A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Livro de Jó (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja mas é ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia, apenas como incentivo. 

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

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Jó 36

“1.Depois Eliú prosseguiu nestes termos: 2.“Espera um pouco e te instruirei. Tenho ainda palavras em defesa de Deus. 3.Vou buscar longe a minha ciência, para justificar aquele que me criou. 4.Pois minhas palavras não são certamente mentirosas e estás tratando com um homem de ciência sólida. 5.Deus é poderoso, mas não é arrogante, é poderoso por sua ciência. 6.Não deixa o ímpio viver, mas faz justiça aos oprimidos. 7.Não tira seus olhos do justo e os faz assentar no trono com os reis, numa glória eterna. 8.Se forem presos em grilhões e atados com os laços da pobreza, 9.ele lhes fará conhecer as suas obras e as faltas que cometeram por orgulho. 10.Abre-lhes os ouvidos para corrigi-los e diz-lhes que renunciem à iniquidade. 11.Se escutarem e obedecerem, terminarão seus dias na felicidade e seus anos em delícias. 12.Mas se não o escutarem, morrerão de um golpe e expirarão por falta de sabedoria. 13.Os ímpios de coração são entregues à cólera e não clamam a Deus quando ele os aprisiona. 14.Por isso morrem em plena mocidade e sua vida passa como a dos efeminados.* 15.Mas Deus salvará o pobre pela sua miséria e o instrui pelo sofrimento. 16.A ti também ele retirará das fauces a angústia, numa larga liberdade e no repouso de uma mesa bem guarnecida.* 17.Mas tu te comportas como um malvado, com o risco de incorrer em sentença e penalidade. 18.Toma cuidado para que a cólera não te inflija um castigo e que o tamanho do resgate não te perca. 19.Acaso levará ele em conta teu grito na aflição e todos os esforços do vigor? 20.Não suspires pela noite da morte, que arrebata os povos de seu lugar! 21.Guarda-te de declinar para a iniquidade, e de preferir a injustiça ao sofrimento. 22.Vê, Deus é sublime em seu poder! Que senhor lhe é comparável? 23.Quem lhe fixou seus caminhos? Quem pode dizer-lhe: ‘Fizeste mal?’. 24.Antes lembra-te de glorificar sua obra, que a humanidade celebra em seus cânticos. 25.Todos os homens a contemplam, mas cada um a considera de longe. 26.Deus é grande demais para que o possamos conhecer; o número de seus anos é incalculável. 27.Atrai as gotinhas de água para transformá-las em chuva no nevoeiro. 28.As nuvens espalham essas águas e as destilam sobre a multidão humana. 29.Quem pode compreender como se expandem as nuvens e o estrépito que sai de sua tenda?* 30.Espalha à sua volta sua luz e encobre as profundezas do mar. 31.É por esse meio que governa os povos e fornece-lhes abundante alimento. 32.Nas suas mãos esconde o raio e fixa-lhe o alvo a atingir. 33.O seu estrondo o anuncia e o rebanho também pressente aquele que se aproxima.”

Jó 37

“1.Por isso, tremeu o meu coração e saltou fora de seu lugar. 2.Escutai, escutai o brado de sua voz e o estrondo que sai da sua boca! 3.Enche dele toda a extensão do céu e seus relâmpagos atingem os confins da terra! 4.Por detrás dele ruge uma voz e troveja com sua voz majestosa. Não retém mais seus raios quando se ouve sua voz. 5.Deus troveja com sua voz maravilhosa, faz prodígios que não compreendemos. 6.Diz à neve: ‘Cai sobre a terra!’. E às pancadas de chuva: ‘Sede fortes!’. 7.Ele põe selos sobre as mãos dos homens, a fim de que todos os mortais reconheçam seu criador.* 8.A fera também entra em seu covil e encolhe-se em sua toca. 9.O furacão sai da câmara do sul e do norte chega o frio. 10.Ao sopro de Deus forma-se o gelo e a superfície das águas se congela. 11.Carrega as nuvens de vapor. As nuvens lançam por toda parte seus relâmpagos, 12.que vão em todos os sentidos sob sua direção, para realizar tudo quanto ele ordena na face da terra. 13.Ora é o castigo que eles trazem, ora seus benefícios. 14.Escuta isto, Jó! Para e considera as maravilhas de Deus! 15.Sabes como Deus as opera e faz brilhar o relâmpago de sua nuvem? 16.Conheces a lei do equilíbrio das nuvens e o milagre daquele cuja ciência é infinita? 17.Por que são quentes as tuas vestes, quando repousa a terra ao sopro do meio-dia? 18.Saberás, como ele, estender as nuvens e torná-las sólidas como um espelho de metal fundido? 19.Dá-me a conhecer o que lhe diremos. Mergulhados em nossas trevas, só sabemos objetar. 20.Quem lhe repetirá o que digo? Acaso pedirá um homem a sua própria perdição? 21.Agora já não se vê a luz, o sol brilha através das nuvens. Passa, porém, um vento e as varre. 22.A luz vem do norte. Deus está envolto numa majestade temível.* 23.Não podemos alcançar o Todo-poderoso. Ele é eminente em força e em equidade; grande na justiça, ele não tem a dar contas a ninguém. 24.Que os homens, pois, o reverenciem! Ele não olha aqueles que se julgam sábios!”.*”

Jó 38

“1.Então, do seio da tempestade, o Senhor deu a Jó esta resposta:* 2.“Quem é este que obscurece a Providência com discursos sem sentido? 3.Cinge os teus rins como um valente! Vou interrogar-te e tu me responderás. 4.Onde estavas, quando lancei os fundamentos da terra? Fala, se estiveres informado disso. 5.Quem lhe deu as medidas, já que o sabes? Ou quem sobre ela estendeu o cordel?* 6.Onde se assentam suas bases? Ou quem colocou nela a pedra angular, 7.sob os alegres concertos dos astros da manhã e sob as aclamações de todos os filhos de Deus? 8.Quem fechou com portas o mar, quando brotou do seio materno, 9.quando lhe dei as nuvens por vestimenta e o enfaixava com névoas tenebrosas? 10.Eu lhe tracei limites e lhe pus portas e ferrolhos, 11.dizendo: ‘Chegarás até aqui e não irás mais longe; aqui se deterá o orgulho de tuas ondas?’. 12.Algum dia na vida deste ordens à manhã, ou indicaste à aurora o seu lugar, 13.para que ela alcançasse as extremidades da terra e dela sacudisse os ímpios?* 14.A terra se molda como a argila sob o sinete e toma cor como um vestido. 15.Aos ímpios, contudo, é recusada sua luz e se rompe o braço ameaçador.* 16.Acaso chegaste até as fontes do mar ou passaste até o fundo do abismo? 17.Apareceram-te, porventura, as portas da morte, ou viste a entrada da morada tenebrosa? 18.Tens ideia da extensão da terra? Fala, se sabes tudo! 19.Onde está o caminho para a morada da luz? Quanto às trevas, onde é o seu lugar? 20.Poderias alcançá-las em seu domínio e reconhecer as veredas de sua morada? 21.Deverias sabê-lo, pois já tinhas nascido e são numerosos os teus dias!* 22.Entraste nos depósitos da neve ou visitaste os armazéns dos granizos 23.que reservo para os tempos de tormento, para os dias de luta e de batalha? 24.Por que caminho se espalha o nevoeiro e se expande o vento do oriente sobre a terra? 25.Quem abre um canal para o aguaceiro e uma rota para os relâmpagos dos trovões, 26.para fazer chover sobre uma terra desabitada e sobre um deserto sem seres humanos, 27.para regar regiões vastas e desoladas, para nelas fazer germinar a erva verdejante? 28.Terá a chuva um pai? Quem gera as gotas do orvalho? 29.De que seio sai o gelo e quem engendra a geada do céu? 30.As águas se endurecem como pedra e a superfície do abismo se congela! 31.És tu que atas os laços das Plêiades ou desatas as correntes do Órion?* 32.És tu que fazes sair a seu tempo as constelações ou conduzes a Ursa com seus filhos? 33.Conheces as leis do céu e regulas sua influência sobre a terra? 34.Levantarás a tua voz até as nuvens e o dilúvio te obedecerá? 35.Tua ordem fará os relâmpagos surgirem e te dirão: ‘Aqui estamos?’. 36.Quem pôs sabedoria nas nuvens e inteligência no meteoro?* 37.Quem pode enumerar com sabedoria as nuvens e inclinar as odres do céu, 38.para que a poeira se transforme em massa compacta e os seus torrões se aglomerem? 39.És tu que caças a presa para a leoa ou satisfazes a fome dos leõezinhos, 40.quando estão deitados em seus covis ou quando se emboscam nas covas? 41.Quem prepara ao corvo o seu alimento, quando seus filhotes gritam a Deus, quando andam de um lado para outro por não terem o que comer?”

