Jesus Cristo, qual o teu rosto?

Curiosidades

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Existe uma controvérsia enorme sobre qual seria o verdadeiro rosto de Jesus Cristo. Durante séculos os artistas tem retratado Jesus segundo suas interpretações, mas na maior parte dos casos, se baseiam nas pinturas europeias renascentistas que trazem Jesus branco e de longos cabelos lisos.

Muitas vezes a imagem traz um Jesus angelical. Mas se pensarmos um pico mais a fundo, e mesmo se repararmos no povo de hoje da Palestina (detalhe pouco se alterou desde a época de Cristo) dá para perceber que esse rosto branco de bochechas rosadas, com cabelos longos loiros (ou negros) lisos e barba, não representa verdadeiramente o rosto de Jesus Cristo. Isso porque o povo galileu, naquela época, há mais de 2 mil anos, estava muito longe de ter essa aparência europeia das imagens.

Intrigado com essa confusão que nos persegue há séculos e que acabou se tornando uma referência para os cristãos, o especialista em Antropologia Forense, Richard Neave, da Universidade de Manchester, na Inglaterra, resolveu desvendar o mistério por trás do verdadeiro rosto de Jesus Cristo. Usando de uma técnica chamada de Antropologia forense. Junto com um grupo de cientistas em 2001

Para isso, ele usou a mesma tecnologia usada para desvendar o rosto de assassinos e outros criminosos (não se espante e ache uma blasfêmia) e começou seu trabalho para remontar o rosto de Jesus Cristo. Para deixar tudo ainda mais real, Neave realizou uma pesquisa aprofundada a respeito das características físicas dos povos semitas da Galileia, no norte de Israel.

Crânios e mais crânios típicos dos judeus foram recebidos e estudados pela equipe do antropólogo forense e, no final, foram feitos raio-x das fatias dos crânios. Computadores, então, criaram os músculos e a pele do que seria o verdadeira rosto de Jesus Cristo quando vivia naquela época, ou melhor até hoje já que acreditamos que ele ascendeu aos céus de corpo e alma.

O rosto de Jesus Cristo

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O resultado? O rosto de Jesus Cristo, como deve ter sido na vida real, já mais de 2 mil anos, foi muito diferente do que imaginamos hoje em dia. De acordo com os estudos de Neave, Jesus era mesmo barbudo, mas tinha cabelos escuros, curtos e, muito provavelmente, cacheados, como o costume de seu povo naquela época

Ainda sobre o rosto de Jesus Cristo, de acordo com os antropólogos, estava longe de ser tão branco ou angelical como das ilustrações. Era, na verdade, um rosto comum, sem muitos atrativos, com pele escura e olhos também escuros, quase pretos. Lembrando do sol escaldante da região.

Jesus também não devia ser um homem muito alto, já que a estatura dos homens de semitas daquela época não era nada impressionante. Acredita-se que ele não tinha mais de 1,50 m de altura e era um homem mais forte que realmente é retratado, já que seu ofício de carpinteiro era um trabalho que exigia esforço físico.

O resultado foi revelado em um documentário produzido em parceria entre a BBC e o Discovery Channel. E para conduzir a reconstrução, os pesquisadores empregaram as tecnologias mais avançadas que tinham à mão na época, assim como o crânio de 2 mil anos de um homem judeu, documentos antigos e técnicas forenses.

E então, você esperava um rosto assim para Jesus?

Na verdade isso é um trabalho da ciência e não desmerece em nada a nossa imagem ideal de Jesus Cristo.Podemos até imaginá-lo parecido conosco já que todos somos imagem e semelhança de Deus.

1 – Primeiras imagens

Uma das representações mais antigas de Jesus de que se tem notícia é a que você poderá ver na imagem seguir. Datada do ano 235, a imagem foi descoberta entre os frescos que cobrem as paredes de uma sinagoga da cidade de Dura Europos, na Síria. Veja:

A figura, embora não seja muito nítida, retrata um dos milagres de Cristo, “A Cura do Paralítico”. Nela, podemos ver Jesus com os cabelos curtos e encaracolados e vestindo uma simples túnica e sandálias. O exemplo abaixo, descoberto na Espanha no ano passado, consiste em uma gravura sobre um prato de vidro do século 4 que também mostra o messias sem sua icônica barba.

2 – Os cabelos e a barba crescem

As primeiras representações de Jesus com os cabelos mais longos e com o rosto coberto de barba começaram a surgir ainda no século 4 — provavelmente inspiradas na forma como os deuses gregos e romanos eram retratados. Um dos exemplos mais antigos é a imagem a seguir, descoberta na Catacumba de Marcelino e Pedro, localizada em Roma.

3 – Menino Jesus

Imagens que retratavam Jesus ainda bebezinho começaram a surgir por volta do século 4, pelo menos, e um dos exemplos mais emblemáticos é o mosaico do século 6 que você pode conferir a seguir:

Localizada na Basílica de Santa Sofia — que fica em Istambul, na Turquia —, a obra mostra a Virgem Maria embalando Jesus em seus braços, enquanto os Imperadores Bizantinos presenteiam o Menino com a (então) cidade de Constantinopla.

4 – Cristo acompanhado

Uma das imagens mais antigas de Jesus acompanhado de seus apóstolos foi descoberta em 2010 nas Catacumbas de São Tecla, localizada em Roma. Os arqueólogos estimam que o fresco seja do final do século 4 ou início do século 5, e acreditam que a imagem — que traz todos os personagens barbados e São Paulo já ficando careca — serviu de base para muitas representações dos seguidores de Cristo que surgiram depois.

5 – Jesus beatificado

O mosaico que você pode ver a seguir foi encontrado no Mausoléu de Gala Placídia, situado em Ravena, na Itália, e data do século 5. Nele, Cristo é retratado usando as cores reais — roxo e amarelo — enquanto guarda o seu rebanho. Veja:

A obra — conhecida como “O Bom Pastor” — traz Jesus novamente sem barba, mas agora com vestimentas e aparência que remete aos antigos romanos. Além disso, ele aparece com um halo sobre sua cabeça.

6 – Crucificado

As primeiras imagens de Jesus crucificado começaram a surgir a partir do século 5, enquanto a representação mais antiga de Cristo — retratado na cruz ao lado dos ladrões — em um manuscrito apareceu em um livro do século 6 chamado “Evangelhos de Rabbula”. Veja:

7 – Morto e sepultado

Santo Sudário — fascinante relíquia religiosa , como você sabe, traz o que muitos cristãos acreditam ser a própria imagem de Cristo gravada em sua superfície.

Até hoje sua legitimidade é discutida por religiosos e cientistas de todo o mundo — afinal, o lenço de linho foi extensivamente analisado por equipes de cientistas que, primeiro, determinaram que algumas partes do tecido datam da Idade Média, sugerindo que ele seria uma elaborada farsa e, posteriormente, que o material foi produzido entre 280 a.C. e 220 d.C., ou seja, muito mais próximo da época de Cristo.

 

Fontes:

Mulheres na Ressurreição de Cristo

Personagens: As Mulheres e o sepulcro vazio

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As mulheres foram as primeiras a receberem e darem a noticia da ressurreição de Jesus Cristo, fato este relatado pelos 4 evangelhos e que não pode ser contestado em nenhum momento.