Jó 39

“1.Sabes o tempo em que as cabras monteses dão cria nos rochedos? Observaste o parto das corças? 2.Contaste os meses de sua gravidez e sabes o tempo de seu parto? 3.Elas se agacham, dão cria e se livram de suas dores. 4.Seus filhotes tornam-se fortes e crescem nos campos, apartam-se delas e não voltam mais a elas. 5.Quem pôs o jumento selvagem em liberdade e quem rompeu os laços do asno veloz? 6.Dei-lhe o deserto por morada e a planície salgada como lugar de habitação. 7.Ele se ri do tumulto da cidade e não escuta os gritos do tropeiro. 8.Explora as montanhas da sua pastagem e nela anda buscando tudo o que é verde. 9.Quererá servir-te o boi selvagem ou passará a noite em teu estábulo? 10.Podes prendê-lo com uma corda em seu pescoço ou fenderá ele atrás de ti os teus sulcos? 11.Fiarás nele porque sua força é grande e lhe deixarás a seu cuidado o teu trabalho? 12.Confiarás nele para que te traga para a casa o que semeaste e que te encha a tua eira? 13.O avestruz bate as asas alegremente, não tem asas nem penas de bondade?* 14.Abandona os seus ovos na terra e os deixa aquecer no solo, 15.esquecendo-se que um pé poderá esmagá-los ou que animais selvagens poderão pisá-los. 16.É cruel com seus filhotes, como se não fossem seus e não se incomoda de ter sofrido em vão. 17.Pois Deus lhe negou sabedoria e não lhe concedeu inteligência. 18.Mas, quando alça voo, ri-se do cavalo e do cavaleiro. 19.És tu que dás vigor ao cavalo e foste tu que enfeitaste seu pescoço com uma crina ondulante? 20.Que o fazes saltar como um gafanhoto, relinchando terrivelmente? 21.Orgulhoso de sua força, escava a terra com a pata e atira-se à frente das armas. 22.Ri-se do medo, nada o assusta e não recua diante da espada. 23.Sobre ele ressoam a aljava, o ferro brilhante da lança e o dardo. 24.Tremendo de impaciência, devora o espaço e o som da trombeta não o deixa no lugar. 25.Ao sinal do clarim, diz: ‘Vamos!’. De longe fareja a batalha, a voz troante dos chefes e o alarido dos guerreiros. 26.É graças à tua sabedoria que o falcão alça voo e desdobra as suas asas para o sul? 27.É por tua ordem que a águia levanta voo e faz seu ninho nas alturas? 28.Ela habita nos rochedos e neles passa a noite, sobre a ponta rochosa e o cimo escarpado. 29.De lá espia sua presa, pois seus olhos penetram as distâncias. 30.Seus filhotes se alimentam de sangue e onde quer que haja cadáveres, ali está ela”.”

Eliú diz uma frase marcante: ” Mas Deus salvará o pobre pela sua miséria e o instrui pelo sofrimento.” e continua seu discurso inflamado. Até que no capitulo 38 o próprio Deus começa a falar e responder a  Jó. Fazendo perguntas, mas ainda sem deixá-lo responder. É o inicio da grande discussão que se fará entre Deus e Jó.

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“36,14. Como a dos efeminados: trata-se dos prostitutos sagrados destinados, por causa de seus vícios, a uma morte precoce. Ver Dt 23,18. 36,16. A passagem 16-21 é um texto fortemente alterado, do qual é impossível encontrar-se o sentido. Foram tentadas muitas substituições, sendo que nenhuma ainda satisfez. 36,29. Estrépito: o trovão”

“37,7. Selos: a fim de impedi-los de trabalhar fora. 37,22. A luz: outra tradução – o ouro vem do setentrião. 37,24. Não olha: outra tradução – a ele o respeito de todos os homens de coração sábio.”

“38,1. O Senhor: em resposta ao desejo de Jó de comparecer diante de Deus, o Senhor aparece, não para explicar o problema do sofrimento, mas para dar-lhe uma resposta peremptória. O universo é regido por uma inteligência infinitamente sábia: diante desse desdobramento de bondade, não cabe ao homem julgar o modo divino de proceder, mas aceitar humildemente tudo quanto Deus julga oportuno enviar-nos. 38,5. Já que o sabes: ironia. 38,13. Sacudisse: como a poeira que se sacode de um tapete. 38,15. Sua luz: é a obscuridade que é a luz dos celerados, que nunca agem em pleno dia; ver 24,13-17. 38,21. Já tinhas nascido: tom evidentemente irônico. 38,31. Que atas: és capaz de modificar as distâncias entre os astros? 38,36. Tradução incerta.”

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Círculo Bíblico: Livro de Jó (6/10)

Círculo Bíblico: Livro de Jó

Este é o sexto de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o Livro de Jó A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Livro de Jó (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja mas é ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia, apenas como incentivo. 