A cena é sempre a mesma: o túmulo vazio, e um ou dois anjos em vestes alvas e resplandecentes, que anunciam que o Senhor está vivo e pedem às mulheres que contem a boa nova aos demais apóstolos. Quando são avisados da ressurreição, os doze discípulos não acreditam. No evangelho de João, Maria vai até Pedro e João alertá-los que o corpo de Jesus desapareceu. Os dois encontram o túmulo vazio, e apenas João tem a absoluta certeza que o Cristo renasceu dos mortos, cumprindo o que dissera. No evangelho de Lucas, apenas Pedro vai até o sepulcro.

De qualquer maneira, nos evangelhos sinópticos, podemos notar a proeminência que Maria Madalena tem sobre as demais mulheres, sendo as transmissoras da Boa Nova, ou o Evangelho, aos demais discípulos que se tornarão os apóstolos do Cristo.

Mt 28, 1 – 10 : “1.Depois do sábado, quando amanhecia o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o túmulo. 2.E eis que houve um violento tremor de terra: um anjo do Senhor desceu do céu, rolou a pedra e sentou-se sobre ela. 3.Resplandecia como relâmpago e suas vestes eram brancas como a neve. 4.Vendo isso, os guardas pensaram que morreriam de pavor. 5.Mas o anjo disse às mulheres: “Não temais! Sei que procurais Jesus, que foi crucificado. 6.Não está aqui: ressuscitou como disse. Vinde e vede o lugar em que ele repousou. 7.Ide depressa e dizei aos discípulos que ele ressuscitou dos mortos. Ele vos precede na Galileia. Lá o haveis de rever, eu vo-lo disse”. 8.Elas se afastaram prontamente do túmulo com certo receio, mas ao mesmo tempo com alegria, e correram a dar a Boa-Nova aos discípulos. 9.Nesse momento, Jesus apresentou-se diante delas e disse-lhes: “Salve!”. Aproximaram-se elas e, prostradas diante dele, beijaram-lhe os pés. 10.Disse-lhes Jesus: “Não temais! Ide dizer aos meus irmãos que se dirijam à Galileia, pois é lá que eles me verão”.” São Mateus, 28 – Bíblia Católica Online

Mc 16, 1-10:”1.Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para ungir Jesus. 2.E no primeiro dia da semana, foram muito cedo ao sepulcro, mal o sol havia despontado.* 3.E diziam entre si: “Quem removerá a pedra do sepulcro para nós?”. 4.Levantando os olhos, elas viram removida a pedra, que era muito grande. 5.Entrando no sepulcro, viram, sentado do lado direito, um jovem, vestido de roupas brancas, e assustaram-se. 6.Ele lhes falou: “Não tenhais medo. Buscais Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Ele ressuscitou, já não está aqui. Eis o lugar onde o depositaram. 7.Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vos precede na Galileia. Lá o vereis como vos disse”. 8.Elas saíram do sepulcro e fugiram trêmulas e amedrontadas. E a ninguém disseram coisa alguma por causa do medo. 9.Tendo Jesus ressuscitado de manhã, no primeiro dia da semana apareceu primeiramente a Maria de Magdala, de quem tinha expulsado sete demônios.* 10.Foi ela noticiá-lo aos que estiveram com ele, os quais estavam aflitos e chorosos.”  São Marcos, 16 – Bíblia Católica Online

Lc 24, 1 – 10 : “1.No primeiro dia da semana, muito cedo, dirigiram-se ao sepulcro com os aromas que haviam preparado. 2.Acharam a pedra removida longe da abertura do sepulcro. 3.Entraram, mas não encontraram o corpo do Senhor Jesus. 4.Não sabiam elas o que pensar, quando apareceram em frente delas dois personagens com vestes resplandecentes. 5.Como estivessem amedrontadas e voltassem o rosto para o chão, disseram-lhes eles: “Por que buscais entre os mortos aquele que está vivo? 6.Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos de como ele vos disse, quando ainda estava na Galileia: 7.O Filho do Homem deve ser entregue nas mãos dos pecadores e crucificado, mas ressuscitará ao terceiro dia”. 8.Então, elas se lembraram das palavras de Jesus. 9.Voltando do sepulcro, contaram tudo isso aos Onze e a todos os demais. 10.Eram elas Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago; as outras suas amigas relataram aos apóstolos a mesma coisa.” 
São Lucas, 24 – Bíblia Católica Online

Jo 20, 1 – 2: “1.No primeiro dia que se seguia ao sábado, Maria Madalena foi ao sepulcro, de manhã cedo, quando ainda estava escuro. Viu a pedra removida do sepulcro. 2.Correu e foi dizer a Simão Pedro e ao outro discípulo a quem Jesus amava: “Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram!”.” São João, 20 – Bíblia Católica Online

 

as mulheres no sepulcro

Podemos analisar as informações com atenção: Mateus diz que Maria Madalena e a “outra” Maria (sem explicar se seria Maria, mãe de Jesus) foram ao túmulo quando amanhecia o primeiro dia da semana. Já Marcos fala que no primeiro dia da semana Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé foram ao túmulo bem cedo quando o sol mal havia despontado, mas também diz que quando Jesus ressuscitou apareceu primeiro a Maria de Magdala (dando a entender que esta seria outra Maria e não Maria Madalena, mas na verdade este trecho é de um manuscrito mais antigo). Lucas fala que no primeiro dia da semana Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago foram bem cedo ao sepulcro, mas fala também que “as outras suas amigas” contaram aos discípulos então teriam outra mulheres. João é mais sucinto e fala apenas de Maria Madalena indo ao túmulo.

Podemos considerar, baseando-se nas narrativas que ocorreram três visitações das mulheres ao sepulcro e elas tiveram a primazia de descobrirem a ressurreição e também foram as primeiras a encontrar Jesus novamente vivo.

Vou usar como cronologia:

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  1. A primeira visita é a de Maria Madalena que foi narrada por João e Marcos reforça isso no versículo 9.
  2. Mateus narra a segunda visitação, quando Maria Madalena foi novamente ao
    sepulcro, mas desta vez acompanhada da outra Maria, e já estava “ficando claro”
  3. Marcos e Lucas narram a terceira visita ao sepulcro, a qual fora realizada pelas mulheres. Marcos cita Maria Madalena, Salomé e Maria, mãe de Tiago e Lucas diz que eram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago, mas podemos concluir que sejam as mesmas por causa dos aromas que elas tinham comprado e preparado ou que ao invés de 3 eram 4 já que Lucas ainda fala de outras amigas.

Maria Madalena é citada em todos os Evangelhos, porém Maria, mãe de Jesus, não aparece em nenhum dos relatos.

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Quando as mulheres retornam do cemitério após a devoção da Páscoa, elas trouxeram notícias sobre o túmulo vazio e reportaram que “Ele não está lá e ressuscitou!”. Os apóstolos ficaram incrédulos, com alguns estudiosos atribuindo a falta de entusiasmo ao fato de a mensagem ter chegado através de mulheres. Flávio Josefo escreveu que a tradição judaica afirmava: “Não permita que evidências sejam aceitas através das mulheres por causa de sua leviandade e da temeridade de seu sexo.”

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Mas onde está o Espírito Natalino?

É Natal.

Mas onde está o Espírito Natalino?

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Cena do filme: A estrela de Belém

A modernidade, tão benéfica e também tão destruidora de tradições tem feito todo o clima de Natal se perder ante a distância providencial das pessoas. Digo providencial, pois com um click no Whatsapp, Facebook ou Telegram a comunicação é praticamente imediata, e aquela felicitação de Feliz Natal é transmitida. Seja escrita ou simplesmente copiada, sincera ou não. Evita-se o olho no olho, o calor do abraço.

O Espírito Natalino também foi consumido pelo comércio desenfreado. Hoje Natal não significa mais “o nascimento de Jesus” ou união, confraternização. Hoje Natal é simbolizado por presentes, compras, festas, bebedeiras homéricas.