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

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Jó 24

“1.Por que não reserva tempos para si o Todo-poderoso? E por que ignoram seus dias os que lhe são fiéis? 2.Os maus mudam as divisas das terras e fazem pastar o rebanho que roubaram. 3.Empurram diante de si o jumento dos órfãos, e tomam em penhor o boi da viúva. 4.Enxotam os pobres do caminho, todos os miseráveis da região precisam esconder-se. 5.Como asnos selvagens no deserto, saem para o trabalho, à procura do que comer, à procura do pão para seus filhos. 6.Ceifam a forragem num campo, vindimam a vinha do ímpio. 7.Passam a noite nus, sem roupa e sem cobertor contra o frio. 8.São banhados pelas chuvas das montanhas e, sem abrigo, achegam-se às rochas. 9.Arrancam o órfão do seio materno e tomam em penhor as crianças do pobre.* 10.Andam nus, por falta de roupa e esfomeados carregam feixes. 11.Espremem óleo nos celeiros, e sedentos pisam os lagares. 12.Sobe da cidade os gemidos dos moribundos. A alma dos feridos grita, mas Deus não ouve suas súplicas. 13.Outros são rebeldes à luz, não conhecem seus caminhos nem habitam em suas veredas. 14.O homicida levanta-se antes do alvorecer para matar o pobre e o indigente. O ladrão vagueia durante a noite. 15.O adúltero espreita o crepúsculo: ‘Ninguém me verá’, diz ele, e põe um véu no rosto. 16.Nas trevas, arrombam as casas. Escondem-se durante o dia, sem conhecer a luz. 17.Para eles, com efeito, a manhã é uma sombra espessa, pois estão acostumados aos terrores da noite. 18.Correm rapidamente na superfície da água, sua herança é maldita sobre a terra; já não tomarão o caminho das vinhas.* 19.Como a seca e o calor absorvem as águas da neve, assim a região dos mortos engole os pecadores. 20.O ventre que o gerou esquece-o, os vermes fazem dele as suas delícias; ninguém mais se lembrará dele. 21.A iniquidade é quebrada como uma árvore. Maltratava a mulher estéril, sem filhos e não fazia o bem à viúva. 22.Punha sua força a serviço dos poderosos. Levanta-se e já não pode mais contar com a vida. 23.Ele lhes dá segurança e apoio, mas seus olhos vigiam seus caminhos. 24.Levantam-se, subitamente já não existem; caem; como os outros, são arrebatados, são ceifados como cabeças de espigas. 25.Se assim não é, quem me desmentirá, quem reduzirá a nada as minhas palavras?”.”

Jó 25

“1.Bildad de Suás tomou então a palavra nestes termos: 2.“A ele, o poder e a majestade. Em sua alta morada faz reinar a paz. 3.Pode ser contado o número de suas legiões? Sobre quem não se levanta a sua luz? 4.Seria justo o homem diante de Deus? Seria puro aquele que nasce da mulher? 5.Se até mesmo a lua não brilha e as estrelas não são puras a seus olhos 6.quanto menos o homem, esse verme, e o filho do homem, esse vermezinho!”.*”

Jó 26

“1.Jó tomou então a palavra nestes termos: 2.“Como tens ajudado bem o fraco e socorrido o braço sem vigor! 3.Como sabes aconselhar o ignorante e dar mostras de abundante sabedoria! 4.A quem diriges este discurso? Sob a inspiração de quem falas tu? 5.As sombras agitam-se sob a terra, as águas e seus habitantes estão temerosos. 6.A região dos mortos está descoberta diante dele, os infernos estão sem véu. 7.Ele estende o firmamento sobre o vácuo e suspende a terra sobre o nada. 8.Armazena as águas em suas nuvens e as nuvens não se rasgam sob seu peso. 9.Vela a face da lua, estendendo sobre ela a sua nuvem. 10.Traçou um círculo sobre a superfície das águas, até onde a luz confina com as trevas. 11.As colunas do céu estremecem e se assustam com a sua ameaça. 12.Com sua força fendeu o mar e com sua sabedoria destruiu Raab.* 13.Seu sopro varreu os céus e sua mão feriu a serpente fugitiva.* 14.Eis que tudo isso não é mais que o contorno de suas obras e se apenas percebemos um fraco eco dessas obras, quem compreenderá o trovão de seu poder?”.”

Jó 27

“1.Jó continuou seu discurso nestes termos: 2.“Pelo Deus vivo que me recusa justiça, pelo Todo-poderoso, que enche minha alma de amargura. 3.Enquanto em mim restar alento e o sopro de Deus passar por minhas narinas, 4.meus lábios não falarão maldades e minha língua não proferirá mentiras. 5.Longe de mim dar-vos razão! Até meu último suspiro defenderei minha inocência, 6.mantenho firme minha justiça, não a abandonarei; minha consciência não acusa nenhum de meus dias. 7.Que meu inimigo seja tratado como ímpio e meu adversário, como perverso! 8.Que pode esperar o ímpio de sua oração, quando eleva para Deus a sua alma? 9.Deus escutará seu clamor, quando a angústia cair sobre ele? 10.Encontrará ele seu conforto no Todo-poderoso e invocará ele Deus em todo o tempo? 11.Eu vos ensinarei o poder de Deus, não vos ocultarei os desígnios do Todo-poderoso. 12.Mas todos vós já o sabeis; por que proferis palavras vãs? 13.Esta é a sorte que Deus reserva ao ímpio e a parte reservada ao violento pelo Todo-poderoso.* 14.Se seus filhos se multiplicam, é para a espada e seus descendentes não terão o que comer. 15.Seus sobreviventes serão sepultados na ruína e suas viúvas não os chorarão. 16.Se amontoa prata como pó e se ajunta vestimentas como barro, 17.que amontoe, mas é o justo quem as vestirá e o inocente herdará a prata. 18.Constrói sua casa como a casa da aranha, como a choupana que o vigia constrói.* 19.Deita-se rico, mas é pela última vez. Quando abre os olhos, já deixou de sê-lo. 20.O terror o invade como um dilúvio e um redemoinho o arrebata durante a noite. 21.O vento do leste o leva e o faz desaparecer, varrendo-o violentamente de seu lugar. 22.Precipitam-se sobre ele sem compaixão e é arrastado numa fuga desvairada. 23.Sua ruína é aplaudida. De sua própria casa assobiarão sobre ele.”

Nem sempre é compreensível o tanto que Jó questiona seus amigos que tentam consolá-lo, eles usam sempre da fé e falam da palavra de Deus. Jó que sempre foi um dos servos mais queridos e agraciados de Deus vacila sempre nesta fé. É importante que cada um ao ler as passagens possa comentar o que está entendendo ou não e como afetam eles pelas palavras mais irritadas de Jó.

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“25,6. A extrema brevidade do discurso de Bildad (cap. 25), por um lado, e a dificuldade de conciliar as palavras de Jó, no cap. 26, com as ideias anteriormente expostas por ele fazem supor que ou a continuação do discurso de Bildad se tenha perdido, ou que o cap. 26, erroneamente atribuído a Jó, seja sua continuação real.”  Talvez seja válido considerar que na realidade tanto o capitulo 25 quanto o 26 se tratem do discurso de Bildad

“26,12. Raab: o monstro (ver 9,13 e nota). 26,13. A serpente fugitiva: Leviatã, monstro mitológico, como se explicou em 3,8 nota.”

“27,13. Os onze versículos seguintes parecem não fazer originalmente parte do discurso de Jó. Muitos autores propõem ver neles um fragmento do discurso que falta de Sofar. Jó retoma a palavra no começo do cap. 28. 27,18. Como casa de aranha: outra tradução – Como um ninho. – Choupana: na época em que amadureciam as frutas, um guarda residia nas vinhas para vigiá-las.”

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Círculo Bíblico: Livro de Jó (5/10)

Círculo Bíblico: Livro de Jó

Este é o quinto de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o Livro de Jó A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Livro de Jó (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja mas é ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia, apenas como incentivo. 