Até o encontro das famílias cedeu lugar a outras coisas.

Pois bem, os tempos são outros, isso é fato.

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Quando Maria estava grávida, esposa de José um recenso foi convocado pelo Império Romano e a família de Jesus (ainda  nem nascido) foi praticamente obrigada a ir para a Judéia, mais precisamente em Belém terra de onde José vinha. Lembre que naquela época era o homem quem comandava a família então o recenso era feito em nome dele.

Imagine quanto tempo levou, até que toda a palestina ficasse sabendo deste recenseamento, numa era sem internet ou correio?

Então a família de Jesus que já era peregrina, mais uma vez teve que se deslocar, com um agravante: Maria estava grávida de pelo menos 7 meses e meio.

Quando chegaram a Belém, foi difícil achar um hotel ou pousada, não existia estes aplicativos para encontrar hotéis ou sequer telefone para reservar antes, então esta família que demorou quase um mês para chegar (não tinha avião, trem, carro ou ônibus), a viagem foi feita toda num jumentinho ou a pé.

Enquanto isso os 3 reis de terras distantes já estavam viajando ao encontro do menino Jesus. Como eles sabiam? Leram em algum site? Não. Seguiram o brilho de uma estrela. Tudo sem tecnologia.

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Então a luz fez-se numa estrebaria, entre animais. Pastores chegaram avisados por anjos. Inacreditável? Não acho, já que todos os eventos até este ponto se deram de maneira divina.

Depois de algum tempo, chegaram os Reis chamados magos e trouxeram presentes. Nenhum celular. Apenas ouro, incenso e mirra. Dai nasceu a tradição (hoje deturpada) de se dar presentes no Natal.

Agora pense um pouco: tem pessoas que não vão nem na esquina sem estarem de carro ou acionarem um Uber, imagine se fariam todo o sacrifício feito por estes personagens para que Jesus viesse ao mundo?

Então fica fácil compreender o porque hoje em dia, aquela magia do Natal se perdeu. As pessoas estão distantes entre si e também distantes de Deus, porque é preciso sacrifícios e compromisso para seguirem Jesus. Quem vai abrir mão das facilidades, da modernidade?

Vale ressaltar que eu não estou dizendo que toda essa modernidade seja ruim, mas estou apenas dizendo que devemos sim conseguir usar toda essa tecnologia para aproximar-se de quem amamos e não o contrário. Um abraço, um beijo, um encontro valem muito mais do que um video copiado da internet de Feliz Natal.

Assistir a Missa do Galo na Tv ou na internet não é o mesmo de participar e comungar numa missa ao vivo.

Por isso eu rezo para que a graça de Jesus esteja presente no coração de cada um, para que recuperem o que existe de mais importante no Natal, a humildade.

Milton Cesar

Quando Jesus te toca mais uma vez

Reflexão

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Não sou um jovem de idade, sou aquilo que eu mesmo costumo chamar “jovem a mais tempo”. Já vivi muitas experiências na igreja. Já fui catequista, coordenador de Grupo de Jovens, coordenador de comunidade, coordenador da Pastoral do Dízimo e Ministro da Palavra e Eucaristia. Lá se foram 20 anos da minha vida. Hoje sou até mais importante, sou um fiel católico que vai nas missas e grupos de oração  (confesso que até queria ir mais).

A um mês atrás fui convidado por uma das pessoas mais importantes na minha vida, a participar de um evento chamado Summer Beats DNJ 2018 (DNJ de Dia Nacional da Juventude) em São Paulo. Fomos com todas as dificuldades que tentam te tirar do seu intento.

Chegamos relativamente cedo e ao longo do dia (de um calor intenso e depois a noite de um frio maior ainda) o evento foi ficando lotado de jovens. Não sei, mas acredito que tinha umas cem mil pessoas, na sua maioria jovens.católicos. Bandas fizerem shows, o Cardeal Dom Odílio Scherer celebrou a missa, tinha o Santíssimo exposto e um espaço para confissão.

Eu fui pouco a pouco sendo tocado por Jesus novamente.

Porquê digo novamente ?

Porque por vezes as agruras da vida te fazem seguir no automático. Você ama a Deus mas já não fala isso, pois ele sabe. Mas como você pode falar: Eu te amo Jesus? – apenas na sua oração e no seu agir. Ir na igreja é apenas um ponto disso tudo. Num casamento muitas vezes o casal vai se esquecendo de afirmar o amor, perde aquele momento de dizer Eu Te Amo e com o tempo as dúvidas e o desgaste aparecem. É preciso e saudável sempre mostrar-se apaixonado.

Com Jesus é a mesma coisa. Não que Ele cobre, mas é para que não fiquemos no automático. Uma oração sempre repetida não tem emoção e acaba ficando apenas pragmática e sem sentido.

Pois bem, quando eu participei deste evento (dia 16 de setembro de 2018) eu senti novamente o fogo do Espírito Santo me queimando. Mais uma vez senti o toque de Jesus.

Devo confessar que tenho dedicado meu tempo a muitas coisas, sendo uma delas produzir e dividir o conteúdo neste blog, mas faltava alguma coisa. Sinceramente esse sentimento toma conta de mim desde aquele dia. Eu não dormi quando cheguei às 23h30min, e estou com algo ardendo no meu peito. Uma necessidade tremenda de fazer mais pela minha fé. Uma renovação de forças.

Talvez estar cercado de tanta energia jovem tenha me feito sentir o que tenho sentido. Queimar ao sol e depois congelar no frio de São Paulo me fez ver algo que a muito tempo eu não via: Como é lindo ser de Jesus.

Eu estou compartilhando esta emoção apenas por entender que muitas vezes o que precisamos é uma nova perspectiva do que fazemos ou cremos. Estamos sim sendo fiéis, acompanhando e vivendo a vida da igreja, na nossa comunidade, mas é muito importante também vivenciarmos novas experiências. De verdade fiquei muito emocionado com o que vivi. Muito emocionado acompanhando o show da banda Adoração e Vida e da Comunidade Colo de Deus, mas o principal é saber que fui novamente tocado por Jesus.

O que virá em seguida?

Com certeza algo bom vai acontecer nesta minha renovação de fé.

Mas fica a experiência e a dica:

Devemos sempre estar atentos para os sinais de Deus, as oportunidades de entender a nossa própria fé, nossos limites, emoções e todo o nosso amor. Porque assim são aqueles que acreditam em Jesus, que vivem da graça. Viver uma rotina, esquecendo de que o que nos move sempre é o fogo do Espírito Santo e este não para.