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

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Jó 20

“1.Sofar de Naamat falou nestes termos: 2.“É por isso que meus pensamentos me sugerem uma resposta, e estou impaciente por falar. 3.Ouvi queixas injuriosas, foram palavras vãs que responderam a meu espírito. 4.Não sabes bem que, em todos os tempos, desde que o homem foi posto na terra, 5.o triunfo dos ímpios é breve e a alegria do perverso só dura um instante? 6.Ainda mesmo que sua estatura chegasse até o céu e sua cabeça tocasse as nuvens, 7.como o seu próprio esterco, ele perecerá para sempre. Aqueles que tinham visto indagarão: ‘Onde ele está?’. 8.Como um sonho, ele voará e ninguém mais o encontrará. Ele desaparecerá como uma visão noturna. 9.O olho que o viu já não mais o verá e não o verá mais a sua morada. 10.Seus filhos deverão indenizar os pobres e suas mãos restituir suas riquezas.* 11.Seus ossos que estavam cheios de vigor juvenil deitam-se com ele no pó. 12.Se o mal lhe foi doce na boca, ele a escondeu debaixo da língua. 13.Se o saboreou e não o abandonou, mas o conservou na sua garganta, 14.esse alimento se transformará em suas entranhas e se converterá interiormente em fel de áspides. 15.Ele vomitará as riquezas que engoliu; Deus as fará sair-lhe do seu ventre. 16.Sugava veneno de áspides e a língua da víbora o matará. 17.Não mais verá correr os riachos de óleo, nem as torrentes de mel e de manteiga. 18.Vomitará seu ganho sem poder engoli-lo e não gozará o lucro de seu comércio. 19.Porque maltratou, desamparou os pobres e roubou uma casa que não tinha construído. 20.Porque sua avidez é insaciável, não salvará o que lhe era mais caro. 21.Nada escapava à sua voracidade, por isso que sua felicidade não há de durar. 22.Em plena abundância sentirá escassez e todos os golpes da infelicidade caem sobre ele. 23.Para encher-lhe o ventre Deus desencadeia o fogo de sua cólera, fazendo chover a dor sobre ele. 24.Se escapa diante da arma de ferro, o arco de bronze o traspassa. 25.Um dardo sai-lhe das costas, um aço fulgurante sai-lhe do fígado. O terror desaba sobre ele. 26.Todas as trevas ocultas lhe serão reservadas. Um fogo, que o homem não acendeu, o devora* e consome o que sobra em sua tenda. 27.Os céus revelarão sua culpa e a terra se levantará contra ele. 28.Uma torrente arrastará sua casa, será levada no dia da cólera divina. 29.Tal é a sorte que Deus reserva ao ímpio, tal é a herança que Deus lhe destina”.”

Jó 21

“1.Jó tomou então a palavra nestes termos: 2.“Ouvi atentamente minhas palavras. Que eu tenha pelo menos esse consolo de vossa parte. 3.Permiti que eu fale; quando tiver falado, zombai à vontade. 4.É de um ser humano que me queixo? E como não hei de perder a paciência? 5.Olhai para mim e ficareis estupefatos e poreis a mão sobre a boca. 6.Quando penso nisso, fico estarrecido e todo o meu corpo treme. 7.Por que os ímpios sobrevivem e, ao envelhecer, crescem em poderio? 8.Sua posteridade prospera diante deles, e seus descendentes sob seus olhos. 9.Suas casas estão em paz, livres de perigo, e a vara de Deus não os atinge. 10.Seu touro é cada vez mais fecundo, sua vaca dá cria sem nunca abortar. 11.Deixam os filhos correr como carneiros, e os seus pequenos saltam e brincam alegremente. 12.Cantam ao som do pandeiro e da cítara, divertem-se ao som da flauta. 13.Passam seus dias na alegria e descem tranquilamente à região dos mortos. 14.Ora, dizem a Deus: ‘Afasta-te de nós! Não queremos conhecer os teus caminhos! 15.Quem é o Todo-poderoso, para que o sirvamos? Que vantagem tiramos em lhe fazer orações?’. 16.A felicidade não está em suas mãos? Contudo, longe de mim esteja o modo de pensar dos ímpios! 17.Quantas vezes vemos apagar-se a lâmpada dos ímpios e a ruína desabar sobre eles? 18.Serão eles como a palha ao vento, como a cinza tragada pelo turbilhão? 19.‘Deus reserva para os filhos o castigo do pai?’ Que ele mesmo o puna, para que o sinta! 20.Que veja com os próprios olhos a sua ruína e ele mesmo beba da cólera do Todo-poderoso! 21.Pois o que lhe importa a sua casa depois dele, se o número de seus meses já está contado? 22.É a Deus que se irá ensinar a sabedoria, a ele, que julga os seres superiores? 23.Um morre em pleno vigor, feliz e tranquilo, 24.os flancos cobertos de gordura e a medula dos ossos cheia de seiva. 25.Outro, porém, morre com a amargura na alma, sem ter gozado a felicidade. 26.Juntos se deitam na terra e os vermes recobrem a ambos. 27.Por certo conheço vossos pensamentos, os julgamentos iníquos que fazeis de mim! 28.Dizeis: ‘Onde está a casa do tirano, onde está a tenda em que habitavam os ímpios?’. 29.Não interrogastes os viajantes? Contestaríeis seus testemunhos? 30.No dia da infelicidade o ímpio é poupado, no dia da cólera ele escapa. 31.Quem reprova diante dele o seu proceder e lhe pede contas de seus atos? 32.Levam-no ao sepulcro, ficarão de vigília em sua câmara funerária. 33.Os torrões do vale são-lhe leves; todos os homens irão em sua companhia e foram inumeráveis seus predecessores. 34.Que significam, pois, essas vãs consolações? Todas as vossas respostas são apenas perfídia”.”

Jó 22

“1.Elifaz de Temã tomou a palavra nestes termos: 2.“Pode o homem ser útil a Deus? O sábio só é útil a si mesmo. 3.De que serve ao Todo-poderoso que sejas justo? Tem ele interesse que teu proceder seja íntegro? 4.É por causa de tua piedade que ele te pune e entra contigo em juízo? 5.Não é enorme a tua malícia e não são inumeráveis as tuas iniquidades? 6.Sem razão penhoraste os teus irmãos e despojaste de suas vestes os miseráveis.* 7.Não davas água ao sedento, recusavas pão ao esfomeado. 8.A terra era do mais forte, e o protegido é que nela se estabelecia. 9.Despedias as viúvas de mãos vazias e quebravas os braços dos órfãos. 10.Eis por que estás cercado de laços e os terrores súbitos te amedrontam. 11.Tua luz tornou-se trevas, já não vês nada e o dilúvio das águas te engole. 12.Não está Deus nas alturas do céu? Vê a abóbada estrelada, como está alta! 13.E dizes: ‘Que sabe Deus? Pode ele julgar através de nuvens escuras? 14.As nuvens formam um véu que o impede de ver ele passeia apenas pela abóbada do céu’. 15.Queres seguir, pois, rotas antigas por onde andaram os homens iníquos? 16.Que foram arrebatados antes do tempo e cujos fundamentos foram arrastados com as águas!* 17.Exclamam a Deus: ‘Retira-te de nós! Que poderia fazer-nos o Todo-poderoso?’. 18.Foi ele, entretanto, que lhes cumulou de bens as casas. Contudo, longe de mim os conselhos dos ímpios! 19.Vendo-os, os justos se alegram e o inocente zomba deles: 20.‘Nossos inimigos estão aniquilados e o fogo devorou-lhes as riquezas!’. 21.Reconcilia-te, pois, com Deus e faze as pazes com ele: é assim que te será de novo dada a felicidade. 22.Aceita a instrução de sua boca e põe suas palavras em teu coração. 23.Se te voltares humildemente para o Todo-poderoso, se afastares a iniquidade de tua tenda, 24.se atirares as barras de ouro ao pó e o ouro de Ofir aos pedregulhos da torrente,* 25.o Todo-poderoso será teu ouro e um monte de prata para ti. 26.Então farás do Todo-poderoso as tuas delícias e levantarás teu rosto a Deus. 27.Tu lhe suplicarás, ele te ouvirá e cumprirás os teus votos. 28.Formarás os teus projetos, que terão feliz êxito e a luz brilhará em tuas veredas. 29.Pois Deus abaixa o altivo e o orgulhoso, mas socorre aquele que abaixa os olhos. 30.Ele salva o inocente, o qual é libertado pela pureza de suas mãos”.”