Paz e bem da parte do Senhor Jesus

Milton Cesar

Te chamam de Deus e de Senhor
Te chamam de Rei, de SalvadorE eu me atrevo a Te chamar de meu AmorTe chamam de Deus e de Senhor
Te chamam de Rei, de Salvador
E eu me atrevo a Te chamar de meu Amor

Yeshua, Yeshua
Tu és tão lindo
Que eu nem sei me expressar
Yeshua, Tu és tão lindo

Atos dos Apóstolos (Círculo Bíblico – 3/10)

Círculo Bíblico: Atos dos Apóstolos – Encontro 3/10

Este é o terceiro de uma série de 10 posts que tratarão de um Círculo Bíblico sobre o livro dos Atos dos Apóstolos. A ideia é fazer encontros com a comunidade ou grupos interessados no estudo da Bíblia (dentro ou fora da igreja) e não uma palestra onde um fala e os outros ouvem, mas sim uma partilha numa conversa, mais como uma vivência da fé do que apenas um sermão. Para isso é importante que todos tenham nas mãos a Bíblia e caso contrário, ao menos o livro dos Atos dos Apóstolos (editoras como a Paulus tem edições mais acessíveis apenas com os livros separados da Bíblia como um todo) ou em ultimo caso um folheto impresso com os capítulos que serão lidos. De qualquer forma o ambiente é muito importante e mais ainda que sejam respeitados horários, dias e frequências com que os encontros acontecerão. Funciona muito bem se for uma vez por semana, mas a demanda dos participantes deve ser levada em consideração. Grupos com até 20 pessoas são mais interessantes do que grandes grupos, para que o trabalho seja mais próximo, mas não impede que sejam formados grupos bem maiores. É indispensável que tenha-se ao menos uma equipe (podem ser 2 ou 3 pessoas) para preparar o espaço (decoração, café ou suco ou lanche se for o caso) e tentar fazer estes encontros na igreja e ainda melhor se for nas casas das pessoas. Exemplo: Hoje é na casa do João, no próximo encontro o grupo vai na casa da Maria e assim por diante, assim já se cria um ambiente mais amigável e familiar abrindo a possibilidade da família acolhedora partilhar. Não posso esquecer de frisar que os encontros devem durar até 50 minutos (1 hora no máximo), encontros muito longos não são proveitosos, se tornam cansativos e desestimulam a participação no restante do círculo. Entregar um certificado no final é uma boa ideia.

Cronograma

  1. Oração Inicial
  2. Canto
  3. Leitura (dividir em partes para que todos que se sentirem a vontade possam ler)
  4. Junto com cada parte lida cabe a discussão sobre o que foi lido
  5. Plenária (o que cada um entendeu)
  6. Fechamento com uma oração e o abraço da paz (um canto também é interessante)

 

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A compreensão do que é comunidade

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No inicio do capitulo 5 vemos o relato de que um homem chamado Ananias e sua esposa Safira caírem mortos aos pés de Pedro, por quererem fazer parte da comunidade, mas se negarem a repartir os bens, escondendo parte do lucro com a venda de um terreno e tentando enganar a comunidade de fé. Aqui existe uma espécie de parábola para mostrar que o crime não está no fato de não partilhar algo que é seu, mas sim na mentira ao tentar enganar a Deus. A mão de Deus pesa como no Antigo Testamento. A morte aqui pode ser entendida como espiritual. Existe para cada um de nós um questionamento: enganamos a Deus ou tentamos? Mas não conseguimos esconder nada de Deus. O relato não quer mostrar que Deus vai matar por dinheiro, mas você vai morrer espiritualmente tentando enganar o Senhor.

As primeiras comunidades cristãs eram formadas de pobres e ricos. Então como entender as exigências do Evangelho? É mais fácil para um pobre entender o conceito de dividir para todos terem? Ou do rico entender que vai ficar mais pobre dividindo para todos terem?

Cuidado! A sua resposta pode estar contaminada por algum conceito pessoal que talvez não se aplique aqui.

Para nenhum dos dois é fácil a compreensão do Evangelho. E ai estava o embate das comunidades nos primórdios da fé em Jesus Cristo. No final do capítulo 4 é citado que um homem de nome José vendeu um campo e entregou o dinheiro para ser dividido entre todos (At 4, 36 -37) esse homem recebeu o sobrenome de Barnabé e entendeu o significado do ser comunidade . Lucas cita Barnabé no final de um capítulo e ao entrar neste já fala sobre Ananias e Safira para servir de contraponto entre os dois exemplos.

At 5,17-42

A perseguição aos nazarenos começa a ser narrada mais intensamente à partir desta parte do livro.

Os Saduceus aprisionaram os apóstolos que pregavam em Jerusalém, porque eles faziam curas em plena praça pública. Mas durante a noite um anjo foi e soltou todos eles, sem abrir as portas. Esse mesmo anjo disse que eles deveriam continuar a pregar, só que desta vez no Templo. Ao chegarem na manhã seguinte foi convocado todo o Sinédrio para que esses apóstolos fossem julgados, note que assim como Jesus sofreu um julgamento as pressas, a intenção dos sacerdotes era a mesma, julgar os apóstolos sem direito a defesa, e depois pedir aos romanos que executassem todos eles. O interessante está na surpresa da descoberta da fuga milagrosa dos apóstolos e mais ainda da estranheza de que a cela estava totalmente trancada e a chave em poder de um sacerdote.

Mesmo ante isso, e a descoberta de que os apóstolos estavam no Templo, desafiando a lei onde só os sacerdotes poderiam pregar . Lógico que foram novamente trazidos ao Sinédrio e desafiaram os sacerdotes (At 5,27-32). A simples citação do nome de Jesus já fez com os sacerdotes ansiassem por matarem aqueles homens, mas surpreendentemente, um fariseu de nome Gamaliel, doutor da lei estimado intercedeu pelos apóstolos, não por concordar com a fé deles , mas por achar que a religião deles morreria em breve, e fez comparações com outros supostos messias que juntaram seguidores mas caíram no esquecimento. Mas algo que Gamaliel disse deve ser levado em conta : “Agora, pois, eu vos aconselho: não vos metais com estes homens. Deixai-os! Se o seu projeto ou a sua obra provém de homens, por si mesma se destruirá; mas se provier de Deus, não podereis desfazê-la. Vós vos arriscaríeis a entrar em luta contra o próprio Deus. ” (Atos dos Apóstolos, 5, 38 -39 – Bíblia Católica Online)
Mesmo não acreditando naqueles homens, ele tinha um certo temor, pelo fato da história do sumiço do corpo de Jesus e sua suposta ressurreição ainda serem recentes.

Estranhamente os apóstolos foram açoitados, e libertos e ainda saíram contentes por sofrerem insultos e agressões em nome de Jesus.

 

At 6, 1 -15

Chegamos a um ponto onde muitos fiéis foram acolhidos na comunidade, mas também aconteceram as primeiras divergências mais sérias. Como muitos dos novos fiéis eram de origem grega entraram em atrito com os de origem Hebraica. Vemos isso muitas vezes nas comunidades atuais onde novos membros sofrem da desconfiança dos mais velhos, e estes não aceitam de pronto novas idéias.

Aqui vale uma observação

Lucas tenta mostrar a harmonia entre a comunidade nascente, porém como em todos os lugares onde existem pessoas diferentes, o conflito é sempre eminente. No próprio grupo de discípulos de Jesus já existiam conflitos de idéias diferentes. Logo do inicio deste capítulo o que notamos é um conflito de culturas diferentes. Vale explicar o que acontecia. Parecia uma reclamação simples : as viúvas dos cristãos gregos não estão sendo atendidas pela comunidade. Não devemos esquecer que estamos falando das comunidades do inicio do cristianismo, onde a mulher ainda não era reconhecida como importante e capaz de prover o próprio sustento. Desde os relatos do Antigo Testamento a questão da mulher e principalmente das mulheres viúvas é debatido sem sucesso à época (que fique claro). Faltava gente para atender as viúvas gregas? Faltava tempo? Nenhuma destas opções.

Devemos entender que desde o começo das comunidades nos Atos haviam hebreus (cristãos de origem judaica, fiéis à Lei Judaica e ainda frequentadores do Templo e que só liam as escrituras em hebraico); helenistas (cristãos de origem grega, que viviam fora da Palestina, não eram afeitos a Lei Judaica, principalmente no que dizia respeito a circuncisão e ao Templo onde eram proibidos de entrar, sendo relegados muitas vezes ao Pátio dos Pagãos – espaço para os que não eram judeus de sangue, e liam as escrituras em grego; e prosélitos (pagãos de origem grega convertidos ao cristianismo e simpatizantes da religião judaica; além de alguns estrangeiros que seguiam apenas o evangelho de Jesus.

O maior problema é que os hebreus não comiam na mesma mesa que os helenistas e prosélitos, pois segundo a lei judaica (mesmo eles seguindo também os ensinamentos de Jesus) ficavam impuros. Os hebreus também frequentavam o Templo onde os demais grupos não podiam entrar.

Mas porque o problema declarado é em relação as viúvas gregas?

Muitos judeus helenistas vinham passar os últimos dias de vida em Jerusalém, ali acabavam morrendo e suas viúvas ficavam na miséria (em casos que não fossem ricos ou por parentes do homem morto se apossarem dos bens da família principalmente em casos que não tivessem um filho homem responsável). A comunidade cristã de Jerusalém tinha sim um caixa para cuidar das viúvas e inclusive refeições comunitárias para os pobres. É neste ponto que o problema maior começa, por causa do conflito cultural (que hoje parece sem sentido, mas na época era normal) as viúvas dos helenistas (gregos) não eram recebidas nestas refeições ou ajudadas financeiramente, justamente por causa da separação entre os judeus e os outros.

Numa comparação simples podemos ver isso hoje em dia quando imigrantes tentam uma nova vida em outros países e são barrados por causa da etnia ou até mesmo de religião.

A decisão não fica clara no relato de Lucas porém nas entrelinhas dá para se entender que o “problema” foi equacionado quando os Doze apóstolos decidem escolher 7 homens para cuidar destas questões mais materiais e econômicas. Dentre estes nenhum era hebreu (6 eram gregos: Estêvão, Filipe, Prócoro, Nicanor. Timão e Pármenas, e 1 era prosélito Nicolau de Antioquia), com isso a ajuda as viúvas e todos os necessitados independentes de religião poderia ser mais justa. 

Aqui também acontece a escolha de novos ministérios, com mais apóstolos para a acolhida e ainda assim houve muita discussão. É neste ponto do relato que ouvimos falar pela primeira vez de Estêvão, Lucas vai descrevê-lo como o modelo ideal de cristão, e ele terá papel muito importante durante parte do livro. Estêvão aqui é vitima de algo que faz mal ainda na sociedade, e dentro da comunidade é um câncer que destrói e muito,  a fofoca e a inveja. Como Estêvão se tornou um apóstolo de destaque dentro da comunidade, ele foi traído por membros que apesar de estar ali, não haviam recebido o Espírito Santo, ou não acreditavam realmente naquilo. Assim como Judas Iscariotes, estes também traíram. Estêvão então foi preso e levado ao Sinédrio.

LAPESTEV

“E apedrejavam Estêvão, que orava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito. Posto de joelhos, exclamou em alta voz: Senhor, não lhes leves em conta este pecado… A estas palavras, expirou.”
Atos dos Apóstolos, 7, 56-60

 

At 7, 1-60

No interrogatório de Estêvão a história de Moisés é recontada e serve também como comparação a história do próprio Jesus. A história do povo hebreu é o ponto de partida, o que dá a entender  que Estêvão era um estudioso da fé, mas no texto é como se ele falasse pelo Espírito Santo.

A comparação da história de Moisés com a de Jesus é bem óbvia:

  • A fuga para escapar do massacre das crianças.
  • Vieram libertar o povo pela palavra, enviados por Deus.
  • Não agiram sozinhos.
  • Subiam as montanhas para falar com Deus.

At 7,35-37 narra estes fatos mas mostra que os sacerdotes do Sinédrio condenam Estêvão, que acusa os sacerdotes de não serem fiéis a lei. Em At 7,54-60 Estêvão é apedrejado e entrega o seu espírito a Deus. Também vemos pela primeira vez a citação de um jovem que segurava os mantos dos assassinos de Estêvão e assistia impassível a tudo. Lucas aqui quis mostrar que alguém importante da comunidade saia de cena, no caso Estêvão e alguém que teria papel decisivo entrava em foco, por isso citou Saulo.

Saulo aparece discretamente no capitulo anterior, não há uma citação direta sobre ele ter ou não atirado alguma pedra em Estêvão, mas a sua participação como cúmplice é bem evidente.

ESTEVÃO

Estêvão clama a Deus enquanto é apedrejado

At 8, 1-40

Aqui a perseguição a comunidade dos Nazarenos fica declarada. O capitulo começa com Saulo e fica bem claro a posição dele assim como a dos judeus. A comunidade se dispersava por toda a região Judéia. Filipe foi para uma cidade da Samaria (hoje temos certeza de que ele foi para Cesaréia)  lá um mago de nome Simão, famoso e rico tentou comprar os dons de profecia e cura dos apóstolos, e procurou Filipe primeiro para aderir a comunidade (se não pode vencê-lo junte-se a ele ),depois com a chegada de Pedro e  João à cidade, e deles começarem a impor as mãos sobre aqueles que seriam apóstolos, ele ofereceu muito dinheiro, mas o discípulo não aceitou e ainda dispensou o mago. A riqueza muitas vezes faz com que os abastados pensem que estão acima de tudo e que seu dinheiro pode pagar até a fé e os dons dados pelo espírito santo. Existem hoje pessoas que se dizem “celebridades” que a todo momento evocam sua suposta importância, para tentarem algum tipo de vantagem ou humilhar algumas pessoas. Simão fazia parte destas pessoas, mas foi colocado no devido lugar por Filipe, Pedro e João. O capitulo 8 praticamente fala só de Filipe, e mostra sua sabedoria, deixando um pouco de lado os outros apóstolos. É interessante ver os prodígios dele e a conversão de um eunuco no fim do capitulo.

A Samaria não foi escolhida ao acaso para ser à primeira a ser evangelizada, depois de Jerusalém. Existia um ódio muito grande entre judeus e samaritanos, mas Lucas diz que os samaritanos tem um bom espírito ( vide Lc 10,25-37;17,16-18), e quem foi enviado na frente foi Filipe que é helenista (judeu-cristão de língua grega), ou seja que tinha pouca coisa a ver com as tradições judias. Ele preparou o terreno para a chegada de Pedro e João. Se tivesse sido enviado um hebreu tradicional, talvez não tivesse conquistado tantos.

Refletindo

É importante notarmos os sinais que existem na comunidade nascente nos relatos dos Atos dos Apóstolos. Mesmo numa época em que a passagem de Jesus ainda se fazia, digamos, muito aquecida, a comunidade de fé estava sempre tendo conflitos. Hora eram opiniões divergentes, hora eram conflitos de culturas e até de gerações. Os relatos que dão conta da condenação de Estêvão mostram que existiam ainda dois dos maiores problemas enfrentados em todas as comunidades de fé, algo que não deveria existir mais, mas é claro que estão presentes: a inveja e a fofoca. Como nos tornarmos Santos diante destes desafios?

Estamos falando de abandonar este tipo de sentimento (inveja) e este tipo de ação (fofoca), e viver em comum-unidade respeitando os exemplos de Cristo. É só fazermos um exame de consciência na nossa própria comunidade e analisarmos se isso não acontece ainda. Se não acontece na sua comunidade, dê Glórias a Deus, mas infelizmente eu não acredito muito que não aconteça.

Porém não é algo absoluto. 

É algo a se mudar, pois só assim vamos ser verdadeiros fiéis em Jesus Cristo. A oração é sempre o caminho.