Jó 23

“1.Então, Jó tomou a palavra nestes termos: 2.“Sim, hoje minha queixa é uma revolta, ainda que sua mão reprima meus suspiros.* 3.Oxalá pudesse eu encontrá-lo e chegar até seu trono! 4.Exporia diante de Deus a minha causa, encheria minha boca de argumentos. 5.Saberia o que ele iria responder-me e veria o que ele teria para me dizer. 6.Oporia ele contra mim com prepotência? Não! Bastaria que lançasse os olhos em mim. 7.Seria então um justo a discutir com ele, e eu iria embora definitivamente absolvido pelo meu juiz. 8.Mas se eu for ao Oriente, lá ele não está; ao Ocidente, não o encontrarei; 9.se o procuro ao Norte, não o vejo; se me volto para o Sul, não o descubro. 10.Contudo, ele conhece o meu caminho; se me põe à prova, dela sairei puro como o ouro. 11.Meus pés seguiram os seus traços, guardei o seu caminho sem me desviar. 12.Não me afastei dos preceitos de seus lábios, guardei no meu íntimo as palavras de sua boca. 13.Ele decidiu alguma coisa, quem o fará voltar atrás? Ele faz o que bem lhe agrada. 14.Realizará seu desígnio a meu respeito e tem muitos projetos iguais a este. 15.Eis por que sua presença me atemoriza. Basta o seu pensamento para me fazer tremer. 16.Foi Deus que me fundiu o coração, o Todo-poderoso me enche de terror. 17.Sucumbo diante das trevas. Elas cobriram-me o rosto.”

Estes capítulos mostram uma grande revolta de Jó. Ele já não aceita mais as palavras de consolo ou questionamento dos amigos. Está inconsolável e deseja morrer e faz algo impensável para todos, ele desafia ao próprio Deus: “3.Oxalá pudesse eu encontrá-lo e chegar até seu trono! 4.Exporia diante de Deus a minha causa, encheria minha boca de argumentos. 5.Saberia o que ele iria responder-me e veria o que ele teria para me dizer. 6.Oporia ele contra mim com prepotência? Não! Bastaria que lançasse os olhos em mim. 7.Seria então um justo a discutir com ele, e eu iria embora definitivamente absolvido pelo meu juiz.” – vale demorar-se mais sobre o capitulo 23 (ultimo estudado neste dia). Quem tem fé e desafia o criador para, digamos assim, tirar as diferenças? Jó faz quase um chamado para a briga e acha que irá ganhar ainda por cima. O nível de dor e provação a que ele está passando é inimaginável para cada um de nós.

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“20,10. Este versículo parece estar colocado fora de seu contexto. 20,26. Um fogo: o raio.”
“22,6. Os miseráveis: literalmente – Aqueles que estavam nus. 22,16. Alusão ao dilúvio. 22,24. Outra tradução: se tens as barras de ouro por pó, o ouro de Ofir por pedregulhos…”
“23,2. Sua mão: a mão de Deus.”

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Círculo Bíblico: Livro de Jó (4/10)

Círculo Bíblico: Livro de Jó

Este é o quarto de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o Livro de Jó A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Livro de Jó (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja mas é ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia, apenas como incentivo. 

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

jó e seus amigos

Jó 15

“1.Elifaz de Temã tomou a palavra nestes termos: 2.“Porventura, responde um sábio como se falasse ao vento e enche de ar o seu ventre? 3.Defende-se ele com argumentos fúteis e com palavras que não servem para nada? 4.Acabarás destruindo a piedade, reduzes a nada o respeito devido a Deus. 5.É a tua iniquidade que inspira teus discursos e adotas a linguagem dos impostores. 6.É a tua boca que te condena, e não eu; são teus lábios que dão testemunho contra ti mesmo. 7.Acaso, és o primeiro homem que nasceu, e foste tu gerado antes das colinas? 8.Assististe, porventura, ao conselho de Deus e monopolizaste a sabedoria? 9.Que sabes tu, que nós ignoremos? Que aprendeste, que não nos seja familiar? 10.Há entre nós também anciãos e encanecidos, muito mais avançados em dias do que teu pai. 11.Fazes pouco caso das consolações divinas e das doces palavras que te são dirigidas? 12.Por que te deixas levar pelo impulso de teu coração, e o que significam esses maus-olhares? 13.É contra Deus que ousas encolerizar-te e que tua boca profere tais discursos? 14.Que é o homem para que seja puro? Pode ser justo o que nasce de mulher? 15.Nem mesmo em seus santos Deus confia, nem os céus são puros a seus olhos!* 16.Quanto menos um ser abominável e corrompido, um homem que bebe a iniquidade como água! 17.Ouve-me! Vou instruir-te. Eu te contarei o que vi, 18.aquilo que os sábios ensinam, aquilo que seus pais não lhes ocultaram. 19.A eles somente foi dada terra, e no meio dos quais não tinha penetrado estrangeiro algum. 20.Em todos os dias de sua vida o mau é atormentado, os anos do opressor são em número restrito. 21.Ruídos terrificantes ressoam-lhe aos ouvidos, no seio da paz, lhe sobrevém o destruidor. 22.Ele não espera escapar das trevas, está destinado à espada. 23.Anda vagando à procura de pão, mas onde? Ele sabe que o dia das trevas está a seu lado. 24.A tribulação e a angústia vêm sobre ele como um rei que vai para o combate. 25.Pois estendeu a mão contra Deus e desafiou o Todo-poderoso. 26.Investiu contra ele com a cabeça levantada, por trás da grossura de seus escudos. 27.Cobriu de gordura o seu rosto e deixou a gordura ajuntar-se sobre seus rins. 28.Habitou em cidades desoladas, em casas que foram abandonadas, destinadas a se tornarem em ruínas. 29.Mas não se enriquecerá, nem os seus bens resistirão, não mais estenderá sua sombra sobre a terra. 30.Não escapará das trevas; o fogo queimará seus ramos e sua flor será levada pelo vento. 31.E não se fie na mentira: ficará prisioneiro dela, pois a mentira será a sua recompensa. 32.Suas ramagens secarão antes da hora, seus ramos não tornarão a ficar verdes. 33.Como a vinha, sacudirá seus frutos verdes, e, como a oliveira, deixará cair a flor. 34.Pois a raça dos ímpios é estéril, e um fogo devorará as tendas dos corruptos. 35.Quem concebe o mal gera a infelicidade: é o engano que amadurece em seu seio”.”