Um círculo bíblico também deve servir para se refletir sempre sobre o crescimento saudável da igreja.

Milton Cesar

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Santo Estêvão, primeiro mártir de toda a história católica

Nos capítulos 6 e 7 dos Atos dos Apóstolos encontramos um longo relato sobre o martírio de Estêvão, que é um dos sete primeiros Diáconos nomeados e ordenados pelos Apóstolos. Santo Estêvão é chamado de Protomártir, ou seja, ele foi o primeiro mártir de toda a história católica. O seu martírio ocorreu entre o ano 31 e 36 da era cristã. Eis a descrição, tirada do livro dos Atos dos Apóstolos:

“Estêvão, porém, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo. Levantaram-se então alguns da sinagoga, chamados dos Libertos e dos Cirenenses e dos Alexandrinos, e dos da Cicília e da Ásia e começaram a discutir com Estêvão, e não puderam resistir à sabedoria e ao Espírito com que ele falava. Subornaram então alguns homens que disseram: ‘Ouvimo-lo proferir palavras blasfematórias contra Moisés e contra Deus’. E amotinaram o povo e os Anciãos e Escribas e apoderaram-se dele e conduziram-no ao Sinédrio; e apresentaram falsas testemunhas que disseram: ‘Este homem não cessa de proferir palavras contra o Lugar Santo e contra a Lei; pois, ouvimo-lo dizer que Jesus, o Nazareno, destruirá este Lugar e mudará os usos que Moisés nos legou’. E todos os que estavam sentados no Sinédrio, tendo fixado os olhares sobre ele, viram o seu rosto como o rosto de um anjo”.

Num longo discurso, Estêvão evoca a história do povo de Israel, terminando com esta veemente apóstrofe:

“‘Homens de cerviz dura, incircuncisos de coração e de ouvidos, resistis sempre ao Espírito Santo, vós sois como os vossos pais. Qual dos profetas não perseguiram os vossos pais, e mataram os que prediziam a vinda do Justo que vós agora traístes e assassinastes? Vós que recebestes a Lei promulgada pelo ministério dos anjos e não a guardastes’. Ao ouvirem estas palavras, exasperaram-se nos seus corações e rangiam os dentes contra ele. Mas ele, cheio do Espírito Santo, tendo os olhos fixos no céu, viu a glória de Deus e Jesus que estava à direita de Deus e disse: ‘Vejo os céus abertos e o Filho do homem que está à direita de Deus’. E levantando um grande clamor, fecharam os olhos e, em conjunto, lançaram-se contra ele. E lançaram-no fora da cidade e apedrejaram-no. E as testemunhas depuseram os seus mantos aos pés de um jovem, chamado Saulo. E apedrejavam Estêvão que invocava Deus e dizia: ‘Senhor Jesus, recebe o meu espírito’. Depois, tendo posto os joelhos em terra, gritou em voz alta: ‘Senhor, não lhes contes este pecado’. E dizendo isto, adormeceu”.

Santo Estêvão, rogai por nós!

Fonte: Santos – Canção Nova

fides - Copia

Como base de estudo foi usado:

  • Bíblia do Peregrino- Paulus
  • Bíblia de Jerusalém – Paulus
  • Bíblia da CNBB
  • Livro: Como ler os Atos dos Apóstolos- O caminho do Evangelho- Ivo Storniolo -Paulus Editora
  • Bíblia Católica Online (nos links)

 

 

 

Dos ramos ao Madeiro – Parte IV

Dos ramos ao madeiro – 4/5

Fazei isso em minha memória. ( Mt 26,17-30Mc 14,12-26Lc 22,7-39 e Jo 13,117,26,  I Cor 11,23-26)

Esta foi uma das grandes frases ditas por Jesus naquela ceia. Pedro não havia compreendido, assim como a maioria dos presentes naquele momento. Aquela seria a refeição mais famosa de todos os tempos, mas naquele instante nada disso importava.

A ceia havia sido iniciada por Jesus logo após o sol se pôr e ela se prolongou (como era o costume) até a meia-noite. Veja bem, não era um jantar comum era um ato religioso que naquele momento quase todos os lares judaicos estavam celebrando.

Tudo tinha seu significado simbólico.

Eram cheias quatro taças de vinho em memória a libertação dos hebreus do Egito, liderados por Moisés.

Comiam-se verduras amargas molhadas em água e vinagre em memória do Êxodo do Egito. Era um ritual complexo comandado pelo dono da casa, mas neste dia quem comandou foi Jesus. Mas os moradores da casa também participaram.

Primeiro: Depois da 1ª taça de vinho servida Jesus pronunciou a benção da solenidade. Então todos comeram as ervas amargas.

Segundo: Depois da 2ª taça de vinho servida, João Marcos que era o mais jovem presente a mesa (uma criança na verdade) dirigiu-se a Jesus e perguntou (como era parte do ritual):

-Qual o significado desta celebração?

Jesus respondeu, como aprendera desde a infância, com os três pontos principais daquilo tudo, que eram:

  1. O cordeiro recorda Deus marcando as casas dos hebreus para que seus filhos fossem poupados.
  2. O pão ázimo foi comido devido à pressa da partida que não permitiu que se fizesse o pão normal com fermento.
  3. As ervas amargas era a lembrança da amargura da escravidão no Egito.

Depois desta explicação e seguindo o costume foi entoada a primeira parte do Hallel que significa cântico de louvor a Deus (Salmo 113 e Salmo 114). Era neste momento que se devia partir o pão ázimo e depois consumir o cordeiro assado. Mas Jesus fez diferente.

Partindo o pão ele declarou que ele seria o novo cordeiro de Deus e aquele pão seria sua carne, logo distribuiu o pão entre todos e depois quebrando a tradição novamente, ele serviu a 3ª taça de vinho e disse que aquele seria o seu sangue e que seria derramado por eles. Assim dividiu o vinho com todos. E proferiu uma frase que não fazia parte do contexto:

“- Fazei isso em minha memória.”

Um silêncio foi feito, tanto pelo impacto como pela tradição.

Então Jesus continuou seguindo com a consumação do cordeiro assado.

Depois a parte final do canto do Hallel (Salmos 115116117 e 118, 29) foi entoada. E a quarta parte do ritual com a 4ª taça de vinho (final) sendo servida, fez-se um louvor, uma breve oração de agradecimento que concluía a celebração.

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Muitos estavam atônitos, outros pensativos quando Jesus continuou:

“- Em verdade, eu vos digo: um de vós vai me entregar esta noite.”

Foi uma explosão de murmúrios e reclamações, muitos querendo entender o que significava aquilo e outros querendo saber quem seria. Jesus olhou para Judas Iscariotes e disse o que tem que fazer faça depressa. Nesse momento alguns acharam que judas saíra em alguma missão para o mestre. Era comum ele sair pois cuidava do dinheiro do grupo e tinha afazeres como comprar provisões, ninguém imaginou que ele saiu para buscar a guarda do templo.

Pedro dizia que mesmo que os outros traíssem o mestre, ele jamais o faria e Jesus anunciou que Pedro o negaria três vezes ainda naquele dia (lembrando que provavelmente já passava da maia noite)

Depois de toda a confusão, os ânimos se acalmaram e Jesus agradeceu a hospitalidade da família que o acolheu junto a seus seguidores e pediu que apenas seus discípulos (naquela altura apenas 11) fossem com ele até o Jardim do Getsemani para orar. Todas as vezes que alguma mudança mais significativa na vida de Jesus iria ocorrer ele se isolava e pedia a seu pai (Deus) força. E assim ao chegar ao local Jesus pediu que os discípulos entrassem em oração e foi um pouco mais adiante afim de rezar sozinho.

E chorou…

Pediu a Deus que este cálice passasse sem que ele bebesse, mas sabia que não poderia. E ali lhe foi retirada toda a proteção divina, para que ele como homem de carne e osso normal pudesse passar pelas provações a que seria submetido.

Ao levantar-se e ir a seus discípulos deparou-se com eles dormindo por duas vezes, e pediu que todos acordassem perguntando se nem sequer poderiam orarem com ele por uma hora apenas. Mas parecia que o cansaço dominava a todos.

Enquanto isso Judas já havia chegado a uma sala do templo e ao falar com Anás, que já o esperava ansiosamente, saiu com um grupo de guardas do templo e mais alguns soldados romanos que estavam a serviço do Sinédrio a mando de Pilatos.

Anás por sua vez foi acordar o maior número possível de sacerdotes (muitos dormiam em instalações localizadas no próprio templo). Depois foi e acordou Caifás.

A madrugada ficou movimentada em vária direções. Era um movimento que levaria a muitos outros para mudar a história.

Milton Cesar

 

São Mateus 26, 17-46

Jesus-ÉQUIPE

“17.No primeiro dia dos Ázimos, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe: Onde queres que preparemos a ceia pascal? 18.Respondeu-lhes Jesus: Ide à cidade, à casa de um tal, e dizei-lhe: O Mestre manda dizer-te: Meu tempo está próximo. É em tua casa que celebrarei a Páscoa com meus discípulos. 19.Os discípulos fizeram o que Jesus tinha ordenado e prepararam a Páscoa. 20.Ao declinar da tarde, pôs-se Jesus à mesa com os doze discípulos. 21.Durante a ceia, disse: Em verdade vos digo: um de vós me há de trair. 22.Com profunda aflição, cada um começou a perguntar: Sou eu, Senhor? 23.Respondeu ele: Aquele que pôs comigo a mão no prato, esse me trairá. 24.O Filho do Homem vai, como dele está escrito. Mas ai daquele homem por quem o Filho do Homem é traído! Seria melhor para esse homem que jamais tivesse nascido! 25.Judas, o traidor, tomou a palavra e perguntou: Mestre, serei eu? Sim, disse Jesus. 26.Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai e comei, isto é meu corpo. 27.Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos, 28.porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados. 29.Digo-vos: doravante não beberei mais desse fruto da vinha até o dia em que o beberei de novo convosco no Reino de meu Pai. 30.Depois do canto dos Salmos, dirigiram-se eles para o monte das Oliveiras. 31.Disse-lhes então Jesus: Esta noite serei para todos vós uma ocasião de queda; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho serão dispersadas (Zc 13,7). 32.Mas, depois da minha Ressurreição, eu vos precederei na Galiléia. 33.Pedro interveio: Mesmo que sejas para todos uma ocasião de queda, para mim jamais o serás. 34.Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo: nesta noite mesma, antes que o galo cante, três vezes me negarás. 35.Respondeu-lhe Pedro: Mesmo que seja necessário morrer contigo, jamais te negarei! E todos os outros discípulos diziam-lhe o mesmo. 36.Retirou-se Jesus com eles para um lugar chamado Getsêmani e disse-lhes: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar. 37.E, tomando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. 38.Disse-lhes, então: Minha alma está triste até a morte. Ficai aqui e vigiai comigo. 39.Adiantou-se um pouco e, prostrando-se com a face por terra, assim rezou: Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres. 40.Foi ter então com os discípulos e os encontrou dormindo. E disse a Pedro: Então não pudestes vigiar uma hora comigo… 41.Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca. 42.Afastou-se pela segunda vez e orou, dizendo: Meu Pai, se não é possível que este cálice passe sem que eu o beba, faça-se a tua vontade! 43.Voltou ainda e os encontrou novamente dormindo, porque seus olhos estavam pesados. 44.Deixou-os e foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras. 45.Voltou então para os seus discípulos e disse-lhes: Dormi agora e repousai! Chegou a hora: o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores… 46.Levantai-vos, vamos! Aquele que me trai está perto daqui.”
São Mateus, 26 – Bíblia Católica Online

É fácil compreender a sublimidade desta hora. Pois bem, nesta noite sagrada o Senhor lhes garante a infalibilidade por três vezes, segundo narra São João, testemunha ocular daqueles acontecimentos. Jesus começa dizendo aos Apóstolos:
“Eu rogarei ao Pai e Ele vos dará um outro Advogado, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós”(Jo 14,16-17).

Que garantia maior de infalibilidade Jesus poderia ter dado à Sua Igreja, do que deixar nela o Seu próprio Espírito, que Ele chama de Espírito da Verdade? Se Ele permanecerá com a Igreja, “eternamente”, como ela poderia errar em matérias essenciais à nossa salvação?

É preciso notar que Jesus disse que o Espírito Santo seria dado “para que fique eternamente convosco.” E garantiu ainda que Ele ficaria com a Igreja e estaria na Igreja. “Permanecerá convosco e estará em vós.”

Para aceitarmos que a Igreja tenha errado o caminho da verdade, como quiseram Lutero e seus seguidores, depois de 1517 anos, seria preciso antes concordar que o Espírito Santo, “o Espírito da Verdade”, tenha abandonado a Igreja. Mas isto jamais poderia ter acontecido, pois Ele foi dado para ficar “eternamente convosco”.

As promessas de Jesus para a Sua Igreja são infalíveis, porque Jesus não é um farsante e nem um mentiroso. Naquela hora memorável que antecedia a Sua paixão, Ele não estava brincando com os seus Apóstolos e com a Sua Igreja. Ele se despedia dela com as suas últimas e mais importantes promessas, para em seguida sofrer, por amor a ela, a sua dolorosa paixão.

Infelizmente o orgulho e a soberba espiritual cegam os olhos da alma e não deixam que suas vítimas enxerguem essa verdade. Em que pese os pecados dos seus filhos, mesmo assim, a Igreja jamais perdeu o domínio da verdade. (Professor Felipe Aquino – Formação Canção Nova)

 

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Dos ramos ao madeiro – Parte III

Dos Ramos ao madeiro – 3/5

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Não era a primeira vez que Judas de Kerioth (Iscariotes) se encontrava com Anás, sacerdote proeminente no Sinédrio e genro de Caifás o sumo sacerdote. Em todos os outros encontros sempre tiveram a presença de mais 2 ou 3 escribas. Qual não foi sua surpresa ao deparar-se com o próprio Caifás acompanhado de Anás e mais 8 sacerdotes. Finalmente Judas entendeu que não se tratava apenas de antipatia contra o homem que ele chamava de mestre, era algo maior. Teve também certeza de que o plano que traçava em paralelo daria certo e a surpresa seria de Caifás e dos romanos com a revolta que se seguiria a prisão de Jesus.

O sumo sacerdote queria que Judas dissesse onde estava o profeta imediatamente,  mas Judas protelou dizendo que escolheria a melhor hora. Na verdade ele não sabia onde celebrariam a Páscoa por isso achou melhor obter tal informação. O preço desta traição seriam 30 moedas de prata. E após esta conversa rápida , Judas partiu apressadamente deixando os sacerdotes ansiosos.

Pedro e João por sua vez, pediram a casa de uma família de amigos para que pudessem celebrar a páscoa junto com Jesus , os discípulos e a família acolhedora. Esta família tinha uma boa situação financeira e a história iria revelar no futuro um apóstolo, na verdade um evangelista. Mas naqueles dias ainda era uma criança chamada João Marcos.