Jó 16

“1.Jó respondeu então nestes termos: 2.“Já ouvi muitas vezes discursos semelhantes, sois todos uns consoladores importunos. 3.Quando terão fim essas palavras atiradas ao vento? O que é que te move para responder assim? 4.Eu também poderia falar como vós, se estivésseis no meu lugar. Arranjaria discursos a vosso respeito e sacudiria a cabeça contra vós. 5.Eu vos encorajaria verbalmente e moveria os meus lábios sem nenhuma avareza. 6.Se falo, nem por isso se aplaca a minha dor; se calo, estará ela afastada de mim? 7.Mas Deus me extenuou, estou aniquilado. Toda a sua tropa me pegou.* 8.Minha magreza tornou-se testemunho contra mim, ela depõe contra mim. 9.Sua cólera me fere e me persegue. Ele range os dentes contra mim. Meus inimigos aguçam os olhos sobre mim. 10.Abrem a boca para me devorar. Batem-me na face para me ultrajar, rebelando-se todos contra mim. 11.Deus me entrega aos perversos, joga-me nas mãos dos malvados. 12.Eu estava em paz. Ele, de repente, me esmagou. Segurou-me pela nuca e me pôs em pedaços. Tomou-me como seu alvo. 13.Suas setas voam em volta de mim. Ele rasga os meus rins sem piedade, espalhando o meu fel por terra. 14.Abre em mim brecha sobre brecha, ataca-me como um guerreiro. 15.Cosi um saco sobre minha pele e rolei minha fronte no pó. 16.Meu rosto está vermelho de tanto chorar e a sombra da morte estende-se sobre minhas pálpebras. 17.Entretanto, não há violência em minhas mãos e minha oração é pura! 18.Ó terra, não cubras o meu sangue e que seu grito não seja sufocado pela tumba.* 19.Tenho desde já uma testemunha no céu, um defensor nas alturas. 20.Minha oração subiu até Deus e meus olhos choram diante dele.* 21.Que ele mesmo julgue entre o homem e Deus, entre o homem e seu semelhante! 22.Pois meus anos contados se esgotam e eu entro numa vereda por onde não passarei de novo.”

Jó 17

“1.Meu espírito vai-se consumindo, os meus dias se apagam, só me resta o sepulcro! 2.Estou de fato cercado de zombadores e meus olhos velam por causa de seus ultrajes.* 3.Sê tu mesmo a minha caução, junto a ti, pois quem ousará bater em minha mão?* 4.Pois fechaste o seu coração à inteligência; por isso, não os deixarás triunfar. 5.Há quem convide seus amigos à partilha, enquanto desfalecem os olhos de seus filhos. 6.Ele me reduziu a zombaria do povo, como aquele em cujo rosto se cospe. 7.Meus olhos se escurecem de tristeza e todo o meu corpo não é mais que uma sombra. 8.As pessoas retas estão espantadas e o inocente se irrita contra o ímpio. 9.O justo, entretanto, persiste no seu caminho, e o homem de mãos puras redobra de coragem. 10.Mas vós todos voltai e vinde; pois não acharei entre vós nenhum sábio. 11.Meus dias se esgotam, meus projetos estão aniquilados, frustraram-se os projetos do meu coração. 12.Fazem da noite, dia. A luz da manhã é para mim como trevas. 13.Deverei esperar? A região dos mortos é a minha morada! Preparo meu leito no local tenebroso. 14.Disse ao sepulcro: ‘Tu és meu pai’, e aos vermes: ‘Vós sois minha mãe e minha irmã!’. 15.Onde está, pois, minha esperança? E a minha felicidade, quem a entrevê? 16.Descerão elas comigo à região dos mortos? Afundaremos juntos no pó?”.”

Jó 18

“1.Bildad de Suás disse então nestes termos: 2.“Quando acabarás de falar a esmo? Terás a sabedoria de nos dizer depois! 3.Por que nos consideras como animais, e por que passamos por estúpidos a teus olhos? 4.Tu, que te rasgas em teu furor, por tua causa a terra ficará abandonada e o rochedo mudará de lugar? 5.Sim, a luz do ímpio se apagará e a chama de seu fogo cessará de alumiar. 6.A luz obscurece na sua tenda e sua lâmpada sobre ele se apagará. 7.Seus passos, antes firmes, serão encurtados, e seus próprios desígnios os farão tropeçar. 8.Seus pés se prendem numa rede, e ele anda sobre malhas. 9.A armadilha agarra seu calcanhar e o alçapão o aperta. 10.Uma corda se esconde na terra para pegá-lo, e uma armadilha, ao longo da vereda. 11.De todas as partes temores o amedrontam e o perseguem passo a passo. 12.A calamidade vem faminta sobre ele e a infelicidade está alerta ao seu lado. 13.A pele de seu corpo é devorada, o filho mais velho da morte devora-lhe os membros.* 14.É arrancado da tenda, onde se sentia seguro, levam-no ao rei dos terrores.* 15.Podes estabelecer-te em sua tenda, que não mais existe; o enxofre é espalhado em seu domínio. 16.Por baixo suas raízes secam, e por cima seus ramos definham. 17.Sua memória apaga-se da terra, nada mais lembra o seu nome na região. 18.É arrojado da luz para as trevas e é desterrado do mundo. 19.Não tem descendente nem posteridade em sua tribo, nem sobrevivente algum em sua morada. 20.O Ocidente está estupefato com sua sorte e o Oriente treme diante dela. 21.Eis o que acontece com as tendas dos ímpios, os lugares habitados pelo homem que não conhece a Deus”.”

Jó 19

“1.Jó respondeu, então, nestes termos: 2.“Até quando afligireis a minha alma e me atormentareis com vossos discursos? 3.Eis que já por dez vezes me ultrajastes. Não vos envergonhais de me insultar? 4.Mesmo que eu tivesse verdadeiramente pecado, minha culpa só diria respeito a mim mesmo. 5.Se vos quiserdes levantar contra mim, convencendo-me de ignomínia, 6.sabei que foi Deus quem me afligiu e me cercou com sua rede. 7.Se clamo: ‘Violência!’, ninguém me responde; levanto minha voz, e não há quem me faça justiça. 8.Ele fechou meu caminho para que eu não possa passar. E espalhou trevas pelas minhas veredas. 9.Despojou-me da minha glória, tirou-me a coroa da cabeça. 10.Demoliu-me por inteiro e pereço. Ele desenraizou minha esperança como uma árvore. 11.Acendeu a sua cólera contra mim, tratando-me como um inimigo. 12.Suas milícias se concentraram, construíram aterros para me assaltarem e acamparam em volta de minha tenda. 13.Meus irmãos foram para longe de mim, e meus amigos de mim se afastaram. 14.Meus parentes e meus íntimos desapareceram, os hóspedes de minha casa esqueceram-se de mim. 15.Minhas servas olham-me como um estranho, sou um desconhecido para elas. 16.Chamo meu escravo e ele não responde, apesar de suplicá-lo com minha própria boca! 17.Minha mulher tem horror de meu hálito, sou repugnante aos meus próprios filhos. 18.Até as crianças caçoam de mim. Quando me levanto, troçam de mim. 19.Meus íntimos me abominam e até aqueles que eu amava voltam-se contra mim. 20.Meus ossos estão colados à minha pele e à minha carne. E fujo com a pele de meus dentes.* 21.Compadecei-vos de mim, compadecei-vos de mim, ao menos vós, que sois meus amigos, pois a mão de Deus me feriu. 22.Por que me perseguis como Deus e vos mostrais insaciáveis de minha carne? 23.Quem dera se minhas palavras pudessem ser escritas! Quem dera fossem elas consignadas num livro, 24.gravadas por estilete de ferro em chumbo, esculpidas para sempre numa rocha! 25.Eu sei que meu vingador está vivo e que aparecerá, finalmente, sobre a terra. 26.Por detrás de minha pele, que envolverá isso, na minha própria carne, verei Deus.* 27.Eu mesmo o contemplarei, meus olhos o verão, e não os olhos de outro. Meus rins se consomem dentro de mim. 28.Pois, se dizes: ‘Por que o perseguimos e como encontraremos nele uma razão para condená-lo?’. 29.Temei o gume da espada, pois a cólera de Deus persegue os maus e sabereis que há uma justiça!”.”

Chegamos num ponto onde Jó reclama dos amigos que tentam em vão consolá-lo. Parece que Jó não percebe que estes amigos são enviados por Deus para estarem com ele neste momento de angústia e provação. Se fizermos uma reflexão mais cuidadosa notamos que apesar de Deus ter dito a Satanás que este poderia flagelar seu servo Jó sem matá-lo e que Ele (Deus) não iria fazer nada acreditando na fé do seu servo, o próprio Deus se encarrega de enviar servos seus (amigos de Jó) para não o abandonarem. Lembre-se que as conversas de Deus com Satanás ocorrerem no começo do livro de Jó, e é ainda estranho pensarmos que no “acordo” com satanás, Deus tenha usado de um subterfúgio para colocar três emissários seus (amigos íntimos de Jó) para não deixá-lo desanimar, apesar dele já estar desanimado, no fim do capitulo 19 (último estudado hoje), Jó fala em acreditar na justiça de Deus.

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“16,7. Mas Deus: o texto dos versículos 7 e 8 está corrompido e a tradução é incerta. 16,18. O grito do sangue pedindo vingança: ver Gn 4,10; Mt 23,35; Hb 12,24. Outra tradução: meu grito se eleve sem obstáculo. 16,20. Minha oração: outra tradução – Meus amigos zombam de mim.”
“17,2. Meus olhos: texto incerto. 17,3. Bater em minha mão: em sinal de penhor.”
“18,13. O filho mais velho da morte: a mais terrível das doenças. 18,14. Rei dos terrores: o soberano do inferno (o deus Nergal dos babilônios).”
“19,20. Com a pele: expressão proverbial de sentido incerto. 19,26. Por detrás de minha pele: tradução literal de um texto bem difícil. As antigas versões grega, siríaca e latina traduziram esse texto vendo nele uma alusão à ressurreição. O sentido geral da passagem 25-27 é o seguinte: Jó espera do céu um vingador na pessoa de Deus, que terá a última palavra na sua questão. Jó o verá com os próprios olhos e sofre de impaciência à espera dessa intervenção.”

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Círculo Bíblico: Livro de Jó (3/10)

Círculo Bíblico: Livro de Jó

Este é o terceiro de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o Livro de Jó A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o Livro de Jó (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja mas é ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia, apenas como incentivo. 

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

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Jó 10

“1.A minha alma está desgostosa da vida. Dou livre curso ao meu lamento; falarei na amargura de meu coração. 2.Em lugar de me condenar, direi a Deus: ‘Mostra-me por que razão me tratas assim. 3.Encontras prazer em me oprimir, em renegar a obra de tuas mãos, em favorecer os planos dos maus? 4.Terás porventura olhos de carne, ou vês as coisas como as veem os seres humanos?* 5.Serão os teus dias como os de um mortal e teus anos como os de um humano, 6.para que procures a minha culpa e persigas o meu pecado? 7.No entanto, sabes que não sou culpado e que ninguém me pode livrar de tuas mãos. 8.As tuas mãos formaram-me e fizeram-me; mudando de ideia, queres me destruir! 9.Lembra-te de que me formaste como o barro, e agora queres devolver-me ao pó? 10.Não me derramaste como leite e me coalhaste como um queijo?* 11.De pele e carne me vestiste, de ossos e nervos me teceste. 12.Concedeste-me vida e misericórdia e tua providência conservou o meu espírito. 13.Contudo, eis o que escondias em teu coração, vejo bem o que meditavas. 14.Se peco, me observas, não perdoarás o meu pecado. 15.Se eu for culpado, ai de mim! Se for inocente, não ousarei levantar a cabeça, farto de vergonha e consciente de minha miséria. 16.Esgotado, me caças como um leão. Não cessas de desfraldar contra mim teu estranho poder. 17.Renovas contra mim teus assaltos, teu furor cresce contra mim e vigorosas tropas vêm-me cercar. 18.Por que me tiraste do ventre materno? Tivesse morrido, nenhum olho me teria visto. 19.Teria sido como se nunca tivesse existido, do ventre me teriam levado ao túmulo’. 20.Não são bem curtos os dias de minha vida? Que ele me deixe respirar um instante, 21.antes que eu parta, para não mais voltar, ao tenebroso país das sombras da morte, 22.opaca e sombria região, reino de sombra e de caos, onde a noite faz as vezes de claridade”.”

Jó 11

“1.Então, Sofar de Naamat tomou a palavra nestes termos: 2.“Ficará sem resposta o que fala muito? Terá razão o grande falador? 3.Tua loquacidade fará calar os demais? Zombarás sem que ninguém te repreenda? 4.Dizes: ‘Minha opinião é a verdadeira, sou puro aos teus olhos’. 5.Oxalá Deus pudesse falar e abrir seus lábios para te responder. 6.Se te revelasse os mistérios da sabedoria, que são ambíguos para o espírito, saberias então que Deus esquece uma parte de tua iniquidade.* 7.Pretendes sondar as profundezas divinas, atingir a perfeição do Todo-poderoso? 8.Ela é mais alta do que o céu! Que podes tu fazer? É mais profunda que os infernos! Que podes tu saber? 9.É mais longa que a terra, mais larga que o mar. 10.Se ele surge para aprisionar, se apela à justiça, quem o impedirá? 11.Pois ele conhece os malfeitores, descobre a iniquidade, presta atenção. 12.Diante disso, uma pessoa insensata pode criar juízo, e um asno tornar-se criatura humana.* 13.Se voltares teu coração para Deus, e para ele estenderes os braços; 14.se afastares de tuas mãos o mal e não abrigares a iniquidade debaixo de tua tenda, 15.então poderás erguer a fronte sem mancha; serás estável, sem mais nenhum temor. 16.Esquecerás daí por diante as tuas penas, como águas que passaram, serão apenas uma lembrança. 17.O futuro te será mais brilhante do que o meio-dia, as trevas se transformarão em aurora. 18.Terás confiança e ficarás cheio de esperança. Olhando em volta de ti, dormirás tranquilo. 19.Repousarás sem que ninguém te inquiete e muitos acariciarão o teu rosto. 20.Porém, os olhos dos maus serão consumidos, para eles, nenhum refúgio, e não terão outra esperança senão em seu último suspiro”.”