Pilatos mantinha suas tropas em alerta pois nesta época sempre apareciam pessoas para causar algum tipo de tumulto. Caifás e um pequeno grupo de sacerdotes já tinham ido até sua residência reclamar de um homem, que segundo eles pregava contra Roma. Pilatos não deu muita atenção já que sempre era importunado por este tipo de reclamação.

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Era o mês de Nisã (no hebraico נִיסָן,) vésperas da celebração do Pessach, a Páscoa Judaica (do hebraico פסח, que significa passar por cima ou passar por alto), uma das festividades mais importantes dos judeus, também conhecida como “Festa da Libertação”, que celebra a libertação dos Hebreus da escravidão no Egito em 14 de Nisã no ano aproximado de 1440 a.C , liderados por Moisés. Seria mais uma celebração comum, nenhum dos discípulos tinha ideia de como as coisas mudariam radicalmente, e nunca mais a palavra Páscoa teria o mesmo significado.

A noite começava a despontar quando os discípulos, Maria mãe de Jesus, Maria Madalena e outra Maria, mais Jesus chegaram a casa onde celebrariam o Pessach. Tudo já havia sido preparado de antemão. seria uma bela celebração e nestes 3 últimos anos, seria a primeira celebrada em plena Jerusalém. Havia ansiedade, apreensão, felicidade e medo no ar. Mas ainda assim Jesus iniciou a celebração. Antes de mais nada resolveu lavar os pés de cada um dos apóstolos. Pedro não queria aceitar pois achava desconcertante ver seu mestre fazer um ato de extrema humildade. Mas Jesus explicou o porque fazia aquilo, falando que todos devemos também saber ser humildes. E após isso deu-se inicio a ceia propriamente dita.

Milton Cesar

Poucas horas antecediam o momento da última ceia de Jesus, e existia sim uma certa tensão no ar. Mas em meio a isso, ele manteve-se calmo e ainda deu vários sinais de como o amor ao próximo é o mandamento maior. A humildade de Jesus é evidente e ele tenta passar este ensinamento aos seus discípulos. Dá para perceber como havia dificuldade de entendimento por boa parte deles. Pedro sempre questionava algumas coisas e assim ia “tirando suas dúvidas”, outros ficavam mais quietos, talvez maravilhados pelos prodígios ou receosos de contrariar o mestre. Mas de certo, o que havia era um laço muito forte entre todos, mesmo que quase nenhum estivesse preparado para o que ainda estava por vim.

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“São João, 13, 1-17

1.Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai, como amasse os seus que estavam no mundo, até o extremo os amou. 2.Durante a ceia, – quando o demônio já tinha lançado no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de traí-lo -, 3.sabendo Jesus que o Pai tudo lhe dera nas mãos, e que saíra de Deus e para Deus voltava, 4.levantou-se da mesa, depôs as suas vestes e, pegando duma toalha, cingiu-se com ela. 5.Em seguida, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido. 6.Chegou a Simão Pedro. Mas Pedro lhe disse: Senhor, queres lavar-me os pés!… 7.Respondeu-lhe Jesus: O que faço não compreendes agora, mas compreendê-lo-ás em breve. 8.Disse-lhe Pedro: Jamais me lavarás os pés!… Respondeu-lhe Jesus: Se eu não tos lavar, não terás parte comigo. 9.Exclamou então Simão Pedro: Senhor, não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça. 10.Disse-lhe Jesus: Aquele que tomou banho não tem necessidade de lavar-se; está inteiramente puro. Ora, vós estais puros, mas nem todos!… 11.Pois sabia quem o havia de trair; por isso, disse: Nem todos estais puros. 12.Depois de lhes lavar os pés e tomar as suas vestes, sentou-se novamente à mesa e perguntou-lhes: Sabeis o que vos fiz? 13.Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou. 14.Logo, se eu, vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns aos outros. 15.Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais também vós. 16.Em verdade, em verdade vos digo: o servo não é maior do que o seu Senhor, nem o enviado é maior do que aquele que o enviou. 17.Se compreenderdes estas coisas, sereis felizes, sob condição de as praticardes.”
São João, 13 – Bíblia Católica Online

 

 

Pessach 

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Acontece que o Pessach celebrado durante a última ceia ocorreu às vésperas da crucificação e ressurreição de Cristo, então as duas festividades acabaram se interligando. E não é só isso: o ano litúrgico judaico não serve de base apenas para as festividades dos judeus, mas para as dos cristãos também, determinando o dia daquelas celebrações sem data fixa, que variam de acordo com eventos astronômicos.

Mas apesar de a festa cristã ter a sua origem na festa judaica, as duas têm significados diferentes. Assim, enquanto o Pessach marca a libertação do povo judeu no Egito, a Páscoa cristã representa a libertação de todos que estavam separados de Deus devido aos seus pecados, que foram perdoados através da morte e ressurreição de Jesus.

  • A celebração dessa festividade dura entre sete e oito dias, dependendo do país;
  • No início do Pessach, ocorre um jantar cerimonial — chamado Seder — cheio de simbolismos, no qual famílias e amigos se reúnem para comemorar;
  • O prato do Seder consiste em um ovo cozido, osso com carne tostado de cordeiro, hortaliças amargas (como a escarola, por exemplo), vegetais mergulhados em água com sal, salsão e um purê feito de uma mistura de maçã, pera, nozes e vinho;
  • Na véspera do Seder, todos os primogênitos devem fazer jejum para relembrar a salvação de todos os primogênitos israelitas que sobreviveram às pragas do Egito.

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Calendário Judeu

O primeiro mês do calendário judaico é o mês de Nisã (Nisan, Nissan – Março / Abril), quando se celebra a Páscoa. O ano novo judaico, porém, ocorre em Tishrei (Setembro / Outubro).

Diferentemente do Gregoriano, é baseado no movimento lunar, onde a cada lua nova temos um novo mês. Cada ciclo lunar dura aproximadamente 29 dias e 12 horas e os meses judaicos variam entre 29 e 30 dias, como também ocorre no calendário Gregoriano, onde há meses com 28,29,30 e 31 dias.

A duração do ano judaico varia entre 353 e 355 dias, ficando geralmente com 354 dias, ou seja, cerca de onze dias a menos. Para compensar esta diferença, de tempos em tempos é acrescido ao calendário judaico um mês inteiro, representado pelo mês de Adar II, que é um mês embolísmico. É por isso que o calendário judaico tem um mês a mais a cada três anos, que é quando a diferença dos onze dias formam cerca de um mês. É preciso um período de 19 anos para “ajustar” o Ano Lunar e o Ano Solar, para que ambos comecem exatamente ao mesmo tempo, sem defasagem.

Desta forma o calendário judaico está dividido em ciclos de dezenove anos. Em cada período, ou ciclo, há sete anos embolísmicos: o 3º, 6º, 8º, 11º, 14º, 17º e 19º. Assim, torna-se fácil descobrir se um ano judaico qualquer é embolísmico, ou seja, quando haverá 13 meses no ano. Divide-se o ano judaico por 19; se o resto for 3, 6, 8, 11, 14, 17 ou zero, este será um Ano Embolísmico.

Tomemos o ano de 5768, equivalente ao Gregoriano 2008: dividindo-se 5768 / 19, temos um resultado de 303, sobrando um resto de 11. Significa que é o 11º ano do 304º ciclo desde a Criação do mundo, tendo sido 5.768 (2008), portanto, um ano embolísmico, ano com 13 meses.