Jó 12

“1.Jó tomou a palavra nestes termos: 2.“Sois mesmo gente muito hábil, e convosco morrerá a sabedoria! 3.Tenho também o espírito como o vosso, e não vos sou inferior! Quem, pois, ignoraria o que sabeis? 4.Os amigos escarnecem daquele que invoca a Deus, para que ele lhe responda. Sim, zombam do justo e do inocente. 5.‘Vergonha para a infelicidade!’ – assim pensam os felizes. Só há desprezo para aquele cujo pé fraqueja. 6.As tendas dos bandidos gozam de paz, e segurança para aqueles que provocam a Deus, que não têm outro Deus senão o próprio braço. 7.Pergunta, pois, aos animais da terra, eles te ensinarão; e às aves do céu, e elas te instruirão. 8.Fala aos répteis da terra, e eles te responderão, e aos peixes do mar, e eles te contarão. 9.Entre todos esses seres, quem não sabe que foi a mão de Deus que fez tudo isso?’* 10.Ele que tem em mãos a alma de tudo o que vive e o sopro de vida de todo o gênero humano. 11.Não discerne o ouvido as palavras, como o paladar discerne o sabor da comida? 12.A sabedoria pertence aos cabelos brancos, e à longa vida confere a inteligência. 13.Em Deus residem a sabedoria e o poder. Ele possui o conselho e a inteligência. 14.O que ele destrói não será reconstruído, se aprisionar um homem, ninguém há que o solte. 15.Quando faz as águas pararem, há seca; se as soltar, submergirão a terra. 16.Nele há força e prudência; ele conhece o que engana e o enganado. 17.Faz os árbitros andarem descalços e torna os juízes estúpidos. 18.Ele desata a cinta dos reis e cinge-lhes os rins com uma corda. 19.Ele faz os sacerdotes andar descalços e abate os poderosos. 20.Ele tira a palavra aos mais seguros de si mesmos e retira a sabedoria dos anciãos. 21.Ele derrama desprezo sobre os nobres e afrouxa a cinta dos fortes. 22.Ele põe a claro os segredos das trevas e traz à luz a sombra da morte. 23.Ele torna grandes as nações e as destrói, multiplica os povos e depois os suprime. 24.Ele tira a razão dos chefes da terra, e os deixa perdidos no deserto sem pista. 25.Andam às apalpadelas nas trevas, privados da luz, tropeçando como um ébrio.”

Jó 13

“1.Meus olhos viram todas essas coisas, meus ouvidos as ouviram e as guardaram. 2.Aquilo que sabeis, eu também o sei, pois não vos sou inferior em nada. 3.Mas é com o Todo-poderoso que eu desejaria falar, com Deus é que eu desejaria discutir. 4.Pois vós não sois mais que impostores, não sois senão curandeiros que não prestam para nada. 5.Se pudésseis guardar silêncio, seríeis considerados sábios. 6.Escutai, pois, a minha defesa, atendei aos quesitos que vou anunciar. 7.Para defender a Deus, ireis dizer mentiras. Será preciso enganardes em seu favor? 8.Tereis, para com ele, juízos preconcebidos e vos ostenteis em ser seus advogados? 9.Não seria bom que ele vos examinasse? Iríeis enganá-lo como se engana uma pessoa qualquer? 10.Ele não deixará de vos castigar, se tomardes seu partido ocultamente. 11.Sua majestade não vos atemorizará? Seus terrores não vos esmagarão? 12.Vossos argumentos são como provérbios de cinza, vossas defesas são obras de barro. 13.Calai-vos! Deixai-me! Quero falar: aconteça depois o que acontecer! 14.Lacero a minha carne com os meus dentes, ponho minha vida em minha mão.* 15.Se ele me mata, nada mais tenho a esperar; assim mesmo, defenderei minha causa diante dele. 16.Isso já será a minha salvação, que o ímpio não seja admitido em sua presença. 17.Escutai bem meu discurso, dai ouvido às minhas explicações! 18.Estou pronto para defender minha causa e sei que sou eu quem tem razão. 19.Se alguém quiser demandar contra mim, no mesmo instante desejarei calar e morrer! 20.Poupai-me apenas duas coisas, ó Deus, e não me esconderei de tua face:* 21.afasta de mim a tua mão, e põe um termo ao medo de teus terrores. 22.Chama por mim e eu te responderei; ou, então, falarei eu, e tu terás a réplica. 23.Quantas faltas e pecados cometi eu? Dá-me a conhecer minhas faltas e minhas ofensas! 24.Por que escondes de mim a tua face e por que me consideras como um inimigo? 25.Queres, então, assustar uma folha carregada pelo vento, ou perseguir uma palha seca? 26.Pois queres ditar contra mim sentenças amargas, e queres que me sejam imputadas as faltas de minha mocidade. 27.Queres prender os meus pés no cepo, espiar todos os meus passos e contar os rastos de meus pés. 28.(E ele se gasta como um pau bichado, como um tecido devorado pela traça).*”

Jó 14

“1.O homem nascido de mulher vive pouco tempo e é cheio de misérias. 2.É como a flor que germina e logo fenece, uma sombra que foge sem parar. 3.E é sobre ele que abres os olhos, e o chamas a juízo contigo! 4.Quem fará sair o puro do impuro? Ninguém! 5.Se seus dias estão contados, se em teu poder está o número dos seus meses, e fixado um limite que ele não ultrapassará, 6.afasta dele os teus olhos e deixa-o, até que acabe o seu dia como o operário. 7.Para a árvore há esperança: cortada, pode reverdecer e os seus ramos brotam. 8.Quando sua raiz tiver envelhecido na terra e seu tronco estiver morto no solo, 9.ao contato com a água, reverdece e distenderá ramos como uma planta nova. 10.Mas quando o homem morre, fica inerte; o mortal expira, e o que é feito dele? 11.As águas podem faltar nos lagos, o rio pode secar e sumir, 12.assim o homem se deita para não mais levantar. Durante toda a duração do céu, ele não despertará, jamais sairá de seu sono. 13.Quem me dera que me escondesses na região dos mortos, ao abrigo, até que tua cólera tivesse passado, e me fixasses um limite em que te lembrasses de mim! 14.O homem, uma vez morto, porventura tornará a viver? Todo o tempo de meu combate eu esperaria, até que me vies sem substituir. 15.Tu me chamarias e eu te responderia; estenderias a tua destra para a obra de tuas mãos. 16.Mas agora contas os meus passos e observas todos os meus pecados. 17.Tu selaste como numa bolsa os meus crimes, puseste um sinal sobre minhas iniquidades.* 18.Mas a montanha desmorona e cai, e o rochedo muda de lugar; 19.as águas escavam as pedras, o aluvião leva a terra móvel: assim aniquilas a esperança do homem. 20.Tu o pões por terra, e ele se vai embora para sempre; tu o desfiguras e o expulsas. 21.Estejam os seus filhos honrados, e ele não o sabe; sejam eles humilhados, mas ele não faz caso. 22.É somente por ele que sua carne sofre, e sua alma só se lamenta por ele”.”

Os relatos de Jó sempre trazem muito de suas angústias, porém no capitulo 12 parecia que ele estava mudando de opinião e começando aceitar o que o próprio Deus lhe enviou como provação. Logo após o discurso do seu terceiro amigo Sofar de Naamat que o incita a clamar sempre a Deus. É muito difícil refletir estas passagens de Jó pelo fato do protagonista estar num momento de intenso sofrimento e fraqueja diante disso. antes porém era exemplo nos melhores momentos de sua vida. A opinião de cada um dentro do círculo bíblico é muito importante, pois a cada dia um pouco do ensinamento fica.

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“10,4. Terás olhos: terás a vista curta e a vida breve, para seres, como os homens, sem justiça, nem paciência? 10,10. Coalhaste como queijo: opinião antiga sobre a formação do embrião.”
“11,6. Deus esquece uma parte: outra tradução – Deus te pede conta. 11,12. Diante disso: o texto é incerto. Sentido: o proceder de Deus é suficientemente claro para que um espírito obtuso possa compreendê-lo.”
“12,9. Tudo isso: os fatos desconcertantes descritos nos v. 4s.”
“13,14. Esses dois provérbios têm o mesmo sentido: expor a vida. 13,20. A partir deste momento, Jó dirige-se a Deus. 13,28. A colocação normal deste versículo é depois do 14,3.”

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